TANZİMAT’TAN GÜNÜMÜZE TÜRK MİLLÎ KÜLTÜR UNSURLARININ YOZLAŞMASI
G. DÜŞÜNCE VE AHLÂKDA YOZLAŞMA
Nos últimos anos, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) tem realizado diversos estudos para avaliar o impacto das reformas econômicas empreendidas pelo Brasil e demais países latino-americanos a partir das décadas de 1980 e 1990. Estes estudos sugerem que as reformas tiveram um impacto diferenciado sobre o crescimento, o emprego e a eqüidade nos diferentes países da região. Uma principal explicação para este desempenho diferenciado refere-se às diferentes condições iniciais dos países e à forma como estes se engajaram nas reformas.
De modo geral, os países que apresentavam piores condições iniciais começaram o processo de forma mais precoce e intensa. Estes “reformadores radicais” (como o Chile, por exemplo) apresentaram, em média, um desempenho melhor do que os
reformadores ditos “conservadores” (como o Brasil, por exemplo). Tal evidência poderia levar à conclusão precipitada de que as reformas per se teriam sido responsáveis pelo melhor desempenho de alguns países. No entanto, há que se considerar que os reformadores radicais iniciaram as reformas em um contexto internacional mais favorável. Além disso, alguns destes países apresentavam condições políticas internas mais propícias às reformas. O Chile, que é freqüentemente citado como um exemplo de sucesso, implementou suas reformas ainda sob regime ditatorial34 (STALLINGS & PERES, 2000).
A partir dos dados apresentados por Stallings & Peres (2000, pp. 103, 135, 147, 190, 236), constata-se que o Brasil, em comparação com os demais países latino- americanos, apresentou um dos piores desempenhos da região em quase todos os quesitos na década de 1990. Por outro lado, os apoiadores das reformas argumentam que, na ausência destas, o desempenho da economia brasileira teria sido ainda pior. Defendem ainda que a reestruturação produtiva da década de 1990, impulsionada pela abertura comercial, foi fundamental para que a indústria nacional ganhasse competitividade externa.
Neste sentido, entende-se que a política de liberalização, iniciada no governo Collor de Mello, com a introdução de medidas de desregulamentação e abertura dos mercados de bens e de capital, e a política de estabilização monetária do Plano Real, implementada a partir de julho de 1994, produziram mudanças de grande impacto sobre o ambiente institucional e competitivo da economia brasileira. Vendo-se compelida a responder às novas condições de concorrência, a indústria dera início a um processo de reestruturação produtiva que se estenderia por toda a década de 90. Esse ajuste produtivo não teve um caráter linear, seja em termos das estratégias adotadas pelos diversos setores da indústria, seja da direção e intensidade dos impactos produtivos associados às várias trajetórias de reestruturação produtiva identificadas no período35.
Muitas empresas nacionais, vulneráveis à competição externa, não resistiram e acabaram sendo expulsas do mercado. Outras foram adquiridas ou incorporadas por empresas transnacionais, o que ocasionou um inevitável avanço do capital estrangeiro
34 Não se pretende, de forma alguma, inferir que as ditaduras estejam mais propensas ao sucesso
econômico. Argumenta-se apenas que a implementação de reformas estruturais é mais fácil sob regime ditatorial do que sob regime democrático, em virtude da ausência de oposição política. Muitas vezes, o conflito de interesses políticos acaba retardando, ou até mesmo inviabilizando, o processo de reformas.
35 Para a análise das diversas trajetórias de reestruturação produtiva dos anos 90, ver Kupfer (1998 e
no País. Neste sentido, o intenso movimento de Fusões e Aquisições (F&A) iniciado próximo a meados da década 90 representa uma das principais formas de expressão desse processo de reestruturação produtiva36.
No que se refere ao desempenho agregado da economia, constata-se que as taxas de crescimento continuam baixas, mas o desempenho das exportações melhorou consideravelmente, em função dos ganhos de produtividade e competitividade externa da indústria nacional. Nesta linha de raciocínio, Castro (1999, p. 60) argumenta que:
(...) aos trancos e barrancos, a política econômica da década de 1990 (aí incluído, com destaque, o Plano Real) efetivamente colocou a economia brasileira de volta no mapa do capitalismo mundial. A estagnação e, sobretudo, a marginalização a que a economia fora levada na década anterior viram-se rapidamente superadas, não tanto pelo crescimento, mas, sobretudo, pela renovação do meio ambiente econômico e dos padrões de conduta (bem como pela difusão de técnicas e produtos atualizados).
De fato, nos últimos anos (i.e., a partir de 2004) a economia brasileira tem mostrado sinais de recuperação, expressa na redução do desequilíbrio externo (diminuição da relação Dívida externa/Exportações) e na retomada, embora modesta, do crescimento do PIB. Esta recuperação tem sido amparada em um cenário externo bastante favorável. Para alguns analistas, o crescimento acelerado da economia mundial tem “puxado” a economia brasileira. Por outro lado, existem temores de que um possível desaquecimento das economias dos EUA e da China possa afetar negativamente o desempenho brasileiro. O futuro dirá se estas preocupações têm ou não fundamento.
3.6. Considerações Finais
Neste capítulo, abordaram-se as diferentes fases da economia brasileira contemporânea, com foco na relação entre comércio externo e crescimento econômico. As principais conclusões desta análise são as seguintes:
• O crescimento da economia brasileira não foi contínuo ao longo do período analisado, tendo havido descontinuidades e rupturas. Observam-se fases marcadas por elevadas taxas de crescimento (com destaque para o período
36 Entre 1990 e 1997, foram mais de 1.100 operações de F&A, com o valor total dessas transações
ultrapassando US$ 60 bilhões, e envolvendo, predominantemente, a aquisição e/ou incorporação de empresas nacionais por empresas estrangeiras (MIRANDA & MARTINS, 2000, pp. 70-72).
do “milagre econômico”), mas também se notam períodos de forte crise (como a crise da década de 1980, por exemplo). Estas inflexões na trajetória de crescimento, bem como as mudanças no paradigma básico de desenvolvimento, devem ser levadas em consideração quando se pretende analisar estatisticamente a relação empírica entre comércio externo e crescimento econômico no contexto brasileiro.
• Existem indícios de que o comportamento do setor externo, especialmente o desempenho das exportações, esteve fortemente correlacionado com o desempenho do produto. Na economia agro-exportadora, as exportações eram responsáveis pela geração do emprego e da renda. Já durante o PSI, as exportações eram importantes para aliviar o estrangulamento externo, gerando divisas e possibilitando importações dos bens de capital necessários ao avanço do processo. Logo, mesmo em um processo de industrialização voltado para dentro, o setor externo tinha importante participação na economia brasileira. No período recente, a abertura comercial, juntamente com as demais reformas estruturais implementadas na década de 1990, promoveu uma profunda reestruturação produtiva, elevando a produtividade e, consequentemente, a competitividade externa da indústria nacional.
Com o intuito de se obter um entendimento mais completo da relação entre comércio externo e crescimento econômico no caso brasileiro, a presente abordagem histórica será complementada por uma análise estatística, a qual será objeto do próximo capítulo.