3.2. Sosyal ve Kültürel Hayata Dair Tespitler
3.2.2. Cevdet Paşa’nın Kaleminden Osmanlı Eğitim Hayatı
Passando ao largo das controvérsias existentes sobre a possibilidade ou não de hierarquia entre os princípios, se nos permitirmos visualizar uma pirâmide por eles constituída, é intuitivo que o princípio da igualdade estaria em seu ápice.
É claro que, compartilhando este espaço, poderíamos citar também o princípio da dignidade da pessoa humana (ARAUJO, 2000, p. 101; CANOTILHO, 2002, p. 350), pois a igualdade pressupõe dignidade e vice-versa,
como ainda veremos32. Alexy (2001, p. 112/113) ressalta ainda a importância da
proporcionalidade, que teria total conexão com a própria teoria dos princípios, na medida em que estes são mandados de otimização no tocante às possibilidades jurídicas e fáticas. De fato, até para se chegar à igualdade e à dignidade há de se
fazer sempre um exercício baseado na proporcionalidade33.
32 V.Capítulo 2 desta primeira parte de nosso trabalho, o qual denominamos “Igualdade: igualdade,
democracia e Justiça”, onde citamos a lição de Canotilho (2002, p. 350/351) segundo a qual, para se interpretar o princípio da igualdade, não se pode esquecer a dimensão da “dignidade social”.
33 Não podemos deixar de citar aqui as lições de Willis Santiago (2003, p. 269/281), que também
destaca o princípio da proporcionalidade, chamando-o de “princípio dos princípios”. Vale transcrever os seguintes trechos de seus festejados ensinamentos: “Para resolver o grande dilema da interpretação constitucional, representado pelo conflito entre princípios constitucionais, aos quais se deve igual obediência, por ser a mesma a posição que ocupam na hierarquia normativa, preconiza-se o recurso a um 'princípio dos princípios', o princípio da
proporcionalidade, que determina a busca de uma 'solução de compromisso', na qual se respeita
mais, em determinada situação, um dos princípios em conflito, procurando desrespeitar o mínimo o(s) outro(s), e jamais lhe(s) faltando totalmente com o respeito, isto é, ferindo-lhe(s) seu 'núcleo essencial', onde se acha insculpida a dignidade humana. [...]
[...]
A imposição nela contida [na 'máxima da proporcionalidade'] é a de que se realize através do Direito, concretamente e cada vez melhor, o que for jurídica e faticamente possível, para se obter a otimização no adequamento da norma, com seu dever-ser de entidade ideal, à realidade existencial humana.
É esse equilíbrio a própria idéia do Direito, manifestado inclusive na simbologia da balança, e é a ele que se pretende chegar, com Estado de Direito e Democracia.
[...]
[...] o princípio da proporcionalidade aparece como mais importante do que aquele da isonomia, embora sejam ambos pressupostos da existência mesma, jurídico-positiva, de direitos fundamentais, pois enquanto esse último determina, abstratamente, a extensão a todos desses direitos, é aquele que permite, concretamente, a distribuição compatível dos mesmos” (grifos do autor).
No entanto, o entendimento do que é “digno”, “proporcional” ou
“razoável” 34, é extremamente mutável35, tanto no tempo quanto no espaço,
especialmente em questões ligadas a sexo, raça, religião, deficiência, entre outros fatores pelos quais seres humanos freqüentemente recebem tratamentos diferenciados, porque terceiros, mesmo munidos das melhores intenções, acabam
concebendo, nem sempre acertadamente, que haveria “razão suficiente”36 para
tanto. É a aplicação dos elementos ligados ao princípio da igualdade que faculta decisões justas sobre a possibilidade de se diferenciar ou não, até em situações inusitadas, jamais vivenciadas antes pelo intérprete. Daí o motivo pelo qual destacamos, dentre os princípios jurídicos, o princípio da igualdade. E a doutrina é
vasta no mesmo sentido37.
Sem prejuízo das várias designações e qualificações existentes em relação aos princípios, consideramos adequada, para a finalidade de localizar o
34 O termo “razoável” vem sendo utilizado em nosso trabalho em seu sentido léxico, que permite
empregá-lo, sem maiores preocupações, ao lado do termo “proporcional”. Não desconhecemos, entretanto, que, enquanto princípios jurídicos (da razoabilidade e da proporcionalidade), eles têm significados diferentes, conforme alerta Willis Santiago (op. cit., p. 283), esclarecendo que o princípio da razoabilidade destina-se “a evitar absurdos na elaboração do Direito”, enquanto o princípio da proporcionalidade destina-se a garantir que o Direito “seja interpretado e aplicado atendendo a um princípio de racionalidade, apto a determinar qual a melhor dentre as diversas interpretações possíveis, do ponto de vista da promoção simultânea e equânime do Estado de Direito e da Democracia, com a gama de direitos fundamentais e valores que lhe são inerentes, sendo esse mesmo compromisso com a racionalidade o principal de toda teoria, também no campo do Direito”. Luís Roberto Barroso apesar de, em certo momento, valer-se dos termos indistintamente (1996, p. 209), também explica que a proporcionalidade em sentido estrito cuida- se “de uma verificação da relação custo-benefício da medida, isto é, da ponderação entre os danos causados e os resultados a serem obtidos” (1996, p. 208).
