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C. TÜRKİYE’DE POLİS MESLEK EĞİTİMİ YAPILANMASI

1. Hizmet Öncesi Eğitimi

2.2. Daire Başkanlıkları

Assim como a sociedade, a noção de juventude passa constantemente por releituras, que são delineadas pelas diferentes realidades sociais, culturais e econômicas. Essa construção insere- se em um processo histórico, influenciado por diferentes aspectos da contemporaneidade que atuam na construção das identidades e singularizam as práticas culturais entre os jovens. Embora se reconheça que as questões de consumo não se dissociam do exercício dessas práticas, de acordo com Magnani (2005), os estudos contemporâneos sobre culturas juvenis estão mais focados nas estratégias utilizadas por esses sujeitos e menos nas formas de consumo, delinquência e nas representações.

Como esclarece Abramo (2007, p.74), recentemente, existe certo volume de pesquisas que se aproximam dos próprios jovens: “suas experiências, suas percepções, formas de sociabilidade

e atuação”. Dito de outra maneira, busca-se investigar a manifestação da subjetividade dos jovens, circunscrita pela multiplicidade e parcialidade das representações, pois há o entendimento de que a juventude não é vivenciada de forma homogênea (FROTA, 2007). Além disso, ressalta-se que a expansão das instâncias socializadoras, para além da família e da escola, e o maior contato com as mídias e a internet, na contemporaneidade, aumentam a influência sobre esses sujeitos (NOVAES, 2006). Desse modo, consideramos, a partir de Viana (2014, p.251):

[...] a cultura é um campo vasto mais amplo e diz respeito a um conjunto de elementos materiais e simbólicos historicamente construídos que conferem identidade a um determinado grupo social ou sociedade. Nessa visão, não existe uma cultura única, universal, hegemônica. Ao contrário, pensamos na perspectiva de culturas, no plural, com vistas a contemplar e defender as especificidades e a diversidade de experiências vividas por grupos e indivíduos.

Em nosso estudo, essa perspectiva de diversidade de contextos sociais é notada, por exemplo, pelos diferentes modos que nossos jovens exercem suas práticas socioculturais. Parte deles estuda, trabalha, circula sozinha pela cidade e utiliza o transporte público. Outros apenas estudam e estão quase sempre acompanhados pelos pais. Alguns podem comprar livros e frequentar livrarias, outros trocam leituras entre colegas, porque não têm dinheiro para comprá-las. Além disso, a relação estabelecida com as bibliotecas e seus profissionais é bem diversa entre eles. Uns as frequentam somente para pegar livros ou usar a internet, outros participam regularmente das atividades oferecidas nesses espaços.

Quanto à ampliação das formas de sociabilidade, particularmente em relação às práticas e escolhas de leituras literárias, nota-se que essa perspectiva é reiterada, por exemplo, pela participação dos nossos jovens em sites de compartilhamento de leituras, como o Skoob e, também, pela busca de indicações de títulos na internet, através de listas das obras mais vendidas. E, ainda, pela relação de confiança estabelecida com os profissionais que atuam nas bibliotecas, assim como na comunidade de leitores constituída nesses espaços.

Em relação ao nosso entendimento do que seja ser jovem na contemporaneidade, com base em Dayrell e Gomes (2005), acreditamos que existe um caráter universal nas transformações vividas pelo indivíduo nessa fase da vida, envolvendo aspectos físicos e psicológicos, representados de formas variadas nas sociedades de acordo com o tempo histórico. Cada grupo social lida com esse momento e essa representação de modos distintos.

Por isso, embora nosso estudo, sob a ótica cronológica, envolva sujeitos que estão na adolescência, optamos pelo uso do termo “jovem”, diferindo da visão limitada a questões psicológicas e / ou biológicas. Como explica Peralva (2007, p.13): “as idades da vida embora ancoradas no desenvolvimento biopsíquico dos indivíduos, não são fenômeno puramente natural, mas social e histórico, datado, portanto, e inseparável do lento processo de constituição da modernidade”. Também nessa direção, Velho (2006) aponta que as denominações etário-geracionais são estabelecidas com base nos diferentes modos de negociação da realidade, através dos processos de interação social, influenciados por fatores – econômicos, sociais, políticos e simbólicos.

Essa concepção de jovem, que extrapola os aspectos cronológicos, psicológicos e biológicos, parece-nos mais adequada à compreensão das práticas e escolhas de leituras literárias entre jovens que frequentam as bibliotecas públicas, já que os atuais dados estatísticos, relacionados à capacidade leitora desses sujeitos, como já discutido, não alcançam as singularidades desse processo, ainda que sejam importantes para a formulação das políticas públicas relacionadas à formação de leitores.

Ou seja, como explicita Dayrell (2003), construir uma noção de juventude na perspectiva da diversidade, implica considerá-la como parte de um processo de crescimento totalizante, que adquire limites específicos no conjunto das experiências vivenciadas pelos sujeitos. Nessa direção, o autor considera que há diferentes possibilidades de apropriação do social, de forma a romper com a ditadura do consumo, nas quais se percebe um alargamento dos interesses e práticas coletivas juvenis, especialmente, na dimensão cultural. Essas, por sua vez, propiciam formas singulares de sociabilidade, experiências coletivas e de interesses comuns.

