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3. Stratejik Plan

3.3. Temel Değerler

O projeto Teia da Vida possui, em seu acervo, em torno de trezentos e cinquenta horas de material audiovisual catalogado, que foi desenvolvido durante a sua execução. Este material configurou o banco audiovisual que alimentou a produção de protótipos e produtos. Nele, encontram-se entrevistas e relatos em áudio e em vídeo sobre os temas que foram trabalhados no projeto. Alguns desses materiais são entrevistas e falas do grupo de estudantes do Ensino Médio que participou do projeto e protótipos que eles desenvolveram em seus estudos. Parte do material que utilizo nesta análise foi extraído de uma pesquisa desse acervo que também possui os produtos finais denominados vídeos G5 Ideias e vídeos G5 Mídias, construídos pelo grupo de estudantes. Realizamos as transcrições dos relatos, dos estudantes, que abordam o processo de construção das ideias e das mídias que compõem o Teia da Vida com o objetivo de extrair, desses recortes de suas falas, indicadores de inteligibilidade da complexidade a partir dos princípios de inteligibilidade apontados por Morin em sua obra Ciência com Consciência (2002).

O movimento desta análise busca contribuir com o esforço de construir possibilidades da utilização de indicadores de inteligibilidade da complexidade entre as falas, processos e produtos elaborados pelos sujeitos envolvidos no projeto. Para cada princípio colocado por Morin elaborei indicadores associados a eles, que se mostraram condizentes com o contexto Teia da Vida na presente análise. Esses indicadores também foram construídos com base na experiência reflexiva do pesquisador sobre complexidade na ação e nas vivências em que participava no desenvolvimento do Teia da Vida.

Com o estudo documental dos arquivos (relatórios de vivências, relatórios de equipes técnicas e de produção, banco de produção audiovisual, entrevistas e relatos gravados com membros das equipes entre outros) foi possível construir uma leitura de parte da dinâmica que ocorreu durante todo o projeto, que permite perceber o todo. Observo alguns extratos que marcam mudanças no decorrer do projeto, promovidas por ações das equipes, ou mesmo por experimentações que

deram origem a novas possibilidades e ações. Há momentos nos documentos em que os relatos sobre as incertezas, o destino do projeto e o tipo de produto gerado, aparecem como inquietudes, e estas acabam por promover novas buscas, reconfigurações nas equipes, mudanças de ações e processos.

A importância que Morin (2002, 2005, 2007 e 2010) atribui ao papel da ação em contato com os contextos de atuação como geradoras de reconfigurações e novidades, apresentando um espaço dinâmico e permeado por incerteza, que se assemelha em grande parte com o transcorrer do projeto Teia da Vida. A operação das equipes de forma descentralizada mantendo a interação, gerenciando as tensões, incorporando as mudanças, se reacoplando e gerando novos caminhos emergentes que iam sendo construído no percurso do projeto, parece sinalizar um currículo de complexidade buscado na análise. Uma complexidade vivida na ação, no sentido atribuído por Morin. Esta análise traz para o primeiro plano os principais dados e informações encontradas nos documentos, que possam contribuir no entendimento dessa leitura que articula educação, currículo, tecnologia, complexidade e ação. O web currículo é analisado na transversalidade dos princípios e indicadores de inteligibilidade da complexidade propostos nesta investigação.

Conforme estabelecido na metodologia, os indicadores elaborados a partir dos princípios de inteligibilidade da complexidade, formulados por Morin (2010) e que serão utilizados na análise, encontram-se no quadro 2 a seguir.

Quadro 2 – Indicadores de complexidade estabelecidos para a análise Indicadores de complexidade estabelecidos para a análise

As reflexões e ações, no contexto das vivências, revelam as especificidades do contexto local, sua dinâmica e a necessidade de um pensar e agir estratégico e não pré-programado.

Principais indicadores estabelecidos: 1.1 Estratégia

1.2 Vivências

1.3 Considerações do contexto

O pensar e as ações humanas são realizados dentro de um contexto sócio-histórico e nele somos transformados e nos transformamos, aprendemos e reaprendemos marcados por experiências anteriores: pela nossa história.

Principais indicadores estabelecidos: 2.1 Amadurecimento na experiência

2.2 Experiências anteriores como fonte geradora de novas possibilidades 2.3 Mudança a partir da ação anterior

Os fenômenos complexos de estruturas organizadas se caracterizam pela geração de comportamento ou propriedades emergentes, onde as partes em interação criam um sistema com propriedades que não existem nas partes individuais ou na simples soma delas.

