2. BÖLÜM: ERCÜMEND BEHZAD LAV’IN ESERLERİNDE TOPLUMCU
2.1. Anlam Evreni
Os resultados constatados por meio da pesquisa empírica permitem concluir que os moradores beneficiados encontram-se satisfeitos com a moradia adquirida por meio do Programa Minha Casa Minha Vida. O programa atende, dessa forma, às necessidades dos beneficiados nos itens que se referem à qualidade da moradia, segurança dentro do condomínio, acesso a transporte coletivo, privacidade, relação com os vizinhos, deslocamento e adaptação à nova moradia. No tocante a acessibilidade, os moradores pesquisados demonstram-se insatisfeitos em relação ao acesso a serviços como: lojas, supermercados, escolas, hospitais, lazer no bairro, segurança e serviços urbanos básicos.
A luz referencial teórico escolhido, é possível explicar nitidamente o espaço enquanto lócus da prática social, e por isso, uma arena de conflitos (CORRÊA, 1989) e produto de relações capitalistas de produção. Nesse sentido, a análise espacial vista a partir da tríade Lefebvreana que considera o espaço concebido, percebido e vivido demonstra que o espaço urbano, especificamente, torna-se fragmentado em função dos interesses distintos dos agentes envolvidos em sua produção.
No que se refere à política habitacional, os interesses dos agentes imobiliários, proprietários de terras e do Estado se sobrepõem aos interesses da população pobre que deseja apenas realizar o sonho da casa própria. O espaço vivido, produzido pelas práticas espontâneas do cotidiano permanece, mas é requalificado em função da racionalidade do capital imobiliário que interfere nitidamente no modo de vida dos indivíduos principalmente por meio da ideologia, o que se reflete nos elevados níveis de satisfação constatados.
As diferentes concepções e percepções que se traduzem em conflitos reafirmam o antagonismo entre o habitar e o habitat, noção utilizada por Lefebvre em um contexto específico de sua narrativa, conforme esclarecemos no capítulo 1, mas que nos serviu de base para enxergarmos a oposição existente entre o espaço vivido na ótica dos moradores beneficiados e o espaço concebido em prol dos interesses capitalistas que visam à acumulação por meio do consumo do espaço urbano.
A crítica ao tipo de habitação, por exemplo, é um dado simples, mas que nos permite explicar esta afirmação. Apesar de se declararem satisfeitos em relação à qualidade da moradia atual, muitos moradores demonstraram descontentamento por precisarem submeter-se as regras comuns de condomínio, visto que isto impede que os
158 mesmos possam agir ou decidir com autonomia em relação ao que podem ou não fazer em suas próprias moradias ou fora delas, sugerindo, inclusive, o “adestramento” encoberto dos moradores.
O acesso permanece desigual, mesmo com a facilitação dos mecanismos que o proporcionam, pois conforme abordou Maricato (2011), os benefícios são concedidos de forma desproporcional às necessidades do déficit por faixa de renda. Sendo assim, os pobres se beneficiam, e os ricos também, de uma forma ou de outra.
Há controvérsias em relação às finalidades do Programa, provocando efervescências, principalmente por parte dos urbanistas e planejadores urbanos que concordam em afirmar que o PMCMV apesar de proporcionar a moradia não contribui positivamente para a solução dos problemas urbanos, visto que reforça o padrão de urbanização periférica. Em Parnamirim/RN, os empreendimentos estudados, encontram- se nas periferias da cidade, reforçando a marginalização social dos moradores de menor renda.
É interessante notar que o município estudado apresenta dinâmicas de crescimento intensas e totalmente distintas. No sentido Nova Parnamirim-Natal verifica-se o padrão de condomínios que atende a população de médio e alto poder aquisitivo, enquanto que na direção contrária, no sentido Passagem de Areia e Nova Esperança-Macaíba, existe a predominância de moradias que atendem a população de baixa renda, com a existência de condomínios de menor porte, predominantemente do PMCMV faixa 1.
O conjunto desses aspectos permite afirmar a existência de novas formas e a persistência de velhos problemas, como o da segregação espacial e das desigualdades de acesso ao espaço urbano de Parnamirim em meio à construção de milhares de novas unidades habitacionais, reforça a hipótese inicial deste trabalho, que apontava para o surgimento de novos tipos de desigualdades relacionados ao processo de inclusão precária e marginal dos mais necessitados, com base em Martins (2003).
Pressuposto este que se confirmou nos resultados apresentados na pesquisa, de forma específica, na valorização do aspecto quantitativo em detrimento do qualitativo, ou até mesmo, a oposição entre o habitar em sua plenitude e o habitat, para fazer alusão à noção utilizada por Lefebvre (1991). O Padrão de desenvolvimento social e das infraestruturas urbanas não acompanha o vertiginoso crescimento no número de unidades habitacionais, o que favorece a reprodução das desigualdades socioespaciais, dando continuidade ao modelo de marginalização espacial dos pobres nas cidades. Isto
159 nos permite compreender a lógica de dominação que as relações capitalistas exercem sobre a cidade, tornando-a cada vez mais um espaço fragmentado e articulado, produzido desigualmente em função dos diferentes interesses, quer sejam as construtoras, o poder local, os donos de terrenos, incorporadores ou a população em geral.
Portanto, a política habitacional brasileira constituiu-se ao longo de sua trajetória histórica como um forte mecanismo de geração das desigualdades socioespaciais. As ações voltadas para a população de interesse social colaboram para que este fato aconteça, visto que embora o acesso dos pobres à moradia seja proporcionado, este não se dá isento de interesses políticos que se apoiam no ideal da casa própria para a perpetuação de práticas clientelísticas na sociedade brasileira.
Neste sentido, o trabalho apresentado buscou enxergar a questão da moradia sob a ótica das novas desigualdades que estão sendo produzidas a partir de práticas espaciais que favorecem a inclusão perversa da população de menor renda, desviando o olhar da sociedade para longe das lutas em favor do direito à cidade, que sejam capazes de promover a distribuição de renda e a inclusão baseada na justiça social. Esperamos que os resultados obtidos, a partir da investigação do recorte espacial escolhido, possam contribuir mesmo que discretamente, para a continuidade das discussões no âmbito da problemática exposta.
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166
AN
E
XO
167
ANEXO A
Formulário específico para os moradores beneficiados pelo Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) - PARNAMIRIM-RN.
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ANEXO B
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ANEXO C
Planta comum aos apartamentos do “Minha Casa, Minha Vida” para renda entre 0 a 3 salários mínimos (Fonte: CUNHA, 2012).