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4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.14 Öğrenci Görüşmelerinden Elde Edilen Bulgular

3.3.1 O ambiente regulatório

Sistemas regulatórios de construção civil consistem num conjunto de instrumentos legais que têm a finalidade de garantir que as edificações, quando feitas em acordo com tais sistemas, propiciem níveis socialmente aceitos de saúde, segurança, bem- estar e comodidade aos seus usuários e para a comunidade na qual as edificações estão localizadas.

Estes sistemas regulatórios são tipicamente feitos através de controles nas fases de projeto, construção e operação das edificações, e cobrem diversas áreas como segurança estrutural, iluminação, ventilação, etc. O formato deste arcabouço regulatório varia de país para país (normas, portarias, leis, etc.), e procura, em resumo, atender às necessidades dos usuários, conforme já discutido no Capítulo 2.

O que é comum a todos os países, sejam eles desenvolvidos ou não, é que os sistemas regulatórios existentes são tradicionalmente prescritivos e contam com seu desempenho implícito nas soluções adotadas. As prescrições são expressas de diversas formas, como por exemplo, resistência a cargas, tipologias de construção, níveis de resistência ao fogo, condições de circulação dos ocupantes, níveis de ventilação, especificações de potabilidade e consumo de água, etc.

As normas prescritivas baseiam-se na experiência passada e procuram atender as necessidades sociais reconhecidas, evitando a repetição de danos causados por acidentes ou situações perigosas. A lógica é repetir a receita que deu certo e evitar a que deu errado. Como as soluções prescritivas não levam em conta as condições específicas de cada grupo que ocupa as construções quando prontas, muitas vezes, estas dificultam o atendimento explícito das necessidades de uma sociedade.

A definição de desempenho feita por Gibson (1982) parte da premissa de que devem ser definidos os resultados a serem atingidos numa construção, e não a prescrição de como este resultado é atingido. Para que isso seja possível, é desejável que o arcabouço normativo que regula a construção civil reflita este enfoque, ou seja, defina o resultado, o desempenho desejado, e não as prescrições de como atingi-lo. Apesar de várias iniciativas em diversos países para substituir e complementar a normalização prescritiva por uma baseada em desempenho, a velocidade com que isso está ocorrendo é bastante lenta.

A migração de uma abordagem prescritiva para uma de desempenho tem se mostrado difícil na prática por várias razões, entre elas o fato de que é necessária, na maioria dos casos, uma mudança radical para substituir o arcabouço prescritivo existente, desenvolvido por décadas, além da própria dificuldade e falta de experiência na explicitação das necessidades dos usuários em requisitos de desempenho mensuráveis.

Em principio, como toda solução prescritiva traz implícito um nível de desempenho decorrente da própria solução especificada, todas as prescrições ou detalhes de projeto para uso geral poderiam estabelecer o nível de desempenho que se espera atingir baseado em experimentos, cálculos ou feedback pelo uso.

Uma norma prescritiva existente, por exemplo, cujo desempenho implícito na solução adotada é amplamente aceito, poderia ser transformada ou complementada em norma de desempenho, formalizando este desempenho implícito na forma de requisitos e critérios de desempenho. Esta é a visão, por exemplo, do programa que está sendo desenvolvido no Canadá (Objective Based Code), que procura tirar

vantagem da explicitação clara dos objetivos e requisitos funcionais, mas mantém aceitáveis as soluções representadas pelos códigos existentes (MEACHAM, 2004).

A iniciativa mais articulada em nível internacional para o desenvolvimento de um arcabouço regulatório baseado no desempenho começou com a criação, em 1996, do IRCC – Inter-Jurisdictional Regulatory Committee. O IRCC é constituído por um grupo de entidades voltadas à regulamentação da Construção Civil em vários países, que chegou à conclusão de que as discussões sobre desempenho na construção civil deveriam ocorrer num nível mais político, e não apenas técnico, aumentando assim as possibilidades de migração para um ambiente regulatório baseado no desempenho.

Os seminários internacionais sobre regulamentações baseadas no desempenho vinham sendo freqüentados predominantemente por engenheiros e cientistas, enquanto os responsáveis pelas políticas regulatórias em seus países estavam praticamente ausentes. O grupo foi formado por dez entidades de oito países, que seguem listadas abaixo, e um site foi criado para facilitar o gerenciamento dos trabalhos (http://www.ircc.gov.au/index.html).

