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O objetivo do modelo proposto é avaliar redes logísticas de centros de distribuição para fins de reestruturação utilizando o método do FCD para obter o valor da rede logística combinado com os custos de saída, para quantificar o valor da mudança, e os métodos exato e heurístico para definição dos cenários a serem analisados.

O modelo proposto é estruturado em dez etapas sendo elas:

• Definição da área de estudo. • Definição dos cenários. • Análise histórica.

• Previsão de desempenho. • Estimativa do custo do capital. • Estimativa dos custos de saída.

• Cálculo do fluxo de caixa a ser descontado. • Estimativa do valor contínuo.

• Cálculo do valor presente líquido. • Análise dos resultados.

O fluxograma da metodologia proposta é apresentado na figura 3.1.

Figura 3.1 – Fluxograma do Modelo Proposto.

3.1.1 - Definição da área de estudo

A primeira etapa, que é a definição da área de estudo, tem como objetivo limitar o escopo da análise do modelo. São especificados nesta etapa qual rede logística, centros de distribuição ou as áreas geográficas farão parte da pesquisa.

O foco desta etapa deve estar em determinar quais instalações da rede logística farão parte da análise. Estas instalações, que incluem pontos nodais na rede, como plantas, portos, fornecedores, armazéns, filiais de varejo e centros de serviços, dão formato, estrutura e forma à rede logística. Sendo estas instalações os nós da rede logística, são eles quem definirá a quantidade de cenários possíveis para análise.

É importante observar que a disponibilidade de informações para execução da pesquisa pode ser uma variável crucial para a determinação da área de estudo. A disponibilidade de informação pode, por exemplo, excluir algumas estruturas da análise, bem como alguns custos logísticos como os custos de transporte relacionados ao fornecimento de mercadorias, ou os custos referentes às instalações de armazenagem.

Desta forma, percebe-se que é nesta etapa que são definidos os custos que serão analisados além do tamanho da análise que será realizada.

3.1.2 - Definição dos cenários

A segunda etapa, de definição dos cenários de estudo, deve levar em consideração a quantidade de instalações da rede logística destinados na primeira etapa.

A quantidade de cenários possíveis é dada pela combinação entre a quantidade de localizações e a quantidade de instalações. Dada n possibilidades para localização de até n instalações, a solução ótima seria aquela que tivesse o melhor resultado dentre todas as combinações possíveis de localização das n instalações. A quantidade de cenários possíveis é dada pela equação (3.1):

(3.1)

onde C é a combinação de n tomados i a i. Nota-se que a empresa pode optar por nenhum in

centro de distribuição (CD) na sua operação, nesta situação tem-se C0n, o que corresponderia a uma operação totalmente terceirizada ou o atendimento da demanda por meio de uma instalação logística fora da área da área definida para o estudo.

A figura abaixo 3.2, apresenta um exemplo de uma rede logística de centros de distribuição, onde cada centro atende a demanda de uma área específica. Para este exemplo, temos cinco centros de distribuição e cinco localizações disponíveis.

∑

= n i n i C 0

O cenário que considera a permanência dos cinco centros de distribuição em suas localizações originais seria dado pela equação (3.2):

(3.2)

Figura 3.2 Exemplo de rede logística com cinco instalações e cinco localizações

Se for considerada a eliminação de um centro de distribuição, então a quantidade de cenários disponíveis para avaliação é dada pela equação (3.3) e a figura 3.3 ilustra dois destes cenários possíveis.

(3.3)

Figura 3.3 Cenários possíveis para quatro instalações e cinco localizações

Dois cenários possíveis para a eliminação de duas instalações da rede logística são apresentados na figura 3.4. 1 5 5 = C 5 5 4 = C

A quantidade de cenários para o exemplo em questão, considerando a eliminação de duas instalações é dada pela equação (3.4).

(3.4)

Figura 3.4 Cenários possíveis para 3 instalações e cinco localizações

A equação (3.1) mostra que à medida que a quantidade de localizações disponíveis e de instalações vai aumentando a quantidade de cenários possíveis podem se tornar muito grande. Para resolver este inconveniente, que pode elevar consideravelmente o tempo de obtenção da solução, devem ser utilizadas heurísticas para redução da quantidade de cenários.

Uma sugestão neste caso, seriam restrições quanto a eliminação de instalações, ou outras formas de restrições, desde que reduzam a quantidade de cenários disponíveis para avaliação.

3.1.3 - Análise Histórica

A análise histórica deve se concentrar em buscar os custos logísticos e demais informações que sirvam para entender e mensurar o desempenho da rede logística que será estudada. Neste ponto, devem ser buscadas informações dos anos anteriores referentes aos custos que serão incorporados na análise, tais como, custos de transporte, custos do estoque, custos das instalações logísticas entre outros.

