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Eğitsel Değerlendirme, Tanılama Süreci ve Eğitim Ortamına Yerleştirme Gönderme öncesi süreçte öğretmenin yaptığı düzenlemelere rağmen öğrencide

MİLLÎ EĞİTİM BAKANLIĞI

GELİŞİM ALANLARI

3. Eğitsel Değerlendirme, Tanılama Süreci ve Eğitim Ortamına Yerleştirme Gönderme öncesi süreçte öğretmenin yaptığı düzenlemelere rağmen öğrencide

O acervo digital da Folha de São Paulo, nossa segunda fonte de pesquisa, também demonstra um pico de menções do termo Ecologia em 1992, com 561 menções durante o ano. A partir de 1992, as menções de Ecologia atingem a média de 200 a 300 menções/ano. É a partir de 2002, dez anos após a Rio 92, que o termo Sustentabilidade começa a ganhar maior espaço na mídia (Gráfico 3). A partir de 2010, o termo Sustentabilidade ultrapassa as menções de Ecologia nas páginas da Folha de São Paulo.

Temos como hipótese que o amadurecimento do tema demorou cerca de 10 anos e ganhou força à medida que passou a ser discurso das indústrias. Nesse período, centenas de empresas, que até então eram predadoras da natureza, iniciaram a revisão de seus processos produtivos e de distribuição. Dessa forma, investiram em uma plataforma de comunicação baseada em ações “ecologicamente corretas”. Note-se que estamos mencionando o fenômeno como “comunicação baseada em abordagem ecológica” e não necessariamente ações efetivas. Não trataremos nesta dissertação das diferenças entre o que a empresa comunica e o que efetivamente faz para o bem-estar da sociedade. Sabemos que muitas vezes empresas oportunistas usam o discurso politicamente correto e resvalam para o incorreto em suas ações, sejam elas relacionadas ao trato do meio ambiente ou até mesmo de sua cadeia produtiva.

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Gráfico 3 – Número de Menções para Sustentabilidade e Ecologia na Folha de São Paulo

Investigando o conteúdo dessas inserções na Folha de São Paulo, encontramos, além de notícias, alguma publicidade de empresas e do Governo brasileiro. O aumento das menções a sustentabilidade, a partir de 2002, está fortemente concentrado no uso da palavra em matérias de conteúdo jornalístico e campanhas de conscientização.

Analisando a cobertura jornalística dos dois principais eventos mundiais, Eco 92 e Rio +20, pelo jornal Folha de São Paulo, encontramos a seguinte situação em termos quantitativos (Gráfico 4):

76 Para esse levantamento, foi considerado o período de realização dos eventos, adicionando um dia anterior ao inicio e um dia posterior ao término dos encontros. Portanto, para a Eco 92, o período investigado compreende 14 dias, de 2 de Junho a 15 junho de 1992. Para a Rio +20, o período é de 12 dias, entre 12 de Junho e 23 de Junho de 2012. O objetivo era compreender o tamanho do interesse dos veículos pelo tema e o tom atribuído aos eventos durante a cobertura.

Vale ressaltar que, entre as 36 páginas dedicadas à Eco 92, encontramos sete páginas que tratavam do caso do Cacique Paiakan, acusado de estupro. Excluindo esse fato, podemos concluir que o espaço dedicado aos dois eventos no jornal Folha de São Paulo foi praticamente o mesmo: 29 páginas para a Eco 92 e 28 páginas para a Rio +20. Mesmo considerando que utilizamos, em função da duração dos eventos, números de dias diferentes para cada ano, temos uma média de 2,07 páginas por dia para a Eco 92 e 2,33 páginas por dia para a Rio +20. Como não há diferença significativa entre estas médias, podemos concluir que o espaço cedido para o tema em 1992 e 2012 foi praticamente idêntico.

Outra semelhança entre as duas coberturas feitas pela Folha de São Paulo foi o espaço cedido para o tema na primeira página da publicação. Tanto a Eco 92 como a Rio+20 foram citadas na primeira página em caixas de texto de 15 a 20 linhas sem destaque, como manchete principal.

