2. KURAMSAL BİLGİLER VE LİTERATÜR TARAMASI
3.6 Deneysel İşlemler
Como já foi citado no Capítulo 2, a palavra desempenho é muito utilizada na linguagem coloquial, e pode ter significados muito diferentes. No mundo empresarial, inclusive nas próprias empresas ligadas ao setor da construção civil, a utilização da expressão “desempenho” muitas vezes está associada à definição e mensuração dos resultados que os acionistas e dirigentes das empresas esperam obter.
A grande maioria das empresas, especialmente nos países capitalistas, define periodicamente metas e indicadores de desempenho para os seus negócios em diversos níveis (estratégicos, operacionais, individuais, entre outros), que envolvem metas financeiras (faturamento, rentabilidade, etc.), de participações em mercados específicos, de melhoria nos processos organizacionais ligadas à eficácia de seus funcionários, etc. Muitas empresas divulgam as suas metas e resultados para o mercado, e a maioria delas remunera parcialmente os seus colaboradores através da mensuração de indicadores individuais de desempenho.
Apesar do termo desempenho ser muito utilizado com essa conotação empresarial, o enfoque da aplicação do conceito de desempenho nesta dissertação está ligado especificamente ao setor da construção civil e ao aspecto da tradução técnica (direta ou indiretamente) das necessidades dos usuários em requisitos de desempenho, na busca de caminhos para o seu efetivo atendimento ao longo da vida útil das edificações.
Mesmo com o enfoque citado relativo ao conceito de desempenho, sua aplicação em todo o macro-setor da construção civil é ainda bastante abrangente. Na prática, a abordagem de desempenho na construção civil significa coisas diferentes para diferentes pessoas, dependendo do seu ponto de vista. Os gerenciadores do ciclo
de vida global de ativos construídos, os clientes que adquirem imóveis, e cada agente da cadeia produtiva da construção civil, encaram o desempenho de uma forma distinta.
A implementação da abordagem de desempenho pode ser feita para comprar pregos, para procurar uma casa, para o projeto de um novo museu, durante o projeto de construção de um empreendimento único, para testar o desempenho de um piso plano, durante o projeto e construção de um programa amplo de produção, na preparação e diretrizes de projeto, no gerenciamento do portfólio de milhares de ativos de uma empresa espalhados pelo mundo todo, na definição de requisitos mínimos de desempenho para uma moradia em um determinado país, na elaboração de códigos, regulamentos e padrões para a Construção Civil, no controle da qualidade de produtos através de inspeção, aprovação e certificação, e assim por diante. A forma de implementação da abordagem de desempenho varia muito, dependendo do campo de aplicação e dos objetivos de cada parte interessada.
Os usuários cujas exigências se deseja atender podem ser pessoas, animais ou mesmo objetos e equipamentos que o projeto prevê acomodar. O tipo de construção também varia muito, e com ela as necessidades dos seus usuários e dos negócios a ela associados: escolas, indústrias, residências, órgãos governamentais, áreas públicas, etc.
Apesar da abrangência em relação ao tema desempenho de edificações, a aplicação na construção civil normalmente está focada no desempenho requerido para os processos de negócio, e voltada às necessidades dos usuários humanos. O conceito se aplica tanto a imóveis novos quanto àqueles já existentes, locados ou próprios, a qualquer tempo ao longo do ciclo de vida de um ativo, a todo o processo ou parte dele, e, mesmo quando a abordagem de desempenho não é utilizada, o desempenho está sempre implícito nas soluções adotadas em projeto.
Do ponto de vista técnico, o conceito de desempenho não se aplica apenas a sistemas, mas também a elementos e componentes, tais como um tubo de PVC, uma fechadura, uma esquadria de alumínio, etc. A terminologia adotada na Norma Brasileira de Desempenho – NBR 15575-1 (2008) está transcrita abaixo:
“Sistema: A maior parte funcional do edifício. Conjunto de elementos e componentes destinados a cumprir com uma macro função que a define (exemplo: fundação, estrutura, vedações verticais, instalações hidrossanitárias, cobertura).
Elemento: Parte de um sistema com funções específicas. Geralmente é composto por um conjunto de componentes (exemplo: parede de vedação de alvenaria, painel de vedação pré-fabricado, estrutura de cobertura).
Componente: Unidade integrante de determinado elemento do edifício, com forma definida e destinada a cumprir funções específicas (exemplos: bloco de alvenaria, telha, folha de porta).”
