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Düğme Otomatını Kullanırken Dikkat Edilecek Noktalar

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7. DÜĞME OTOMATININ KULLANILMASI

7.1. Düğme Otomatını Kullanırken Dikkat Edilecek Noktalar

Quanto às provas, é importante salientar que se aplica, de forma supletiva à Lei nº 11.804, de 2008, o Artigo 333 do CPC/1973, o qual, em seu inciso I, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.

Aplicando-se tal dispositivo à Lei dos Alimentos Gravídicos (Lei nº 11.804, de 2008), pode-se entender que compete à demandante, na Ação respectiva, comprovar a existência de gravidez, bem como de indícios de paternidade.

Não se pode esquecer, como aponta Carlos Roberto Gonçalves, que também “compete à gestante o ônus de provar a necessidade de alimentos”, uma vez que a obrigação de prestar alimentos gravídicos, conforme destacado alhures, deve estar em consonância com o requisito da proporcionalidade. 77

Quanto aos indícios, insta salientar que, conforme bem destaca o Professor Flavio Monteiro de Barros, “são fatos conhecidos a partir dos quais se demonstra um fato desconhecido”.78

Nesse caso, também deve ser aplicado o Artigo 332 do CPC/1973, que aponta que “todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa”.

76 YARSHELL, Flávio Luiz. Temas de direito processual na Lei 11. 804/08 (ação de alimentos “gravídicos”)

Parte I. Jornal Carta Forense, 01/12/08. Disponível em: <

http://www.cartaforense.com.br/Materia.aspx?id=3135>, Acesso em: 18 abr. 2010.

77 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. V. 6. 7.ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 554.

78 BARROS, Flávio Monteiro de. Alimentos Gravídicos. Disponível em: <

http://www.cursofmb.com.br/cursofmbjuridico/artigos/download.php?file=ALIMENTOS%20GRAV%CDDICO S.pdf.>. Acesso em: 18 abr. 2010.

Assim, a mãe pode utilizar-se de todos os meios de prova admitidos em direito para comprovar os indícios de paternidade, tais como fotografias que comprovem o relacionamento amoroso do casal, cartas ou e-mails em que o suposto pai admita a paternidade, bilhetes que comprovem a hospedagem do casal em hotel ou pousada durante o período da concepção, dentre outros documentos.

É preciso levar em consideração que não são quaisquer indícios de paternidade, não obstante, que podem ensejar a fixação de alimentos gravídicos pelo magistrado, mas, tão- somente, aqueles que sejam seguros e relevantes. É o que bem destaca Yussef Said Cahali:

Embora o legislador deixe transparecer uma certa liberalidade, ao referir-se que bastará para a fixação de alimentos gravídicos que esteja o juiz convencido da “existência de indícios de paternidade” (art. 6º), recomenda a prudência que tais indícios tenham alguma consistência, sejam seguros e veementes, especialmente diante do fato de a contribuição prestada pela parte ré ser considerada não repetível ou reembolsável. Seria leviandade pretender que o juiz deva satisfazer-se com uma cognição superficial.79

Nesse sentido, Cícero Goulart de Assis destaca uma decisão pioneira que fixou alimentos gravídicos devido à existência de veementes indícios de paternidade, a qual permaneceu em segredo de justiça:

Neste mesmo sentido, a brilhante decisão da Juíza Maria Cristina Costa, da 5ª Vara de Família, Sucessão e Cível da Comarca de Goiânia, Goiás, ao aplicar pela primeira vez a Lei dos Alimentos Gravídicos no Estado, deferindo-os sob robustos indícios da descendência, mediante comprovação da gravidez, inúmeros testemunhos confirmando o relacionamento amoroso entre S.R.M. e A.A., em época coincidente à concepção, e que por razões de segredo de justiça, ora não divulgamos.80

Acrescente-se que existem dois dispositivos do Projeto de Lei nº 7.376, de 2006, que possuem relação com a questão probatória, e que foram vetados pelo Presidente da República: os Artigos 4º e 8º. O primeiro dos Artigos mencionados prescrevia:

79 CAHALI, Yussef Said. Dos Alimentos. 6.ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009, p. 355. (grifos do autor)

80 ASSIS, Cícero Goulart de. Questões polêmicas dos alimentos gravídicos. Disponível em: <

http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/buscalegis/article/viewFile/30151/29546>. Acesso em: 18 abr 2010, p.2.