Ao analisar o conteúdo jornalístico, percebe-se que, tanto em 1992 como em 2012, o veículo explorou os conflitos econômicos e a dúvida sobre a eficácia dos eventos. A chamada para a Eco 92 na edição do dia 2 de junho, um dia antes da abertura do evento, era a seguinte: “Ciência teme ideologia irracional na Eco 92”. Sob este título, o jornal expunha a preocupação de um grupo de cientistas com as posturas radicais em torno do tema. Esse grupo, formado por renomados especialistas da área, destacava a importância em se tratar o problema de forma a não retardar o desenvolvimento das nações. Para eles, as resoluções da Eco 92 não poderiam se opor ao progresso científico e econômico.

O título do fechamento da cobertura da Rio 92, na edição de 15 de junho, foi: “Tom de decepção marca discursos no encerramento da Cúpula da Terra”. Embora os críticos tenham concordado positivamente com a evolução da discussão concretizada pela Agenda 21, a decepção foi atribuída às questões de ordem financeira. Os investimentos previstos para colocar em prática as determinações da Agenda 21 ficaram aquém da real necessidade e os países detentores das verbas não se comprometeram com prazos para realizar os investimentos.

77 Para o Brasil, o evento foi de grande importância para sua exposição, em nível mundial, e o país fez jus ao papel de anfitrião. Além desses aspectos, assim como ocorreu em 1972, por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre o Homem e o Meio Ambiente em Estocolmo, o Brasil liderou a discussão sobre a necessidade de desenvolvimento dos países mais pobres, contrariando a posição de países ricos que tinham como objetivo impedir o progresso das nações mais pobres como forma de preservação do meio ambiente.

Em 2012 no dia 12 de junho, dia anterior ao inicio da Rio +20, a manchete que abriu a cobertura do evento destacava: “Cúpula já tem impasse entre países ricos e pobres”. O impasse, mais uma vez, estava relacionado às questões financeiras. Os acordos firmados na Eco 92 previam que os países ricos seriam responsáveis por um aporte maior de investimentos em prol do desenvolvimento sustentável. Decorridos 20 anos, com agravamento da crise mundial que afeta principalmente os países da Europa e Estados Unidos, as nações mais desenvolvidas ainda questionam essa determinação. Diante desse cenário, compreendemos que a possibilidade de grandes avanços estava limitada.

A manchete do fechamento da cobertura da Rio +20 feita pela Folha de São Paulo apresentava o título: “Lideres adiam decisões e fim de cúpula tem tom melancólico”. Como as manchetes iniciais já prenunciavam, os interesses divergentes impediram avanços mais concretos na elaboração do documento final do encontro.

Citadas as semelhanças acima entre as coberturas da Folha de São Paulo para os eventos Eco92 e Rio +20, identificamos duas diferenças em relação à localização editorial das mesmas. A primeira delas se refere ao caderno escolhido pela Folha para tratar os temas dos eventos. Enquanto, em 1992, a cobertura da Eco 92 mereceu um caderno especial somente no primeiro dia e nas outras datas estava inserida no Primeiro Caderno, o periódico optou por inserir a cobertura da Rio +20 no caderno Cotidiano.

O Primeiro Caderno tem como temário principal economia e política. Já o caderno Cotidiano traz informações sobre o dia a dia das cidades, com foco em São Paulo. A seção “Atmosfera”, na qual o jornal divulga previsões do tempo para o estado de São Paulo e para o Brasil, também migrou do Primeiro Caderno para o caderno Cotidiano, no período entre os anos de 1992 e 2012.

A hipótese para essa mudança ter ocorrido nesse período de 20 anos é o fortalecimento da discussão sobre o meio ambiente e o conceito de sustentabilidade nas esferas da sociedade civil. A Folha de São Paulo, acompanhando esse fortalecimento, reconheceu que o tema tomou corpo e relevância para os cidadãos sendo, portanto, inserido em seu dia a dia.

