2. UZAKTAN ALGILAMA KAVRAMI
2.3 Değerlendirme
No âmbito nacional, o IV Centenário e o Parque Ibirapuera foram praticamente sempre louvados, no momento de sua inauguração, como um grande acontecimento e uma grande obra arquitetônica, como um monumento para exaltar a modernidade de São Paulo e, até mesmo, do Brasil.
“Exposição do IV Centenário”, autoria das imagens não creditada / O Estado de São Paulo, 25 de agosto de 1954, p. 10217
217 Disponível em: <http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19540825-24325-nac-0010-999-10-not/busca/Exposição+IV+Centenário>.
“A Exposição do IV Centenário da cidade de São Paulo”, autoria das imagens não creditada / O Estado de São Paulo, 12 de agosto de 1954, p.9218
As campanhas publicitárias aqui reproduzidas, originalmente publicadas no mês da inauguração do Parque, evidenciam o objetivo de transformar São Paulo, e mais especificamente o Ibirapuera, em uma síntese do que havia de melhor no país, já que “o Brasil inteiro vai desfilar.” O palco para expor todas as benesses da cidade e da nação era o Parque, idealizado para cumprir justamente essa função. A indústria paulista, que estava sendo exposta na Feira, era compreendida como herdeira dos passos do bandeirante e como algo que, a seu exemplo, iria levar seus produtos a todo país, construindo, a partir de São Paulo, o futuro do Brasil. “Vinde ver a sua indústria, o seu comércio, a sua agricultura, a sua arte, os seus costumes, a sua história, o seu progresso.” O Ibirapuera era apresentado ao público como “harmonioso conjunto”, “ambiente moderníssimo e acolhedor”, como o “maior conjunto arquitetônico, no gênero, em todo o mundo!”219 As imagens fotográficas contidas nas peças publicitárias
revelam, elas também, esse intuito. As formas geométricas, sinuosas ou compostas por ângulos
218 Disponível em: <http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19540812-24314-nac-0009-999-9-not/busca/exposição>.
Acesso em: 21/05/2014.
219 O Estado de São Paulo, 12 de agosto de 1954, p. 9. Disponível em: <http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19540812-
retos, apontam para “o que de mais moderno havia no país”220.
Em diversos anúncios acerca da data comemorativa da cidade de São Paulo publicados nos jornais, um viés ufanista é evidenciado. Esses discursos fizeram uso da trajetória, supostamente heroica, do paulista e a reapresentaram como sendo portadora do progresso e da modernidade. Enquanto palco das comemorações do IV Centenário, o Parque Ibirapuera produziu símbolos que foram largamente utilizados nos meios de comunicação; neles, a arquitetura moderna brasileira foi incorporada como emblema dos novos tempos.
Inaugura-se hoje, em São Paulo, a exposição do IV Centenário, autoria das imagens não creditada / Folha da Manhã, 21 de agosto de
1954, p. 7
Inaugura-se hoje, em São Paulo, a exposição do IV Centenário, autoria das imagens não creditada / O Estado de S. Paulo, 21 de agosto
de 1954, p.9
Chama a atenção que, na data de inauguração do Parque, dia 21 de agosto de 1954, os jornais Folha da Manhã e O Estado de S. Paulo publicaram páginas idênticas a respeito da inauguração do Ibirapuera. Esta era, e de certa maneira ainda é, uma prática comum no âmbito jornalístico. O fato demonstra como ideias comuns (ou, nesse caso, iguais) eram veiculadas para o grande público a respeito da obra.
A reportagem dedicada ao Parque possui caráter celebrativo: “São Paulo está de parabéns! São Paulo está em festas!”221 Destaque é conferido à exposição nacional e internacional e,
principalmente, a de São Paulo, que ocupava o Palácio das Indústrias. “São Paulo – dinamismo, São Paulo – trabalho, o monumental São Paulo – progresso (...). Mais de seiscentas indústrias paulistas estão ali representadas, numa soberba demonstração de trabalho e de capacidade industrial.”222 Para o articulista, este era “o mais moderno logradouro público do mundo”,
expressão recorrente na mídia da época, e era “como milagre” que o pântano anterior havia se transformado “na maravilha que aí está.”223 A sensação de grandiosidade continua no momento
em que se afirma que se os sacos de cimento utilizados na obra fossem empilhados, alcançariam uma altura equivalente a seis vezes a do Monte Everest; que o ferro empregado no concreto correspondia ao peso de aproximadamente sessenta locomotivas; que a área pavimentada do Parque equivalia a dez quilômetros de rua com dez metros de largura. “O Parque Ibirapuera é, realmente, um monumento à grandeza paulista e brasileira, (...) uma realização destinada a ficar para sempre – como esplêndida demonstração do gênio e do trabalho brasileiros.”224
“Fotografia de vista interna do Palácio das Indústrias”, autoria não creditada / Folha da Manhã e no Estado de S. Paulo, 21 de agosto de
1954
Prédio da Bienal, 1956, autoria não creditada / Folhapress
221 Folha da Manhã & O Estado de S. Paulo, 21 de agosto de 1954. Disponível em:
<http://acervo.folha.uol.com.br/fdm/1954/08/21/1/> e <http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19540821-24322-nac- 0009-999-9-not/busca/Exposição+IV>. Acesso em 23/05/2014.
