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3. GERİLİMDEN YAKINLAŞMAYA (1923-1929)

3.1 Dönemin Özellikleri

Com o passar do tempo, os sacerdotes palotinos exerceram um controle sobre a “memória coletiva”, legando novas representações aos acontecimentos.65

Assim foi se consolidando uma versão da história da morte do padre, transformado em herói local, quase um mito. O mito, por sua vez, não é necessariamente uma história inventada ou falsa, mas, sim, uma história “significativa na medida em que amplia o significado de um acontecimento” que é transformado na “formalização simbólica e narrativa das auto-representações partilhadas por uma cultura”, sendo, nesse sentido, uma das funções míticas da história reconciliar os aspectos opostos das interpretações, conforme afirma Alessandro Portelli (2006, p. 121). Aqui, cabe a idéia de uma comunidade católica administrada pelos sacerdotes palotinos e o fato que sobre ela recaía a trágica morte do padre Sório.

Ao assumir o discurso de um complô maçônico, o descendente de imigrante Pedro Luiz ofereceu nova direção à interpretação daquele trágico evento. Apresentou elementos para que a população de Silveira Martins formalizasse sua relação com os acontecimentos

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Segundo Alessandro Portelli (2006, p. 127), a memória somente se torna coletiva quando é “abstraída e

separada do individual”: no mito, no folclore, nas instituições como Igreja, partido e Estado que organizam

memórias extraídas de um único grupo, materializando-se através de um controle social.

Placa de mármore que se encontra no interior da igreja de Santo Antônio em Silveira Martins.

dramáticos da própria história, podendo, assim, ostentar a sua identidade enquanto comunidade religiosa e católica. Dessa forma, determinadas afirmações públicas, revelações e atos considerados legítimos e necessários foram, com o passar do tempo, agregadas à tradição oral, contribuindo para novas explicações sobre a morte do padre Sório. As informações significativas, porém, devem ser buscadas mais no que foi escondido ou silenciado pela população local, do que nos aspectos que foram apresentados pela versão oficial (PORTELLI, 1997, p. 34). Como se pôde perceber nas entrevistas, a comunidade manteve sigilo quanto à divulgação de algumas explicações que pareciam circular internamente. Apesar de serem conhecidos localmente, não se divulgou o nome dos possíveis indivíduos que teriam agredido Antônio Sório.

1.5 Um horizonte de possibilidades

Não foi a explicação de morte provocada por “queda do cavalo” que permaneceu na lembrança da população colonial, mas interpretações que apontavam para a existência de uma emboscada e de ter o padre Sório recebido ferimentos no “baixo-ventre”. Entre os contemporâneos do fato, não há menção à participação de maçons. As circunstâncias da tragédia suscitaram nas pessoas representações que somente podem ser compreendidas ao se analisar o contexto local, seu funcionamento, a racionalidade e a própria experiência de grupo. A omissão de detalhes quando da ocorrência dos fatos é significativo para se entender um sistema de autopreservação da própria comunidade que optou por tal forma de comportamento. Nesse sentido, o segredo pode ter sido um mecanismo acionado pelos indivíduos para passar a idéia de tranquilidade, unidade e aceitação dos eventos locais.

O silêncio também tem significado, e expressa à existência de entendimentos e versões. Assim, o sigilo está relacionado a determinado momento, estando os segredos e os “não-ditos” em constante deslocamento. Não conduzem ao esquecimento, porém, se apresentam como necessidade indispensável para que seja possível a manutenção da convivência entre os indivíduos (POLLAK, 1989). A existência de manifestações e questionamentos públicos que divulgassem notícias de um “atentando”, ultrapassando, dessa forma, as fronteiras da comunidade, parece não ter acontecido. Esta aparente tranqüilidade, num cenário onde nada parecia estar acontecendo, pode significar escolhas conscientes dos indivíduos para garantir estabilidade local além de exemplificar uma forma própria e autônoma de organização.

