• Sonuç bulunamadı

2.4. Değerler Eğitimi

2.4.1. Değerler Eğitiminde Yaklaşımlar

Ao narrar suas vivências profissionais, suas escolhas e percalços, Amanda Cabrália encontra um dos momentos que a transformaram na professora que atualmente é, o que me conduz a leitura do movimento do qual nos fala Josso (2004) de reconhecer a busca de respostas para o fato de como o indivíduo se deixa influenciar e como essas influências e aprendizagens o tornam o sujeito que é, alterando de certa forma a identidade, em articulação com as reflexões que construí estudando a respeito da subjetivação e da arte da existência (FOUCAULT, 2004). Percebo que Amanda, a partir das vivências e influências, das aprendizagens construídas socialmente foi usando de sua liberdade de cuidar-se para fazer de sua existência algo segundo seus próprios princípios éticos, como a honestidade, a sensibilidade, a delicadeza, a cortesia, a pontualidade e o compromisso político com o trabalho e com a sociedade, não abrindo mão dos sonhos. Em vários momentos de nossos diálogos, declarou ir organizando a vida conforme os acontecimentos se apresentam, sem, contudo, deixar de perseguir questões que considera serem mais especiais e profundas e sem as quais não conseguiria ser feliz.

A professora, instigada a narrar a maneira como se tornou professora, diz que o momento muito significativo foi um convite de um professor para fazer monitoria na disciplina de matemática, ainda no primeiro ano do curso. Neste processo ensinava os colegas e auxiliava o professor no andamento da disciplina: “Foi um momento de descobertas, pois descobri uma atividade que nunca julguei saber fazer, o ato de ensinar que foi me conduzindo a outras descobertas de mim mesma”. Mais uma vez aparece aqui um dos seus objetivos de vida que sempre buscou, inclusive para escolher um curso de graduação, que é ajudar as pessoas a serem mais felizes. E continua dizendo, com a alegria de sempre, que desde o início do curso de graduação as oportunidades foram muitas e ela foi aproveitando.

Posso dizer também que este momento consiste em transição por ela considerada importante e marcante no desenvolvimento profissional, pois o contato com seus professores a conduz às descobertas e oportunidades para saberes, não obrigatoriamente de conteúdos, mas da dinâmica do processo de organização do trabalho pedagógico e para a compreensão de si mesma a partir da interação com colegas e com o meio profissional, na perspectiva de validar

154 ou confirmar seu grande projeto de ser e viver em harmonia com o Universo, fazendo o bem ao mundo e as pessoas, neste caso pelo ensino: “Fazendo este trabalho de monitora, eu compreendia que verdadeiramente esta seria a minha profissão” (AMANDA CABRÁLIA). Conta que quando estava fazendo a monitoria, recebeu outro convite para trabalhar na Universidade como secretária administrativa de um pró-reitor de Administração, que tinha sido seu professor no curso e aceitou. Posso inferir que apesar de ter aceitado e trabalhado por algum tempo no setor, esta fase constitui-se em uma dificuldade pela qual adquire consciência do gosto por trabalhar diretamente com pessoas, de interagir com elas, que é uma das coisas que em geral setores administrativos e burocráticos não permitem. Neste processo de consciência de si mesma, já num processo autônomo de cuidar de si pela prática da liberdade, desiste de uma viagem ao exterior do país para aperfeiçoar a Língua Inglesa, optando pelo trabalho na Universidade que já desfraldava o projeto de vir a ser, do devir, de ser professora, fazendo algo em prol da formação e realização de si e de outrem.

Novamente reporto-me às escolhas, como uma das formas de inventar-se e de indicar caminhos para si e para outros. Vejo nas escolhas de Amanda, o cuidado permanente para consigo mesma, no sentido de que definiu caminhos que a conduziriam ao projeto de si, lutando para isto, abrindo mão de algumas oportunidades em favor de outras, porém mantendo a essência do que projetava para si mesma, que consistia em exercer uma profissão que a possibilitasse fazer algo pelo outro.