222 Folha da Manhã & O Estado de S. Paulo, 21 de agosto de 1954. Disponível em:
<http://acervo.folha.uol.com.br/fdm/1954/08/21/1/> e <http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19540821-24322-nac- 0009-999-9-not/busca/Exposição+IV>. Acesso em 23/05/2014.
223 Folha da Manhã & O Estado de S. Paulo, 21 de agosto de 1954. 224 Ibidem.
A fotografia do Palácio das Indústrias, publicada tanto na Folha da Manhã quanto no
Estado de S. Paulo, revela as curvas presentes no interior do edifício. Ainda que a qualidade da
impressão no jornal esteja muito precária, é possível notar o partido nitidamente estetizante procurado pelo fotógrafo, não creditado. A fotografia é muito semelhante a uma outra imagem pertencente ao acervo da Folha de S. Paulo, de 1956 e, portanto, tirada já após a inauguração, que nos permite observar as características formais da imagem, como o jogo de claro e escuro e a sinuosidade da arquitetura, que contrasta com as linhas retas dos pilares e das caixas de luz no teto, que formam linhas em perspectiva. Na segunda imagem, mais nítida, percebe-se um grupo de pessoas ao fundo que, além de evidenciar o espaço sendo utilizado pelo público, confere também, devido ao seu pequeno tamanho, sensação de amplitude e monumentalidade à obra edificada.
“ Palácio das Indústrias visto do Palácio das Exposições”, autoria não creditada / Folha da Manhã, 21 de agosto de 1954
Também se publicou, nos mesmos jornais, uma fotografia que focaliza uma janela que evidencia a arquitetura no exterior, similar em espírito a outra, de Zanella-Moscardi, publicada na revista Acrópole, ainda antes da inauguração do Parque225. A imagem acima, assim como a
outra referida, remete a um aparato de olhar, como o próprio visor da máquina fotográfica, com a vista nitidamente recortada pelo orifício visualizador. Com suas linhas de grade, que na
câmera ajudam o fotógrafo a enquadrar e focalizar a imagem, a fotografia do Palácio das Indústrias, visto pela janela, sugere, ainda que indiretamente, o poder imagético da arquitetura erguida no Parque Ibirapuera.
“Voo de demonstração da aeronave Convair-340”, 1954, autoria não creditada / Folhapress
Vista aérea do Ibirapuera, Oswaldo Luiz Palermo / O Estado de S. Paulo, 24 de dezembro de 1954, p. 28226
As imagens reproduzidas aqui são vistas aéreas do Parque pertencentes a arquivos de jornais de 1954. A primeira, da Folhapress, evidencia, no primeiro plano, um avião, de onde o fotógrafo fez sua imagem. Ao fundo, aparecem partes da cidade e do conjunto do Ibirapuera. Na segunda imagem, publicada em O Estado de S. Paulo, quase a mesma porção do Parque é
226 Disponível em <http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19541224-24428-nac-0028-999-28-not/busca/Ibirapuera>.
revelada, ainda que de outro ângulo.
Fotografias como essas possuem clara intenção de providenciar informação ao público na medida em que revelam noção do conjunto da obra, evidenciando os diferentes espaços existentes dentro do âmbito maior do Ibirapuera. As fotografias também permitem a visualização da calibragem entre vias de circulação (as ruas e avenidas) e o espaço de permanência (o Parque). Essas imagens são de interesse para o receptor, pois oferecem uma visão que não seria possível a olho nu, a partir da perspectiva usual do pedestre que percorre os caminhos e os edifícios do Ibirapuera. Esse tipo de perspectiva, aérea, não é incomum aos arquitetos, que também fazem uso de “vistas de topo” para projetar suas obras por meio de desenhos técnicos, as plantas arquitetônicas. Já fotografias vistas de cima oferecem visão mais abrangente e facilmente inteligível ao observador leigo. Diferentemente dos desenhos técnicos, fotografias aéreas são ainda capazes de capturar: sombras e padrões inesperados; relações mais claras com o entorno (local de implantação da obra); vestígios de pessoas e/ou veículos, que ajudam a conferir escala às obras e “realismo” às imagens. A imagem vista de cima propicia, no receptor, um distanciamento dos acontecimentos e dos tumultos do cotidiano. Simultaneamente, propicia, também, sensação de onipresença e, portanto, de poderio, capaz de ser assimilada pela consciência coletiva.
