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2. BÖLÜM: DÜNYA ALTIN ARZI VE TALEBİ

2.8. DÜNYADAKİ BAŞLICA ALTIN BORSALARI

A Companhia de Jesus começou a atuar no Brasil em 1549, quando juntamente com o governador geral do Brasil, Tomé de Sousa, desembarcaram alguns jesuítas. Naquele período, a ocupação portuguesa propagava-se pelo litoral, entre a capitania de Pernambuco e a de São Vicente. Entretanto, o território não era assistido suficientemente pela Coroa e encontrava-se sujeito a exploradores estrangeiros.146

A inserção dos jesuítas no mundo colonial ocorreu pela necessidade de oferecer suporte espiritual à colonização. Os jesuítas tiveram uma importância fundamental desde o início da formação do império português devido à fragilidade populacional portuguesa do período. No caso da América, atuaram na conversão indígena, bem como no reforço da doutrina cristã junto aos colonos, pois ambas atividades eram fundamentais para a consolidação de uma sociedade colonial em formação. A atuação frente aos índios visava inserir os indígenas de uma forma pacífica nas atividades produtivas e também de apoio para a segurança do novo território conquistado. A aliança entre os jesuítas e os indígenas foi uma das principais formas de resistência contra os invasores estrangeiros que almejavam usufruir das posses portuguesas, principalmente nos séculos XVI e XVII.147

Entre 1549 e 1604, 28 expedições missionárias jesuíticas chegaram à América portuguesa.148 O número de jesuítas nesse território havia crescido de 25 no ano de 1558, para 169 em 1600, e para 231 em 1699.149 As atividades desenvolvidas pelos jesuítas foram ampliando-se, alcançando outras regiões além do litoral, mas principalmente adentrando o interior e ultrapassando a linha inicial do tratado de Tordesilhas. Os jesuítas João Lobato e Jerônimo Rodrigues, com autorização de Madri, devido à União Ibérica, missionaram ao sul de Piratininga150 a partir de 1605, e as regiões entre Paranaguá151 e Santa Catarina aos poucos foram incorporadas pelos jesuítas. No norte, os limites foram ampliados: após as visitas na

146 LEITE, Edgard. Notórios rebeldes: a expulsão da Companhia de Jesus da América portuguesa. Madri:

Fundación Histórica Taverna, 2000. p. 24-25.

147 Ibid. p. 14. 148 Ibid. p. 25.

149 ALDEN, Dauril. The making of an enterprise: the Society of Jesus in Portugal, its empire, and beyond. 1540-

1750. Stanford: Stanford University Press, 1996. p. 74.

150 Atual São Paulo. 151 Atual Paraná.

53 capitania do Rio Grande, os padres Francisco Pinto e Luiz Figueira, atingiram em 1607, a Serra de Ibiapaba no Ceará, possibilitando o acesso ao Grão-Pará. Em meados do século XVIII, os jesuítas atuaram nas áreas de mineração de Mato Grosso e Goiás.152

Para Edgard Leite, as principais missões religiosas da América foram as criadas pela Companhia de Jesus. Algumas razões explicariam esta ascendência. Possuíam um projeto claro de evangelizar os indígenas, garantindo alianças e o controle de sua mão de obra. Os jesuítas possuíam uma educação intelectual e cultural, que possibilitou o desenvolvimento de mecanismos que permitiram uma relação intercultural com os índios que aldeavam, com o objetivo de propiciar uma mensagem cristã. Esta catequese propusera uma parcial troca de papéis, no qual o jesuíta tentava colocar-se no lugar do outro para compreender a sua lógica, visando a sua aproximação.153 É neste aspecto que o domínio da língua indígena fazia-se tão importante. A compreensão da língua tupi pelos jesuítas proporcionou um melhor entendimento sobre as religiões e as culturas indígenas, aproximando universos culturais, gerando um melhor desempenho na conversão do gentio.154

Desde o início de sua atuação na América portuguesa, os jesuítas atentaram para a necessidade de compreender a língua tupi para facilitar o contato com os indígenas. O padre inaciano José de Anchieta então escreveu a Gramática da língua mais usada na costa do Brasil, usada desde o ano 1556, no Colégio jesuítico da Bahia, e publicada em 1595.155

Os inacianos possuíam uma profunda percepção institucional das questões religiosas de seu tempo. A ordem também possuía uma visão pragmática da expansão comercial, percebendo-a como possibilidade de expansão da fé cristã, e devido à política de aproximação com algumas monarquias europeias, como Portugal e tal fato possibilitou a obtenção de privilégios régios.156

Foram estes privilégios, por meio de ordens e alvarás régios nos séculos XVI e XVII, bem como as doações recebidas por terceiros que colaboraram para o crescimento da ordem jesuítica. A atuação dos jesuítas como administradores das missões indígenas, e consequentemente como regulador de sua mão de obra, gerou muitos conflitos com os colonizadores que necessitavam de mão de obra para as atividades coloniais. Para o sustento

152 LEITE, Edgard. Notórios rebeldes. p. 27. 153 Ibid. p. 33-34.

154 EISENBERG, José. As missões jesuíticas e o pensamento político moderno: encontros culturais, aventuras

teóricas. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2000. p. 72-73. Para saber como ocorria o aprendizado da língua tupi pelos jesuítas ver EISENBERG, José. Op cit., p. 73 e LEITE, Edgard. Notórios rebeldes. p. 45.

155 ANCHIETA, José de. Gramática da língua mais usada na costa do Brasil. Apud PUNTONI, Pedro. A

Guerra dos Bárbaros. São Paulo: Editora Huicitec, 2002. p.62-63.

54 das missões, fez-se necessária a concessão de terras e de outros bens, prontamente cedidos pelas autoridades régias.

A presença jesuítica na capitania do Rio Grande também gerou o descontentamento de alguns colonizadores, pois quando foi possível, estes requereram suas terras, fossem estas pertencentes a aldeamentos157 ou fazendas destinadas ao sustento das missões. Será analisada em sequência a posse de bens pela Companhia de Jesus na América portuguesa e posteriormente na capitania do Rio Grande, para se entender como essa ordem adquiriu patrimônio relevante e que levaria a conflitos pela posse da terra, tema dessa dissertação.