O edifício é percebido como um grande sistema constituído de sistemas, elementos e componentes que interagem entre si, cada um com uma função determinada para obtenção do desempenho global e de cada parte. Um exemplo desta “hierarquia” é o sistema “instalações hidrossanitárias”: um dos seus elementos é a “distribuição de água quente e fria” que, por sua vez, é formada por vários componentes, um deles o “tubo de PVC”. O sistema hidrossanitário, além de exercer sua função específica de abastecer de maneira adequada os usuários com água quente e fria, deve também ter a capacidade, entre outras funções, de absorver as deformações e esforços gerados pelos outros sistemas inter-relacionados, notadamente a estrutura do edifício. Assim, o desempenho de um sistema afeta outros sistemas e vice-versa, e o desempenho global do edifício deve ser encarado como um todo integrado.
Para se atingir o desempenho dos sistemas, é necessário conhecer o desempenho dos elementos e componentes que os compõem, especialmente em alguns requisitos, tais como a durabilidade. O componente “tubo de PVC”, e o elemento “estrutura de madeira” de uma cobertura, por exemplo, devem possuir durabilidade compatível com a vida útil dos sistemas a que pertencem.
Na prática do mercado da Construção Civil, para que as necessidades dos usuários sejam atendidas de fato através de uma abordagem de desempenho, é necessário que exista um ambiente interno e externo às empresas e a todos os agentes do setor, que as motive e possibilite caminhar nesta direção.
As motivações para o investimento em pesquisas acadêmicas, para o desenvolvimento de normas e regulamentos baseados no desempenho e para a aplicação propriamente dita do conceito de desempenho na prática da construção
civil, variam de acordo com os interesses dos agentes envolvidos, e são diferentes em cada pais e em cada obra, dependendo das condições e demandas para que isso ocorra.
Na literatura pesquisada, de uma maneira geral, os principais benefícios esperados com a aplicação do conceito são os descritos abaixo e estão aderentes aos definidos pela rede PeBBu, citadas no Capítulo 2:
• Facilitar a satisfação das necessidades dos usuários e proprietários.
• Implementar as práticas de sustentabilidade nas construções utilizando o arcabouço conceitual do desempenho para definir e mensurar as questões ambientais.
• Facilitar a inovação tecnológica ao criar uma estrutura sistemática para avaliação e aceitação das construções e definir resultados, e não formas de como atingi-lo.
• Permitir maior flexibilidade de design nos projetos e reduzir custos desnecessários de construção, a fim de atingir um nível aceitável de desempenho.
• Facilitar o comércio internacional ao substituir padrões prescritivos que podem servir como barreiras.
• Facilitar a comunicação entre todos os envolvidos para permitir a escolha racional de instalações e produtos.
Durante o processo de discussão pública da Norma de Desempenho, este autor teve a oportunidade de conversar com diversos agentes da Construção Civil brasileira e ouvir as suas motivações para a implementação do conceito. Algumas destas motivações são naturalmente diferentes das existentes nos países do primeiro mundo e refletem o contexto brasileiro atual do setor da construção civil. As principais citadas foram as seguintes:
• Criar uma referência para a avaliação de sistemas construtivos inovadores.
• Definir a “regra do jogo” do setor diminuindo a subjetividade do que é bom ou ruim em termos técnicos e permitindo ao usuário compararações baseadas em requisitos de desempenho e não apenas em “impressões e aparências”.
• Estimular o desenvolvimento tecnológico da Construção Civil brasileira.
• Tornar a concorrência setorial no país mais justa e saudável ao definir claramente o ambiente técnico de negócios.
• Induzir que as concorrências públicas não sejam exclusivamente baseadas em preço e também em padrões mínimos de qualidade.
• Criar uma barreira técnica para novos entrantes no setor.
• Proteger o usuário de habitações, especialmente os de menor renda, ao definir um desempenho mínimo obrigatório.
• Definir a responsabilidade de cada agente para obtenção do desempenho desejado ao longo do tempo, e orientar o poder Judiciário nas demandas da Construção Civil.
• Criar uma nova metodologia de projeto e de controle de qualidade.
O estágio tecnológico e econômico de cada país, associado ao nível de desempenho praticado pelo mercado local e aceito pelos seus habitantes, geram diferenças de motivação para a aplicação do conceito de desempenho. O ambiente regulatório do setor da Construção Civil em cada sociedade também influencia bastante nas possibilidades e motivações de aplicação do conceito de desempenho, conforme discutido ainda neste capítulo.
Apesar das diferenças nas condições e motivações, o benefício mais esperado decorrente da aplicação da abordagem de desempenho citado na literatura, tanto nacional quanto internacional, é o estimulo à inovação tecnológica na construção civil, assunto discutido também neste capítulo.