É nesta etapa, através da análise histórica da rede logística, que deverão ser definidos os meios de agregar valor à rede logística. Este é o principal ponto desta etapa, pois somente após identificar uma forma de quantificar o valor da rede logística para a empresa é que será possível fazer uma previsão de desempenho futura da rede.

10

5 3 =

A forma como será agregado valor à rede logística depende da própria rede. No caso de redes logísticas de distribuição do produto o valor de venda do produto, ou uma parcela dele, pode ser considerado como a receita da rede logística. O importante na hora de definir esta variável é identificar uma receita da empresa que pode ser atribuída às operações logísticas.

3.1.4 - Previsão de Desempenho

A previsão de desempenho deve se basear na previsão de desempenho da própria empresa. A partir da previsão de desempenho da empresa, é possível definir a previsão de desempenho da operação logística.

É necessário analisar se a previsão de desempenho da operação logística está diretamente relacionada à previsão de desempenho da empresa. Caso isto não ocorra, é necessário analisar a proporção de crescimento da operação logística a partir do crescimento da empresa.

Dependendo da qualidade das informações disponíveis para se fazer a análise, a previsão de desempenho deverá ser feita para pelo menos cinco períodos. Caso as informações utilizadas sejam de confiança, a previsão de desempenho poderá se estender para mais períodos, contudo deve-se tomar cuidado para que a previsão não fique duvidosa.

3.1.5 - Estimativa do Custo do Capital

A estimativa do custo de capital deverá se basear no método do WACC descrito na seção 2.5. Como calcular o custo de capital da operação logística pode se tornar algo extremamente trabalhoso, calcular o custo de capital da empresa e aplicá-lo na análise pode ser uma solução simplificadora.

3.1.6 - Estimativa dos Custos de Saída

Nesta etapa é necessário fazer uma avaliação de quais seriam os custos que poderiam impedir a saída ou a entrada de uma nova instalação na rede logística. Estes custos correspondem aos chamados custos de saída.

É importante notar que os custos de saída não são necessariamente os mesmos para todos os cenários estudados. Por isto, os custos de saída devem ser estimados para cada cenário.

3.1.7 - Cálculo do Fluxo de Caixa a ser Descontado

O fluxo de caixa da operação logística deverá considerar os custos de saída decorrente da alteração da rede logística, o valor dos investimentos da rede logística, o valor das despesas (custos de transporte, armazenagem, processamento de pedidos) resultantes das operações logísticas, as receitas relacionadas ao sucesso da operação logística e os custo de oportunidade do capital investido na operação logística.

Percebe-se que o modelo irá considerar a influência da operação logística nos ganhos da empresa, bem como o impacto de diversos custos logísticos.

O fluxo de caixa da operação logística deverá ser elaborado para a mesma quantidade de períodos definidos na previsão de desempenho. Estes períodos considerados na previsão de desempenho correspondem ao período de previsão explícita da operação logística, pois todos os custos logísticos deverão ser detalhados para facilitar uma posterior análise dos resultados.

3.1.8 - Estimativa do Valor Contínuo (perpétuo)

Como nenhuma empresa é criada com planos de ter suas atividades encerradas, os valores referentes ao resultado da empresa fora do período de previsão de desempenho deverão ser considerados também.

A estimativa do valor contínuo da operação logística poderá ser feita com base nos mesmos critérios utilizados para calcular o valor contínuo da empresa que foram expostos na seção 2.2 desta dissertação.

3.1.9 - Cálculo do Valor Presente Líquido

Uma vez calculados os valores dos fluxos de caixa da operação logística, tanto para o período de previsão de desempenho, quanto para o período de previsão de desempenho perpétuo, o mesmo deverá ser descontado para a data presente ao custo de capital calculado para a empresa.

Este procedimento deverá ser feito para cada cenário considerado na análise.

3.1.10 - Análise dos Resultados

Uma vez determinados os valores presente líquido de cada cenário considerado na análise, o melhor resultado será aquele que apresentar o maior valor presente.

Neste etapa, se faz necessário validar os valores calculados e é provável que seja necessário fazer uma análise de sensibilidade.

O fato do valor da operação logística ser uma medida de valor da empresa, e sendo o valor da empresa a sua expectativa de ganhos futuros, o modelo irá tratar a rede logística ao longo do tempo. O valor que a rede logística atribui à empresa dependerá do seu desempenho futuro. A análise dos resultados deverá levar este fato em consideração para se ter uma maior compreensão dos resultados obtidos.