3. BÖLÜM
3.3. Müzikte Deşifre 31
3.3.3. Deşifre Şarkı Söyleme 36
O empregado é definido legalmente como uma “pessoa física”, ou seja, um ser
humano ao qual o direito atribui personalidade jurídica, dotada de capacidade para contratar com alguma empresa a relação de emprego, nela ingressando como um de seus pólos.
Entretanto, embora o substrato da personalidade jurídica atribuída pelo direito seja
um ser humano (“pessoa física”) ou, em geral, um grupo social (empresa coletiva), seres da
mais alta complexidade, com múltiplas e diversas características que lhes desenha a ontologia, a conceituação da pessoa em direito abstrai ou prescinde dessas características ontológicas, mal ditas metajurídicas.
Assim é pelo que se diz, em direito, sobre a personalidade jurídica, definida, com efeito, ora como capacidade de adquirir e dispor de direitos e deveres, também traduzida, para o mesmo fim, ora como aptidão, ora como susceptibilidade, ora como idoneidade, ora como faculdade e ora como possibilidade de se tornar sujeito de direito, ainda que seja de um só. Definida também, um tanto diversamente, em termos de qualidade atual, ou seja,
personalidade jurídica como poder, como status e como condição. Finalmente, definida como unidade normativa e como feixe de papéis sociais.422
Não há aí, em qualquer uma dessas apregoadas e vulgarizadas definições, uma remissão qualquer aos atributos mais básicos da personalidade, tal como se realiza concretamente nas pessoas, como são a corporalidade, a individualidade, a consciência reflexiva, a igualdade e a liberdade.
Entretanto, conforme constatado por BARBOSA, o desinteresse pela pesquisa crítica sobre a natureza das pessoas em direito aportou também no tema das relações jurídicas em grau acentuado423, uma vez que substituída até a teoria das relações jurídicas como relações entre pessoas em direito, pela teoria das relações jurídicas e, pois, das relações jurídicas de emprego, como relações entre sujeitos jurídicos.
Substituiu-se a pesquisa tanto da “pessoa física” do empregado quanto da “pessoa
jurídica” da empresa pela sua captação como “sujeito jurídico”, partes do contrato
empregatício e pólos das relações jurídicas, de modo que restou afastada, por desnecessária, a pesquisa crítica sobre a personalidade jurídica dessas partes e desses pólos, passando a cena a ser ocupada, então, pelo conceito de subjetividade jurídica.
Entretanto, o conceito de sujeitos jurídicos ou subjetividade jurídica é puramente formal, técnico, sem qualquer substância ou suporte material ou espiritual a investigar. Sujeitos jurídicos nada mais significam do que pólos ou termos de relações jurídicas que podem ser, assim, entidades de qualquer natureza.
Tanto para PONTES DE MIRANDA quanto para FERRAZ JÚNIOR e COMPARATO, os sujeitos jurídicos não passariam de entes lógicos, cuja substância só poderá ser determinada pelo conjunto dos direitos e deveres que lhes são atribuídos e impostos pelo direito objetivo, os quais serão explicitados no subitem 1.4 abaixo.424
422 Segundo minucioso levantamento apurado na obra de AFONSO BARBOSA, Arnaldo. A Pessoa em Direito:
uma abordagem crítico-construtiva referenciada no evolucionismo de Pierre Teilhard de Chardin, p. 98, 105, 108, 109, 110, 112, 115, 116, 118, 119 e 125, respectivamente.
423
BARBOSA, Arnaldo Afonso. A Pessoa em Direito: uma abordagem crítico-construtiva referenciada no Evolucionismo de Pierre Teilhard de Chardin, p. 127-138.
424 O conceito de sujeito jurídico é posto em relação à personalidade jurídica por PONTES DE MIRANDA, para
quem a personalidade jurídica se define como possibilidade de ser sujeito de direito (personalidade jurídica como possibilidade lógica, um sujeito jurídico potencial). PONTES DE MIRANDA. Tratado de Direito Privado, p. 153. Encontra-se ainda em FERRAZ JR. e COMPARATO, uma abordagem antes pragmática. Para eles, o sujeito jurídico alcançaria os entes juridicamente personalizados e outros, sem personalidade jurídica, como exemplificam, com o condomínio, o espólio, as sociedades de fato etc. FERRAZ JÚNIOR, Tércio Sampaio. Introdução ao Estudo do Direito, p. 158 e COMPARATO, Fábio Konder. O Poder de Controle nas Sociedades Anônimas, p. 279.
Despersonalizado então o contrato empregatício e as relações jurídicas de emprego não haveria porque falar do empregado como pessoa humana, já que seus componentes ontológicos não figuram na definição jurídica de pessoa física.
Em segundo lugar, aprofundando, não há porque se falar do empregado como pessoa humana porque substituído, na relação jurídica, o conceito de pessoa em direito por sujeito jurídico, conceito este de caráter estritamente lógico-formal em grau mais acentuado que o conceito de pessoa em direito adotado generalizadamente.
Nesse contexto teórico, não é estranhável que o ordenamento jurídico consagre a relação jurídica de emprego como uma relação de dominação da empresa sobre o empregado. Se o empregado, como “pessoa física”, não é uma pessoa humana, se não passa de um ente lógico-jurídico... impertinente a invocação do valor da dignidade para repelir essa relação de dominação ou, vista do lado do empregado, de subordinação.
Assim, o interesse da doutrinação trabalhista deslocou-se da espinhosa, mas essencial pesquisa da natureza das partes do contrato empregatício e dos pólos das relações jurídicas, para a pesquisa dos direitos e deveres desses sujeitos abstratos.
Não interessa mais saber o que é o empregado e o que é a empresa como pessoas ou como algo diverso das pessoas, mas quais são os direitos e deveres do sujeito jurídico do empregado e os correlativos direitos e deveres jurídicos do sujeito jurídico da empresa, os quais, como apregoa a Teoria Pura do Direito, no seu conjunto, constituem a realidade das pessoas em direito.
Claro que, no cenário dessa concepção, tornam-se impertinentes quaisquer considerações relativas à realidade do empregado e da empresa e, consequentemente, quaisquer indagações sobre os valores ligados à dignidade dos seres pessoais, como são a igualdade e a liberdade.
É que valores éticos não se ligam a meros conceitos lógico-formais, mas a entidades reais e substanciais.
Desse modo, a crítica da justiça ou do caráter exploratório dos contratos empregatícios e, por conseguinte, das relações jurídicas de emprego, deslocar-se-á da
consideração da “pessoa física” do empregado e da “pessoa jurídica” da empresa, para a
consideração da natureza e quantidade dos direitos e deveres que são conferidos aos sujeitos. Então, contrato e relação justa assim serão se equivalentes os direitos e os deveres atribuídos e impostos a um e outro; exploratórios, do contrário.
Nesse passo, a determinação desses direitos e deveres e a subseqüente comparação serão feitas, por melhor conveniência lógica, no subitem 5.1.4, adiante.