A mesma vista de topo ocorre em outras propagandas da inauguração do Parque, como a que segue, patrocinada pela empresa Cassio Muniz S.A. Segundo o convite, a inauguração será um “grande acontecimento” a ser festejado.
“Venha festejar conosco este grande acontecimento”, autoria não creditada / O Estado de S. Paulo, 20 de agosto de 1954, p. 9227
A segunda imagem do convite para a inauguração do Parque é uma fotografia de maquete, que também oferece uma espécie de perspectiva aérea do Ibirapuera, proporcionando visão de parte de seu conjunto.
A primeira imagem da propaganda não é uma fotografia; é um desenho. Essa imagem remete, contudo, a outra, dessa vez fotográfica, frequentemente divulgada em revistas e livros, de autoria de Alice Brill, fotógrafa alemã naturalizada brasileira que viveu e trabalhou em São Paulo e que enquadrou a metrópole em transformação nos meados do século.
227 Disponível em: <http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19540820-24321-nac-0009-999-9-not/busca/CASSIO>.
Marquise do Ibirapuera, 1954, Alice Brill / Acervo IMS
Imagens como essa do Ibirapuera fazem parte de um conjunto maior, resultante de convite de Pietro Maria Bardi a Alice Brill para a produção de documentação de São Paulo, entre 1952 e 1954, para compilação de um livro sobre a cidade em comemoração de seu IV Centenário228.
Nessas imagens, a fotógrafa revelou as linhas de diversos trechos da cidade e, dentro desse escopo, do recém-inaugurado Ibirapuera, em contraluzes, ângulos e enquadramentos inusitados. O livro comemorativo com estas fotografias, contudo, não se concretizou. A série de fotografias produzida com esse fim permanece inédita em sua totalidade, sendo que algumas fotografias foram expostas ou publicadas em livros229, bem como na Habitat, revista de arquitetura e artes no Brasil, fundada
228 Hipótese confirmada pela Sra. Silvia Czapski, jornalista e filha de Alice Brill, em e-mail recebido no dia 07/08/2015. 229 Livros que tiveram imagens desta série publicadas: Francisco Rocha. Adoniran Barbosa, o poeta da cidade.
São Paulo, Ateliê Editorial, 2002; Antonio A. Arantes. Paisagens Paulistanas, transformações no espaço
público. São Paulo/Campinas, Imprensa Oficial/Unicamp, 2000; Erika Billeter. Canto a La realidad. Madrid,
por Lina Bo e Pietro Maria Bardi e que, na década de 1950, circulava nas principais cidades do país e no exterior.
A fotografia de Alice Brill aqui reproduzida recorta a vista, beneficiando-se da sinuosidade das curvas da obra de Niemeyer, remetendo à arquitetura barroca ou até mesmo a uma espiral, como a que simbolizou o IV Centenário da cidade de São Paulo. O jogo de luz e sombra, que cria contrastes na imagem, ajuda a conduzir a esse tipo de analogia e valoriza o aspecto moderno e tipicamente brasileiro da arquitetura, ainda que características da arquitetura moderna internacional também sejam evidenciadas, como a utilização de pilotis e de estruturas que fazem uso de ângulos retos. Ainda é possível pensar em outra interpretação, distinta, pois também há, na imagem de Brill, uma simplicidade e quase uma melancolia de um grande espaço vazio. Esse traço, de não valorizar apenas o avanço monumental de São Paulo, mas também revelar o seu lado “não saudável”, como escreveu Levi-Strauss em Tristes Trópicos, conforme apontado por Giovanna Bragaglia230, é
característico da artista, que revela essas impressões distintas sobre a realidade que observa.
“Palácio das Indústrias” / Habitat no.18, Setembro – Outubro de 1954, p.77231
Milão,1956; Pietro M. Bardi. Em torno da fotografia no Brasil. São Paulo, Banco Sudameris, 1987; Pietro M. Bardi. Profile of new Brazilian Art. São Paulo, Kosmos, 1970; Alice Brill. Da Arte e da Linguagem. São Paulo, Perspectiva, 1988.