As narrativas orais e escritas sobre a morte do padre Sório permitem analisar a maneira como os imigrantes lidaram com fatos cotidianos e inesperados. Se, por um lado, a memória do povoado “revela omitindo”, por outro, ela também permite entender os indivíduos como “sujeitos de suas idéias e lembranças”. As versões e os fatos ficam sem sentido se separados do cenário local no qual se desenrolam. É necessário que “tempo e espaço” sejam considerados quando se procurar entender comportamentos, normas e valores locais (MARTINS, 1992, p. 19).

Na memória transmitida subsiste a idéia da emboscada e agressão física por questões de honra, onde alguns indivíduos aplicaram uma punição como resposta a ofensas morais. Assim, neste trabalho, pretende-se explorar os motivos de ter sido esta a versão surgida entre os contemporâneos do padre, percebendo que elementos culturais serviram de base para a elaboração da hipótese. Não se tem a pretensão de investigar o “crime em si”, mas, sim, o sentido, a interpretação de uma “emboscada”, de ofensas morais e de punições entre a população colonial. Dessa maneira, busca-se compreender o significado dado àquela tragédia que vitimou o padre Sório dentro de um campo de possibilidades explicativas compartilhadas pelo grupo. Em outras palavras, estudar a versão da morte a partir dos elementos culturais dos imigrantes italianos.

Os imigrantes italianos da ex-Colônia Silveira Martins, local onde o referido padre prestava atendimento religioso, dotados de práticas culturais de uma Europa rural forjada há séculos, tinham suas próprias explicações para acreditar na morte por vingança motivada por desonra familiar, pois tal constatação estava ligada a valores presentes no universo tradicional ainda vivido. Portanto, a população colonial, partindo de seus códigos valorativos, aliados ao entendimento que tinham sobre o comportamento pregresso do sacerdote agredido, deram uma explicação que diferia da versão oficial. Acreditavam que o padre Sório fora vítima de castramento por causa do procedimento inadequado com uma “mocinha donzela” do lugar.

Entre os imigrantes italianos da região colonial ganhou fórum de verdade a interpretação de que a morte era decorrente de espancamento seguido de castração, forma de punição por ter ofendido a honra de uma moça. A violência praticada contra determinadas partes do corpo, como ferimentos no “baixo-ventre”, tinham um significado simbólico e caracterizavam uma agressão planejada para vingar insultos. Nesse sentido, o castramento está ligado a um tipo específico de ofensa: a desonra sexual, a inexistência de um acordo privado e alguma outra forma de reparação. Para compreender a explicação da castração

construída a respeito da morte do padre Sório é necessário investigar essa agressão como um castigo que tinha uma lógica explicativa no universo cultural dos imigrantes italianos.

Através da versão do castramento, é possível levantar questionamentos sobre o funcionamento das comunidades, os valores, os tipos de punição, a atuação das famílias camponesas italianas que se estabeleceram nas regiões coloniais do sul do Brasil. Tentar -se-á analisar as redes sociais de agregação formadas entre os imigrantes, suas relações de reciprocidade, confiança e aliança como recursos para garantir segurança e a sobrevivência do grupo. As ações dos indivíduos precisam ser avaliadas dentro de uma rede de interdependências da qual faziam parte, identificando os padrões culturais e sociais que governavam essa trama. Logo, as narrativas interpretativas dos acontecimentos locais só fazem sentido se estudadas em contexto específico e na sua utilidade prática. A própria tradição oral, em determinados casos, pode ser acionada como mecanismo fundamental para solucionar conflitos, contradições, garantir estabilidade e evitar questionamentos das regras que regem a vida cotidiana. Em algumas situações, as narrativas orais são usadas para “dar sentido a uma ordem social” e também podem ter como objetivo solucionar “simbolicamente” alguns assuntos que necessariamente não são resolvidos no campo da “atividade humana” (CRUIKSHANK, 2006, p. 153).

O importante é que as informações apresentadas pelos depoentes dão indícios das interpretações que os imigrantes italianos deram sobre alguns acontecimentos vivenciados. Existem temporalidades que devem ser observadas na história oral: o tempo dos eventos narrados e o tempo no qual são narrados. E os próprios narradores também precisam ser entendidos como personagens e parte da história que estão contando, conforme afirma Alessandro Portelli (2007: 1997). Portanto, os depoentes também apresentaram explicações que podem partir de lógicas semelhantes ou diferentes quando relêem os eventos do passado. No caso da morte do padre Sório, as narrativas dos descendentes de imigrantes são resultado da confluência entre a tradição oral transmitida pelos seus familiares e as interpretações que os padres palotinos deram para os acontecimentos locais.

