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METODOLOGIA DA PARTE PRÁTICA

4.1 INTRODUÇÃO

Durante a Parte I – Enquadramento Teórico, apresentou-se o tema e metodologia teórica a ser seguida, justificou-se a necessidade e pertinência do seu estudo para a GNR, definiram-se ideias, delineou-se o objecto de estudo e objectivos gerais e específicos, e geraram-se hipóteses práticas a serem verificadas.

Expuseram-se todos os conceitos e noções etimológicas e sociológicas da desobediência, pressupostos relacionados com a esfera de competências de uma autoridade ou funcionário público, e requisitos que uma ordem terá de ter para que seja considerada legítima. Bem como se procurou dentro da actividade operacional de um OPC de competência genérica, exemplos práticos do que foi abordado na teoria; ou seja, todo o substrato material e formal do crime de desobediência.

Neste capítulo, vai-se explicar toda metodologia prática subjacente à elaboração deste TIA, desde a forma como foi abordado, até aos procedimentos e técnicas utilizadas para verificar e confirmar as quatro hipóteses práticas inicialmente formuladas, bem como, os conceitos avançados, e objectivos propostos, de modo a introduzir e dar sustento às conclusões a que se irão chegar no próximo capítulo.

4.2 MODO DE ABORDAGEM

Conforme foi referido anteriormente43, os métodos de recolha de dados foram fundamentalmente três: a análise documental, através de uma pesquisa e recolha minuciosa de fontes documentais, ao nível legislativo, jurisprudencial e doutrinário, em diversas bibliotecas de Estabelecimentos de Ensino Superior, servindo de ponto de partida.

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Capítulo 4 – Metodologia da Parte Prática

O método de observação directa, onde foram observados diversos factos relacionados com o crime de desobediência, com posterior registo, bem como análise crítica e sistemática, de forma a estruturar conclusões.

E por fim, o método inquisitivo, através de entrevistas directivas e semi- directivas, para dar uma dinâmica subjectiva à investigação, inquirindo oralmente entidades com conhecimentos relevantes nesta temática44.

4.3 PROCEDIMENTOS E TÉCNICAS

Para este TIA, optou-se pelas entrevistas como método de investigação preferencial, devido em parte à sua natureza iminentemente teórica, e pela impossibilidade de definir uma amostra com conhecimento e credibilidade suficiente, para se aferirem resultados coerentes e válidos, de forma a confirmar ou refutar, total ou parcialmente, as hipóteses propostas.

A escolha dos entrevistados baseou-se em critérios funcionais, sendo criados três grupos, e por sua vez, três guiões de entrevistas. Cada guião é constituído por duas parte, uma de interpretação geral do crime e outra funcional, sendo a primeira comum a todos os guiões, e a segunda variando consoante a área/função em que se inserem.

O primeiro grupo diz respeito aos comandantes de DTer do CTer de Setúbal, devido à proximidade geográfica e o facto de o serviço territorial ser um dos mais propícios à ocorrência de um crime de desobediência.

O segundo grupo abrange o comandante do DTr do CTer de Setúbal e o Delegado Distrital de Viação de Setúbal, do IMTT, pelas mesmas razões apresentadas anteriormente.

O terceiro e último grupo reúne especialistas em Direito, ao serviço nas mais variadas funções, tendo como ponto comum, o grande conhecimento da área penal e/ou lidarem diariamente com a especificidade do crime de desobediência; seleccionou-se deste modo, dois Juízes de Instrução Criminal (JIC), dois Procuradores da República coordenadores de Comarcas, um Formador de Direito Penal, e um Comandante de Comando Territorial.

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Capítulo 4 – Metodologia da Parte Prática

4.4 ENTREVISTAS

As entrevistas concedidas foram directivas e semi-directivas, pois para além de responderem às questões que lhes foram formuladas, os entrevistados falaram sobre outros assuntos não directamente relacionadas com as perguntas, mas inseridos no objecto de estudo.

Foram realizadas onze entrevistas, sendo três do âmbito territorial, dois do âmbito do trânsito e seis de especialistas em Direito. O Quadro 4.1 que de seguida se apresenta, resume os dados pessoais e de carreira referentes aos entrevistados, ordenados funcionalmente:

Tabela 4.1: Caracterização dos entrevistados.

Entrevistados Género Idade Posto/Categoria Função Actual

1 M 34 Capitão Comandante Destacamento Territorial

2 M 33 Capitão Comandante Destacamento Territorial

3 M 27 Tenente Comandante Destacamento Territorial

4 M 50 Jurista Delegado Distrital de Viação – IMTT

5 M 31 Capitão Comandante Destacamento Trânsito

6 M 50 Coronel Comandante Comando Territorial

7 M 32 Capitão Formador de Direito na AM e no CFG

8 M 34 Juiz de Direito Juiz de Instrução Criminal

9 M 52 Procurador MP Coordenador de Comarca

10 M 35 Juiz de Direito Juiz de Instrução Criminal

11 M NR45 Procurador MP Coordenador de Comarca

4.5 CONCLUSÃO

A realização de entrevistas, como método de investigação com maior preponderância neste TIA, afigurou-se como o mais adequado para se obterem resultados mais fiáveis e adequados, face ao objecto de estudo; sem esquecer também o método de observação directa e o método inquisitivo.

O facto de se ter optado por três conjuntos de entrevistados e consequentemente três guiões tematicamente bipartidos em dois conjuntos de questões, justifica-se na sua plenitude devido à abrangência e transversalidade que se pretende dar a este TIA – as valências de trânsito e territoriais existentes num CTer –, face à ocorrência do crime de desobediência.

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Capítulo 4 – Metodologia da Parte Prática

Das onze entrevistas efectuadas, vai-se perceber o elevado grau de conhecimento que os entrevistados possuem desta temática, constado durante as mesmas, tanto ao nível da plena consciência dos elementos do crime de desobediência, bases conceptuais, tipologias, relação com crimes conexos e o com o Direito Substantivo e Adjectivo, transversais aos três guiões; bem como, ao nível da lide diária com crime de desobediência no desempenho das suas funções.