O construto “Componente Intrapessoal de Comportamento Religioso” tem como objetivo o foco na crença individual ou na experiência religiosa pessoal, onde serão observados aspectos pessoais de cada indivíduo no que diz respeito à fé e a crença dos grupos de respondentes. Na tabela 7, são apresentados os dados referentes às variáveis.
Tabela 7 - Descrição da variável Componente Intrapessoal de Comportamento Religioso
Variável Religião Média Desvio
padrão CINTRACR14: As crenças religiosas respondem a muitas perguntas
sobre o sentido da minha vida F = 4,336, p = 0,014
Católicos 6,74 2,72 Espíritas 8,14 2,56 Evangélicos 7,69 3,16
Total 7,44 2,87
CINTRACR2: Costumo ler (livros, sites, revistas) associados as
minhas crenças religiosas F = 30,981, p < 0,001
Católicos 4,58 2,88 Espíritas 8,13 2,70 Evangélicos 7,44 2,78
Total 6,51 3,20
CINTRACR3: É importante para mim ter um tempo na reflexão
religiosa ou em oração F = 5,922, p = 0,003 Católicos 7,75 2,59 Espíritas 7,86 2,52 Evangélicos 9,07 1,97 Total 8,20 2,45
CINTRACR4: Já tentei aumentar meu entendimento sobre minhas
crenças religiosas F = 7,086, p < 0,001 Católicos 7,21 2,63 Espíritas 6,79 3,24 Evangélicos 8,57 2,31 Total 7,52 2,81
CINTRACR5: As crenças religiosas influenciam todos os aspectos de
minha vida F = 5,362, p = 0,05 Católicos 6,22 2,58 Espíritas 7,61 2,90 Evangélicos 7,54 3,01 Total 7,04 2,88
CINTRACR6: Minhas crenças religiosas estão por trás da minha
visão sobre a vida F = 5,951, p =0,003
Católicos 6,75 2,58 Espíritas 7,93 2,44 Evangélicos 8,15 2,68
Total 7,53 2,64
Fonte: Dados da pesquisa (2012)
Ao verificar-se as médias e desvios-padrão totais do construto, as variáveis do construto apresentaram médias com valores acima de 7, o que corresponde a um grau de concordância moderado, destacando-se a variável CINTRACR3, cuja média foi acima de 8, o que representa um grau de concordância alto. Apenas uma variável apresentou média abaixo de 7, mas próxima do número desejado, sendo considerada ainda como detentora de um grau de concordância moderado.
Quanto ao desvio padrão total, observou-se que a variável CINTRACR2 apresentou um grau de dispersão acima de 3, considerada alta, o que é explicado a partir da observação da tabela 17 subdivida por religião. As demais variáveis se mantiveram com grau de dispersão entre 2 e 3, considerada moderada.
Ao analisarem-se os dados por religião, a religião católica, a variável CINTRACR2 apresenta uma média de 4,58 e um desvio padrão de 2,88. Isso significa que esta variável apresenta um grau de concordância baixo para esse grupo religioso. Para as demais religiões, as médias permaneceram acima de 75, ressaltando o grau de concordância alto com as afirmativas apresentadas no construto.
É interessante notar também que, para os espíritas, os construtos CINTRACR1 e CINTRACR2 apresentaram as maiores médias. Isso se deve, provavelmente, ao fato de os espíritas buscarem, se comparado às outras religiões, entender o processo de desencarne espiritual, além do entendimento da função do espírito no plano terrestre. Outro possível motivo é a quantidade exorbitante de literatura ficcional e não-ficcional a respeito dessa religião/doutrina religiosa disponível para leitura, sendo “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, a principal obra buscada por seus praticantes para a explicação dos fenômenos da vida e do pós-vida.
- Análise fatorial exploratória e de consistência
Verificou-se através da aplicação do teste de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e o teste de esfericidade de Bartlett que o valor alcançado pelo KMO foi de 0,868 e o teste de esfericidade de Bartlett mostrou significância estatística do valor do qui-quadrado a p<0,001 (X2=491,898; gl=15), confirmando que os itens do construto eram adequados para a realização da análise fatorial. Com a realização da extração fatorial, a tabela 8 apresenta os resultados da análise de autovalores os quais, na primeira extração, apresentaram a existência de um
5 Estes valores são de referência meramente para averiguação, exploratória, da dispersão das respostas da amostra não indicando referências universais para análise do tipo.
autovalor com grau de explicação de 59,41% da variância total, o que indicou com maior segurança que o conjunto de variáveis possui apenas um fator subjacente.
Com os dados resultantes da tabela 8, verificou-se que a variável CINTRACR4 apresentou um valor discrepante na margem determinada (acima de 0,70). Esse resultado sinaliza a possibilidade de reavaliação desse item e uma possível adequação do mesmo.
Tabela 8 - Matriz de escores de informação
VA Escores por extração Total
CINTRACR16 0,82 CINTRACR2 0,77 CINTRACR3 0,78 CINTRACR4 0,59 CINTRACR5 0,80 CINTRACR6 0,84
Fonte: Dados da pesquisa (2012)
Para a conferência da confiabilidade por consistência interna, foi extraído o coeficiente alpha de Cronbach. O valor obtido foi de 0,858, o que demonstra um nível satisfatório para o construto. Percebeu-se ainda que no output gerado pelo SPSS, que a retirada da variável CINTRACR4 resultaria em um aumento do valor do alpha para 0,868. Isso comprovou o grau de consistência interna das variáveis e fortaleceu o construto utilizado na pesquisa.
- Variável agregada
A análise da medida agregada apresentou resultado da média de nível de moderado para alto (7,36), e com um nível de dispersão moderado (2,17), indicando que existe uma boa convergência, geral, em torno desse posicionamento.
O resultado da ANOVA mostrou que há diferença significativa entre as religiões (F=10,910, p<0,01). A maior média observada foi para o grupo dos evangélicos, que ficou em nível alto (8,05) ao passo que os católicos e espíritas apresentaram médias em um nível moderado (6,51 e 7,78), respectivamente.
Tabela 9 - Descrição da variável agregada
Variável Religião Média Desvio
padrão Componente Intrapessoal de Comportamento
Religioso F=10,910, p<0,01 Católicos 6,52 2,17 Espíritas 7,79 2,00 Evangélicos 8,05 2,01 Total 7,37 2,18
Fonte: Dados da pesquisa (2012)
Isso se deve, possivelmente, à prática religiosa principalmente das igrejas
evangélicas pentecostais e neopentecostais e, quanto aos católicos, isso possivelmente ocorre pelo fato de que algumas pessoas se denominam católicos, mas não praticam ativamente a religião, sendo denominados católicos não-praticantes (Tabela 9).