1. BÜYÜK DEFTER
1.2. Düzenleme Kuralları
Em função dos objetivos da pesquisa optei por analisar os artigos centrais das revistas, por serem considerados complementos dos temas das capas já analisadas. São analisados, portanto, alguns recortes dos artigos originais que compõem o corpus de referência e dois artigos que não são temas centrais, mas retratam o ethos dos enunciadores das revistas.
4.3.1 Na revista ABCeducatio
O primeiro artigo, Dificuldades de Aprendizagem: Por que meu aluno não aprende? (ano 7, n. 56, maio/06), elaborado por Márcia C. B. Moraes Toledo, apresenta os obstáculos enfrentados pelos professores na atividade do trabalho docente. A autora levanta questões enfrentadas pelos professores em relação às dificuldades de aprendizagem dos alunos e sugere o encaminhamento a profissionais especializados, se necessário. Apresento, a seguir, um recorte do artigo, com alguns prescritos orientados pela autora para auxiliar o professor na tarefa de ensinar os alunos com dificuldades de aprendizagem:
Podemos observar que o estudo das dificuldades de aprendizagem constitui-se em um campo amplo e complexo, envolvendo aspectos sociais, culturais, pedagógicos, psicológicos e, também, em algumas situações patológicas.
Para os alunos com dificuldades de aprendizagem, sejam as decorrentes de qualquer uma das causas acima ou não, devemos considerar um conjunto de fatores que podem facilitar a sua aprendizagem. Por exemplo:
Reestruturação do ambiente de trabalho;
Orientação e organização para as tarefas escolares; Ajustamento de horários;
Alteração na rotina das atividades extracurriculares e outros.
O texto verbal sugere uma série de ajustamentos pedagógicos que parecem implicar no coletivo de trabalho da instituição escolar, mas, na
verdade, recaem somente sobre o trabalho do professor. A ele, professor, cabe toda uma aprendizagem do olhar, da atenção e do interesse, para diagnosticar as dificuldades de seu aluno e tentar verificar as possibilidades de encaminhamentos metodológicos que sejam favoráveis ao aprendizado desse aluno com dificuldades. A negação de que o aluno não aprende faz surgir um enunciador que exprime dúvida e abre para dois atos ilocutórios, ligados à enunciação: O meu aluno aprende e Por que meu aluno não aprende? A cenografia que se depreende do discurso do enunciador é a de responsabilizar o professor pela aprendizagem do aluno.
A partir de uma perspectiva ergológica que considera todas as formas de trabalho, pode-se relacionar esse movimento do trabalho do professor a um debate de valores em que o professor necessita colocar à prova seus próprios limites, na tentativa de recuperar a aprendizagem do aluno.
Nessa tentativa de recuperar a aprendizagem do aluno, segundo a autora, cabe ao professor a tarefa de realizar encontros com a família e a escola para que se possa reestruturar o ambiente educativo; orientar e organizar as tarefas escolares; ajustar horários; alterar as atividades extracurriculares e outras alterações que ocorrerão durante o trabalho a ser realizado. Sabe-se que cada sujeito é único e que cada experiência é singular.
Assim, muito além do prescrito e do real (ou do protocolo que podemos confrontar a uma experiência sempre singular) existe essa dimensão “registro Um/registro Dois” como antecipação / encontro. Penso que temos aí, verdadeiramente um núcleo da história humana, que é necessário, em seguida, preencher com uma série de conhecimentos que nos fazem compreender como este encontro se opera na história. E na história, trata-se sempre de entidades, instituições, povos, toda espécie de singularidades, portanto. Nessa antecipação / encontro, nós não compreendemos inteiramente a história, mas temos, talvez, o núcleo mesmo de toda história (SCHWARTZ, 2010:96).
Muito mais do que “dar aulas”, o trabalho do professor envolve uma constante renormalização e uma série de competências para agir prontamente diante da dificuldade do aluno. Mais do que um manual de prescrição, o professor precisa de tempo para conhecer/saber qual a dificuldade de seu aluno; conhecer o histórico do aluno e compreender a situação singular em que se encontra; ter a capacidade de articular os prescritos institucionais e a
especificidade de cada situação de trabalho; e, ainda, dialogar com as instituições família e escola.
