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3.2. Sultangazi İlçesinin Tarihçesi

3.2.2. Cumhuriyet Dönemi

A relação entre essas duas instâncias sempre foi muito importante para a harmonia da vida social. A questão política sempre motivou muitos pensadores a elaborar sua visão acerca do assunto de modo estruturado. Desde a antiga Grécia houve considerável progresso no assunto, mas nem sempre houve consenso sobre certos temas. Dentre os inúmeros tópicos de cunho político e religioso há certo debate em torno da composição do estado, governo e suas diferentes formas.

Para o Ocidente a evolução mais sistemática do diálogo entre as duas esferas em questão, iniciou a partir das guerras de religião ocorridas nos séculos XVI ao XVII. Por esse período dois pensadores refletiram acerca da situação política e religiosa: John Locke e Jean Jacques Rousseau. Vejam-se algumas considerações a respeito de John Locke (1632-1704). A motivação de Locke em pensar sobre a esfera política estava ligada ao fato dos solavancos que sua pátria atravessava. Questões sobre forma de governo, sucessão, república, natureza da política, questão religiosa tudo isso e muito mais, estiveram em pauta nas suas ponderações. Para ele, não há governo sem concordância popular. Sem dúvida ela é indispensável, mas se deve aperfeiçoá-la para que surta o efeito desejado. Locke concordava com a forma absolutista de monarquia de direito divino.105

Os homens, devido à sua natureza, são iguais e primam pela independência. Sendo assim, o Estado e o Governo devem favorecer a liberdade. O governo surge através da necessidade da “ordem”. Os homens não poderiam continuar no estado da natureza, senão o desenvolvimento não seria eficaz, é preciso de uma organização à altura dos anseios humanos. Conduzir a nação só é factível do ponto de vista da concordância. Sem o aval da maioria interessada nenhum tipo de governo floresce e se sustenta. John Locke acena para uma visão participativa (democrática), no sentido de que o governo que dá configuração ao Estado, ter que se submeter à determinação da maioria. John Locke está ligado ao mundo da monarquia e não vislumbra uma composição diferente para seu país. Algo peculiar seu é a defesa ardorosa da

105 Cf. LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo civil. Disponível em:

<http://www.xr.pro.br/IF/LOCKE-Segundo_Tratado_Sobre_O_Governo.pdf>. Acesso em: 01 de maio2014.

“tolerância”, principalmente em âmbito religioso, para que as energias populares fossem canalizadas para bons empreendimentos da nação. Ele defende ardorosamente seu ponto de vista, ainda mais depois da sua estadia na Holanda, país mais liberal da época. Ora, o espírito democrático tem na “tolerância” a chave para desdobrar-se em sistema político estruturado.106 Dessa forma, John Locke contribuiu imensamente para dar base a um

assunto que seria decisivo para as futuras gerações.

Outro pensador decisivo para o contexto político moderno foi Jean Jacques Rousseau (1712-1778). Rousseau em sua obra “O Contrato Social” faz questão de dizer que nasceu em um país “livre”, e por isso mesmo se sente encorajado de tratar de assuntos que envolvem a participação política. É do parecer que a pessoa nasce boa, a sociedade é que a corrompe. Ressalta o caráter “livre” do homem. Tem uma visão positiva da natureza humana, desde que persista em viver em estado natural. Claro que Rousseau logo percebe as inúmeras dificuldades em se viver numa realidade “paradisíaca”.

Segundo Rousseau, para que haja desenvolvimento é preciso ordem social e essa é obtida pelas convenções. Os homens entre si necessitam de acordos que estruturam o tecido da sociedade. O termo técnico é “pacto social”, ou seja, agregar interesses em torno de certos objetivos político-sociais. Essa transformação leva a uma mudança de paradigma que vai do instinto a uma vida baseada na justiça. Priva-se de algo para ganhar um bem maior: a liberdade civil. A religião também é beneficiária, pois com a liberdade civil poderia ser exercida sem perturbações. O pensador suíço é do parecer que somente a vontade geral tem força para dirigir o Estado e que o verdadeiro soberano é a coletividade. O pacto social se firma no fato de proporcionar igualdade de condições e os mesmos direitos. Portanto, legislador e povo devem estar em sintonia. Para que as engrenagens do poder funcionem bem é preciso que o soberano tenha limites e esse papel quem exerce é o povo. Nesse sentido o governo tem peso intermediário no processo político já que não é o centro de tudo, mas deve de certo modo, prestar contas à população que submetida ao contrato social.

Rousseau não crê que a sociedade seja regida por leis naturais, tudo é fruto de um processo que leva o homem a chegar a um grau de consciência de que seu

106 Cf. LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo civil. Disponível em:

<http://www.xr.pro.br/IF/LOCKE-Segundo_Tratado_Sobre_O_Governo.pdf>. Acesso em: 01 de maio de 2014.

desenvolvimento passa por suas decisões. Já que afirma ser o homem naturalmente livre, é inclinado a ter uma visão de Estado e governo não autoritários, sendo que os direitos sociais devem ser salvaguardados. Claro que esse tipo de raciocínio leva gradualmente àquilo que se convencionou chamar de democracia. O direito natural auxiliou na construção do sistema político moderno democrático já que garante o caráter igualitário dos seres humanos. Dessa maneira, no governo deve-se a todo custo suprir ações privadas que danificam o interesse público, evitando assim a destruição do bem e interesses comuns.107

A construção dos conceitos de Estado e Democracia na acepção moderna, em plano histórico não é tão antiga. Vem na esteira do renascimento desembocando no período das Luzes. Tanto Locke quanto Rousseau contribuíram para o surgimento de uma nova mentalidade não apenas do ponto de vista político, mas também social, econômico, cultural e até religioso, já que ambos eram defensores da tolerância. Dessa forma, muito do que se tem hoje é fruto do esforço desses grandes pensadores.

Benzer Belgeler