3. ÜÇÜNCÜ BÖLÜM
3.2. SETR-İ AVRET
3.2.3. Cariyenin Avreti
1- As medidas de intervenção propostas foram aplicadas e os resultados confirmaram que estas constituem, de fato, importantes subsídios para auxiliar no Programa de Atendimento Antirrábico Humano.
2- A inclusão de novos modelos de fichas e dos dados nelas contidos permitiram uma análise mais acurada de cada caso de agravo, complementando as informações da ficha oficial do Ministério da Saúde usada no atendimento antirrábico humano.
3- A taxa de notificações de agravos por animais a pessoas em Jaboticabal/SP diminuiu, em relação aos dados encontrados nos estudos dos anos de 2000 a 2010. O fato gera preocupação, pois pesquisas paralelas no Município confirmam que o número de agressões é alto, mas a procura por atendimento médico é negligenciada.
4- A taxa de pessoas vacinadas aumentou, em relação aos dados encontrados nos estudos dos anos de 2000 a 2010, demonstrando que a problemática da instituição de vacinas contra a raiva pós-exposição em situações que poderiam ter sido dispensadas, permaneceu. Isto pode ser devido ao fato de não ter ocorrido Campanha de vacinação contra a raiva canina por dois anos consecutivos (2011 e 2012), o que gerou incerteza com relação à situação epidemiológica da raiva no Município e um maior cuidado, por parte da equipe responsável pela conduta de profilaxia pós-exposição.
5- As visitas zoossanitárias e a observação dos animais agressores no período de 10 dias são ações imprescindíveis e as informações obtidas permitem dar um suporte para a adoção de uma conduta médica segura para a instituição ou não do tratamento antirrábico humano pós-exposição. Esta medida de intervenção demonstrou ser eficiente como subsídio para a adequada instituição de tratamento antirrábico humano.
6- Nas entrevistas realizadas durante as visitas zoossanitárias, ficou evidente que as vítimas, na sua maioria, desconheciam aspectos básicos importantes sobre o
comportamento natural de cães e gatos e, por isso, acabaram provocando o acidente.
7- No estudo do comportamento, a Análise de Conteúdo mostrou-se como uma ferramenta eficaz de interpretação dos relatos dos agravos feitos pelos pacientes. Por meio dela foi possível tornar claros os motivos que levaram aos acidentes, e como estes poderiam ter sido evitados, deixando evidente que a maioria das agressões são provocadas por seres humanos e, portanto, passíveis de serem evitadas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No Município de Jaboticabal/SP, não ocorre caso de raiva humana há mais de 40 anos, e de cães ou gatos, há mais de 30. Este fato, aliado à condição epidemiológica de raiva urbana controlada no Estado de São Paulo, e o resultado de visitadas zoossanitárias e observação dos animais agressores, deveriam ser consideradas durante a análise de cada caso no atendimento antirrábico humano, e não apenas o tipo, a gravidade e o local de lesão causada pela agressão do animal.
Em estudos anteriores efetuados neste Município com análise dos dados das Fichas de Atendimento Antirrábico Humano, constatou-se que 81,6% (do ano 2000 a 2006) e 74% (de 2007 a 2010) das pessoas agredidas por animais receberam pelo menos uma dose de vacina contra a raiva. Esperava-se que, no período relativo à presente pesquisa, essa taxa resultasse ainda menor; no entanto, ela superou o valor do primeiro período. Entende-se que isso pode estar relacionado ao fato de não ter ocorrido Campanha de Vacinação contra a raiva de cães e gatos nos anos de 2010 e 2011, o que demandou mais cuidado na conduta médica; mas não se justifica, pois as visitas zoossanitárias realizadas por um médico veterinário no mesmo dia do agravo – ou, no máximo, no dia seguinte – foram propostas na presente pesquisa exatamente para dar subsídios e segurança à equipe responsável pelo atendimento antirrábico humano. Infelizmente, os resultados das visitas não foram considerados. Estes fatos demonstram a necessidade de uma maior integração de profissionais médicos, médicos veterinários, enfermeiros e auxiliares
do atendimento antirrábico humano e maior grau de confiabilidade da equipe nos trabalhos e assessoria do Departamento de Medicina Veterinária da Unesp de Jaboticabal. Ressalta-se que o papel da Universidade é gerar pesquisas cujos resultados possam ser difundidos e aplicados para o bem da sociedade.
A participação do médico veterinário é muito importante na observação e acompanhamento dos animais envolvidos nos agravos. Sabe-se das dificuldades do Serviço Público Municipal em manter um médico veterinário para exercer essa atividade como rotina, todos os dias. Mas, é essencial que as visitas aconteçam e a observação dos animais agressores seja feita, pelo menos sob a supervisão deste profissional. Para tanto, é necessária a capacitação de médicos veterinários para atuarem no acompanhamento dos animais envolvidos nos agravos, especialmente no que se refere à análise de comportamento animal, e a conscientização da importância da pré-exposição e da sorologia antirrábica.
A ação direta do médico veterinário nos trabalhos de educação em saúde também deve ser destacada. Guarda responsável de animais de estimação, controle populacional e principais zoonoses presentes no meio urbano são temas essenciais que devem ser levados para a conscientização das pessoas, além das orientações sobre comportamento animal, na expectativa de que as taxas de agressão diminuam e, consequentemente, os tratamentos antirrábicos pós-exposição.
Dessa forma, o estudo traz informações e conhecimentos que servem como base para futuros trabalhos, principalmente, aqueles que poderão envolver análises de riscos em casos de agravos, com avaliações mais aprofundadas de cada situação, procurando conhecer e observar todo o contexto envolvido no ambiente do animal agressor (ambiente em que vive, forma como é tratado, qual é a sua rotina entre outras informações relevantes). Acredita-se que, assim, será possível fornecer um modelo o qual, juntamente com as Normas Técnicas oficialmente propostas, servirá de subsídios para a conduta de tratamento antirrábico pós-exposição. Este modelo, com o aval de especialistas da Universidade, poderá ser adotado pela equipe de saúde em qualquer município.