C. Arsa Payının Düzeltilmesi Davası
2. Dava Sırasında Alınacak Önlemler
Os Festivais da Canção, por um lado, e os prémios do Rei da Rádio e da Rainha da Rádio (estes associados às duas revistas que os promoviam, respetivamente a Plateia e a Flama), por outro lado, e os concursos de música rock’n’roll, por outro lado ainda, criaram um di- namismo novo no quadro da produção da música não erudita, nunca antes vista na rádio, a que se ligou a produção discográfica, que irrompeu igualmente na década de 1960. Ou- tro setor, o dos locutores, tinha um prémio, Microfone de Oiro, com votação dos leitores da revista Plateia.
A eleição do Rei da Rádio fazia-se através dos votos recebidos durante os espetáculos ao vivo (organizados pelo Cliper Musical, renomeado Produções Arlindo Conde em 1963) e dos votos enviados para a revista Plateia. A votação nos espetáculos poderia resultar em algum favorecimento dos artistas exclusivos do produtor Arlindo Conde, promotor do concurso, mas isso só se verificaria em candidatos menos conhecidos do público. António Calvário, Fernando Farinha, Artur Garcia, António Mourão e António Rocha foram canto- res que alcançaram o prémio e a fama (Plateia, 24/10/1967). Maria de Lourdes Resende seria a Rainha da Rádio em 1969, com Madalena Iglésias muito próximo. Calvário ganharia igualmente o prémio de popularidade do cinema português em 1966, ao lado de Madalena Iglésias, com o filme interpretado por ambos, Rapazes de Táxis (Plateia, 09/08/1966). Os leitores da Plateia que votavam no Rei da Rádio candidatavam-se a ganhar pré- mios como televisores, fogões, rádios, ventoinhas, relógios, discos, vinho e café (Plateia, 01/01/1965), prémios que identificam um público-alvo específico, as classes populares que ainda não tinham nos seus lares equipamentos eletrodomésticos.
Outro concurso, o Melodias ao Desafio, com o objetivo de descobrir novas vozes, tinha organização de José Marques Vidal (Clube Radiofónico de Portugal), Sociedade Rodri- gues Cordeiro e revista Plateia. Em cerca de seis meses em 1967, quase duas centenas de candidatos inscritos passaram por um sistema de eliminatórias que apurava dois candida- tos por mês (Plateia, 22/08/1967). O modo de eleição dos concorrentes ao Melodias ao
Desafio era a cronometragem dos aplausos do público (Plateia, 25/04/1967). O candidato
com um forte grupo de apoio tinha uma maior probabilidade de vencer a eliminatória. A continuação em prova funcionaria como garantia da presença em espetáculos e assina- tura com uma produtora ou empresa fonográfica. O sistema de aplausos estendeu-se aos concursos de música ié-ié em 1968 (Plateia, 14/05/1968).
Os concursos e os prémios geraram grande atividade ao longo da cadeia de produção de valor do meio musical. Cantores, músicos, técnicos de som, produtores de rádio e pro- dutores de espetáculos teceram ligações fortes que se estenderam à rádio, à produção discográfica e aos festivais de música.
Publicidade
Os Passatempos APA e, depois, os Companheiros da Alegria, de Francisco Igrejas Caeiro,
Comboio das Seis e Meia, de José Castelo, Vozes de Portugal, de José Rocha, e outros
concertos-programas eram chamados “programas radiopublicitários”. A designação pro- vinha dos anúncios lidos por um locutor-apresentador no programa e transmitido na rá- dio. Um exemplo bem conhecido foi o dos
Candeeiros bem bonitos/modernos, originais,/compre-os na Rádio Vitória,/não se preocupe mais./Lá na Rua da Vitória/quarenta e seis quarenta e oito/satisfaz- se plenamente/o cliente mais afoito/Porque na Rádio Vitória/Embaixada do bom gosto/Quem lá vai é bem servido/e sai sempre bem disposto,
transformado em spot gravado e montado com música. Original de José Oliveira Cosme, a produção do anúncio custou 1300 escudos (entr. Antunes conduzida por Luís Garlito, 1992). A Rádio Porto, uma das emissoras daquela cidade a emitir próximo aos Clérigos, produzia anúncios muito voltados para a proximidade – cinema Passos Manuel, confeitaria Cunha, Tea- tro Sá da Bandeira, restaurante Arca de Noé. Por estes anúncios, infere-se a importância da baixa da cidade na economia e comércio da cidade. Mas também se anunciavam bens e serviços usados na passagem da década de 1960 para a de 1970, tais como Renault 16, Gaz- cidla, vinho do Porto Niepoort, rádios Loewe Opta, giradiscos Teppaz. Uma marca de óleos de automóvel patrocinava um programa naquela estação: “Ouviram Luz Verde. Um programa da Sacor para os senhores automobilistas. A orquestração dos produtos Sacor é a sinfonia do novo mundo mecânico. Boa noite, até amanhã” (coleção particular de Carlos Silva).
Os anúncios mais populares incluíam detergentes, chocolates e eletrodomésticos, num alargamento das necessidades de consumo. Aliás, um detergente, Tide, esteve presente numa das rubricas mais importantes da história da rádio a partir de meados da década de 1950: os folhetins radiofónicos no Rádio Clube Português, na Rádio Graça e outras estações. Recorde-se o folhetim A Força do Destino, mais conhecido pelo “folhetim da coxinha”, transmitido pela Rádio Graça, com trezentos episódios transmitidos de segun- da-feira a sábado durante 1955, que envolveu a família Figueirola: Margarida, a jovem com muletas, Raquel, a má e egoísta que via no marido a fonte para satisfazer o seu luxo e que morreu durante a história, Humberto Figueirola, médico e galã do folhetim, casado com Raquel mas inclinado para Margarida, a quem se uniria após a morte da primeira mulher (Maia 1995, 205). A Emissora Nacional desenvolveu um caminho interessante na promo- ção de obras de maior fôlego, com uma finalidade mais política, estética e cultural. O pri- meiro folhetim radiofónico foi As Pupilas do Senhor Reitor em maio de 1950 (Rádio Nacio-
nal, 18/02/1950). Nas suas atividades, o SNI deu também destaque ao teatro radiofónico
nos emissores associados de Lisboa e do Porto, nomeadamente com peças premiadas em concursos promovidos pelo próprio secretariado.