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Dünya Edebiyatında Toplumcu Gerçekçiliğin Ortaya Çıkışı

SÍNTESE DOS RESULTADOS DA PESQUISA

Os resultados da pesquisa realizada nos empreendimentos do PMCMV faixa 1 no município de Parnamirim/RN permitem apontar alguns elementos de suma importância para o estudo das políticas públicas de habitação, voltadas de forma específica para a população de baixa renda. Entre esses elementos, destaca-se o forte poder da ideologia da casa própria presente no discurso dos governantes e dos beneficiados pelo Programa.

Os dados obtidos no recorte espacial desta pesquisa demonstram o elevado nível de satisfação dos moradores beneficiados, apesar das significativas dificuldades impostas pela nova moradia, a saber: o afastamento dos condomínios do centro; a falta de acesso a serviços urbanos de qualidade e a uma boa infraestrutura que garanta a inserção urbana de milhares de famílias nas cidades que sediam estes empreendimentos, incluindo os gastos dispendiosos com transporte e o alto grau de insegurança aos quais os mesmos estão expostos.

Os valores que correspondem às distâncias aproximadas dos empreendimentos do PMCMV faixa 1 até o Centro de Parnamirim evidenciam o padrão de periferização espacial seguido pelo programa (Figura 27). Os condomínios Terras de Engenho 1 e 2 (em construção), por exemplo, ficam a aproximadamente 6,58 Km do centro da cidade, apresentando condições dificílimas de acesso por pedestres.

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Figura 27 – Acesso dos condomínios do PMCMV ao centro de Parnamirim/RN

147 A pesquisa mostrou que o PMCMV intensifica a tendência de expansão periférica das cidades, por meio da construção de empreendimentos localizados em áreas de difícil acesso e carentes de infraestrutura. Embora os gastos mensais com o aluguel não façam mais parte das despesas, os gastos com transporte ocupam um lugar importante no orçamento familiar, impedindo muitas vezes o deslocamento dos mais pobres. Alguns moradores entrevistados disseram fazer o percurso diário para o trabalho a pé, expondo-se dessa forma aos riscos constantes da insegurança do bairro e a uma rotina exaustiva no percurso casa-trabalho-casa.

As dificuldades de acesso se estendem aos serviços de saúde e educação, visto que as escolas e postos de saúde não possuem as mínimas condições de absolver o incremento na demanda dos novos pacientes e alunos. Dessa forma, estes serviços são comprometidos pela falta de estrutura para o atendimento. Segundo as informações adquiridas na pesquisa, muitas crianças perderam o ano letivo após a mudança para a nova moradia, visto que as escolas não dispunham de vagas para acolhê-los. Alguns pais mantiveram seus filhos nos colégios antigos, o que acarretou maiores custos com deslocamento.

No que corresponde ao acesso a hospitais e/ou postos de saúde, por exemplo, a maioria dos moradores da amostra (33%) está nada satisfeita ou pouco satisfeita (25%) (Gráfico 9). Isso porque além da distância, os moradores precisam enfrentar a falta de fichas de atendimento médico, que em virtude do aumento da demanda, se torna incapaz de atender a todos.

Gráfico 9 - Nível de satisfação dos moradores pesquisados nos condomínios MCMV em relação ao acesso a hospitais e postos de saúde

Fonte: A autora (2013). 33% 25% 29% 7% 6% ACESSO A HOSPITAIS Nada Satisfeitos Pouco satisfeitos Satisfeitos Muito satisfeitos Não sei

148 O acesso a escolas, por sua vez, apresentou um percentual mais elevado de pessoas satisfeitas (39%), seguida por 22% de pessoas pouco satisfeitas e 21% que se declararam nada satisfeitas (Gráfico 10). Apenas 7% do universo das pessoas pesquisadas disseram estar muito satisfeitas com este tipo de acesso. Além disso, é valido salientar que muitas crianças e adolescentes, mesmo com a mudança de residência, permaneceram em seus antigos colégios, seja pela manutenção dos vínculos de amizade, ou ainda, pela ausência de escolas próximas ao local de moradia, ou ainda, pela ausência de vagas nestas escolas.

