• Sonuç bulunamadı

3.3. Batıda Gelişen Çeşitli Adalet Görüşleri

3.3.3. Orta Çağ Felsefesinde Adalet

Em nossa pesquisa, não pretendemos priorizar a constatação de fatos, o teste ou o experimento de teorias, o levantamento e a quantificação de dados visando testar hipóteses, enfim, não almejamos, prioritariamente, estabelecer relações entre causa e efeito. Baseados nessas constatações e, levando em consideração a concretização de nossos objetivos propostos e, pleiteando responder à nossa questão de investigação, escolhemos realizar uma investigação qualitativa.

Para D’Ambrósio e D’Ambrósio (2006, p. 18), a pesquisa qualitativa começou a ser valorizada e a ser considerada como a mais adequada para pesquisa em Educação, há aproximadamente duas décadas.

A pesquisa qualitativa tem como foco entender e interpretar dados e discursos, mesmo quando envolve grupos de participantes. Esse tipo de pesquisa depende da relação observador – observado e usa como metodologia, por excelência, a interpretação e as técnicas de análise de discursos e narrativas. D’Ambrosio (2006) defende ainda que esse tipo de pesquisa traz inovações, no seguinte sentido:

[...] A pesquisa qualitativa é outra coisa. No meu entender, é o caminho para escapar da mesmice. Lida e dá atenção às pessoas e às suas ideias, procura fazer sentido de discursos e narrativas que estariam silenciosas. E a análise dos resultados permitirá propor os próximos passos. (D’AMBRÓSIO, 2006, p. 19)

Para Bogdan e Biklen (1994), a expressão investigação qualitativa é definida

“como um termo genérico que agrupa diversas estratégias de investigação que partilham

determinadas características” e observam que “nem todos os estudos considerados qualitativos patenteiam essas características com igual eloqüência”. Entretanto, para os pesquisadores, é importante que seja observada algumas peculiaridades, as quais embasarão e darão fundamentação à metodologia de pesquisa da presente dissertação:

1. Na investigação qualitativa, a fonte direta de dados é o ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal;

2. A investigação qualitativa é descritiva;

3. Os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos;

4. Os investigadores qualitativos tendem a analisar os dados de forma intuitiva;

5. O significado é de importância vital na abordagem qualitativa. (BOGAN e BIKLEN, 1994, p. 47-51)

Outros pesquisadores também defendem características específicas para a pesquisa qualitativa, observando que essas características não devem ser desconsideradas e que são elas que darão um caminho norteador para a investigação que está sendo realizada. Para Santos Filho (2009), na pesquisa qualitativa acontece uma aproximação pesquisador e sujeitos da pesquisa, levando em consideração as seguintes perspectivas:

- a realidade é dependente da mente do sujeito e o pesquisador não se pode colocar fora da história nem da vida social, e deve usar uma linguagem real, não neutra e semelhante à do dia-a-dia;

- dirige sua atenção para o reino do sujeito que conhece e qualquer afirmação sobre o mundo baseia-se inevitavelmente nos interesses, valores e situações do indivíduo;

- o foco é a experiência individual de situações, o senso comum, o processo diuturno de construção do significado, o “como”.

- utiliza-se o método indutivo, por definições que envolvem o processo e nele concretizam, pela intuição e criatividade durante o processo da pesquisa, por conceitos que se explicitam via propriedades e relações, pela síntese holística;

- o pesquisador imerge-se no fenômeno de interesse;

- a validade é o mais importante. (SANTOS FILHO, 2009, p. 40-45) Para Barbosa (2001, p. 81), o método qualitativo domina / está presente grande parte das pesquisas no campo da Educação e da Educação Matemática. O autor recorre a André (1998), para defender que essa presença baseia-se na sua possibilidade de revelar os processos educacionais e o cenário escolar “por dentro”, criando um grande número de “possibilidades de trazer para a Academia, o ponto de vista dos atores sociais que estão sendo foco do estudo”. Para o pesquisador, esse método possui algumas características que proporcionam a sua constante utilização nas pesquisas:

- O pesquisador é considerado instrumento de pesquisa;

- A pesquisa qualitativa apresenta dados descritivos, que são abordados interpretativamente;

- O ambiente natural é a fonte direta de dados; - A compreensão do processo ocupa lugar relevante;

- O ponto central da pesquisa é a busca do significado que as pessoas dão para as coisas;

- o método de análise é o indutivo. (BARBOSA, 2001, p. 81-83)

Para Santos (2012, p. 69), pesquisa qualitativa é aquela em que a pergunta diretriz é elaborada de forma questionadora / problematizadora e os participantes nela envolvidos são fundamentais para a obtenção de respostas à pergunta, sob critérios de credibilidade, fornecendo informações mais descritivas que primam pelo significado dado às ações dos participantes.

Já para Fiorentini e Lorenzato (2007, p. 9), existem diversas maneiras de coletar informações quando se trata de uma pesquisa qualitativa. Nesse tipo de pesquisa, a coleta pode ser obtida utilizando instrumentos mais dirigidos, como questionários e entrevistas com questões fechadas ou por meio de instrumentos abertos, como entrevistas abertas e observação participante ou etnográfica. Os autores ainda observam que qualquer técnica escolhida para a coleta dos dados apresenta suas vantagens e desvantagens e, por isso, julgam conveniente que o pesquisador, com o intuito de ser o mais fidedigno possível em relação aos dados obtidos, deve ser criterioso e pense na possibilidade de utilizar mais de uma técnica para a obtenção dos dados.

Assim, devido à natureza de nossa pesquisa, destacamos Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (1998, p. 21), para quem a pesquisa qualitativa proporciona um caminho que permite uma extensa gama de possibilidades da utilização de diversos procedimentos e instrumentos de coleta de dados, pois possui como característica ser multimetodológica. Isso nos leva a acreditar que nossa investigação pode ser classificada como qualitativa, considerando não só os seus objetivos, como também os instrumentos de coleta de dados que pretendemos utilizar.

Concordamos ainda, com Burak e Aragão (2012, p. 87-88) ao defenderem que o “status de uma metodologia”, a partir do momento que significa estudos de caminhos, fundamenta-se em um entendimento de Ciência e transmite uma visão de conhecimento que contemple e respeite as características e natureza do humano e do natural, assim como com a clareza de que cada objeto deve ser estudado de forma globalizada, assistidos e subsidiado por áreas do conhecimento que promovam essa possibilidade. Os autores também defendem que, nessa perspectiva, é que se devem / podem realizar pesquisas em Modelagem Matemática.

A natureza qualitativa de nossa pesquisa também se justifica pela concepção de Modelagem Matemática como um ambiente de aprendizagem e investigação, constituindo- se assim, em um “ambiente natural” para se tornar uma fonte de coleta de dados, na perspectiva de Borba e Araújo (2006, p. 16). Enfim, neste trabalho, entenderemos por pesquisa qualitativa aquela cujos dados não podem ser mensuráveis devido à realidade e o sujeito comporem elementos indissociáveis.

Ao agirmos assim, analisando e investigando o sujeito da pesquisa, temos que, obviamente, considerarmos os seus traços subjetivos e suas peculiaridades e, consequentemente, observarmos que tais particularidades não podem ser transformadas em números quantificáveis e dados relevantes que nos conduzirão a simples relatórios técnicos. Dentro dessa perspectiva, procuraremos nos guiar na análise e descrição de nossos “dados qualitativos”. Entretanto, antes disso, apresentaremos um pouco das pesquisas teórico-bibliográfica e de campo.