Dessa forma, a própria memória da comunidade não é única, pois nela aparecem as subjetividades, as vivências e as observações dos imigrantes sobre a trajetória do padre Sório. Segundo Portelli (2006, p . 126-128), que analisou as lembranças e o senso comum dos italianos sobre um episódio local vivenciado numa pequena cidade montanhosa na região da Toscana, a “memória do povoado” não pode ser vista como um todo coerente. Seguindo nessa direção, utilizou o conceito de “memória dividida” e plural para afirmar que mesmo as

histórias sonegadas e inexprimíveis, até do círculo familiar, convivem com as “memórias igualmente autênticas e comoventes, expostas publicamente na praça e na igreja”. Assim, as lembranças de gerações encontram-se divididas “entre o desejo de silenciar e esquecer e a necessidade de se expressar”. Essa perspectiva o levou a considerar que a “memória do povoado” deve ser percebida como socialmente fragmentada em diferentes memórias. No entanto, o fato de serem diversas não significa dizer que as memórias individuais, comunitárias e públicas sejam ilegítimas, uma vez que independente da tipologia elas estão repletas de valores morais diversos e práticas como solidariedade familiar e grupal que sempre encontram sua fundamentação nas experiências vividas e impressões sentidas.

As narrativas orais, como qualquer outra fonte documental, devem ser analisadas de forma crítica, uma vez que a memória também é fruto de um processo que se molda ao longo do tempo. Os relatos anteriormente apresentados exemplificam que determinados aspectos da memória coletiva sobre a morte do padre Sório estão ligados a momentos históricos específicos. Para tanto, deve-se considerar a memória como um fator social que pode ser compartilhada, porém, somente se materializa em discursos individuais. Quando separada do individual ela se torna memória coletiva, pois não é mais expressão direta e natural do sujeito, mas um arranjo legítimo e significativo “mediada por ideologias, linguagens, senso comum e instituições”, segundo Alessandro Portelli (2006, p. 127).

Portanto, é necessário que a memória coletiva e familiar sobre o momento da morte do padre Sório sejam colocadas à prova, desmembradas e avaliadas. As informações presentes tantos nessas fontes como nas escritas fornecerão indícios para a reconstituição das experiências concretas e possíveis vividas pela população colonial naquele contexto. Devido às poucas informações da documentação sobre a tragédia da morte, as narrativas mantidas pela tradição oral são fundamentais para analisar variáveis e impressões imaginadas. Os depoimentos apontaram outras perspectivas ao apresentarem novos dados a respeito das relações familiares e comunitárias, permitindo, portanto, que se conheça o sentido dos eventos para os indivíduos e a maneira como os interpretaram. Assim, o primeiro aspecto que torna a história oral diferente e importante é o fato dela contar menos sobre eventos do que sobre os significados. Através delas pode-se ter acesso não apenas ao que o povo fez, mas, também, ao que tencionava, acreditava estar fazendo e finalmente o que pensava que havia acontecido (PORTELLI, 1997, p. 31-33). Enfim, as narrativas orais apresentam a maneira que determinados comportamentos, valores e episódios foram avaliados pelos imigrantes italianos na ex-Colônia Silveira Martins.

É no espaço familiar que diferentes narrativas sobre as causas da morte do padre Sório e a identidade dos agressores se refugiou, materializando, também ali, em memória compartilhada na comunidade. Assim, as famílias são as guardiãs e mediadoras dos fatos e impressões vivenciados.66 Somente determinados indivíduos são indicados a falar das histórias locais, principalmente se, por algum motivo, possuem ligação ou proximidade aos acontecimentos vividos no passado. Nas narrativas orais dos descendentes de italianos, anteriormente apresentadas, os guardiões da memória do povoado são aquelas pessoas que tinham laços de parentesco ou seus antepassados mantiveram alguma relação com eventos envolvendo a família Sório. São estes os depoentes referenciais para o grupo quando o assunto é contar determinadas experiências compartilhadas, sendo suas falas as mais completas e significativas para se compreender as histórias vividas pelos imigrantes na região colonial.