Ver MOREIRA, Marina Rago. Alice Brill, retratos de uma metrópole. Primeiros Escritos, no.18, junho 2012.
230 Texto curatorial de Giovanna Bragaglia para a exposição Alice Brill: impressões ao rés do chão. IMS – São
Paulo, 2015.
231 A autoria da imagem não é especificada. Apenas são listados, no índice da revista, os fotógrafos que
contribuíram com a edição. São eles: A.C. Cooper, A.F.I., Alice Brill, Anatole Saderman, Ars Film, Bertrand Weill, Bosio Press, Bulloz, Carlos, Ciolfi, Contreras, Div. de Doc. Da Reitoria da Univ. Se São Paulo, Ernesto Mandowsky, Etienne Bertrand Weill, Folha da Manhã, Galerie Denise René, German Lorca, Guglielmo, Intercontinentale, Jean Fichter, J. P. Sudre, Knoedler, Marc Vaux, M. Holzman, M. Novais, Noveau Fémina, Pierre Leclerc, R. Maia & Francheschi, Raymond Wilson, Robert G. Smith, Sascha Harnisch, S. Ohana, Valintos, Viguier Yves Hervochon.
A fotografia do Palácio das Indústrias foi publicada em 1954, na revista Habitat. A reportagem descreve uma “arrojada concepção urbanística do plano de obras do Parque Ibirapuera” e comenta suas linhas “modernas, elegantes e harmoniosas.”232 Esse edifício não faz
uso, em sua fachada, das sinuosidades, descritas como sendo tipicamente brasileiras; pelo contrário, as formas geométricas de ângulo reto dominam a paisagem construída. A transparência dos vidros utilizados, contudo, permite o estabelecimento de relação com a paisagem que se encontra do lado de fora do prédio. Igualmente, a geometria rígida do edifício é articulada pela sinuosa marquise, como pode se ver na imagem abaixo, publicada na revista Módulo. Cabe notar que Philip Goodwin, em Brazil Builds233, elege o caráter aberto da arquitetura moderna
brasileira, sua relação com a paisagem exterior, como uma das qualidades mais interessantes das construções nacionais, pois incentiva relação estreita entre interior e exterior234.
“Palácio das Indústrias, visto debaixo da marquise” / Módulo no.1, março de 1955, p. 28235
232 Revista Habitat no.18, setembro – outubro de 1954, p.77.
233 GOODWIN, Philip. Brazil Builds. Architecture new and old 1652-1942. New York, MoMA, 1943.
234 Também cabe ressaltar que essa relação entre interior e exterior remete, conforme aponta Nelci Tinem, à afirmação
de uma vertente Americana de uma arquitetura que se aproxima à de Frank Lloyd Wright e outros expoentes da arquitetura moderna americana e às imagens e aos valores que esta transmitia por meio de publicações. Para Tinem, Goodwin oferece, ainda que inconscientemente, o caminho que vincula essas duas arquiteturas americanas. Esse ponto, contudo, passou praticamente despercebido nos escritos posteriores sobre o Brasil, que insistem numa ausência de influência norte-americana. A própria ideia de uma arquitetura aberta, que vincula aspectos da arquitetura brasileira à norte-americana, anunciada em Brazil Builds, foi obscurecida por outra afirmação do próprio autor, que diz que não há influência norte-americana na arquitetura brasileira. Ver TINEM, Nelci. Arquitetura Moderna Brasileira: a imagem como texto. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.072/352>. Acesso em: 16/06/2014.
235 A autoria (não especificada) é de um dos fotógrafos listados no índice da revista: Jean Manzon, José e Humberto
A própria ligação entre os diversos edifícios do Parque, obtida por meio da marquise, estabelece essa ponte entre o interior e o exterior. Na fotografia do Palácio das Indústrias publicada na revista Módulo essa condição é evidenciada. A imagem redonda e opaca causada pela deformação de perspectiva do ponto de vista do fotógrafo, sob a marquise, contrasta com a geometria de ângulos retos e com a transparência do Palácio das Indústrias ao fundo. Cabe notar que essa fotografia foi tirada à noite, fato pouco comum nas imagens do Ibirapuera, talvez devido ao seu caráter de espaço público, que é utilizado predominantemente à luz do dia. Pode-se cogitar também a possibilidade do predomínio de imagens diurnas se dever ao fato de que o dia é frequentemente associado ao tempo do trabalho, característica exaltada pelas autoridades da Comissão do IV Centenário. Na época, a noite tendia (como ainda tende hoje) a ser associada com a malandragem, com o oculto, com a boemia. Em São Paulo, estava sendo forjado um imaginário de cidade do trabalho e da produção e, portanto, a luz do dia era muito mais propícia para o registro das obras de um de seus grandes marcos arquitetônicos. As fotografias noturnas existentes do complexo podem ser compreendidas como um desvio à regra geral e talvez tenham sido tiradas nesse período para melhor registrar o jogo de transparências causado pelas fachadas envidraçadas, ou mesmo para exaltar a imponência e a monumentalidade das formas claras dos edifícios, iluminadas perante a escuridão do céu, dos campos ou dos lagos.