Gráfico 10 – Nível de satisfação dos moradores pesquisados nos condomínios MCMV em relação ao acesso à escolas

Fonte: A Autora (2013).

A análise desses elementos indica para a intensificação do processo de segregação espacial, que não deixa de ser social, visto que a localização periférica dos condomínios interfere consideravelmente no modo de vida dos moradores, que são impedidos de ter acesso a serviços diversificados, e muitas vezes, impedidos de se deslocarem para onde desejam em virtude da falta de condições financeiras para isso.

Esta realidade constatada na pesquisa corrobora com a visão de Villaça (2001, p. 225) quando afirma que,

[...] o fato é que a grande maioria dessas camadas ocupa o “lado de lá” da cidade e as periferias afastadas. O “longe” para elas é produzido por vários processos: pelas dificuldades de acesso, inclusive econômico, a um sistema de transportes satisfatório (a eles é

21% 22% 39% 7% 11% ACESSO A ESCOLAS Nada Satisfeitos Pouco satisfeitos Satisfeitos Muito satisfeitos Não sei

149 oferecido, por exemplo, o pior sistema de transportes de nossas metrópoles, que é o sistema ferroviário suburbano); pelas crescentes distâncias, em tempo e em quilômetros, a que são impelidas suas casas e, finalmente, pelo deslocamento dos centros de emprego e subemprego terciários para a direção oposta à de seus bairros residenciais.

A falta de atenção em questões referentes à manutenção e acesso a infraestrutura básica necessária aponta para a sensação de que os beneficiados foram “jogados” nos apartamentos e abandonados à própria sorte, conforme relatou um dos moradores do Residencial Iderval Medeiros. Outra moradora, disse passar por crises de depressão devido à situação de isolamento que é “obrigada” a viver, por não ter dinheiro suficiente para resolver os seus problemas e, principalmente, por não dispor de condições de visitar com frequência os seus familiares que moram distante do condomínio.

Em contrapartida, percebe-se que o conjunto de todos esses fatores, que efetivamente dificultam o acesso à cidade de forma justa e inclusiva, é praticamente desconsiderado pelos beneficiados, uma vez que a concretização do sonho da casa própria se impõe às demais dificuldades. Prova disto são os dados relacionados ao nível de satisfação dos moradores em relação à localização do condomínio onde moram. A maioria dos moradores pesquisados (56%) se diz satisfeita com a localização de sua moradia, dado que contradiz as reclamações dos mesmos quando se referem às dificuldades e gastos enfrentados diariamente para o deslocamento até os locais de estudo, trabalho e serviços (Gráfico 11).

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Gráfico 11 – Nível de satisfação dos moradores pesquisados nos condomínios MCMV em relação a localização da moradia

Fonte: A autora (2012).

A mesma situação foi observada em relação ao nível de satisfação com o transporte coletivo, pois 48% dos moradores pesquisados se declararam satisfeitos (Gráfico 12). De certo modo, o transporte torna-se “acessível”, uma vez que faz parada obrigatória em todos os condomínios do PMCMV. No entanto, os gastos frequentes somados ao elevado valor da passagem e a limitação do itinerário que força à utilização de mais de uma passagem até o destino final, são importantes desafios que interferem negativamente neste acesso.

Gráfico 12 – Nível de satisfação dos moradores pesquisados nos condomínios MCMV em relação ao acesso a transporte coletivo

Fonte: A autora (2013). 10% 19% 56% 15% LOCALIZAÇÃO Nada Satisfeitos Pouco satisfeitos Satisfeitos Muito satisfeitos 20% 17% 48% 12% 3%

Benzer Belgeler