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Değerler Eğitiminde Geribildirim Alma

BÖLÜM 2: BULGULAR VE YORUMLAMALAR

2.4. Mülakat Bulgu ve Yorumlamaları

2.4.5. Değerler Eğitiminde Geribildirim Alma

Nesta seção será discutida, a partir da trajetória de alguns pesquisadores tidos como pioneiros, a criação da subárea de genética humana, que é o campo de atuação do CEGH. Inclusive, quatro das sete pesquisadoras que compõem o Centro foram alunas de dois desses pioneiros: Oswaldo Frota-Pessoa e Pedro Saldanha.

Algumas pesquisas relacionadas com genética humana foram feitas no Brasil entre 1925 e 1950 por pesquisadores isolados, com publicações esporádicas, em revistas de divulgação restrita (FERRARI, 2006, p. 323-4). Entretanto, tais pesquisas, apesar de seu valor na época, não são consideradas como marcos do desenvolvimento da genética humana no país, pois esses autores não tinham a genética como seu principal interesse e não influenciaram outros pesquisadores a ponto de estimular a criação de tradições científicas voltadas para a exploração de problemas da genética na espécie humana (BEIGUELMAN, 1979-80, p. 275). Nesse sentido, considera-se a década de 1950 como o momento em que a área de genética humana se institucionalizou no país (FROTA-PESSOA, 1989, p. 458)30.

A primeira geração da genética humana brasileira era constituída majoritariamente por pesquisadores oriundos do estudo de drosófilas, discípulos de Dreyfus e Dobzhansky. Esse é o caso de Newton Freire-Maia, seguido por Oswaldo Frota-Pessoa e Francisco Mauro Salzano. As exceções dessa primeira geração ficaram por conta de Pedro Henrique Saldanha e Cora de Moura Pedreira, que não tiveram uma fase de pesquisa com drosófilas, nem foram discípulos de Dobzhansky e Dreyfus31 (FERRARI, 2006, p. 325).

30 Fazendo uma breve reconstituição da história da genética humana, um geneticista aponta alguns fatores que

contribuíram para que houvesse um certo desinteresse pela genética humana antes de 1950: o compromisso dos principais centros de pesquisa com estudos de melhoramento vegetal e com pesquisas de genética de drosófila; a influência da eugenia e da propaganda nazista nas décadas de 1930 e 40, que desestimulou o estudo de genética na espécie humana em diversos países, incluindo o Brasil; a falta de formação e de cursos de bioestatística nos centros de pesquisa no país, que fazia com que poucos pesquisadores conseguissem compreender o que estava sendo pesquisado no exterior (BEIGUELMAN, 1979, p. 1199).

Em 1951, Newton Freire-Maia vinha trabalhando havia cinco anos no Departamento de Biologia Geral da antiga Faculdade de Filosofia da USP, mas como as perspectivas de promoção na carreira docente não lhe eram favoráveis em São Paulo, aceitou posto na Universidade Federal do Paraná (BEIGUELMAN, 1970, p. 1200). Depois que se mudou para Curitiba, Freire-Maia continuou realizando as duas linhas de pesquisa, a com drosófila e a sobre casamentos consanguíneos (FERRARI, 2006, p. 318) e lá criou o primeiro centro de pesquisas em genética humana do país (BEIGUELMAN, 1979-80, p. 279).

Seu irmão e discípulo Ademar Freire-Maia destaca a ida de Newton à Universidade de Michigan, entre 1956 e 1957, como tendo importância fundamental no crescente interesse pela genética humana:

Alguns anos mais tarde meu orientador [Newton Freire-Maia] foi para os

States. Ficou por lá por dois anos e voltou com uma ideia revolucionária

para nós: mudar o enfoque de nossas pesquisas, de drosófila para o homem. Salvo alguns trabalhos esporádicos, a genética humana era então uma área de pesquisas praticamente inexplorada no Brasil (FREIRE-MAIA, 1989, p. 441).