Inauguração do Parque Ibirapuera, s/ data, Alice Brill / Acervo IMS
Palácio dos Estados à noite, s/d, autoria desconhecida / Centro de Documentação “Francisco Matarazzo Sobrinho” do Arquivo Histórico Wanda Swevo da Fundação Bienal de São Paulo.
A revista Acrópole de fevereiro de 1954 também publicou duas imagens noturnas do Ibirapuera e a de outubro de 1954 dedicou artigo ao Palácio das Indústrias, não deixando de, antes, comentar sobre a grandiosidade de São Paulo em texto que se sobrepõe a uma marca d’ água de maquete da espiral do progresso.
“Palácio das Indústrias. Comissão do IV Centenário de São Paulo” / Acrópole, São Paulo, n. 193, out. 1954, p. 53-57236
O texto da revista diz:
Perto de três milhões de pessoas fazem de nossa terra um dos centros de mais rápido progresso de todo o mundo. Não é exagero. São Paulo apresenta um espetáculo grandioso pelas formas gigantescas de seu comércio. Há entretanto outros pontos que tornam a metrópole bandeirante deveras impressionante. Um deles, temos à noite, desde ao acender das luzes, quando a urbe magnífica se desfaz em cordéis de infinita luminosidade. São cordéis que tremeluzem com a mesma força, tanto no coração da cidade como no Ibirapuera. Agora, todos os olhares de nossa metrópole estão voltados para a obra gigantesca empreendida nesse local. E o espetáculo é de infinita grandiosidade!237
236 O índice da revista credita as imagens do Palácio das Indústrias a E. Mandowski, L. Liberman, Zanella-Moscardi. 237 Revista Acrópole no. 193 outubro de 1954, p.53.
“Vista para a rampa externa & vista da rampa externa para a fachada posterior” / Acrópole no. 193, Outubro de 1954, p.55238
Ao comentar o Palácio das Indústrias, a Acrópole tece elogios ao edifício destinado à exposição das indústrias nacionais e o descreve como sendo “excelente em suas linhas arquitetônicas” e como uma das melhores expressões “da magnífica e moderna arquitetura brasileira.” Os ângulos das fotografias tiradas sob a marquise criam interessantes perspectivas que cativam o olhar ao criar novos padrões geométricos e, assim, enfatizam a paisagem construída do Ibirapuera. Os ângulos também simulam a visão que se tem ao estar dentro do Parque e embaixo da marquise, sugerindo para o observador como é estar no interior desse espaço.
A edição da revista Habitat de Novembro – Dezembro de 1954, novamente comentou o Palácio das Indústrias e “a beleza de suas linhas totalmente funcionais” que impressionam e conferem “novo crédito à arquitetura brasileira.”239 Nesse momento, apesar de constarem, na
mesma reportagem, imagens do interior do edifício hoje comumente conhecido como o Pavilhão da Bienal, com suas curvas acentuadas, é possível notar uma admiração pela arquitetura construída no Ibirapuera, tida como arrojada e, assim, como um bom exemplo, brasileiro, do estilo moderno internacional.
238 As fotografias (não especificadas) desse artigo são de autoria de E. Mandowski, L. Liberman, ou de Zanella-
Moscardi.
Outros aspectos, também modernos, sendo constituídos a partir de esforços brasileiros, como a primeira escada rolante fabricada no Brasil, são reforçados, exaltando a capacidade crescente da indústria brasileira. Na mesma reportagem, aparecem inúmeras fotos de estandes de várias empresas (Elevadores Atlas, Philips, Atlante S.A., Tapetes Bandeirantes S.A., Pirelli S.A., entre outras).
"Estande Pirelli S.A." / Habitat nº.18, Set–Out de 1954240 "Escada rolante” / Habitat nº.19, Nov–Dez de 1954,
p.87241
240 Autoria para a imagem não especificada. Apenas são listados, no índice da revista, os fotógrafos que
contribuíram com a edição, sem especificação de autoria para cada imagem individual. Eles são: A.C. Cooper,