Entretanto, também com base no pensamento desse autor, notamos que a ideia romântica de juventude, concebida como um tempo de liberdade, de prazer e de comportamentos extravagantes, cristalizada a partir dos anos 60, e, muitas vezes, alimentada pela indústria cultural e um mercado de consumo direcionado aos jovens, ainda está muito presente em nossa sociedade, sobrepujando a perspectiva de diversidade das culturas juvenis. Além disso, por vezes, percebe-se que essa visão romanceada, escamoteia a diversidade das práticas culturais exercidas pelos jovens.

Particularmente em relação às práticas leitoras dos jovens na contemporaneidade, verifica-se que, atualmente, elas têm sido bastante investigadas, mas essas discussões atrelam-se, sobremaneira, ao espaço escolar e familiar, pois há o reconhecimento de que essas duas instâncias têm importante influência na formação leitora, fato com qual concordamos. Sendo assim, adiante abordamos nosso entendimento em torno da relação entre juventude e leituras literárias.

3.1.1 Juventude e leituras literárias

Nossa compreensão em torno das práticas culturais dos jovens, parte do pressuposto de que esses sujeitos exercem-nas de maneiras variadas, tendo papel ativo nesse exercício. Reconhecemos também que esses sujeitos possuem capacidade de negociação com os sistemas e instituições, que inclui a ambiguidade nos modos de relação com as estruturas dominantes, ora resistindo, ora se sujeitando (REGUILLO, 2007, p.57).

Consideramos também, que as práticas e escolhas de leituras literárias, realizadas pelos nossos jovens, inserem-se entre essas diferentes formas de apropriação do social, especialmente, quando esses sujeitos encontram-se para trocar ideias e impressões sobre livros, participam de atividades coletivas de leitura e fazem empréstimos de obras, seja nas bibliotecas públicas ou em quaisquer outros espaços.

Acreditamos ainda que incluir a leitura literária entre as práticas socioculturais exercidas pelos jovens permite redimensionar a formação leitora. Especialmente na juventude, embora se perceba a influência de variadas esferas institucionais (escola, biblioteca, família, igreja etc.), notamos que esse processo ultrapassa os sistemas regulares e suas práticas de autoridade, normativas e disciplinares. Portanto, a partir de Fischer (2011, p.55), consideramos que a educação literária relaciona-se à: “... escolha da própria existência, como busca de um estilo de vida”, perspectiva que envolve o desejo e, ao mesmo tempo, a participação ativa dos jovens. Ou seja, nessa perspectiva convoca-se a:

[...] capacidade de provocar, de duvidar, de dedicar-se a si mesmo com vigilância e esforço, com vigor, com entrega ao genuíno desejo de desaprender o que já não nos serve e municiar-nos de discursos que incitam a agir eticamente e a nos transformar (p.55).

Além disso, entendemos que, ainda que as bibliotecas públicas estejam entre esses sistemas normativos, elas contribuem para a ampliação da formação leitora dos nossos jovens, especialmente com a aproximação espontânea da literatura e as escolhas subjetivas de textos literários. Essa consideração não envolve o sentido de dicotomização entre as diferentes instâncias que atuam na formação leitora, mas de integração entre as variadas formas de exercício dessas práticas leitoras. Particularmente, em relação à escola e à biblioteca pública, pensamos que ambas as instituições têm especificidades e, também, compromissos compartilhados, que se diferenciam, ao mesmo tempo em que se intercambiam, isto é: “contribuir para a formação de jovens leitores e permitir que eles se apropriem da cultura escrita” (BUTLEN, 2012, p.40).

Quanto à aproximação da literatura em suas várias formas de expressão, consideramos que a formação leitora dos jovens inclui também o diálogo com os repertórios próximos desses sujeitos. Ou seja, a partir de Viana (2014, p.250), entendemos que em ambas as instituições cabe a reflexão em torno de suas “[...] experiências a partir dos diferentes gostos, escolhas, estilos, tradições e valores culturais [...]” existentes dentro e fora desses espaços.

Concordando com Petit (2008), acreditamos que o ato de ler, em especial na juventude, pode convergir sentimentos de rebeldia à cidadania, por isso, consideramos importante a democratização da leitura entre jovens. Nessa mesma direção, Reyes (2012) destaca:

[...] nossas crianças e jovens estão imersos em uma cultura de pressa e tumulto que os iguala a todos e que os impede de refugiarem-se, em algum momento do dia ou, inclusive, de sua vida, no profundo de si mesmos. Daí que a experiência do texto literário e o encontro com esses livros reveladores que não se leem com os olhos ou a razão, mas com o coração e o desejo, sejam hoje mais necessários do que nunca como alternativas para que essas casas interiores sejam construídas (p.27).

Mas, se as sociedades letradas possuem várias práticas leitoras, cabe interrogar: porque destacar entre elas a leitura dos textos literários? O que a distingue das demais? São nessas questões que nos detemos a seguir.