No sétimo capítulo, a fim de detectar áreas de incerteza na atenção à saúde do idoso, na primeira parte será caracterizada a representatividade dos gupos e dos assuntos consensuais, em seguida será feita a análise interpretativa da identificação do consenso de opiniões a respeito de diretrizes e responsabilidades, das iniciativas e condutas e dos condicionantes sociais que envolvem o envelhecimento ativo. Na segunda parte, buscar-se-á a visão prospectiva dos sujeitos, expressa também conforme imaginários e crenças, àquela pergunta (Quem cuidará de nós em 2030?), com base nas ações do presente e do passado, chegando a uma perspectiva dos futuros possíveis e desejáveis, pois “o futuro é o fruto da vontade, sendo ela própria conduzida
pelos nossos projetos, nossos desejos e nossos sonhos” (Godet; Durance; Dias, 2008: 8).
Para tanto, inicialmente, ponderamos sobre a sistematização das perguntas, com as respectivas alternativas escolhidas, por Ciclo e grupos de sujeitos (apêndice 8). Em seguida, analisamos a tabulação, ou seja, a definição estatística, distribuídas nas respostas escolhidas em todas as questões, pelos três grupos de representantes. Finalmente, analisamos os resultados prospectivos do método Delphi, que implicou algumas variações. A principal variação foi “na criação de procedimentos diferentes de análise” admitidos, pois evidentemente foram “conservadas as características básicas” do referido método, a saber: a propecção e o consenso de opiniões (Maranhão, 2006: 03). O resultado será composto pelos assuntos que se pode obter nas respostas, o valor estatístico mínimo de escolha (60%, previamente definido), mas, também, por aquela alternativa “quase majoritariamente votada”, considerada como produto final, pois entendemos que “os opinantes” (57%) tiveram “convicção acerca do assunto” (Maranhão, 2006: 03).147
No processo de identificação do ponto de vista da maioria, ainda a respeito de variações nos procedimentos de análise, vale um adendo: houve respostas alternativas consensualmente “nulas” (não escolhidas, com 0% de votos), nas quais todos os integrantes daquele grupo demonstraram a convicção acerca de “não estarem de acordo com aquela frase resposta” ou “desconsideraram conjuntamente aquela alternativa” como resposta possível para aquele assunto.
Em virtude do exposto, o quinto capítulo (“População e cidades: ressaltando no cenário brasileiro a Região Metropolitana de São Paulo”), que se segue, buscará expressar, principalmente, a complexidade do fenômeno urbano e do envelhecimento populacional, em curso, nos municípios da RMSP.
147 Nosso entendimento se apoia na análise da sistematização dos resultados (apêndice 8). Quando constatamos que
no primeiro Ciclo do Método Delphi o tema em questão (pergunta 17) recebeu 83,3% dos votos do grupo da SMS, sendo este o único grupo que quase atingiu a igualdade de opiniões naquela resposta alternativa no Ciclo II.
Levantamento bibliográfico e documental
No Brasil, a Constituição Federal de 1988, no art. 25, §3º, faculta, aos Estados, a instituição de Regiões Metropolitanas “constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, com o objetivo de integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum” (Brasil, 1988: 33). Portanto, as Regiões Metropolitanas foram instituídas em lei complementar estadual. O Pacto pela Saúde 2006 determinou o principal componente para a delimitação de uma região metropolitana, ou seja, a constatação de suficiência local em atenção básica e em parte da média complexidade, conseguindo garantir algum grau de resolubilidade nesses níveis no próprio território. Além disso, o pacto determinou o fluxo inter-regiões ou macrorregionais, fundamental para delinear o atendimento das demandas da média e alta complexidade, a partir da realidade de cada território (Brasil, 2006d).148
Isso significa que a regionalização, um dos eixos estruturantes do SUS, acentuou-se juntamente com a descentralização das ações, serviços e processos de negociação. O Pacto regulamentou o processo de avaliação das políticas de saúde, subsidiadas nos indicadores sociais, o que foi posteriormente pactuado entre os gestores na Comissão Intergestores Bipartite (CIB).149
A partir da lei promulgada, o município passa a executar funções públicas que, por vezes, exigem a cooperação de todos os municípios para a solução de problemas comuns, como os serviços de saúde e de transporte coletivo, o que legitima, em termos políticos e institucionais, sua existência, além de permitir uma atuação mais integrada do poder público local, no atendimento às necessidades da população ali residente (IBGE, 2010a).
