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Roma I Tanı Kriterleri

35. KRDÖ ile KYKÖ; Fiziksel Rahatsızlık alt boyutu, Psikolojik Rahatsızlık alt boyutu,

6.2. ÖNERİLER

A professora Patrícia é uma mulher branca, com 26 anos e morava na cidade de São Carlos, por época da realização da pesquisa. Fez o curso de Pedagogia em Universidade Pública Federal, na mesma cidade da escola, o qual concluiu em 2003. Quanto ao início da carreira, a professora, durante o relato comunicativo de vida, aponta que ele não foi fácil:

Eu entrei na prefeitura em 2004, foi aqui que eu comecei, nunca tinha trabalhado antes em outro lugar e o começo foi muito difícil. Eu sempre trabalhei nesta escola, a gente tinha passado no concurso e eles chamavam para trabalhar como Admitida em Contrato Temporário (ACT), pela lista do concurso. (§05.RC - Professora Patrícia)

Segundo Patrícia, num primeiro momento, sua primeira experiência em sala de aula não foi muito positiva,

Foi muito difícil quando eu desci aqui na escola, porque a diretora, na época, era outra. Ela me disse assim: Ah! Você pegou uma terceira série e tem uma aluna deficiente visual na sua sala, mas você não precisa ficar preocupada, porque a Bianca é muito esperta e tem uma máquina de braile, depois você conversa com a professora do ano passado e aí vocês se entendem para você aprender como usa. Eu entrei em pânico! (risada). Eu falei: Meu Deus! Eu estou no lugar errado, o que vou fazer agora? (§05.RC - Professora Patrícia)

Mas, depois, venceu os obstáculos e disse que aprendeu muito, efetivou-se na rede municipal de ensino em 2006, onde era professora ainda em 2008, ano da coleta de dados.

(...) Enfim, venci, não era nada daquilo que eu pensava, uma criança completamente incluída na sala, com uma autonomia que até hoje a gente se

pergunta: como? Como ela conseguia fazer tudo sozinha? E aprendi o braile, não tinha nada de difícil e foi, trabalhei com essa turma dois anos, 3ª e 4ª séries (...) (§05.RC - Professora Patrícia)

Para ela, a instituição na qual se formou, pensando as relações étnicas e raciais, não lhe deu muitos subsídios para lidar com tais questões,

Não, não tinha, uma disciplina que falava sobre isso, especificamente sobre isso, algumas aulas abordavam o tema diferenças, mas, assim, muito superficialmente, comentava, mas não era uma coisa focada. (§04.RC - Professora Patrícia)

A professora Patrícia se coloca como uma pessoa engajada no trabalho proposto pela escola. Relata sobre seu dia na escola, o qual considera bom e que se sente útil,

Tenho o trabalho com as crianças, também trabalho com o apoio no período contrário, sempre trabalhei, desde quando entrei aqui, sempre trabalhei com apoio com as crianças. Participo das reuniões de conselho e comissão gestora e comunidades [de aprendizagem] que acontecem juntas. Eu acho que meu trabalho é importante. É bom. Eu me sinto bem em participar das coisas que a escola propõe, que não seja só na sala de aula; então eu acho que eu me engajo para fazer acontecer algumas coisas aqui na escola. (§06.RC - Professora Patrícia)

Quanto à turma para a qual lecionava no ano da pesquisa, coloca que foi um desafio para sua carreira e descreve sua turma, destacando alguns aspectos que julga ter tido dificuldade para lidar:

Terceiro ano (...). Essa sala de aula, eu acho que foi o maior desafio que eu tive até hoje na carreira, desde quando eu estou aqui, porque ela tem uma coisa, uma peculiaridade que as outras não tinham. Essas crianças, eu acho que elas são muito críticas. Elas não são pacíficas, do tipo o que eu falei: a gente vai fazer isso. Elas reclamam e argumentam. Elas estão muito mais centradas na escola e eu acho engraçado porque é a primeira turma de 1º ano que veio para a escola, e nós conversamos. Eu, particularmente, acredito que foi uma conquista muito grande, essa turminha de 6 anos está dentro do fundamental agora [referência ao ensino fundamental de nove anos], porque eu acho que isso promoveu para ela um crescimento muito grande e como a gente via esse 3º ano, que eram alunos que eu já conhecia, que tinha contato, que foram alunos durante dois anos da profa. Jéssica. Então, nós trabalhamos juntas quando essas crianças ingressaram na escola, porque eu também tinha a mesma turma. Aí, no ano passado, acompanhei a sala por conta do apoio e de repente, esse ano essa sala é minha. (...) foi um desafio, porque eu nunca tinha trabalhado com a série, os conteúdos que a gente trabalhou e abordou eram diferentes. Mas, assim, pelas crianças mesmo! Eram crianças que eu percebi algumas uniões, eu acho que as outras salas que eu tive, elas eram mais unidas de modo geral; essa tinha grupinhos fechados, entendeu? E

assim, bem fechados; isso me incomodava um pouco e isso foi uma outra coisa que me incomodou bastante, porque era esse grupo fechado (como você comentou da Joana), ela teve um pouco de dificuldade de entrar no grupo, mas ela conseguiu entrar em outro, acho que talvez, no final do ano, esses grupos estavam começando a tentar se integrar por conta dos brinquedos que elas traziam. Mas mesmo assim, acho que precisaria ter um trabalho para elas ficarem mais unidas. Então, esses foram dois pontos que marcaram muito: essa questão dos grupos e da liderança. Tinha uma aluna muito forte nessa questão da liderança. Eu sentia na Grazi que ela era uma liderança para a sala e tinha pico; eu acho que muitas vezes ela era uma liderança positiva e, algumas vezes, uma liderança negativa, porque ela estava começando a apresentar alguns comportamentos diferentes. Então, ela era uma aluna muito esperta e, muitas crianças queriam acompanhar, mas também tinha hora que ela mentia, ou aprontava alguma coisa, que daí as crianças também queriam acompanhar. Só que, disso, ela se saia muito bem (rs). E os outros se encrencavam (rsss). Então, foi uma coisa que eu particularmente acho que não consegui lidar com isso. Demorei um pouquinho para compreender. (Parte do relato na íntegra - Professora Patrícia)

Destacamos que estas falas vêm ao encontro do que aborda Mello (1998), quanto à dicotomia que há entre “tornar-se professor” e “ser professor”. Duas possibilidades muito diferentes e distantes, e cuja passagem exige daquele que deseja “ser” professor dedicação, esforço, trabalho, persistência, luta, reflexão sobre a prática e tantas outras coisas que a profissão abarca e exige.

Nesse sentido, podemos observar que Patrícia coloca-se frente aos desafios do ser professora, mesmo diante da inexperiência do início de carreira, não desanimando e procurando soluções para vencer os obstáculos que foram surgindo durante a sua trajetória de trabalho. Contudo, essa não é uma dificuldade apenas da professora, mas de todos/as que iniciam sua carreira docente, que estão no momento da descoberta e da luta pela sobrevivência profissional, o que implicará maior predominância de um ou outro será o apoio da instituição escolar. (MELLO, 1998)

Para Mello (ibid), são muitos os fatores que influenciam o início da docência, dentre esses, ganha destaque a infinidade de diferenças com as quais o/a docente tem de conviver e aprender a lidar em sala de aula. Diferenças que caracterizam cada estudante na sua forma de ser e atuar, diferentemente daquele/a aluno/a genérico vislumbrado nos cursos de formação.

Em conformidade com o que aponta Mello (1998), as falas da professora caminham ao encontro do aprender a fazer, descobrir e, muitas vezes, sobreviver profissionalmente frente aos desafios de uma sala de aula; desafios que incluem não apenas o domínio de conteúdo, mas lidar com toda a diversidade presente no contexto escolar. Neste

sentido, destacamos que durante a sua formação no ensino superior a professora não teve um estudo específico sobre diversidade, respeito às diferenças e relações étnicas e raciais. Segundo a professora, o assunto das diferenças era abordado em algum momento ou outro, muito superficialmente.

