3.4. Veri Toplama Süreci
3.4.2. Uygulama
3.4.2.1. Deney grubunda yürütülen çalışmalar
intolerante pode apresentar paixões benevolentes que envolvem temas como o amor à pátria (nacionalismo) ou a solidariedade ao grupo social do sujeito intolerante. Como diz Barros, “é esse jogo entre o querer fazer mal aos diferentes e o querer fazer bem a seus iguais que caracteriza o sujeito apaixonado intolerante” (2008: 343-344).
Como já apontado por Barros, o discurso intolerante envolve a dimensão passional do discurso. Passaremos, então, a algumas considerações a respeito das paixões no discurso intolerante.
3.5. Etapas do discurso intolerante: percursos entre a razão e a paixão malevolente
Em seu estudo sobre a paixão da cólera, Greimas desenvolve magistralmente os percursos de reparação da falta por um sujeito em estado de carência. Esse estado pode ser gerado, por um lado, pelo destinador- julgador que não cumpre sua parte do contrato fiduciário inicialmente estatuído pelo destinador-manipulador e, por outro lado, pode ser o efeito de um antissujeito que toma o objeto-valor de um sujeito do fazer (aquele que foi manipulado e aceitou os termos e valores do contrato fiduciário). Em outras identificado como fazendo parte do conjunto de valores do destinador, ele poderá ser eliminado, excluído ou segregado do percurso narrativo, a depender do modo como o destinador se relaciona com seus próprios valores.
palavras, o sujeito em estado de carência é levado a essa situação por um descumprimento do contrato por parte do destinador ou pelo fazer de um antissujeito e para eliminar a falta produzida por esses dois actantes, o sujeito pode iniciar um percurso de reparação contra o destinador, o que produziria o percurso da revolta, ou contra o antissujeito, produzindo o percurso da vingança. No entanto, como não foi seu objetivo, Greimas não desenvolveu os elementos que permitiriam compreender a produção do efeito de carência no sujeito passional. Dessa forma, veremos como a organização da intolerância pode estar relacionada com o descumprimento do contrato pelo destinador- julgador ou pela ação do antissujeito.
Tomamos emprestado o esquema passional elaborado por Bertrand (2003), feito a partir das propostas de Greimas e Fontanille em Semiótica das Paixões (1993): disposição, sensibilização, emoção e moralização. Ao mesmo tempo, correlacionaremos o percurso passional ao percurso narrativo clássico, uma vez que compreendemos a intolerância como um fenômeno que engloba tanto a dimensão passional como a cognitiva e a pragmática73. O papel das paixões no discurso intolerante está relacionado com o esquema narrativo canônico: a manipulação, por exemplo, pode estar ligada à organização da disposição passional do sujeito intolerante. E assim com a aquisição ou a atribuição das competências (sensibilização), na execução da ação (emoção) e, por fim, na sanção (moralização). De certa forma, essa opção explicaria como atos intolerantes impensados buscam uma justificativa racional para sua ação devastadora.
Começando pela disposição, pensamos que o sujeito intolerante é definido por diferentes gradações do /crer-ser/ que vão modular sua relação com os valores. À medida que esse /crer/ se torna mais intenso, maior será o fechamento do sujeito intolerante diante da alteridade. Em um momento anterior à disposição, o sujeito intolerante é um sujeito relaxado por estar em relação apenas com os seus valores. Ao surgir a alteridade em seu horizonte, o sujeito intolerante passa imediatamente a um estado de tensão.
73 Segundo Greimas e Fontanille: “Desse ponto de vista [o de encadeamento de fazeres] e nesse nível de
análise, a sintaxe passional não se comporta diferentemente da sintaxe pragmática ou cognitiva; ela assume a forma de programas narrativos, em que um operador patêmico transforma estados patêmicos; as dificuldades começam quando se examinam as interferências entre as diferentes dimensões” (1993: 50- 51).