78 Atualmente, o conceito sustentabilidade tem forte presença na comunicação das empresas públicas e privadas e, para o cidadão comum, está diretamente associado ao consumo consciente. Dessa forma, faz sentido a Folha de São Paulo tratar a cobertura da Rio +20 como uma tema do cotidiano.

Embora tenhamos constatado que, quantitativamente, a Folha de São Paulo destinou o mesmo numero de páginas para a cobertura da Eco 92 e da Rio +20, um importante veículo de mídia de massa foi incorporado pelo jornal em 2012. A Folha criou um site especial para a cobertura na internet: www.folha.com/riomaisvinte. Criado por ocasião do evento, o site permanece no ar até os dias de hoje, com atualizações diárias para o tema. De acordo com dados do estudo realizado pelo instituto de pesquisas Ipsos,22 44% da população brasileira tem acesso à internet (Pesquisa Cetelem BGN / Ipsos – 2011). Junto à classe AB, público alvo do jornal Folha de São Paulo, 78% dos entrevistados possui acesso à internet. Com o crescimento da base de usuários de internet também junto à classe C, concluímos que cada vez mais o meio digital é um importante canal de comunicação a ser utilizado pelas empresas. Dados históricos do levantamento da Ipsos mostram que o acesso à internet junto a Classe C cresceu de 30% em 2008 para 43% em 2011.

A publicidade na Folha de São Paulo

A segunda diferença percebida na análise da Folha de São Paulo está relacionada às propagandas veiculadas no jornal ao longo da cobertura dos eventos.

Tradicionalmente, as propagandas veiculadas na Folha de São Paulo têm caráter comercial. Assim, encontramos, tanto em 1992 como em 2012, uma profusão de propagandas de concessionárias de automóvel, imóveis e bancos com oferta de produtos financeiros. Em 1992, não encontramos, ao longo do período investigado, nenhuma propaganda de empresas de bens de consumo ou com menção ao tema meio ambiente e sustentabilidade.

Em 2012, por ocasião da cobertura da Rio +20, a Folha de São Paulo apresentou veiculação de anúncios utilizando o tema sustentabilidade. A principal característica dos anúncios está baseada no fato de que foram veiculados por Instituições ou Governos promovendo seus projetos e ações em sustentabilidade: FIESP (Federação das Indústrias do

79 Estado de São Paulo), FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), CNI (Confederação Nacional da Indústria) e Governo da Bahia.

Temos aqui dois pontos a serem comentados. O primeiro diz respeito ao desinteresse das empresas de bens de consumo em utilizar o jornal como veículo para sua comunicação. O jornal, por seu caráter de veiculação diária, exige uma estratégia de mídia diferenciada. Criar uma peça publicitária que esteja inserida no contexto da noticia diária exige um esforço nem sempre compensatório. A efemeridade do veículo diário também é um ponto a ser considerado. Diferente de uma revista semanal, que tem a oportunidade de ser lida mais de uma vez durante a semana e por um número maior de pessoas, o jornal tem vida útil menor. Segundo Santaella (2010), a natureza descartável do jornal traz ao meio o sentido de provisoriedade, requisito básico das culturas de massa.

Outra característica importante é a forma como a imprensa jornalística trata o tema em suas matérias. A ANDI (Agência de Noticias dos Direitos da Infância) realizou um estudo em 2008 sobre a presença do tema “mudanças climáticas” na imprensa brasileira. Nesse estudo, o órgão investigou 50 jornais no período de julho de 2005 a junho de 2007, incluindo a Folha

de São Paulo em sua análise. Uma das conclusões do estudo é que quase 42% dos textos

avaliados tratavam da mitigação dos efeitos do desenvolvimento econômico no meio ambiente. Nesse contexto de divulgar ações e tecnologias de mitigação, os agentes mais citados são as empresas privadas: 23,8% das matérias sobre o controle dos efeitos da industrialização no meio ambiente trazem exemplos de indústrias privadas. O Governo brasileiro é citado em 22,7% das matérias sobre mitigação. Dessa forma, as empresas privadas ganham um espaço importante para expor suas ações em prol da sustentabilidade. A ação da empresa, quando inserida em um contexto jornalístico de um veiculo de credibilidade, ganha peso junto à opinião da sociedade. No caso da cobertura da Rio+20, diferente da tendência apontada pelo resultado da analise da ANDI, as empresas privadas não foram citadas nas matérias de cobertura do evento. Somente as associações como FIESP e FIRJAN marcaram presença na pauta, sempre como defensores da discussão, em busca de soluções sustentáveis que não coloquem em risco o desenvolvimento econômico.

