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Praticamente todos os PE contemplaram esta dimensão base da relação escola/ comunidade: 29 num total de 30 documentos. Esta importância conferida à descrição no meio já foi detectada por outros estudos (Estêvão, Afonso & Castro, 1996), onde ficou patente que, a par da caracterização da escola, era a dimensão mais referida e a das que ocupava mais espaço no total do documento. Como referem os autores, destacaHse assim a fase mais “diagnóstica” do projecto (idem).

No nosso , fica ainda patente que a maioria dos PE (21 num total de 30)

descreve o meio envolvente à escola e desenvolve uma análise sobre as possíveis oportunidades e/ ou ameaças daí decorrentes, situandoHse no nível três desta dimensão, que corresponde ao grau mais elevado de incorporação das características do meio e da sua implicação na acção educativa da escola.

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Importa referir, porém, que apenas quatro projectos apresentam uma reflexão “explícita” dessas potencialidades e ameaças: a maioria apenas sugere uma análise “implícita”, patente no próprio texto onde descreve a comunidade que rodeia o agrupamento/ escola, como demonstra o excerto seguinte:

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Uma parte significativa dos PE (6) limitaHse a transmitir um conhecimento descritivo do meio em que se insere, situandoHse no nível 1. Dos restantes projectos, um não se enquadra em nenhum dos níveis desta dimensão, pois não descreve nem analisa a

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comunidade envolvente; outros dois não apresentam uma análise descritiva72 mas fornecem um conhecimento analítico do meio de forma explícita.

Por outro lado, constatamos que tanto no nível 3 como no nível 1 as características geográficas são as principais características descritas (referidas pelo total dos 27 PE dos níveis 1 e 3) – sobretudo a localização, as freguesias envolventes ou a área H, seguidas das sociais (26) e demográficas (24). Não se observaram discrepâncias muito vincadas entre concelhos, sendo apenas de registar a menor percentagem de referências a características demográficas em Loulé que nos demais.

Se aprofundarmos a análise relativamente aos dados descritos do meio, fica claro que a informação disponibilizada é bastante heterogénea, mesmo dentro das categorias por nós identificadas. Além disso, não é muitas vezes acompanhada por dados numéricos73 que a sustentem e fundamentem, aparecendo de forma isolada e tida como evidente.

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* M 8 M * M 8 M * M 8 M

Ref. 6 100% 20 100% 6 100% 17 85% 6 100% 19 95% Dados num. 2 29% 7 35% 3 43% 10 50% 1 14% 8 40%

A este respeito, vejaHse os seguintes exemplos, o primeiro sem referência a dados numéricos e o segundo mais fundamentado:

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Pelo menos no próprio documento, podendo essa informação estar contida noutro local que não a nossa fonte de informação.

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Por dados numéricos, entendemos percentagens, índices, população em números, área em quilómetros, etc.

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No entanto, não podemos afirmar que a apresentação de dados numéricos seja

uma condição " para uma análise contextualizada de eventuais

oportunidades e ameaças oferecidos pelo meio. De facto, comparando entre os PE que apenas procedem à descrição do meio envolvente (nível 1) e aqueles que além disso nos fornecem uma análise dessa descrição (nível 3), podemos verificar que não existe grande diferença entre a percentagem de um ou outro nível que apresenta a informação numérica. A maior discrepância surge nos dados sociais (40% no nível 3 apresenta dados numéricos, contra 14% do nível 1). Por outro lado, podemoHnos questionar sobre a utilidade de alguma informação fornecida para a acção educativa da escola, como a que se segue, sobretudo se não é acompanhada dessa análise:

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Numa tentativa de explorar a possível mobilização da informação prestada nos PE em termos de implicação para a acção da escola, procurámos saber sobre que tipo de informação é mais frequentemente realizada uma análise nos projectos de nível 3. Dos 20 projectos que fornecem dados geográficos, são encontradas oportunidades em 7 (35%) casos, e ameaças em 4 (20%) casos. Para a informação demográfica, com 17 instâncias, verificamos uma análise de oportunidades em somente 2 (12%) instâncias, mas a análise de ameaças já se verifica em 7 (41%) projectos. Finalmente, dos 19 projectos com informações sociais, 7 (37%) fazem análise das oportunidades e 12 (63%) fazem análise de ameaças. Daí decorre que para a maioria da informação prestada, excepto a geográfica, a análise é feita em termos de ameaças e não tanto de potencialidades do meio.

Se considerarmos apenas a existência de uma análise sobre os dados, e não o seu tipo (ou seja, não distinguindo entre ameaça/ oportunidade), então as diferenças são bem mais notórias: em 9 (45%) casos é feita uma análise de oportunidades/ameaças sobre a informação geográfica, face a 8 (47%) no caso da informação demográfica e 16 (84%), no caso da informação social.

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9 45% 8 47 % 16 84%

A envolvente social parece ser então aquela que mais escolas e agrupamentos percepcionam como influindo na sua acção, tornandoHse aquela dimensão de informação que transcende o meramente informativo, para atingir um cariz justificativo e contextualizando não só as iniciativas escolares, como também os seus resultados:

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Além disso, o tipo de informação apropriada e analisada difere entre agrupamentos e escolas não agrupadas, mostrando que assume um impacto diferente consoante o tipo de escola. Assim, para a informação geográfica, verificamos uma análise em 50% dos PE de agrupamento, face a 33% nas escolas não agrupadas, dado explicável pelas inerências da organização dos agrupamentos, por vezes dispersos e com desafios à coordenação e cooperação entre estabelecimentos. Como refere um dos documentos:

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Já em relação à informação demográfica, esta é tratada em 36% dos projectos educativos de agrupamento e em 67% dos projectos de escolas não agrupadas, talvez devido à sua implicação em termos de população escolar, uma vez que as escolas não agrupadas concentram os ciclos de ensino mais elevados e podem ver a sua população diminuir por abandono escolar ou saída escolar precoce. Finalmente, a informação social confirma a sua importância, sendo analisada em 79% dos projectos de agrupamento e 83% dos projectos de escola.

Outro aspecto que se nos afigurou como importante foi a discriminação da informação por escola, no caso dos agrupamentos. Num total de 19 agrupamentos, apenas 9 facultam dados e características do meio diferenciadas por estabelecimento,

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sendo que a maioria das vezes o tipo de informação seleccionada não é idêntico para todas as escolas do agrupamento ou a diferenciação só é feita para algum tipo de característica.

Ficará então por averiguar em que critérios se fundamentam tanto a selecção do tipo de informação fornecida como a sua forma de apresentação.