Com base em Gomes & Silva (2002), a partir do momento que entendemos a educação escolar como parte integrante do processo de humanização, socialização e formação, esta não se dissocia dos processos culturais, de construção das identidades de gênero, de raça, de idade, de escolha sexual, entre outros. Assim, este propósito deve ser considerado em todos os níveis de ensino.

Conforme as autoras (ibid), faz-se importante manter uma conexão entre a formação inicial recebida nas instituições de ensino e a que se dá em continuidade profissional. Pensando a questão da diversidade, esta é considerada um desafio para o campo da educação, que tem como tal articular formação docente e diversidade étnica e cultural.

Gomes & Silva (2002) chamam a atenção de que há diferentes perspectivas no campo da formação continuada de professores/as e, dentre tantas, destaca que algumas têm voltado seus estudos para as histórias de vida, o desenvolvimento profissional, a formação de professores/as reflexivos/as e de novas mentalidades. Isto vem contribuindo para reconhecer a diversidade étnica e cultural como uma questão que precisa ser articulada à formação dos/as docentes e às práticas educativas escolares e não-escolares.

O desafio para o campo da didática e da formação dos professores no que se refere à diversidade é pensá-la na sua dinâmica e articulação com os processos educativos escolares e não-escolares e não transformá-la em metodologias e técnicas de ensino para os ditos “diferentes”. (...) Por isso, mais do que criar novos métodos e técnicas para se trabalhar com as diferenças é preciso, antes, que os educadores e as educadoras reconheçam a diferença enquanto tal, compreendam-na à luz da história e das relações sociais, culturais e políticas da sociedade brasileira, respeitem-na e proponham estratégias e políticas de ações afirmativas que se coloquem radicalmente contra toda e qualquer forma de discriminação. (GOMES & SILVA, 2002, p.19)

Segundo Gomes & Silva (ibid), apesar dos avanços sobre a inserção da discussão sobre a diversidade no campo da formação continuada, esta questão ainda fica muito a critério do professorado, da sua sensibilidade e vontade de trabalhar com a temática. O que significa uma identificação pessoal, pertencimento étnico e racial, postura política, desejos e experiências cotidianas que despertam o interesse de alguns/as profissionais a inserir

a discussão na sua prática escolar. Este é um fato que irá aparecer mais adiante na fala de uma das coordenadoras.

Em acordo com as autoras, acreditamos que a diversidade étnica e cultural nos mostra os sujeitos sociais, sendo históricos e também culturais. Portanto, faz-se necessário repensar nossa escola e os processos de formação docente, rompendo com práticas seletivas, fragmentadas, corporativas, sexistas e racistas ainda existentes de forma a contribuir para uma educação intercultural que dialogue e respeite as diferenças. (GOMES & SILVA, 2002) Reconhecer a diversidade “é assumir uma nova relação com os processos de construção do

conhecimento, dos valores e das identidades. É assumir uma nova postura profissional”. (GOMES & SILVA, 2002, p.27) É colocar-se como sujeito que faz história, seres históricos, portanto, seres da decisão, da ruptura, da opção. (FREIRE, 1996)

Com base na abordagem apresentada, acreditamos que pensar práticas educativas que superem as desigualdades étnicas e raciais dentro do espaço escolar ainda é um desafio, entretanto, também uma possibilidade. Considerar que a diversidade na escola é difícil, mas não é impossível, como foi apontado pelo/as autor/as e mesmo pela professora. Ao relatar a inserção da sua aluna com deficiência visual em sua sala de aula, vimos que a professora não se deixou levar pelos obstáculos do início da carreira, pela falta de apoio da direção escolar, pela inexperiência frente à diversidade e procurou formas para vencer os obstáculos e incluir sua aluna junto aos demais. Nas palavras de Freire (1996, p.79), mudar é

difícil, mas é possível. Ao encontro do seu pensamento, encerramos este item retomando palavras da professora: Enfim, venci (...)!

5.2. A questão da diversidade e das diferenças na escola: um processo de transformação

Benzer Belgeler