Diante do exposto, a cenografia produzida reflete o trabalho do professor numa constante renormalização e debates de valores. O ethos do enunciador/articulista já revela uma educação com uma visão reducionista e mercadológica.
No segundo artigo, A carreira profissional e construção da identidade docente, (ano 7, n. 59, set. 2006), elaborado por Josiane Peres Ferreira39, a autora expressa as dramáticas do uso de si, vividas por professores, no trabalho. Vejamos:
A conquista da identidade profissional
Os educadores constituem o patrimônio cultural mais importante na educação de um país, mas atualmente, esta visão encontra-se depreciada, visto que muitas sociedades modernas já não valorizam esta profissão devidamente. Tanto as questões salariais como as de representações sociais, podem determinar a permanência ou não do educador nessa profissão. Trias (1998) atribui esta crise de identidade a fatores como o choque entre a expectativa que o educador tem sobre a educação e a realidade. Trata-se da contradição entre o “eu real” (o que ele é no seu cotidiano) e o “eu ideal” (o que ele pensa que deveria ser), a qual leva os educadores a reações diversas. Essas reações, na opinião da autora, podem ser classificadas em quatro grupos:
a) Predomínio de sentimentos contraditórios por não resolver em sua prática educativa os conflitos entre o ideal e a realidade, cujos resultados caracterizam pela insegurança em sua prática, bem como pelo rebaixamento da sua auto- estima.
b) Negação da realidade, devido ao alto nível de ansiedade do educador.
c) Predomínio de ansiedade por perceber que necessita recursos para concretizar seus ideais, ao mesmo tempo que não quer renunciar a eles.
d) Aceitação do conflito como uma realidade objetiva, para buscar respostas que justifiquem sua conduta adequada. (grifos meus)
A autora retrata que os professores são patrimônios culturais, mas estão depreciados, por falta de valorização da sociedade. Nesse excerto, descreve
39 Josiane Peres Ferreira. Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC-RS.
as dramáticas do uso de si, vividas pelo professor ao fazer escolhas diante do meio que é sempre mais ou menos infiel. Ele não se repete de um dia para o outro. Nesse sentido, o trabalho do professor está sempre imbricado à aprendizagem do aluno, às prescrições das instituições e ao convívio com os pais dos alunos.
Realizar uma tarefa não consiste apenas em atingir os objetivos propostos, mas implica também a realização de um projeto, de uma intenção a partilhar com os alunos, portanto, o meio, o grupo e o desenvolvimento da atividade são indissociáveis (SOUZA-e-SILVA, 2004:93).
O tom do excerto mostra as contradições, conflitos e tensões vividos pelos professores no trabalho entre o modelo de educação como um bem comum e o modelo de educação voltado às demandas do mercado. É preciso refletir sobre o trabalho para se compreender as crises e as tensões e, assim, reintegrar a atividade, especialmente com os protagonistas (SCHWARTZ, 2010).
Ainda, no artigo A carreira profissional e construção da identidade docente, a articulista destaca que o educador vai sendo formado a partir da sua atuação, que é direcionada por normas e papéis estabelecidos pelas organizações de trabalho e que passam a ser interiorizados por ele. Há, nesse discurso, a imagem discursiva de um professor inseguro, que vai sendo moldado pelas instituições nas quais trabalha e que vive as contradições entre o que ele é por forças das circunstâncias e o que ele gostaria de ser e de fazer no exercício da sua profissão. Diante dessas tensões, o professor perde sua auto-estima, adoece e abandona a profissão. Segundo Gentili (2008), o exercício da docência transformou-se numa atividade insalubre. Nos últimos anos, os professores têm sido responsabilizados pela crise dos sistemas escolares, pela falta de aprendizagem dos alunos e pela violência dentro e fora da escola.
A imagem de professor, construída na dêixis enunciativa, aponta para um conflito histórico e social, ou seja, para a desvalorização do trabalho do professor. Diante do contexto histórico para o qual a educação é um bem de consumo, o ideal de educação como um bem comum passa a ser uma utopia.
Esse conflito entre o ideal e a realidade desestabiliza o professor e sua prática educativa.
