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Canlı İzleme 11

O olhar quando se dirige para o futuro da trajetória é mirar para si mesmo enquanto coletivo ou individuo, é encarar a identidade que foi sendo reconstruída e espelhada na prática e em suas produções de conhecimento. O interessante do relato natural dos residentes de segundo ano (R2) é a saída da Residência, pois o grupo estava em um momento de conclusão, o que não diminuiu os processos reflexivos dos frutos colhidos e o que levarão adiante. Relato a seguir alguns dos temas que aparecem nas falas sobre o futuro.

Fotos, diários de campo, comparações com os outros profissionais:

O trabalhador, ele vai fazendo aquilo ali e vai fazendo, vai fazendo só que ele não pára pra ver o que é que ele fez daquele processo todinho, qual foi o percurso dele e quando você pára para ver esse percurso... eu tomei um choque! (R2)

Essa precarização que realmente existe, ela acontece, mas o quanto a gente conseguiu superar algumas coisas e o que a gente desenvolveu na residência. Quando eu paro pra pensar, de primeiro acho que eu não fiz quase nada porque passa tão rápido. Da territorialização pra hoje parece que foi assim muito rápido, parece que não fiz nada, mas quando você começa a relembrar fotos, vê algumas atas de alguns momentos, vê o diário de campo, você diz: ‘Poxa vida! Quanta coisa eu fiz!’ (R2)

Eu pensava: você não deu o máximo de si, devia ter aproveitado mais, devia ter feito mais aquilo, devia ter investido mais não sei aonde, mas eu acho que realmente a gente fez o que dava pra fazer, o que o momento proporcionou e o que o espaço tinha pra oferecer. (R2)

[Quanto à] questão da implicação, também nesse momento que nós estamos no R2 de desligamento e eu sempre tive dificuldade de fechar processos e também é um pouco doloroso, porque quando a gente se implica, quando a gente se vincula, a gente vai sair e já sabe disso e não tem pra onde correr e essa implicação acaba de

alguma maneira, esse envolvimento com os processos, e eu acho que a gente está tendo até um zelo, um cuidado que a gente já tá começando a trabalhar isso de uma forma processual. ‘Pronto, agora a partir de amanhã eu não estou mais aqui’ e que eu acho que também isso é um aprendizado que a residência proporciona, não fomentado pelo preceptor, porque nós não temos preceptor no momento, e seria a gente reconhecer o papel dele e já estar se autogerindo. (R2)

O reconhecimento do papel do preceptor de território no momento do desligamento; uma equipe que necessitou criar processos de se autogerir pedagogicamente:

A gente acaba autogerindo esse processo por achar necessário. E o reconhecimento que no segundo ano de residência existe o papel fundamental da preceptoria de território. Essa questão do desligamento, [...] acaba querendo ou não você já começa a se reportar: ‘ah, ano que vem eu não vou atender junto, ano que vem eu não vou ter as famílias pra acompanhar, porque talvez eu não vá trabalhar na atenção básica’. Então os conhecimentos da residência acabam e será que foi em vão? E isso por acreditar nesse programa, por entender que a gente vivenciou tão intensamente e acaba gerando às vezes crises pessoais porque você não vai conseguir exercitar aquilo que você aprendeu e que outras pessoas nem tiveram oportunidade de vivenciar. (R2)

O estudo de Pagani e Andrade (2012) sobre preceptoria de território observou-se a relevância deste profissional no território para acompanhamento de equipes e residentes, ou seja, é ser um educador e um cuidador trazendo uma abordagem problematizadora aos trabalhadores em locais onde a Residência esteja inserida. Portanto, parece ser um papel estratégico e significativo na ESF e na possível articulação entre Residência e os espaços de saúde na qual percorre.

No vislumbre da experiência de um espaço protegido, na temporalidade deste grupo estudo, vemos que as projeções futuras causam incertezas nos membros residentes por não perceber o espaço protegido fora do contexto da Residência:

Ou se for trabalhar na atenção básica não vai estar numa equipe multi tão integrada, tão próxima e que você consiga fazer seus sonhos, essas relações na tentativa de resolução dos casos. (R2)

Fora da Residência não haverá esse espaço. Como continuar numa comunidade de prática?

O pior é isso, não tem espaço pra discussão, pra reflexão e pra onde levar minhas demandas assim, porque é muito estranho, eu sempre tive nesse espaço, [...] um espaço como esse, um espaço de estar sempre refletindo, no primeiro ano de trabalho eu também tive um espaço que era de reflexão e também de militância e aí na residência também é e aí depois da residência tipo assim, eu não vejo como interromper isso, mas ao mesmo tempo existe a vida aí né e ninguém sabe. (R2) Verdade, embora a implicação da gente não seja forjada, mas ela é de uma certa forma permitida e fomentada. Eu estou pensando muito no retorno né, porque eu vou retornar pra um serviço que eu conheço muito bem as fragilidades e eu não sei se eu vou poder incomodar o suficiente para tentar modificá-lo e ter experiências

próximas às que eu tive na residência, até porque quando você está num serviço você é cobrado de uma outra forma, cobrado de uma forma muito burocrática às vezes, de uma forma realmente muito biologicista, mas eu percebo muitas mudanças assim em mim até pessoais. (R2)

Na fala de um preceptor:

E aí quando eles saem da residência e voltam pro seu local de trabalho aquilo que incomodava lá naquele local da residência vai incomodar também lá porque lá ele não é servidor e só é servidor no outro e aí ela começa a influenciar no trabalho do colega que está lá com ele também e esse é o processo de aprendizagem. (P)

As CPs são fluidas e podem se desfazer ou se fortalecer a qualquer momento. O seu intuito não é se mantem de qualquer forma, mas elas existem enquanto houver motivação e paixão que as movas (WENGER, 1998). Ao refletirmos sobre a fluidez temporal da trajetória dos praticantes desta comunidade e nos darmos conta de que uma ‘afetação’ aconteceu dentro de seus processos de aprendizagem, percebemos que a importância desta perspectiva analítica de aprendizagem é denunciar as marcas de identidades que foram provocadas durante os dois ou mais anos de experiência na Residência Multiprofissional em Saúde da Família de Fortaleza, mesmo que ela não se mantenha como estrutura institucional ou ganhe novas roupagens ao longo de sua constituição, mas gere profissionais de saúde implicados com o novo e o antigo dentro do sistema de saúde ao qual estejam vinculados.

Benzer Belgeler