O que permanece na “memória do povoado” sobre a tragédia do padre Sório é a versão do castramento, dos ferimentos no baixo-ventre, da desonra de uma moça e da vingança. Mesmo estando em constante movimentação, agregando novos elementos e reinterpretações – como a existência de um plano articulado da maçonaria –, àquelas explicações não perderam sua força. Entretanto, conforme os caminhos apontados por Alessandro Portelli (1996, p. 65- 70), as memórias oferecem um campo de possibilidades compartilhadas, reais ou imaginadas e não um esquema de experiências comuns. O destaque é dado à palavra “possibilidade”. Nesse sentido, a representatividade textual das fontes orais e memórias se medem pela capacidade de abrirem e delinearem um espaço de probabilidades expressivas; enquanto que o conteúdo da experiência se mede não muito pelo que aconteceu com as pessoas concretamente, mas, principalmente, o que as mesmas sabem ou imaginam que possa ter acontecido. Para o autor, é o complexo horizonte das possibilidades que estabelece a esfera de “uma subjetividade socialmente compartilhada”.

As explicações para a morte do padre Sório encontraram fundamentação num cenário de possibilidades reais, imagináveis e aceitáveis. Nesse sentido, abre-se um campo de pesquisa para analisar, através de outras fontes documentais, os conflitos internos, as punições, os laços que ligavam as famílias, as relações interpessoais e, principalmente, o papel das redes e vínculos que definiam os comportamentos numa determinada comunidade. Uma proposta que leva em conta a dimensão local para entender a realidade interna – e a

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O conceito “guardiões da memória” é trabalhado por Michael Pollak (1989, p. 8) ao se referir aos indivíduos que, no interior de determinadas instituições da qual pertencem – associações, sindicatos, famílias –, guardam e reelaboram constantemente a memória, tornando-se também os principais depositários das histórias vividas pelo grupo.

relação externa – onde alguns episódios acontecem, procurando-se, assim, compreender o desempenho “real dos mecanismos”, os significados de poder e a capacidade de atuação dos indivíduos.

Desse modo, o local não é o reflexo daquilo que no nível macro é relevante, pois as possibilidades de ação e o “significado do exercício de poder” devem ser avaliados no âmbito da aldeia. È nesse campo que pretende-se analisar os desempenhos individuais e familiares, as estratégias e escolhas de defesa e sobrevivência num contexto regido por regras e normas (LEVI, 2003, p. 281-285). Além disso, busca-se investigar as respostas da população frente ao controle exercido pelas instituições locais, mapeando a variedade de recursos, desigualdade de acesso, as hierarquias, os ajustamentos e a própria funcionalidade das redes interpessoais frente a fatos internos e também externos à comunidade que ameaçavam a manutenção de certa estabilidade nas relações cotidianas.

Para entender como se deu a adaptação dos imigrantes italianos nos núcleos coloniais do sul do Brasil é necessário que se faça a reconstrução da vivência cotidiana nas comunidades recentemente constituídas por indivíduos oriundos d‟além-mar que procuraram se organizar segundo valores e experiências pretéritas. Esses trouxeram da pátria de origem toda uma experiência camponesa e uma maneira própria de criar suas formas de agregação familiar e comunitária. Porém, nas regiões coloniais tiveram que se ajustar aos recursos disponíveis, adaptarem-se à realidade e estabelecer novos vínculos.