O terceiro recorte vem acompanhado de um texto verbo-visual que traz, em letras maiúsculas, a manchete: PÓS-GRADUAÇÃO - UM PASSO À
FRENTE. Ao final da cena, também em letras minúsculas, lê-se: Professores
com pós-graduação podem ganhar mais e têm aulas enriquecidas em conteúdos. No mesmo texto, para completar a cenografia, pode-se ver uma figura feminina de costas, usando beca, capelo, diploma na mão, subindo degraus e indo às nuvens. A cenografia criada pela imagem remete a um discurso voltado às questões do mercado, reforçando o ethos pragmático e imediatista do enunciador.
O mercado de trabalho está cada vez mais exigente e a concorrência mais acirrada. Não importa a área de atuação. Para quem trabalha com educação, o profissional que está na frente é o mais preparado, o mais atualizado. A formação superior, o curso de informática e o de línguas, já não são mais suficientes para garantir uma ascensão na carreira profissional e um salário melhor.
Para quem trabalha com a educação, a situação não é diferente. A exigência é a mesma, ou até maior, porque o educador é o profissional encarregado de transmitir conhecimentos, de formar outros cidadãos. Com a evolução tecnológica e a rapidez das informações no mundo globalizado, o professor precisa estar bem atualizado e trazer as novidades para a sala de aula. (grifos meus)
Figura 9. ABCeducatio. Ano 8, n. 71, fev. 2008.
O texto verbal que acompanha o visual sinaliza a exigência do mercado. Segundo Sennett (2007), esse discurso afirma o uso autodisciplinado do nosso tempo e adia o valor e o prazer da satisfação da vida. Ou seja, o sujeito vive para o trabalho árduo, para a competição. Nesse sentido, percebe-se a presença do discurso neoliberal que segue as demandas do mercado econômico.
Quando o enunciador diz que o professor pode ganhar mais com o curso de pós-graduação e ter suas aulas mais enriquecidas, vale lembrar sobre o investimento do uso de si e sobre os saberes investidos. Ter um diploma ou um certificado de uma pós-graduação exige, do professor, um grande investimento intelectual e financeiro. São escolhas que ele faz a respeito da sua carreira.
Qualquer que seja a situação há sempre uma negociação que se instaura. E cada ser humano- e principalmente cada ser humano no trabalho – tenta mais ou menos (e sua tentativa nem sempre é bem sucedida) recompor, em parte, o meio de trabalho em função do que ele é, do que ele desejaria que fosse o universo que o circunda. Ora, mais ou menos! Esta
recomposição pode ser mínima ou mais significativa – e isso é algo muito positivo! (SHWARTZ, 2010:31).
A recomposição e a re-criação do trabalho abordado por Schwartz nos leva a pensar no inusitado do trabalho do professor, quando este chega à sala de aula. Para o autor, é preciso observar a atividade do trabalho, a fim de saber como ocorrem as renormalizações no e sobre o trabalho. A vida do professor em sala de aula só é conhecida por ele e por seus alunos. Não há gestão, direção que possa avaliar o tempo vivido em uma sala de aula. É um conjunto de vida social, política, econômica, cultural, aspectos que se entrelaçam e produzem histórias de vidas.
A seguir, apresento um recorte do artigo O que é qualidade total na Educação, da revista ABCeducatio, assinado por Ana Maria Maranhão Porto da Silveira (ano 7, n. 54, mar. 2006), que reflete sobre as mudanças de paradigmas na educação e as mudanças do papel do professor.
O professor de qualidade muda de papel, convertendo-se em facilitador, onde cria um ambiente de aprendizagem em sala e fora da aula, através de atividades extra-curriculares.
O grande desafio nessa mudança de paradigma está na maximização da qualidade, que proporciona uma melhoria contínua, utiliza ferramentas estatísticas para descobrir a causa do desempenho inadequado e exige qualidade em todas as fases do processo educacional.
Estas mudanças na cultura organizacional educativa fazem com que as pessoas se sintam responsáveis pelo seu trabalho e pela Instituição, melhorem a relação intra e interpessoal, estejam motivadas, tomem decisões baseadas em fatos, possuam espírito de equipe e cooperação e convivam com a transparência organizacional. O professor é o facilitador do processo ensino aprendizagem, em que o aluno é orientado a buscar, trabalhar e analisar as informações, participando ativamente de todo o processo.
