C. BASIN VE CEMĠYET YASALARININ ĠYĠLEġTĠRĠLME SÜRECĠ
2. Cemiyetler Kanunu
Definimos a competitividade das nações como a capacidade de, sistematicamente, um país gerar competências que garantam vantagens competitivas para a sustentação de seu processo de desenvolvimento econômico através de ganhos contínuos de produtividade, que, por sua vez, garantam ganhos de mercados e acesso a recursos no mercado internacional. Propomos essa noção baseada em competência como uma síntese do debate sobre a competitividade das economias nacionais que seja capaz de reconhecer a complexidade do tema e que inclua os elementos indutores de competitividade de forma a possibilitar o acompanhamento e a gestão desse processo.
A noção de competitividade nacional aqui defendida está fundamentalmente relacionada ao que Dosi; Pavit e Soete (1990) definiram como as vantagens competitivas absolutas dos países. Segundo os autores;
“A implicação desta abordagem é que sempre que existam interdependências tecnológicas, relações hierárquicas entre tecnologias e suas externalidades (em termos de encadeamentos inter- setoriais, spill-overs, etc.), o padrão de vantagem absoluta nestas tecnologias dominantes, suas capacidades ou as competências terão que ser consideradas como determinantes autônomos da competitividade internacional, independente do padrão das vantagens comparativas.” (DOSI et al., 1990, p. 149)
Esses autores concluem que o impacto direto da noção de vantagens competitivas absolutas sobre a ideia de competitividade requer uma noção “absoluta” de competitividade, tirando a ênfase do debate da noção restrita de vantagens comparativas. Fazem isso se apoiando na definição de competitividade desenvolvida por Cohen; Teece e Zysman, que argumentam que;
“Competitividade internacional no nível nacional é baseada em uma produtividade superior e na habilidade de a economia transferir recursos para setores de maior produtividade, que, por sua vez, podem gerar maiores níveis de salários médios... Não se trata somente da medida da habilidade de um país exportar, e manter um equilíbrio na balança comercial. Os mais pobres países no mundo frequentemente conseguem fazer isto relativamente bem. Mais importante é a habilidade de um país competir internacionalmente naqueles produtos e serviços que provavelmente irão constituir a maior parte do comércio internacional e de valor agregado no futuro.” (COHEN et al., 1984, p.2)
Bem como na noção de competitividade desenvolvida por Mistral, que argumenta que;
“... competitividade é a expressão de uma propriedade global (tanto micro como macroeconômica) específica a cada país – à eficiência na qual cada país mobiliza seus fatores produtivos e, ao fazê-lo, modificam as características técnicas e sociais de sua atividade industrial. Ao mesmo tempo, a competição nos mercados mundiais como um todo (doméstico e exterior) revelam o sucesso dos desempenhos nacionais em relação aos demais: as economias mais desenvolvidas e competitivas exercem constrangimentos externos sobre outras através da balança de pagamentos.” (MISTRAL, 1983, p.2)
Dosi; Pavit e Soete (1990), dessa forma, denominam estas concepções de competitividade de “competitividade estrutural” ou “sistêmica”. A definição de competitividade considerada nesta tese parte destas concepções definidas por tais autores ao considerar que a competitividade nacional é determinada fundamentalmente pela habilidade dos países em gerar competências que os direcionem a ganhos contínuos de produtividade.
A visão de competitividade estrutural atribui os determinantes da competitividade aos elementos relacionados à capacidade de o país auferir ganhos contínuos de produtividade através da inovação, e esta está relacionada às competências para inovar e competir, que, por sua vez, são determinadas historicamente. Neste sentido, Dosi; Pavit e Soete (1990) argumentam que;
“[...] a competitividade internacional de cada economia em cada setor (como sua participação nas exportações mundiais ou as exportações per capita) é determinada pelo seu gap ou sua liderança tecnológica, por seu gap nos salários e por sua organização industrial, que é, em determinado sentido, o resultado estrutural do passado de inovações e da competitividade relativa de um país.” (DOSI et al., 1990, p. 159)
Mowery e Nelson (1999)14 também determinam que a habilidade de um país construir vantagens competitivas em setores da economia está relacionado à disponibilidade de recursos produtivos, às suas instituições, à seus mercados e, por fim, às capacidades tecnológicas disponíveis para o país.
Da mesma forma, Coutinho e Ferraz (1993) argumentam ser de três naturezas os determinantes da competitividade: as dimensões sistêmica, empresarial e estrutural. Para os autores;
“[...] a noção de competitividade sistêmica é o modo de expressar que o desempenho empresarial depende e é também resultado de fatores situados fora do âmbito das empresas e da estrutura industrial da qual fazem parte, como a ordenação macroeconômica, as infraestruturas, o sistema político-institucional e as características socioeconômicas dos mercados nacionais”. (COUTINHO; FERRAZ, 1993, p. 17).
Ainda argumentam que a competitividade deve ser entendida como a capacidade da empresa de formular e implementar estratégias concorrenciais, que lhe permitam conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no mercado (COUTINHO; FERRAZ, 1993). Muitos outros estudos relacionados abordam os determinantes da competitividade estrutural das economias de diversas formas, mas todas relacionadas à disponibilidade de recursos, tecnologia, instituições15 e às estratégias empresariais (FAGERBERG, 1988; DELGADO et al., 2012).
Ainda nesse sentido, Cimoli; Dosi e Stiglitz (2009) argumentam que a grande transformação pela qual passaram os países que galgaram posições competitivas nos mercados internacionais parte de um grande processo de acumulação de conhecimentos e, sobretudo, competências. Em suma, o processo de constituição de vantagens competitivas está diretamente relacionado à habilidade de o país desenvolver
14De fato, os autores usam o termo “Industrial leadership” em seu trabalho, pois argumentam que este termo denota, explicitamente, o desempenho em indústrias onde a sofisticação tecnológica e o desempenho inovativo são fatores chave para a competitividade.
15 Instituições aqui entendida em seu sentido mais amplo, que engloba as instituições formais, não- formais, estruturas de mercado e do Estado, dentre outras.
e acumular competências. Esse é o atributo relacionado à competitividade nacional que deve ser medido por um sistema de métricas de competitividade.
Uma vez definindo o que se considera o atributo de competitividade dos países, é necessário buscar compreender a dinâmica da competitividade, e mais precisamente, responder as questões: como os países geram as competências que determinam suas vantagens competitivas? E como mensurar este fenômeno?
Conforme argumentamos, a dinâmica da construção de competências competitivas é um fenômeno complexo. Dessa forma, torna-se difícil e pouco prático atribuir relações diretas de causa e efeito às variáveis, o que seria um exercício empobrecedor e passível das críticas feitas aos indicadores analisados em capítulos anteriores. Assim, propomos a constituição de um sistema de métricas que permita a mensuração dos fatores relacionados à emergência de competências e, por sua vez, das vantagens competitivas. Isto se baseando na obra de Nelson e Winter (1982), que afirmam que, na impossibilidade de construir modelos explicativos robustos que atribuam causa e efeito em sistemas complexos é importante a identificação de padrões e variáveis que se relacionam à variável independente para a formulação de planos de ação.
Para identificar tais padrões, buscou-se na literatura os elementos relacionados à emergência das competências, que servem de constructos teóricos (JANNUZZI, 2005) desse fenômeno complexo, e relacioná-los a fatores observáveis e passíveis de gestão através de políticas industriais e estratégias de desenvolvimento.
4.2. CONSTRUCTOS TEÓRICOS REPRESENTATIVOS DA DINÂMICA