Roma I Tanı Kriterleri
3. GEREÇ VE YÖNTEM
4.3. DEMOGRAFİK DEĞİŞKENLER ARASINDA ÖLÇEK VE ALT BOYUTLAR BAKIMINDAN FARKLILIKLARIN VE İLİŞKİLERİN İNCELENMESİNE
No convívio com os sujeitos foi possível perceber que a rotina dos ensaios é uma
das dimensões que interferiram nos processos educativos do grupo. Nela se
desenvolveram saberes mediados pela regente, em seu planejamento, sistematização e
estabelecimento de estratégias voltadas para a educação musical daquelas pessoas.
Contudo, os saberes também se desenvolveram por meio de trocas entre todos/as os/as
demais participantes.
Como foi mencionado anteriormente neste estudo, o encontro semanal do grupo
pode ser entendido num conjunto que compreende diferentes fases. Desta vez com
destaque para os processos gerais de ensino e aprendizagem, entendemos que essas etapas
compreendem planejamento, preparação, prática de ensaio, momentos de
confraternização, e avaliações feitas principalmente pela maestrina. A sucessão dos
diferentes momentos do encontro pode ser visualizada no Quadro 3.1, a seguir.
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Quadro 3.1: Dinâmica de um encontro padrão, incluindo preparação, ensaio e avaliação.
Planejamento do ensaio
Elaboradas pela maestrina
Elaboradas pela maestrina, pelo principal mentor do grupo e eventualmente por mais colaboradores
Objetivações a partir da observação e avaliação do ensaio anterior
Elaboradas eventualmente por todos
Encontro padrão:
Eventos do encontro Sub-eventos Duração aproximada
Saudações e conversas breves 15 minutos
Relaxamento Alongamento Preparação corporal Aquecimento vocal 30 minutos Ensaio
Treinamento das músicas (mediante orientação)
1h30min
Músicas tocadas e cantadas espontaneamente (roda de canção)
Roda de conversa
Refeição (roda de conversa)
1 a 2 horas
Avaliação do ensaio
Avaliação do ensaio para promover novos planejamentos adequados
A prática de ensaio inicia-se com uma fase de estimulação. Nela os exercícios de
alongamento e relaxamento são alternados com um aquecimento vocal, no qual são
realizados vocalizes e exercícios de respiração, solfejo de leitura a duas vozes, frases e
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versinhos para exercitar a articulação fonética.
76Toda essa preparação tem como objetivos
preservar a saúde vocal e pôr os integrantes em condições adequadas para a fase seguinte.
Esse começo de atividades requer um investimento inicial de atenção e tempo, até
que se tornem apreciáveis e acessíveis. Funciona como uma fase de transição, ao conduzir
o participante a sair dos condicionamentos da semana (especialmente os que produzem
desatenção, cansaço, ansiedade e estresse) para finalmente mergulhar num universo
diferenciado e prazeroso, que proporciona envolvimento, exploração, descoberta,
criatividade e outros tipos de realização.
Outro fator que auxiliou para que as pessoas a conseguissem transpor obstáculos
iniciais é que as atividades mostraram-se mais estimulantes quando feitas em conjunto.
Tal situação auxiliou aos sujeitos participantes do grupo a vencerem a resistência
existente logo no começo do ensaio. Esse fator pode ser explicado porque o bem-estar
pessoal esteve intimamente associado à convivência, às interações, aos comentários e às
manifestações de estímulo e motivação que obtiveram uns dos outros.
Ainda nessa fase de aquecimento, atividades de audição ativa são incluídas: por
vezes foram ouvidas músicas com a proposta de que os integrantes andassem ou se
expressassem com gestos corporais enquanto a música soava.
77Tais atividades se
fundamentaram nas propostas de alguns dos principais educadores musicais da primeira
geração, tais como Émile-Jacques Dalcroze e Carl Orff.
A etapa seguinte, a do treinamento de canções brasileiras e estrangeiras, folclóricas
e populares,
78consiste na preparação das músicas elencadas para o repertório,
normalmente de peças musicais impressas cujos arranjos são, na avaliação da maestrina,
mais adequados a cada etapa de aprendizado musical daquelas pessoas.
As melodias são ensaiadas por trechos, especialmente naqueles em que a execução
é mais difícil, o que acontece mais frequentemente quando os naipes cantam linhas
melódicas distintas. Essas situações constituem-se num desafio adicional, visto que alguns
dos integrantes não tinham anteriormente passado por alguma vivência musical coletiva
semelhante a essa. Para essas pessoas há uma barreira a ser transposta ao cantar uma
76 Detalhes sobre esses exercícios podem ser vistos em DC I – 4.
77 Geralmente a música nesse momento era tocada num piano ou por um CD player. 78 Algumas dessas canções podem ser conferidas nas partituras que estão nos Anexos.
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melodia e ouvir outra ao mesmo tempo.
79Tal habilidade depende de concentração e de
percepção auditiva para processar dois ou mais eventos sonoros distintos e concomitantes:
Ainda há dificuldades de percepção das vozes em separado pelos naipes, que ainda as confundem um pouco, mas há um esforço por parte dos cantores em superar tais desafios, inclusive por meio da leitura das partituras.80
As dificuldades também estiveram presentes em execuções rítmicas com muitas
síncopes,
81o que requereu voltar continuamente aos mesmos trechos para melhorá-los ou
fez-se necessário mudar algum aspecto de um ou outro arranjo como outrora havia sido
elaborado.
Percebo que algumas realizações de síncope feitas pelas vozes não correspondem ao que está grafado na partitura arranjada e, por isso, volto algumas vezes ao trecho, faço demonstrações de como foi idealizado e os/as procuro motivar a alcançar o efeito esperado.82
Em todo o tempo do ensaio há uma preocupação com a qualidade da emissão. Para
isto a regente procura melhorar a sonoridade de cada cantor/a nos aspectos do timbre, do
fraseado, da afinação, da dinâmica e da rítmica.
Esses são alguns itens de funcionamento de ensaio, estreitamente relacionados a
um tipo de veiculação de saberes em que a intermediação da regente se faz perceber
claramente. Nesse momento do encontro semanal do grupo, os procedimentos
pedagógicos e musicais se desenvolveram numa rotina que, por sua vez, permitiu o
aprendizado de saberes sistematizados, principalmente voltados para o treinamento de
habilidades musicais vocais, de leitura e de percepção.
79 Como exemplo, veja a descrição de um ensaio em DC V – 1. 80
Trecho retirado de DC V – 1.
81 Segundo Isaacs e Marti (1985), sincope ou sincopa é o deslocamento do acento rítmico do tempo forte de um
compasso para outro que usualmente tem batida fraca. Isso pode ser realizado marcando-se as notas fracas com um sinal de acento, substituindo-se as notas normalmente acentuadas por pausas ou se prolongando uma nota que ocorre pela primeira vez em batida fraca até uma posição acentuada. Para Raendel (1986), a sincopa é uma contradição momentânea sobre a predominância entre métrica ou pulso. A partir dessa conotação, podemos entender que a sincopa é um padrão rítmico que produz uma sensação interna de dubiedade quanto ao momento real do pulso.