Depois de 1957 a atividade do laboratório voltou-se exclusivamente para a genética humana e para a realização das pesquisas contava, na época, com verba da Fundação Rockefeller, subvenções do Conselho de Pesquisa da Universidade do Paraná e do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) (FREIRE-MARIA, 1961, p. 213-4).

Um ano antes de Newton Freire-Maia se mudar para Curitiba, Pedro Henrique Saldanha ingressava na antiga faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, e viria a ser o primeiro a desenvolver pesquisas de genética humana sem passar por uma fase de drosofilista. Apesar de todos os seus professores dedicarem-se, nessa época, ao estudo de drosófilas – Antonio Lagden Cavalcanti, Oswaldo Frota-Pessoa, Hans Burla e Chana Malogolowkin –, Saldanha não aceitou ingressar na carreira de geneticista por essa via, preferindo iniciar-se autodidaticamente no campo da genética humana (BEIGUELMAN, 1970, p. 1200-1).

Pedro Saldanha não conseguiu, depois de formado, uma vaga na Universidade do Brasil e passou o período de 1954 a 1957 lecionando no ensino secundário, até que passou a receber bolsa da Fundação Rockefeller para se dedicar as pesquisas com genética humana que vinha fazendo em paralelo ao seu trabalho docente. Saldanha recebeu da Fundação bolsas entre 1959 e 1967, incluindo uma bolsa para realizar o doutorado na USP e uma bolsa de professor visitante na Universidade de Michigan, entre 1960 e 1961 (FERRARI, 2006, p.

Brasil, utilizava drosófilas em suas aulas de genética e foi uma das pesquisadoras que participou da fundação da Sociedade Brasileira de Genética, em 1955 (FERRARI, 2006, p. 328).

326). Logo depois de obter o título de doutor em maio de 1959, foi contratado pela Faculdade de Medicina da USP para reger a disciplina de genética humana, que acabara de ser criada. Essa disciplina foi a primeira a ser ministrada em uma faculdade de medicina na América Latina (BEIGUELMAN, 1970).

A saída de Saldanha do Departamento de Biologia Geral da USP não encerrou as pesquisas em genética humana, pois um ano antes nele ingressava Oswaldo Frota-Pessoa como professor assistente. Na ocasião, Frota-Pessoa era um drosofilista respeitado por suas publicações e tese de doutorado na área, e havia trabalhado com Dobzhansky, em Columbia, entre 1953 e 1955. Ele foi se interessando por genética humana e no final da década de 1950 já trabalhava quase que exclusivamente com o tema (BEIGUELMAN, 1979, p. 1201).

É importante assinalar que, ao mudar-se para São Paulo, Frota-Pessoa trabalhou em estreita colaboração com Saldanha em projetos sobre genética humana e organizou conjuntamente com ele cursos de extensão universitária em genética (BEIGUELMAN, 1979-80, p. 286). Um desses cursos, em 1959, foi um marco do período, com duração de três meses, em tempo integral, que ajudou a formar uma série de geneticistas na pesquisa com humanos e a expandir a pesquisa para outras instituições (FROTA-PESSOA, 1989, p. 458).

Outro pioneiro da genética humana que também iniciou como drosofilista foi Francisco Mauro Salzano, que se formou no Instituto de Ciências Naturais da UFRGS e estagiou na USP, pouco depois de seu bacharelado, em 1950, com uma bolsa da reitoria para o aperfeiçoamento em citogenética de drosófilas. Mas ao voltar para Porto Alegre, sua atenção vai migrando para a genética humana, interesse que se consolidou com a sua permanência durante um ano, na Universidade de Michigan, com bolsa da Fundação Rockefeller (BEIGUELMAN, 1979, p. 1201; FERRARI, 2006, p. 326). Em entrevista, Salzano (2010) comenta esses anos de apoio da Fundação Rockefeller:

O Neel já tinha recebido o Barbosa Viana, que estava mais interessado em Genética Matemática; tinha aceito o Newton Freire Maia, como bolsista, quando ele escreveu dizendo que eu poderia ir. Quando fui, o Newton já estava lá há três meses, e isso ajudou muito em termos de adaptação nos Estados Unidos. Além do que, os membros da Rockfeller davam muito apoio e ajudavam muito os bolsistas. Qualquer problema que surgia eles estavam sempre prontos a resolver. Fiquei lá de setembro de 1956 a setembro de 1957. Voltei para iniciar pesquisa na área de Genética Humana, e me dediquei a fundo, durante todos esses anos (SALZANO, 2010, p. 7).

Quando Salzano retornou de Michigan, em 1957, a Fundação Rockefeller concedeu novos auxílios que lhe possibilitaram a organização do Setor de Genética Humana na UFRGS (CORDEIRO; SALZANO, 1961, p. 229). Nesse sentido, da mesma forma que Freire-Maia,

na UFPR, e Frota-Pessoa, na USP, Salzano tornou-se um líder em sua universidade, tendo exercido uma forte influência na formação de geneticistas humanos espalhados em muitos centros de pesquisa no país.

A primeira geração de geneticistas humanos brasileiros inclui ainda a pesquisadora Cora de Moura Pedreira que, acompanhada de Eliane Elisa Azevêdo e Lucy Isabel Peixoto, implantou a genética humana e médica na Bahia, paralela e independentemente do grupo ligado a Dobzhansky, que originou os grupos de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul (FERRARI, 2006, p. 327). Enquanto Newton Freire-Maia, Pedro Henrique Saldanha, Oswaldo Frota-Pessoa e Francisco Mauro Salzano iniciavam seus grupos de trabalho no sul do país, Cora de Moura Pedreira vinha pesquisando, já na década de 1950, a distribuição de grupos sanguíneos na população de Salvador (BEIGUELMAN, 1979-80, p. 289) e lecionando genética na cadeira de Biologia Geral da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em 1954, defendeu nessa instituição sua tese de doutorado (FERRARI; AZEVEDO, 2007, p. 237) e em 1959 implantou um laboratório de genética humana que também contou com a subvenção da Fundação Rockefeller (KRUG, 1961, p. 26). Nesse sentido, ainda que tenha sido criado de forma independente dos grupos do sul do país, o grupo da Bahia teve também apoio da Fundação Rockefeller e manteve relações estreitas com os outros pioneiros32.

Na década de 1960 a genética humana, que já havia se consolidado na década anterior, teve um consistente processo de expansão, com muitos alunos dos pioneiros indo trabalhar em outras universidades e montando laboratórios de genética humana. Como exemplo temos Antonio Quelce Salgado, aluno de Freire-Maia, que passou a fazer parte da cadeira de biologia da Faculdade de Filosofia de Marília, em 1962, acompanhado de outro aluno de Freire-Maia e uma orientanda de Frota-Pessoa (BEIGUELMAN, 1979, p. 1205). Outro aluno de Freire-Maia, Henrique Krieger, foi trabalhar no Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e Manuel Ayres, um dos alunos de Salzano, criou um Instituto de Biologia na Universidade Federal do Pará (BEIGUELMAN, 1979, p. 1206).

Dessa forma, nos anos 1960, novos laboratórios de genética humana eram criados e aqueles que existiam na década anterior passavam por uma expansão do número de pesquisas e do número de alunos. É nessa década que alguns dos pesquisadores do CEGH iniciam a sua formação. Esse é o caso da atual coordenadora geral e da pesquisadora sênior 2, que iniciaram a sua pós-graduação na USP no final dessa década, sob orientação de Frota-Pessoa, e da pesquisadora sênior 5, que iniciou sua pós-graduação com Saldanha, como será visto adiante.

32 Cora Pedreira é, inclusive, quem apresenta a pesquisadora sênior 2 – que fez sua graduação na UFBA – a