• The Australian Building Codes Board

• The Building Industry Authority, New Zeland • The Office of the Deputy Prime Minister, UK • The International Code Council, US

• The Ministry of Land, Insfrastructure and Transport, Japan • The Ministry of Public Works, Spain

• The National Fire Protection Association, US

• The National Institute for Land and Infrastructure Management, Japan • The National Office of Building Technology and Administration, Norway • The National Research Council, Canada

O propósito definido para o IRCC foi o de trabalhar num nível internacional e produzir documentos para o desenvolvimento, implementação e suporte na área de construção civil, de um sistema regulatório baseado no desempenho. O foco definido

foi a identificação de políticas públicas, infra-estrutura regulatória, questões de educação e tecnologia para a implementação e gerenciamento desses sistemas regulatórios.

Em 1998, o IRCC publicou um documento intitulado “Guidelines for the Introduction of Performance Based Building Regulations”, também disponível no site da entidade, que foi utilizado por diversos países desde então, incluindo os Estados Unidos e a Inglaterra, com o objetivo de ajudar no desenvolvimento de sistemas regulatórios baseados no desempenho.

Também a partir do ano de 1998, a entidade vem realizando dois seminários anuais para discussão e desenvolvimento de conceitos relativos ao tema.

Um exemplo interessante de material produzido pelo IRCC pode ser visto na Figura 4, que ilustra a hierarquia e a interação entre metas e objetivos do sistema. A hierarquia do desempenho apresentada segue a visão tradicional expressa em 1984 pela Norma ISO 6241 (metas ou estados funcionais num nível qualitativo, critérios em termos quantitativos e os métodos de avaliação para a mensuração do atendimento ou não ao desempenho), mas coloca a avaliação do risco como um fator também importante.

Conforme discutimos no Capítulo 2, a abordagem de desempenho tem um caráter probabilístico e sistêmico, e os níveis de desempenho sempre estarão atendendo a uma parte dos usuários, uma parte do tempo (no exemplo citado, um determinado nível de desempenho de um piso em relação à vibração gerada atende 90% dos usuários em 90% do tempo).

Observando a figura, vemos que os grupos de risco do desempenho foram divididos em quatro tópicos: uso primário e as características principais da construção; a importância da construção; as características de risco dos ocupantes associados ao uso primário da construção; e os tipos de eventos perigosos e de que magnitude os ocupantes e a construção têm a expectativa de resistir.

A complexidade do assunto é grande, e a identificação do tipo de construção (hospital, apartamentos residenciais ou escritórios), com seus diferentes tipos de ocupantes, leva ao estabelecimento de níveis de desempenho diferentes para cada caso, e requerem diferentes métodos de teste, padrões de design, avaliações, etc.

Por exemplo, pode ser de interesse do governo de uma cidade tolerar riscos de pequenos danos no sistema de cobertura de habitações residenciais se ocorrerem ventos de 100 Km/h (com um determinado custo para atingir tal desempenho), e pode ser que, para um hospital na mesma cidade, o interesse seja de que não haja nenhum tipo de dano com ventos de 200 Km/h, mesmo que o custo para atingir este desempenho seja muito maior. O ambiente regulatório deveria refletir os níveis de desempenho e risco desejados (MEACHAM, 2005).

Figura 4 – Interação das metas, objetivos e critérios na hierarquia do sistema regulatório baseado no desempenho do IRCC (Meacham, 2004)

Prover um ambiente razoavelmente livre do risco de ferimentos e mortes

Prover padrões adequados para proteger razoavelmente os ocupantes das construções dos efeitos do fogo

Rotas de fuga devem ser projetadas com capacidade e proteção adequadas para possibilitar aos ocupantes, tempo suficiente para alcançarem um local seguro sem estarem expostos a condições não razoáveis de segurança Desempenho/Grupos de risco Uso primário da construção e suas características gerais Importância da construção

Níveis de Desempenho (níveis de impacto tolerável, níveis de

proteção) Características de risco

dos ocupantes associadas ao uso primário da construção

Tipo de evento perigoso e a magnitude do perigo que a construção e os seus ocupantes têm a expectativa de suportar (cargas de projeto) Nível 6: Criterios de Desempenho Níveis 7 & 8: Soluções e Métodos d Nível 1: Meta (segurança)

Nível 2: Requisito funcional

Benzer Belgeler