Podemos identificar uma estratégia de comunicação das indústrias privadas no jornal

Folha de São Paulo para o período de cobertura de um evento do porte da Rio 20+.

Aparentemente, as indústrias escolheram as Federações Estaduais como porta-vozes de suas ações em prol do meio ambiente. Com essa estratégia, as empresas otimizam seus

80 investimentos em publicidade e ainda não se comprometem com a divulgação de ações concretas.

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5. CONCLUSÃO

Na investigação sobre o tema “meio ambiente”, encontramos duas correntes ideológicas: os ambientalistas e os ambientalistas céticos. É fato que a origem das discussões foi impulsionada por interesses econômicos. Os grandes fóruns mundiais, embora não tenham sido totalmente eficazes na definição de objetivos e metas, certamente têm sua importância por abrir espaço para as discussões e colocar o tema na ordem do dia.

Enquanto os países ricos defendem sua posição imperialista, os países mais pobres querem garantir o direito ao desenvolvimento. Nesse cenário, surgem os países em desenvolvimento, bem representados pelo Brasil, e que se esforçam para ganhar espaço cada vez mais influente nas decisões de ordem econômica.

Por sua vez, a imprensa brasileira, mais especificamente a mídia impressa, tem se mostrado presente nas coberturas dos encontros e adotando postura crítica em relação aos temas discutidos. De forma geral, a conclusão da cobertura dos principais eventos é finalizada com o sentimento de que ainda há muito por fazer. Os meios de comunicação são claros ao apontar os principais entraves de ordem econômica na busca por soluções de desenvolvimento sustentável.

Concluímos que a linha editorial dos dois meios investigados manteve-se constante durante a cobertura dos dois importantes eventos mundiais, Eco 92 e Rio+20. Os eventos mereceram o mesmo destaque em termos quantitativos e o editorial se manteve questionador em relação à efetividade dos eventos, no sentido de avançar para ações concretas.

Ao tratar o tema, o jornalismo usa em geral o tom alarmista. O senso de urgência está presente nas matérias sobre a preservação do meio ambiente e, em geral, associado às catástrofes da natureza.

Na avaliação da publicidade das empresas, percebemos uma evolução no discurso utilizado, uma vez que a comunicação do tema sustentabilidade passa a exigir da empresa a divulgação de ações concretas. Nem sempre são ações efetivas por si só, mas certamente têm a pretensão de indicar que a empresa tem consciência ecológica.

No meio desse turbilhão de informações, está o consumidor. Este ser que é chamado a todo instante a adotar uma postura “ecologicamente correta”. A responsabilidade de mudar o curso da destruição da natureza é colocada nas mãos do ser humano e, para isso, ele precisa decidir por algumas mudanças em seu comportamento, estilo de vida e hábitos de consumo.

A tendência aponta para que a sustentabilidade ambiental seja cada vez mais incorporada como valor da sociedade, embora não possamos ocultar os aspectos que

82 dificultam esse movimento. Ser sustentável custa muitas vezes a liberdade. Liberdade de escolher o produto mais barato, o produto mais adequado à sua rotina, o produto mais atraente etc.

Pensamos que, ao longo dos anos, com a chegada das gerações mais jovens ao mercado de consumo, essa dinâmica de escolha seja menos cerceadora. Os novos consumidores surgem com um repertório maior sobre o tema e o mercado terá evoluído no sentido de trazer soluções eficazes e adequadas às necessidades dos indivíduos.

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