1.6 Dois padres imigrantes

Antes mesmo da grande emigração da Itália, ao final do século XIX, sacerdotes seculares já tinham a América como local de destino. Quando os contadini começaram a abandonar a pátria, parte do clero passou a alertar os fiéis contra os perigos do movimento emigratório, alegando que a fuga provocava nas comunidades um enfraquecimento moral. Enquanto outros se tornaram os principais motivadores e colaboradores da imigração das famílias camponesas da paróquia para o além mar. Por parte da própria Igreja Católica não existia um posicionamento com relação ao êxodo, possibilitando que o comportamento do clero rural fosse bastante variado. Esses se encontram nos dois lados, podendo ser apoiadores, promotores ou opositores da emigração. Freqüentes foram os casos de padres que optaram por seguir para América juntamente ou no encalço dos fiéis. Assim, companheiros de viagem dos próprios paroquianos, muitos são os exemplos que atestam ter o clero partido em tais

circunstâncias. Essa atitude também reflete uma das escolhas feitas por algumas ordens religiosas que tinham como objetivo “renovar o antigo pacto de aliança”, de estilo de vida e pregação mantida na pátria com os camponeses (FRANZINA, 1998, p. 233: 2006).

Na região do Vêneto, durante a metade dos anos 70 do século XIX, não era rara a presença de padres, lideranças comunitárias e sujeitos de ocupavam cargos públicos envolvidos em agregar indivíduos para emigrar. Atuavam como subagentes, eram mediadores entre as famílias camponesas e as Companhias de Navegação. Esse foi um recurso recorrente para que a emigração alcançasse maiores proporções, uma vez que os religiosos gozavam de reputação e de confiança nos povoados, tornando-se, em muitos casos, os emissários e organizadores da transferência de grupos italianos para o outro lado do Atlântico. Em determinadas comunidades onde eram párocos, esses atuavam de forma prática na orientação dos fluxos migratórios. Também emigraram por conta própria, financiados pelos conterrâneos ou ainda impulsionados por dificuldades pessoais de convivência, suspeitos de infrações quanto ao “voto de castidade” e conflitos comunitários.67

Ao acompanhar ou seguir os paroquianos e familiares para a América, demonstravam compartilhavam o desejo de melhor o próprio destino em terras longínquas.

As dificuldades de manutenção de um modelo de vida nas aldeias do norte da Itália eram sentidas tanto pelos camponeses quanto pelos párocos, por isso ambos entendiam a emigração como uma forma de buscar novas oportunidades de sobrevivência, melhorar a condição e também aumentar o patrimônio material. Os sacerdotes atuavam como legitimadores das práticas culturais dos compatriotas nos locais de instalação na América. Mas, segundo Emilio Franzina (2006, 334-36), isso não bastava para lhes garantir estima e influência entre os paroquianos, pois era necessário que, no dia-a-dia, conquistassem a confiança da população, evitando confrontar com hábitos e crenças próprias da sociedade rural.

Nesse sentido, analisar o movimento migratório é uma maneira de compreender as próprias escolhas e estratégias dos indivíduos no espaço de suas aldeias. O abandono definitivo da terra natal ganhava maior proporção à medida que famílias e comunidades inteiras partiam, sendo, muitas vezes, acompanhadas pelo clero local. Esses organizavam a transferência dos paroquianos, agindo, portanto, como mediadores, recrutadores, promotores

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Emílio Franzina (1995, p. 225-228) aponta algumas trajetórias de padres fugidos ou expulsos da pátria que migraram para os Estados Unidos. Esses casos, segundo o autor, ajudam a compreender também os motivos semelhantes pelo qual muitos dos sacerdotes da península também se refugiaram no Brasil. Aponta,

principalmente, as “tentações da carne” como uma das causas das freqüentes transgressões que faziam com que

ou agentes da emigração. Eram responsáveis por fazer propaganda do Novo Mundo. De certo modo, o trabalho de agenciadores era facilitado porque os párocos eram pessoas próximas dos contadini.

Os padres Vitor Arnoffi e Antônio Sório, como muitos outros entusiasmados com as notícias que circulavam sobre as regiões de colonização no Brasil e motivados pela expectativa de “fazer a América”, como as famílias camponesas, comerciantes e artesãos de seu tempo, decidiram partir para o Rio Grande do Sul logo após terem sido convidados pelo agenciador Antônio Vernier, contratado por um grupo de imigrantes da Colônia Silveira Martins. Um dos fatores decisivos para esta escolha foi a notícia de disponibilidade de campo

Benzer Belgeler