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2.4. Avrupa Ortak Başvuru Metninde Dil Düzeyleri ve Sözcük Öğretimi

2.5.10. Cümle Kurma

As notícias produzidas por jornalistas são histórias. Elas podem ser entendidas como “artefatos lingüísticos que procuram representar determinados aspectos da realidade e que resultam de um processo de construção onde interagem, entre outros, diversos fatores de

natureza pessoal, social, ideológica, cultural e do meio físico/tecnológico” (RESENDE, 2003). Sua existência contribui para construir socialmente novas realidades, obrigatoriamente simplificadas. A notícia é também uma representação da autoridade, pois se pode dar voz a alguém ou retirá-la. Entre os componentes que determinam o que será ou não notícia, há a disponibilidade em atender o jornalista no tempo necessário, a possibilidade de dar em primeira mão a notícia (o “furo”), a quantidade de pessoas que a notícia vai afetar (amplificação) e a política editorial do veículo.

As histórias, na mídia, têm características específicas, de acordo com Motta (2005). Em primeiro lugar, são montadas a partir de notícias e reportagens ao longo do tempo que, se isolados, não contam a história completa. A história jornalística se desenvolve por acumulação. Em segundo lugar, o conflito é um elemento estruturador nas histórias jornalísticas. Os conflitos é que permitem novas ações, seqüências, episódios e mantêm a narrativa viva. Na história jornalística, há sempre um equilíbrio que se rompe, que gera tensão, e que pode ser restabelecido. Em terceiro lugar, as narrativas jornalísticas têm poucos personagens, que normalmente são o eixo das histórias. A personagem representa uma pessoa com existência real, mas a audiência só conhece a pessoa a partir da personagem. A essa personagem, são atribuídas qualificações, designações como traços físicos e tipos de ações, um papel na história e o julgamento (não explícito) do narrador. Em quarto lugar, nas histórias jornalísticas, o narrador está distante. Ele narra como se a verdade estivesse na história, independentemente da sua presença. O jornalista trata de dissimular as estratégias narrativas, mas sempre tem um objetivo de persuasão, e, portanto, retórico. Em quinto lugar, a narrativa jornalística é um jogo entre os efeitos do real e os efeitos do sentido (tais como a comoção, o riso, a ironia, a dor, a compaixão). Há a mistura de referências ao mundo físico com efeitos catárticos. A história jornalística envolve descrição fática e narração metafórica. As metáforas são importantes para prender a atenção da audiência e causar a impressão desejada. Em sexto lugar, as histórias jornalísticas, assim como os contos de fadas, têm um fundo moral, só que ele frequentemente é escamoteado.

Carroll (2005) define a moldura da mensagem. Essa moldura ajuda a definir o significado da mensagem ao focar a atenção para alguns elementos em particular e por excluir elementos que competem, distraem ou contradizem os elementos escolhidos. A moldura reflete o julgamento feito pelos criadores da mensagem, que contam histórias usando elementos retóricos, sintáticos e temáticos. As empresas constroem histórias formando um pacote com valores,

histórias e mitos prevalecentes, tais como “eficiência”, “capitalismo” ou “racionalidade”. Os relações públicas também se preocupam em estabelecer uma moldura para a mídia de acordo com o que é considerado valor de notícia (“proximidade”, “interesse humano”, “atual”).

O script seguido pela mídia segue determinados argumentos com o fim de legitimação comum: para reiterar práticas organizacionais e para não deixar que a própria mídia caia em contradição e perca credibilidade. Percebe-se, a partir dos estudos sobre o discurso na mídia e as técnicas de gerenciamento de impressão, uma confluência de argumentação utilizada pelas empresas para convencer o seu público externo e interno; e pela mídia, na forma como reporta as organizações para a audiência. O contrato entre o contador da história e a audiência não pode ser quebrado.

Chen e Meindl (1991) tratam da autolegitimação dos jornalistas. Ao estudar as imagens de liderança na imprensa, a partir de um estudo de caso, eles mostram como a mídia reconstrói as imagens sem perder o comprometimento com as imagens anteriores e sem correr o risco de arranhar a sua credibilidade. Os autores identificam duas principais características:

1) Atribuição – o desempenho das empresas pode ser atribuído aos líderes que comandam as organizações. Na realidade midiatizada, organizações e movimentos são reduzidos a personificações. Isso acontece por causa do culto à personalidade e da dificuldade em lidar com forças sociais, econômicas e políticas “anônimas” e conseguir vender um produto com consistência. Quando a empresa tem um bom desempenho, o líder incorpora nas reportagens as características que justifiquem os resultados satisfatórios. Quando a empresa passa a perder dinheiro, o líder sofre o ônus junto, mas a partir da construção de elementos que não destruam as características dos bons tempos.

2) Padronização e rotina das organizações de mídia – Como burocracias profissionais, das quais os jornalistas são membros, os meios de comunicação de massa trabalham, em suas várias etapas, de forma a fornecer consistência e previsibilidade ao conteúdo. Tanto mecanismos formais, dispostos pela hierarquia de responsabilidades em selecionar e produzir a notícia, como informais, ditados, por exemplo, pela homogeneidade de formação profissional e pelo compartilhamento de crenças e valores, atuam no sentido de fornecer essa uniformidade.

No estudo de Chen e Meindl (1991) a respeito da ascensão e queda de uma empresa de aviação, personificada pelo seu dono e principal administrador, a conclusão a que chegam é que, apesar de existirem fatos dissonantes “hard”, as construções vendidas aos consumidores foram “soft” – uma tentativa de solucionar as inconsistências e não colocar a credibilidade a perder.

Rindova, Pollock e Hayward (2006) destacam que, para fabricar produtos culturais, vendáveis, jornalistas devem contar histórias dramatizadas de mudanças que impressionem os seus colegas e a audiência e o façam atingir o topo da profissão. Também precisam atrair a atenção do público e provocar alguma empatia por meio de sentimentos e valores morais comuns. Para tornar a história compreensível, identificam indivíduos ou empresas a quem possam atribuir as causas da mudança. Os protagonistas, em repetidas reportagens, tornam-se celebridades.

Os autores identificam três características na construção que a mídia faz das celebridades:

• Retrato de um conflito dramatizado: mudanças na indústria, e, principalmente, mudanças que afetem o maior número de stakeholders, são usadas como pano de fundo para a história.

• Uso de uma empresa como protagonista: quando se deparam com mudanças, algumas empresas vão procurar novas posições no mercado e os jornalistas vão usar esses casos como protagonistas na narrativa, dando um peso a eles maior do que têm e minimizando fatores ambientais e situacionais de maior amplitude.

• Desenvolvimento de personalidade: uma vez selecionados os protagonistas, eles tomarão corpo por meio de atributos físicos, motivacionais, cognitivos e comportamentais, de forma a dar coerência à capacidade de mudança dessas empresas e de forma a gerar uma resposta emocional da audiência.

2.7.3 As empresas, o agendamento da mídia, a formação de impressão e as histórias