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Açılış İşlemlerinin Büyük Deftere Aktarılması

1. BÜYÜK DEFTER

1.4. Açılış İşlemlerinin Büyük Deftere Aktarılması

Um dos eixos centrais dos discursos que circulam na revista ABCeducatio corresponde aos artigos que expõem as questões atuais e pontuais da educação brasileira. Na busca de depreender esses discursos, analiso alguns excertos do artigo “Representações do ofício docente no século XXI”. Ilustra o artigo a imagem de um globo terrestre que reflete uma mão tocando o teclado de um notebook; em segundo plano, ao fundo, aparece um sol.

A cenografia construída na cena de enunciação estabelece uma relação com o contexto sócio-histórico do século XXI, ou seja, o mundo conectado por meio das tecnologias. Vejamos:

Figura 14. Ano 8, n. 63, fev. 2007.

Falar sobre o ofício docente tem sido recorrente em várias pesquisas educacionais. Esse tema está desenvolvido no artigo Representações do ofício docente no século XXI, assinado por Jorge Ferreira de Souza. Para efeito de análise, foram selecionados três recortes do artigo:

Vejamos o primeiro recorte:

Quais as orientações desejadas para as representações dos educadores, visto que para um futuro bem próximo os gestores de ensino dizem que a escola será “coisa” do passado e o educador um ultrapassado que insistirá em dar aulas numa lousa?

Desejamos uma escola de qualidade, um professor/educador qualificado e apaixonado pelo que faz. Isto significa que, o educador, ao encontrar uma sala de aula, precisa ter em mente que a aprendizagem envolve várias dimensões (além da cognitiva, afetiva e psicomotora): o caráter moral, filosófico, científico e tecnológico. Assim, uma sala de aula equipada com multimídia, não fará com que o diálogo, a crítica, os erros e os acertos, sejam substituídos pelo cibernético, pelo chip e pelo “eu”, ao ser comandada por um artífice do ensino. (grifos meus)

Esse recorte está atrelado ao sistema de restrições semânticas do campo educacional. Há uma tensão entre o trabalho do professor/educador e a substituição desse trabalho pelo aparato cibernético. “O sistema de restrições de cada discurso deve poder explicitar essas divergências significativas, sendo que um tema desenvolvido por um só discurso estará logicamente em conformidade estreita com ele” (MAINGUENEAU, 2005:87).

A expressão gestores de ensino tem sido muito usada nas escolas, para designar a função administrativa do professor. O articulista diz que desejamos: uma escola de qualidade e um professor/educador qualificado, apaixonado pelo que faz. Esse enunciado nos leva a pensar nas dramáticas do uso de si, na atividade de trabalho do professor na escola e em sua casa, na preparação das aulas e nas correções dos trabalhos que estão à mercê de vários prescritos institucionais. O mundo ético que a leitura desse recorte suscita é de uma educação voltada ao bem comum e de uma imagem discursiva de professor/educador. No final do trecho selecionado há uma crítica em relação à substituição do professor pelo aparato cibernético.

O segundo recorte corresponde a:

Fundamentalmente estamos diante de um grande desafio: Não formar educadores apenas porque não têm alternativas quanto à profissão e lecionar será apenas um “bico”, uma etapa passageira. O ofício do magistério não é oportuno, o seu desenvolvimento é diferente de outras profissões, a realidade, as etapas e os objetivos são outros. Os aventureiros são (e serão) apenas repetidores de conteúdos e tecnicistas do século XXI que, diante de uma esnobação virtual, tornam-se apenas apertadores de botões, comprometendo, portanto, o processo de consolidação do conhecimento. (grifos meus)

Esse recorte envolve os problemas atuais enfrentados pelo professor e, nesse sentido, reafirma o ethos pedagógico, pragmático e sacerdotal do enunciador da revista. O autor, nesse trecho, refuta a ideia de que professor só “dá aulas” como “bico”, quando não tem, como alternativa, outro trabalho. O tom do discurso do enunciador nos leva a pensar numa educação reflexiva, voltada ao bem comum, como podemos notar no terceiro recorte:

Os verdadeiros amantes da educação sabem que o processo de construção do conhecimento, pertinentes ao ato de ensinar e sua contextualização confrontada com as incertezas e certezas é que o remetem a sua responsabilidade social e que, portanto, são adquiridas através de reflexões e ações, ocasionadas por encontros e desencontros dos sonhos e ilusões. (grifos meus)

Neste recorte, a expressão “os verdadeiros amantes da educação” constrói um efeito de sentido que aponta para o ethos romântico e sacerdotal do enunciador da revista, sugerindo que pensemos na tensão do trabalho do professor, nas escolhas pertinentes ao ato de ensinar e nas dramáticas do uso de si, aspectos que remetem às experiências de vida e de trabalho.

A seguir, analiso um recorte do artigo da seção Capa: Um laptop para cada criança: sonho ou realidade? O artigo é assinado por Max G. Haetinger (2007) e fala sobre o projeto Um laptop para cada criança, que circula nos meios acadêmicos mundiais e, a partir de 2006, passou a ser também uma meta da educação brasileira.

A cenografia construída sinaliza um efeito de sentido que leva a pensar nos problemas atuais da educação. Ou seja, a formação do professor para trabalhar com crianças que nascem cercadas por tecnologias e sabem lidar com elas. A dêixis discursiva é marcada por uma topografia e uma cronografia do século XXI, apresentando, por um lado, os avanços tecnológicos e, por outro, as desigualdades de toda ordem, em nível econômico e social.

O texto explora a contradição que há em se pensar na compra de um laptop para cada criança, diante de professores que, muitas vezes, não têm computador com acesso à internet em sua própria casa. Sem contar com a falta de formação do professor para uma educação digital. A cenografia construída nessa cena de enunciação é de atualidade, reforçando o ethos pragmático do enunciador da revista. O tom do enunciado é de denúncia e indignação pela precariedade da formação e das condições de trabalho do professor.

A imagem do bebê, frente ao computador, parece revelar a emergência na formação do professor, para que este possa acompanhar o desenvolvimento de uma educação virtual. O tema desenvolvido no parágrafo, formação dos professores, aparece em negrito, destacando a importância do assunto tratado. O autor do texto faz uma crítica ao projeto, dizendo que Grande parte dos professores brasileiros ainda busca formação para entender os processos de aprendizagem presencial,. Reforça, nesse sentido, o interdiscurso que traz à tona as falhas históricas no processo de formação de professores.

Benzer Belgeler