Na retrospectiva de si enquanto profissional, quando a instigo a procurar na lembrança os motivos que a levaram a ser professora, imediatamente lembra-se de uma professora da graduação, da disciplina de Economia: “a minha carreira de professora foi influenciada pela professora de Economia, Célia Staut Melo” (AMANDA CABRÁLIA). O gosto e competência com que a professora ensinava e a importância que conferia à disciplina de Estatística despertaram a admiração e o gosto pelo saber com competência ou o gosto por Estatística. Este fato significativo inaugura seu projeto de ser professora, em uma mescla com a expectativa dos pais e do seu próprio desejo de saber para ajudar os outros, ou melhor, fazer algo por outrem: “devo isto também aos meus colegas que me procuravam para ensiná-los Estatística” (AMANDA CABRÁLIA). O primeiro momento foi essa tomada de consciência do que a impulsionou, a busca pela profissionalização, marcada por estes momentos ainda como estudante, quando inicia o processo de dar forma a si ou conferir uma estética a própria formação, afirmando-se no desejo de ser com uma expectativa de futuro ou de vir a ser. E ainda completa dizendo: “Outra coisa muito importante também era ver a alegria dos meus pais pelo trabalho na minha área de estudo” (AMANDA CABRÁLIA).

Outro momento significativo foi quando ela realizou o curso de pós-graduação em nível de mestrado, momento em que adquiriu compreensão da relação entre teoria e prática, ou de que os conhecimentos teóricos são sempre práticos e vice-versa. Aqui contrói consciência do gosto por ensinar algo que poderá sempre ser aplicado, o ato de saber demonstrar isto aos alunos, e ainda, concorda que sempre é possível ensinar aquilo que se faz, o conhecimento passa a representar para ela algo concreto e necessário com possibilidades de ensinar a alguém o saber construído. Não deixa de ser um momento de perspectiva de transformação e mudança, pois deflagra o desejo de saber sempre mais e ser uma profissional diferenciada e a possibilidade de continuar a ser professora de sua área de formação: “O mestrado me ajudou a compreender o processo de ensino e no entendimento da importância da articulação do teórico com o prático” (AMANDA CABRÁLIA). Este momento é considerado por ela como um marco, pois a partir de agora além de ter decidido seguir a carreira de professora universitária, realizou descobertas importantes para o ensino- aprendizagem. A partir deste momento adquiriu uma nova compreensão de si mesma, conforme seu projeto de futuro em continuar aprendendo, com um objetivo de humanidade e do bem comum.

Momento de aprendizado dos saberes docentes autônomos na construção de estratégias ao mesmo tempo em que vai construindo sua profissionalização, na medida em que decide ser um professor segundo seus próprios princípios, começa a dar forma estética a sua formação profissional, com autonomia e com poder para ser o que realmente acredita que deva ser um professor universitário bem sucedido. Por isto classificamos este momento de orientador, o momento em que se firmou como professora universitária aliado ao momento em que considera ter adquirido autonomia, inclusive para definir os objetivos mais amplos ou as grandes finalidades de seu trabalho como profissional e, enfim de sua vida. Ela dá testemunho de sua autonomia: “Quando apresento um conteúdo novo para os alunos, procuro colocá-lo de diversas formas até atingir meu objetivo que é o aprendizado deles” (AMANDA CABRÁLIA). Digo autonomia, porque nem sempre o objetivo maior dos professores e das instituições consiste em fazer os alunos aprenderem; esta ação de compromisso social com o aprendizado do aluno, a iniciativa de criar estratégias utilizando conhecimentos e saberes adquiridos na academia e na experiência caracteriza a profissionalização autônoma, ou melhor, caracteriza o professor profissional em conformidade com o que escrevem Perrenoud, Paguay, Atlet e Charlier: “a profissionalização é constituída por um processo de racionalização de conhecimentos postos em ação e por práticas eficazes em uma determinada situação” (PERRENOUD et all, 2001, P.25). A professora tem declarado que utiliza várias

156 estratégias e procedimentos até ter certeza de que todos os alunos aprenderam, portanto construiu um saber específico da profissão sobre a diversidade presente na sala de aula, de que nem todos os alunos aprendem no mesmo ritmo nem tampouco da mesma forma, de que as pessoas são diferentes e seu processo de aprendizagem também o é.

Benzer Belgeler