BÖLÜM III. DÜNYADA FOREKS PĠYASASI
3.4. Dünyada Foreks Piyasası Uygulamaları
o explicitar-se a política desenvolvida por Teodósio no primeiro capítulo desta dissertação, o objetivo foi o de realizar dois exercícios intelectuais intrínsecos à prática historiográfica: a) definir um contexto histórico dentro dos parâmetros teóricos que dão base a esta pesquisa, cuja importância reside em informar ao leitor os acontecimentos ocorridos e evidenciar a abordagem dos fatos, destacando o que é pertinente ao tema proposto; b) realizar uma reflexão crítica sobre a política adotada por Teodósio, pois, ao explanar sobre a atuação pró-cristã e o filobarbarismo do imperador, foi questionado o sentido dos fatos descritos pelas fontes, interrogando-se sobre até que ponto pode-se afirmá-los. Será nesse segundo exercício, na verdade, que nos deteremos ao iniciar este segundo capítulo.
O ESTUDO DAS USURPAÇÕES DO PRESENTE PARA O PASSADO
As crescentes mudanças políticas, sociais, culturais e econômicas que se presenciam na atualidade estão inseridas num movimento que vem sendo traduzido como globalização. Acredita-se que esse movimento propicia a conversão das crises locais e regionais em crises estruturais. Em outras palavras, o que se entende é que, em virtude do “estreitamento” do mundo provocado pela globalização, as crises locais se tornam um problema de todos. A avalanche de informações que se recebe todos os
A
dias, através dos mais variados meios de comunicação, seja em casa, seja na rua, dão acesso a conflitos que irrompem nos mais afastados rincões do planeta e reclamam a atenção pública. Toda essa movimentação nos torna culturalmente próximos de comunidades que nunca vimos e com as quais jamais mantivemos contato. Essa aproximação, a princípio lenta, aos poucos ocupa grande parte de nossa atenção, nos faz refletir sobre o até então desconhecido e termina cobrando de nós um posicionamento, o que provoca o abandono parcial das identidades locais que possuímos em prol de uma identidade que se pretende “universal”: tornamo-nos habitantes de todos os lugares e, paradoxalmente, de lugar nenhum, multiplicando os “não lugares” onde podemos atuar. Para Silva (2004, p.16) esses “não lugares enfraquecem o reconhecimento coletivo, colocando as identidades em xeque”. Como resultado disso, sofremos uma pressão que se traduz na necessidade de assumirmos diferentes identidades, muitas vezes conflitantes (Woodward, 2000, p.31).
Quando esse conflito de identidades é levado para a prática de pesquisa, percebe-se que a crise atual pode trazer grandes contribuições aos estudos históricos, abrindo espaço para que se descubram novas abordagens do passado. Conforme proposto por Julia e Boutier (1998, p.42), os paradigmas de ontem podem ser alterados pelas crises do presente, e é inevitável que o presente influencie na nossa investigação do passado. Assim, “o acesso que temos ao passado é pelo presente, por objetos, textos, recordações de indivíduos que os historiadores identificam como restos de um passado que já não existe, como sobrevivências que podem ser tratadas como documentos” (Guarinello, 2003, p.43). Tem-se por certo que esse acesso pode ocorrer de múltiplas formas, dependendo da corrente teórica que melhor servir aos propósitos
da pesquisa. Com relação às identidades sociais que se busca recuperar com a presente dissertação, parece pertinente associar o processo de “mundialização” das informações e os conflitos decorrentes dessa globalização aos impasses verificáveis no Império Romano. A esse respeito, reproduzimos a relação entre os romanos e a atualidade definida por Norberto Guarinello (2006, p.17-18):
O Império Romano foi o ponto culminante de uma longa História e representou um fenômeno de integração, senão análogo, ao menos paralelo ao que vivemos com a chamada globalização, pois se sobrepôs às cidades-Estado, tribos e Impérios da mesma maneira que as forças do capital financeiro hoje se sobrepõem aos Estados nacionais. As diferenças são muitas: a unificação hoje se dá por mecanismos econômicos e não políticos, embora a força militar dos Estados nacionais mais importantes, como os EUA, seja um fator de grande importância na manutenção do atual sistema internacional. Por outro lado, os desequilíbrios gerados pela ordem financeira atual lembram a relação de dominação e exploração provocada pelo imperialismo antigo na época de sua expansão.
Acredita-se existir, em suma, uma relação fundamental do passado com o presente, que exige uma reflexão crítica sobre ambos. Partindo desse pressuposto, impõe-se a necessidade de contribuir para os estudos a respeito dos conflitos políticos do governo de Teodósio com uma nova abordagem, tendo-se no entanto, consciência de que esse imperador é uma das figuras mais conhecidas e citadas por autores dos maiores centros de pesquisa em História da Roma Antiga. Paul Veyne (1989, p.11) afirma que, “quando o aparente esgotamento dos documentos nos obriga a mudar a
problemática, é que se revelam novas questões, que serão susceptíveis de exploração”. Sob essa ótica, trabalhamos o governo de Teodósio, acreditando que tudo que já foi levantado e debatido sobre a política desse imperador pode ainda ser revisitado sob nova perspectiva. Por isso, eleger a História Cultural e suas discussões sobre os conflitos de identidades como aparato teórico para estudar a tentativa de legitimação dos usurpadores Máximo e Eugênio sob o governo de Teodósio revestiu-se de importância fundamental.
O destaque dado, no primeiro capítulo deste trabalho, ao cristianismo niceno e ao filobarbarismo – protagonistas de uma política eficaz de controle dos conflitos, em fins do século IV – é fruto de uma análise atual, a partir de reflexões teóricas contemporâneas. Marc Bloch (1997, p.45) compara o trabalho do historiador ao modelo cinematográfico: no filme que se observa, só está intacta a última película, de modo que, para reconstruírem-se os vestígios apagados, é preciso rebobinar a película no sentido inverso ao das filmagens. A lição advinda da metáfora de Bloch é que a visão de conjunto que se realizou foi favorecida pelo distanciamento temporal, ou seja, ao conhecimento retroativo dos eventos e da História religiosa posterior ao período aqui estudado (Idade Média, consolidação do cristianismo ocidental, Reforma Protestante), e que, de uma forma ou de outra, permitiu a construção da abordagem atual.
Moses I. Finley (1994) também trata da questão do distanciamento histórico