35 Para Fábio Konder Comparato, a resposta sobre o que vem a ser a “dignidade humana”, vem
sendo dada, “sucessivamente, no campo da religião, da filosofia e da ciência” (2005, p. 01).
36 Termo baseado na seguinte lição de Alexy (2001, p. 395, grifos nossos): “[...] para la
admissibilidad de las diferenciaciones tiene que haber una razón suficiente que las justifique”.
37 José Souto Maior Borges, em parecer inédito citado por Eros Grau (2003, p. 149), aponta: “uma
hierarquia de importância mesmo entre os princípios constitucionais, na qual surge com proeminência substancial o princípio da isonomia, que ‘penetra como uma linfa, os demais direitos e garantias constitucionais, perpassando-lhes o conteúdo normativo’ ”.
Celso Ribeiro Bastos (2002, p. 322-323) não é menos incisivo ao afirmar que: “o princípio da igualdade é dos mais importantes da Constituição: ele incide no exercício de todos os demais direitos. É como se disséssemos: é garantido o direito de propriedade, de liberdade, de comunicação, respeitado o princípio da igualdade. Toda vez que o critério perde legitimação, isto é, não se afigura mais aos olhos da sociedade com razão para diferenciar as pessoas, esse elemento tem de ser expurgado do sistema. [...] A igualdade é, portanto, o mais vasto dos princípios constitucionais, não se vendo recanto onde ela não seja impositiva”.
princípio da igualdade entre os princípios, a classificação que trata dos princípios constitucionais e princípios gerais de direito.
Quando estudamos a teoria dos princípios, verificamos que essa divisão entre princípios constitucionais e gerais de direito não é estanque, já que estes podem também ser “constitucionais”, se tratarem de matéria constitucional (BASTOS, 2002, p.84). Se isto ocorrer, teríamos então os “princípios constitucionais gerais” (TAVARES, 2003, p. 32).
O princípio da igualdade, por sua vez, é apontado como um dos princípios gerais de direito (BASTOS, idem, ibidem; CUNHA, 2003, p. 273) e encontra-se positivado na Constituição brasileira, em vários pontos dela. Logo, podemos localizá-lo entre os “princípios constitucionais gerais”, mencionados acima, ou seja, entre os princípios gerais de direito que estão positivados na Constituição.
Porém não é só. Um dos pontos da Constituição em que ocorreu a positivação do princípio da igualdade foi entre os princípios fundamentais, identificados expressamente em seu Título I. Esta afirmação pode ser feita não apenas porque a igualdade está presente no princípio democrático (CANOTILHO, 2002, p. 350), apontado como um dos mais importantes entre os princípios fundamentais (BONAVIDES, 2001, p. 253), mas também porque está presente no objetivo fundamental de promoção do bem de todos, sem preconceitos, também apontado como um dos mais importantes princípios entre os princípios fundamentais
(ARAUJO, 2000, p. 101)38.
Podemos então dizer do princípio da igualdade: é um dos princípios gerais de direito, é constitucional e é fundamental, lembrando sempre que uma designação não exclui a outra.
38 Canotilho e Vital Moreira, em relação à Constituição portuguesa, também afirmam, em relação ao
princípio da igualdade, que: “embora não esteja explicitamente autonomizado em nenhum preceito específico do capítulo introdutórios da CRP, ele é seguramente um dos princípios estruturantes do sistema constitucional. Ele constitui naturalmente o elemento essencial da 'sociedade justa' a que se refere o art. 1º ” (1991, p. 81).
E ainda, nas várias classificações existentes dos princípios, o da igualdade é sempre apontado entre os mais relevantes, sejam eles chamados de gerais (BARROSO, 1996), fundantes (CUNHA, 2003), ou perpassando os princípios estruturantes (CANOTILHO, 2002).
Ressaltamos essa importância lembrando que “os direitos fundamentais não podem ser estudados à margem da idéia de igualdade” (MIRANDA, 1993, p. 201). E embora a Justiça compreenda diversas esferas, nela está sempre presente (mesmo que não haja uma identificação total com ela) a idéia de igualdade (CANOTILHO, 2002, p. 239).
A justiça fará, assim, parte da própria idéia de direito (Radbruch) e esta concretizar-se-á através de princípios jurídicos materiais como os princípios da proibição do excesso, da protecção da confiança, da indenização de danos, da igualdade, do respeito da dignidade da pessoa humana (CANOTILHO, idem, ibidem).
No dizer de John Rawls (2002, p. 03), “a justiça é a primeira virtude das instituições sociais, como a verdade o é dos sistemas de pensamento”.
Igualdade e Justiça serão estudadas logo adiante, mas inserimos as citações acima desde já, pois queremos encerrar esta seção de nosso trabalho, relativa aos princípios, enfatizando a importância do princípio da igualdade entre as “pedras de fecho”, entre os “mandamentos nucleares” do sistema jurídico, e consideramos tais expressões bastante pertinentes para tanto.