Em relação à sensibilização, podemos imaginar o seguinte: para uma identidade qualquer, surge uma alteridade. Diante dessa alteridade, a identidade vai passar a tecer certas considerações a partir de um primeiro /fazer-interpretativo/. No /fazer-interpretativo/, já estão envolvidos os valores da identidade, que acabam se confrontando com os valores da alteridade. Dentre as diferentes possibilidades, uma é a de considerar a presença da alteridade como uma presença insuportável, porque se diferencia (em demasia ou não) da identidade. Nesse momento, o sujeito intolerante pode sentir que a alteridade é uma ameaça à sua organização modal de sujeito competente e à sua segurança para a continuidade de sua existência. A sensação de ameaça já se constrói nessa etapa como um simulacro, ou seja, como uma imagem fixada construída pelo próprio sujeito intolerante em sua interpretação da alteridade. A presença da alteridade faz, então, com que o sujeito intolerante se sinta ameaçado, como já dissemos, porque sua organização modal (tanto a do /fazer/ como, principalmente, a do /ser/) é colocada à prova, assim como suas certezas e seu apego aos valores. Consequentemente, a identidade passará a um determinado /fazer/ para que essa presença deixe de existir, ao menos de forma imediata para a identidade.
Assim, o sujeito intolerante passa a etapa da emoção. Como tudo o que for estranho ao sujeito intolerante passa a ser visto como uma ameaça à sua própria integridade, ele vai realizar um /fazer-malevolente/ que vise à eliminação dessa presença estranha (da alteridade). A partir daí, ele pode desencadear diferentes percursos da intolerância. Na intolerância selvagem, ele vai procurar eliminar completamente a existência da alteridade, o mais rápido possível. Na intolerância violenta, esse sujeito intolerante vai realizar a exclusão, mesmo porque esse sujeito possui uma relação menos intensa com os valores nos quais acredita, mas ainda assim uma relação forte/tônica. E a intolerância átona é, por fim, uma segregação, na medida em que o sujeito intolerante apenas rejeita algumas presenças da alteridade e, por isso, as manteria a distância.
É ainda na etapa da emoção que o sujeito intolerante desenvolve o sentimento de ódio pela alteridade, sobretudo pela forma da intolerância selvagem. Na intolerância violenta, a emoção predominante é a da raiva, enquanto na intolerância átona predomina o sentimento de repulsa à
alteridade. Dessa forma, o sujeito intolerante passa a se sentir um sujeito ameaçado e passa a visar uma maneira de eliminar essa ameaça.
Por fim, a moralização apresenta duas possibilidades: a primeira, quando o actante coletivo (sociedade) aprova tal atitude intolerante e, assim, o próprio sujeito intolerante passa a considerar tal supressão da alteridade como algo normal e, por vezes, banal. A segunda possibilidade decorre da desavença entre o que é socialmente aceito e a atitude do sujeito intolerante. Mesmo assim, o sujeito intolerante pode acreditar que seu ato é uma forma de reparação ou de proteção à dimensão social, mesmo quando essa própria dimensão se coloca contrária a ele.
Disposição Sensibilização Emoção Moralização Intolerância
selvagem Aversão total à diferença e extremo apego aos seus valores Sentir-se ameaçado (medo) Eliminação do outro (ódio) Aprovação ou reprovação do /fazer- malevolente/ do sujeito intolerante Intolerância
violenta Desprezo pela diferença e forte apego aos seus valores Sentir-se ameaçado (medo) Exclusão do outro (raiva) Aprovação ou reprovação do /fazer- malevolente/ do sujeito intolerante Intolerância
velada diferença e Rejeição à apego aos seus valores Sentir-se ameaçado (medo) Segregação do outro (repulsa) Aprovação ou reprovação do /fazer- malevolente/ do sujeito intolerante
O quadro acima pode ser lido, no percurso, de forma transversal. É por isso que mesmo em um regime baseado na intolerância selvagem, pode haver uma justificativa por meio do medo ou da defesa dos valores caracterizadores da identidade. Da mesma forma, diferentes intolerâncias podem ser camufladas por meio de uma intolerância átona ou mesmo por um discurso tolerante.
Após a apresentação dos elementos que constituem o discurso intolerante, passaremos a aplicação desses conceitos e configurações semióticas nos textos que tratam da imigração no Brasil.
4. O discurso jurídico sobre o estrangeiro no Brasil