148 O CONASS (2006) divulgou o Pacto pela Saúde 2006, na nota técnica 6, 2006, progestores, volume I, Portaria
GM/MS 399/2006 e Portaria GM/MS 699/2006. Brasília, 9 de maio de 2006.
149 As Regiões de Saúde paulistas foram reconhecidas pela Comissão Intergestores Bipartite de São Paulo (CIB/SP)
A formação dessas regiões significou aumentar as atribuições dos municípios e a demanda por informações sobre as unidades político- administrativas (IBGE, 2013). Neste ínterim, tal como as fotografias, os indicadores procuraram retratar aspectos da realidade da população e das cidades. Contudo, a imagem captada no indicador pode, por vezes, reduzir a realidade estudada, produzindo uma representação simplificada de aspectos da mesma. Por isso, proporcionalmente será mais bem captada a imagem da realidade, (1) quanto mais específico for o aspecto de interesse e (2) quanto mais confiável e preciso forem as informações usadas para o cômputo do indicador (Jannuzzi, 2004).
Um indicador é medida em geral quantitativa dotada de significado social, usada para substituir, quantificar ou operacionalizar um conceito social abstrato e de interesse teórico, para pesquisa acadêmica, ou programático, para formulação de políticas. Assim, ao traduzir em cifras tangíveis e operacionais dimensões relevantes, específicas e dinâmicas das localidades, grau de urbanização, índice de envelhecimento, índice de desenvolvimento humano, razão de sexo, entre outros150, os indicadores respondem às
exigências imediatas de compreensão da heterogeneidade estrutural das regiões metropolitanas (Jannuzzi, 2004).
Neste capítulo, mostraremos, por meio de pesquisa bibliográfica e documental, as características demográficas de territórios e de populações, nacionais e internacionais, além das condições de vida e economia, numa perspectiva de tempo, ora com foco no passado, ora no futuro e no presente. Em uma tentativa de contextualizar a realidade local, iniciaremos descrevendo o panaroma do envelhecimento mundial, seguido do país e do Estado de São Paulo e, por fim, da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e de seus respectivos municípios.
150 Índice de envelhecimento corresponde ao número de pessoas de 60 e mais anos de idade, para cada 100 pessoas com
idade < 14 anos, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado. São comuns que, para o cálculo deste indicador, sejam consideradas idosas as pessoas de 65 e mais anos. No entanto, para manter a coerência com os demais indicadores e para atender à política nacional do idoso (Lei nº. 8842, de 4 de janeiro de 1994), utiliza-se no Brasil o parâmetro de 60 e mais anos (Brasil, 2002b). O IBGE (2010) define: “Grau de Urbanização” ou “Taxa de Urbanização” como a “percentagem da população da área urbana em relação à população total” e “Razão
1. Indicadores demográficos
A população do planeta Terra atingiu 7,2 bilhões de pessoas e, de acordo com as projeções de crescimento demográfico, a população mundial deve chegar a 8,1 bilhões de pessoas em 2025 e 9,6 bilhões em 2050, informou a ONU, em junho de 2013.151 Em 2011 havia aproximadamente 900
milhões de pessoas com mais de 60 anos no mundo (1 em cada 8 pessoas com idade ≥ 60 anos). Até a metade deste século, o número, segundo estimativas, vai praticamente triplicar, chegando a 2,4 bilhões (1 em cada 4 pessoas com idade ≥ 60 anos). A expectativa de vida média mundial à época era de 68 anos, quando em 1950 era de apenas 48 anos (ONU, 2011).
No Brasil, são numerosas as fontes sobre indicadores demográficos. As informações, apresentadas a seguir, auxiliam a compreensão da necessidade de estratégias e estabelecimento de metas para programas específicos direcionados à população que envelhece.