Na petição inicial, necessariamente instruída com laudo médico que ateste a gravidez e sua viabilidade, a parte autora indicará as circunstâncias em que a concepção ocorreu e as provas de que dispõe para provar o alegado, apontando, ainda, o suposto pai, sua qualificação e quanto ganha aproximadamente ou os recursos de que dispõe, e exporá suas necessidades.

As razões do veto foram expostas na Mensagem nº 853, in verbis:

O dispositivo determina que a autora terá, obrigatoriamente, que juntar à petição inicial laudo sobre a viabilidade da gravidez. No entanto, a gestante, independentemente da sua gravidez ser viável ou não, necessita de cuidados especiais, o que enseja dispêndio financeiro. O próprio art. 2o do Projeto de Lei dispõe sobre o que compreende os alimentos gravídicos: ‘valores suficientes para cobrir as despesas adicionais do período de gravidez e que sejam dela decorrentes, da concepção ao parto, inclusive referente à alimentação especial, assistência médica e psicológica, exames complementares, internações, parto e demais prescrições preventivas e terapêuticas indispensáveis (...)’. Esses gastos ocorrerão de qualquer forma, não sendo adequado que a gestante arque com sua totalidade, motivo pelo qual é medida justa que haja compartilhamento dessas despesas com aquele que viria a ser o pai da criança.81

Pode-se perceber que tal dispositivo exigia que a demandante apresentasse, na inicial, laudo médico que atestasse a gravidez, bem como que demonstrasse a sua viabilidade. Efetivamente, continua sendo necessário que a gestante apresente laudo comprobatório de sua gravidez, uma vez que, conforme apontado anteriormente, é ônus da mesma comprovar tal estado. Não obstante, conforme bem destacado na mensagem de veto, não se pode exigir da mãe que demonstre a viabilidade de sua gravidez, uma vez que tal aspecto não é relevante para se fixar a prestação alimentar.

Os alimentos gravídicos têm como objetivo primordial, além de proteger a vida do nascituro, propiciar recursos para que a mãe, que se encontra em estado de necessidade, desfrute de uma gestação saudável, e o último aspecto em epígrafe independe da viabilidade ou não de sua gravidez.

81 MENSAGEM 853, DE 05 DE NOVEMBRO DE 2008. Disponível em:

Já o Artigo 8º do Projeto de Lei nº 7.376, de 2006, prescrevia que “havendo oposição à paternidade, a procedência do pedido do autor dependerá da realização de exame pericial pertinente”. As razões de veto são as seguintes:

O dispositivo condiciona a sentença de procedência à realização de exame pericial, medida que destoa da sistemática processual atualmente existente, onde a perícia não é colocada como condição para a procedência da demanda, mas sim como elemento prova necessário sempre que ausente outros elementos comprobatórios da situação jurídica objeto da controvérsia.82

Desse modo, caso o suposto pai, na contestação, negasse a paternidade, segundo o referido dispositivo, deveria ser realizado um exame pericial, através do qual poderia ser constatada a existência ou inexistência do aludido vínculo de parentesco. Do resultado desse exame dependeria a procedência da demanda.

Destaque-se que o veto do aludido dispositivo foi bastante razoável, uma vez que o mesmo iria de encontro à sistemática da Lei dos Alimentos Gravídicos (Lei nº 11.804, de 2008), a qual, com o intento de proteger o nascituro, admite que o juiz fixe tais alimentos a partir da constatação da existência de indícios de paternidade.

Caso se condicionasse a procedência da demanda ao resultado positivo do exame pericial, em havendo a contestação do demandado, cessaria a razão de ser do Artigo 6º da Lei nº 11.804, de 2008, a qual permite a fixação de alimentos sem que sejam necessárias provas inequívocas de paternidade.

Ademais, o exame pericial realizado no nascituro, através da coleta do líquido amniótico, além de colocar em risco a vida da criança, tem custo bastante elevado, conforme bem destaca Maria Berenice Dias, ao criticar o dispositivo em epígrafe do Projeto de Lei:

Não há como impor a realização de exame por meio da coleta de líquido amniótico, o que pode colocar em risco a vida da criança. Isso tudo sem contar com o custo do exame, que pelo jeito terá que ser suportado pela gestante. Não há justificativa para

82 MENSAGEM 853, DE 05 DE NOVEMBRO DE 2008. Disponível em:

atribuir ao Estado este ônus. E, se depender do Sistema Único de Saúde, certamente o filho nascerá antes do resultado do exame.83

Evidentemente, não seria razoável condicionar a procedência da ação de alimentos gravídicos à realização de um exame perigoso para saúde do nascituro.

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