Principais indicadores estabelecidos: 3.1 Visão sistêmica

3.2 Partes mudando o todo

3.3 Emergência do todo a partir de um conjunto de partes

3.4 Abertura para micro atividades interagirem com macro atividades.

Auto-organização resultante de um comportamento sistêmico a partir de seus elementos internos, que promovem reconfigurações, alterando ou gerando novas formas de organização.

Principais indicadores estabelecidos:

4.1 Auto-reconfiguração de processos internos da equipe de trabalho. 4.2 Mudança a partir de coordenações internas;

4.3 Gestão descentralizada de grupos.

As mudanças nas dinâmicas também são promovidas por elementos externos com os quais o sistema se relaciona, promovendo ruído, interferências e alterando o ambiente externo ao sistema, exigindo do sistema mudanças internas em resposta às mudanças em seu entorno.

Principais indicadores estabelecidos: 5.1 Considerar novos caminhos

5.2 Gerar novos caminhos

5.3 Interagir processos e produtos 5.4 Experimentar novas possibilidades 5.5 Mesclar equipes

5.6 Trocar experiência

As emergências ocorrem em micro, meso e macro sistemas, criando um espaço dinâmico onde uma nova ordem no macro sistema pode desordenar só sistemas meso e micro, fazendo-os mudar, reordenar-se, levando também a uma nova organização macro. De forma que todo conjunto está submetido a certa quantidade de incertezas no que se refere aos resultados e efeitos gerados por novas causas.

Principais indicadores atribuídos: 6.1 Arriscar possibilidades

6.2 Experimentar e combinar 6.3 Abrir para incertezas

6.4 Incorporar ideias não previstas

6.5 Incorporar percepções e ideias geradas nas vivências e oficinas 6.6 Considerar ideias externas e possibilitar interações.

Considerar macro sistemas constituídos por micros sistemas em interação. Reconhecer o micro, o local, mas não deixar de reconhecer o seu entorno e as interações que estabelece.

Principais indicadores atribuídos: 7.1 Valorizar o conhecimento local

7.2 Considerar o contexto global dos acontecimentos e ações. 7.3 Relacionar o sujeito com o espaço e seu contexto.

O sujeito deve ser compreendido a partir de seu contexto social, cultural e histórico. Da mesma forma suas leituras do mundo são marcadas pela sua subjetividade.

Principais indicadores atribuídos:

8.1 Considerar a diversidade de leitura de mundo. 8.2 Considerar opiniões diversas e adversas.

8.3 Possibilitar geração de ideias individuais que expressem a subjetividade.

A manutenção de um olhar local em conjunto com um olhar global ou de partes, contraposto ao olhar do conjunto, pode se apresentar de forma contraditória.

Principais indicadores atribuídos:

12.1 Abrir espaço para opiniões contrárias; 12.2 Trazer outras falas;

12.3 Estimular discussões problematizadoras;

12.4 Refletir e manter contradições e opiniões concorrentes; 12.5 Operar na divergência

12.6 Leitura crítica da realidade.

A complexidade gerada por sistemas organizados dá origem a comportamentos emergentes que podem surgir de situações antagônicas entre suas partes, derivando em síntese - como uma expressão dialética. Os comportamentos emergentes também podem ser derivados da quantidade de elementos em interação, não necessariamente antagônicos.

Principais indicadores atribuídos:

13.1 Promover o diálogo entre micro e macro escalas nas vivências; 13.2 Considerar o local no global e o global no local;

Além dos indicadores elaborados a partir dos princípios de inteligibilidade da complexidade, formulados por Morin (2010), ao trabalhar com os dados do Projeto Teia da Vida e após uma primeira análise, considerando também minha experiência na coordenação do projeto, percebo que a capacidade de comunicação e diálogo tanto entre sujeitos quanto entre equipes de trabalho emerge como um novo indicador de inteligibilidade da complexidade. Pois, na medida em que os sujeitos envolvidos no projeto iam se deparando com situações de ambivalências ou contradição, a capacidade de se comunicar e de dialogar era chave para criar saídas ou propor alternativas. Também a habilidade de comunicar e dialogar foi enriquecida com o amadurecimento ocorrido nos processos de produções durante o projeto, gerando vozes.

Durante a análise, refletindo sobre o conceito de ato técnico formulado por Pinto (2005), que leva à dimensão da criação, produção e transformação, enquanto ações humanas no mundo vivido, foi possível associar o ato técnico a uma atividade complexa vista à luz da ecologia da ação de Morin (2010). Neste momento o ato técnico emergiu como mais um indicador de complexidade.

Para fins da análise, considero ainda esses dois indicadores emergentes, sendo o comunicar e dialogar e o ato técnico.

Com os indicadores elaborados, realizo a seguir a análise dos relatos, depois a dos vídeos, em tópicos específicos.

Benzer Belgeler