A satisfação do aluno que se efetiva no êxito do processo ensino aprendizagem resulta na chave para garantir a sobrevivência e crescimento da organização e é um dos critérios de qualidade mais importantes da Avaliação Institucional. (grifos meus)
Na cenografia que se constrói entre o texto verbal e o texto visual há certa interrogação e ambiguidade em relação a o que significa qualidade total diante da imagem do quadro negro, do giz e de um apagador quebrado, que foram e ainda são recursos tecnológicos usados na educação. A palavra qualidade é polissêmica e podem ser atribuídos a ela vários significados. Um dos significados da palavra qualidade na educação é oportunizar condições de aprendizagem a todos, condição sine qua non para qualquer tarefa pedagógica a ser executada pelos docentes. No entanto, o termo qualidade, ou qualidade total, tem sido usado nas instituições escolares de maneira equivocada, com significado voltado às ações do campo empresarial, ou seja, qualidade baseada no modelo fordista de organização científica do trabalho, com o objetivo de cumprir metas de curto prazo para satisfazer às demandas dos clientes/alunos, transformando o professor em colaborador desse processo. Sennett (2007) aponta que as demandas do mundo externo mercadológico determinam as estruturas internas das instituições e, nesse sentido, a escola e, consequentemente, o professor sentem os efeitos das influências desse mundo externo.
Ainda, no texto verbal, é possível perceber que a autora emprega a palavra qualidade no sentido mercadológico e itens lexicais como: facilitador e maximização da qualidade remetem ao vocabulário usado nas instruções de trabalho das políticas empresariais. A palavra facilitador é muito usada nas empresas, relacionada aos funcionários que trabalham como facilitadores da qualidade. Nesse sentido, a denominação atribuída ao professor como facilitador da aprendizagem leva-nos a pensar num sujeito que apenas indica caminhos facilitados aos alunos. Sabe-se que o professor é um profissional que possui um saber fazer proveniente dos seus conhecimentos e de sua prática e que seu trabalho não é algo tão simples, como o de um facilitador, haja vista ser o trabalho do professor orientado aos seres humanos e às complexas relações entre eles.
Quando a articulista fala em maximização da qualidade, podemos pensar nas palavras de Tardif (2002):
A ação sobre a natureza (o trabalho) e a ação sobre os artefatos (a técnica) incluem também interações entre os indivíduos, mas essas interações são apenas meios para a transformação da natureza ou a produção de artefatos. Podemos dizer que o trabalho e a técnica, enquanto categorias fundamentais da atividade humana são estruturados globalmente muito mais por relações do tipo “lado a lado” entre os atores do que por relações do tipo “face a face”: no lado a lado, a ênfase é colocada na colaboração mútua e na coordenações dos indivíduos a fim de realizar alguma coisa; no face a face, a ênfase é posta naquelas interações com o outro que mais se destacam na ação (TARDIF, 2002:166).
Quando a autora diz que utiliza ferramentas estatísticas para descobrir a causa do desempenho inadequado, podemos pensar no modelo cartesiano de análise de desempenho, que sinaliza formas empresariais para avaliar a qualidade do trabalho docente. Na educação, a qualidade está ligada às questões sociais, à sociedade e ao homem que se quer formar. O processo de avaliação não é feito de forma meramente estatística, e sim face a face, nas interações, retomando as palavras de Tardif (2002). O discurso que atravessa o texto verbal está voltado à educação mercadológica, que se mede por meio de indicadores de qualidade total. Não há indícios de uma educação que reflete os processos de aprendizagem na interação entre professor/ aluno.
Observemos o parágrafo, a seguir:
A satisfação do aluno que se efetiva no êxito do processo ensino aprendizagem resulta na chave para garantir a sobrevivência e crescimento da organização e é um dos critérios de qualidade mais importantes da Avaliação Institucional.
É possível perceber o tom pragmático que se instaura, ou seja, o interesse pela aprendizagem do aluno, entre outras coisas, está centrado na sobrevivência da organização.
Esses itens lexicais e essas escolhas imagéticas vêm ao encontro do modelo de educação pautado na concepção neoliberal de qualidade total. Na educação, a concepção neoliberal de qualidade total carrega uma retórica empresarial, o que pressupõe uma preocupação maior com os aspectos econômicos em detrimento dos educacionais. “Não existe direito à educação quando a “qualidade” da escola é um atributo disponível somente para aqueles que têm dinheiro para pagar por ele” (GENTILI, 2008:48).
4.3.2 Artigos da revista PRESENÇA Pedagógica
O texto em análise, denominado Professor Reflexivo, é de autoria de Simone Grace de Paula. Encontra-se na seção Dicionário Crítico da Educação, da revista PRESENÇA Pedagógica, v. 12, n. 68, mar./abr. 2006.
É obrigatório reconhecer em John Dewey (1859- 1952), filósofo, psicólogo e pedagogo norte-americano, uma das primeiras e mais significativas contribuições para a compreensão do ensino como atividade prática. Sua teoria fundamentou o movimento da Escola Nova. Ele distingue o ato humano reflexivo do ato da rotina. A rotina é guiada pelo impulso, pela tradição e autoridade; assim, os professores que não refletem sobre seu ensino aceitam naturalmente as realidades cotidianas das escolas, esquecendo que esta é apenas uma entre as possíveis. Ao acreditar na permanência de seus contextos de trabalho, os professores dirigem seus esforços no aprimoramento dos meios de ensino, deixando-se direcionar por metas e objetivos definidos por terceiros A ação reflexiva implica problematização da realidade vivida. O termo professor reflexivo ganha força com a difusão das idéias de Donald Shön, na década de 1980, em um contexto de reformas educacionais neoliberais em diversos países. (grifos meus)
Figura 11. O Pensador, Rodin, 1880.
No referido recorte, é possível observar um contraponto em relação ao texto anterior da revista ABCeducatio. Este recorte parte de uma citação científica e de um discurso enciclopédico. O enunciador leva o coenunciador a pensar numa competência generalizada, evocando uma postura reflexiva do professor. A superfície linguística engendra um discurso que, sutilmente, prescreve uma ação reflexiva do professor sobre as atividades cotidianas da docência. Há, no interdiscurso, certa ruptura com a visão missionária do professor. A materialidade linguística faz uma alusão aos “kits pedagógicos”, quando o enunciador diz: “os professores dirigem seus esforços no aprimoramento dos meios de ensino, deixando-se direcionar por metas e objetivos definidos por terceiros”. Esses “kits pedagógicos” são comuns e impostos aos professores sem que estes possam refletir e atuar criticamente sobre tais produtos. Em síntese, parece que professores não têm opiniões e, por isso, recebem tudo pronto. Seu posicionamento político, obscurecido pelas ações de terceiros, parece ir em direção contrária ao que afirma Giroux (1997:162): “[...] as escolas não são lugares neutros e os professores não podem tampouco assumir a postura de serem neutros”.
O texto visual que acompanha o texto escrito do fragmento selecionado corresponde à escultura “O Pensador”, de Rodin (baseada em A Divina Comédia, de Dante Alighieri, escrita entre 1304 e 1321). A escultura O Pensador, produzida em 1880, faz parte de uma encomenda feita pelo governo francês a Rodin: a Porta do Inferno. Em sua forma original, a obra retrata Dante em frente aos Portões do Inferno, refletindo sobre os infortúnios da vida, numa expressão tensa.
No artigo em discussão, apesar de a imagem não complementar o texto verbal que está ao lado, pode-se interpretá-la como um modo a construir o efeito de sentido que nos induz a pensar na polêmica de “ser professor” nos dias atuais. Segundo Dondis (2007:8), “seja qual for sua abordagem do problema, os filósofos concordam sobre o fato de a arte incluir temas, emoções, paixões e sentimentos”.
É possível também relacionar o texto visual, imagético, ao estado permanente de reflexão ao qual o professor está submetido. Esse estado reflexivo é a sua própria condição de existência, por ser ele um profissional com algumas certezas e diversas dúvidas, atuando num contexto que direciona a ele muitas perguntas. Os alunos depositam no professor a esperança de resposta correta ao conjunto de suas inquietações, forçando-o ao exercício da pesquisa sem intermitências.