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BURSA’DA TERMAL TURİZM ALTYAPISI

Num estudo realizado por Miller (2009) com uma amostra de 509 inquiridos e citado por Aliel e Gohn (2012) num trabalho levado a cabo pelos autores sobre os jogos eletrónicos musicais, como o caso do Guitar Hero, onde o jogador simulava o ato de tocar guitarra ou bateria, e tendo em mente o sucesso comercial e a adesão por parte dos jogadores, na sua grande maioria jovens, ficou-se a saber que 74% desses jogadores já possuíam experiência em tocar pelo menos um instrumento real, sendo que 37% dessas pessoas já tocava guitarra. Assim, ficamos a saber que apesar de se tratar de um jogo para o qual não é necessário ter conhecimentos musicais, a percentagem daqueles que já possuíam um background musical era bastante elevada.

Metade desses inquiridos (cerca de 46%) indicou que dedicava cerca de uma ou duas horas a jogar diariamente, pelo que, tal como sublinham os autores do trabalho “podemos vislumbrar o uso de videogames em prol de aprendizagens técnico instrumentais, em um ambiente lúdico e motivacional.” (Aliel & Gohn, 2012, p. 3).

Os mesmos autores salientam a importância nos estudos técnicos instrumentais das repetições e dos padrões, como sendo fundamentais para a assimilação de conteúdos e para a aquisição de uma boa técnica instrumental. Acreditam que estas “repetições poderão ser auxiliadas por jogos eletrônicos musicais, caso instrumentos musicais reais sejam utilizados” (Aliel & Gohn, 2012, p. 3). Ainda de acordo com Aliel e Gohn, nos últimos anos, os jogos eletrónicos deixaram de possuir um caráter meramente lúdico e de simulação, cujo utensílio apenas possuía a aparência física similar do instrumento que emulava. No caso da “guitarra” utilizada, no jogo, esta não possuía cordas como o instrumento real, mas botões com cores que sugeriam as notas, como se se tratasse apenas de uma corda. No entanto, com o avanço da tecnologia, o jogo Rock Bands, transcendeu o mero aspeto de entretenimento e passou a criar condições através de um codificador MIDI, capaz de captar as notas produzidas por instrumentos reais o que fez com que esta inovação abrisse “caminho para possíveis processos de educação musical em que jogos eletrônicos são utilizados como ferramenta.” (Aliel & Gohn, 2012, p. 3).

Segundo os autores é importante compreender “que a mudança de instrumentos simulatórios para os instrumentos reais gerou um novo paradigma (...) [pois] a sua prática está acontecendo em instrumentos verdadeiros, criando oportunidades para aprender a tocar aquele instrumento.” (Aliel & Gohn, 2012, p. 3).

Assim, e a título de exemplo da aplicação dos jogos eletrónicos aplicados ao estudo de um instrumento, os autores citam o JoyTunes Recorder, criado em setembro de 2010, que se trata de um

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jogo online disponível gratuitamente que possibilita interações com flautas doces reais. Neste website oferece-se dois tipos de padrões para experimentação: um que possibilita a aprendizagem do instrumento e a realização de exercícios e outro padrão, mais complexo para professores, que possibilita trabalhar tons, técnicas de digitação, o desenvolvimento percetivo básico, a pulsação, as melodias, a compreensão musical, os repertórios e exercícios básicos. Este meio permite aos professores criar um ambiente de aprendizagem e aceder aos desempenhos obtidos pelos alunos, sob a forma de gráficos que avaliam o desenvolvimento musical.

Através deste programa o aluno é incentivado a compreender as notas que executa na flauta, segundo exercícios de controlo do ar e de jogos rítmicos que requerem uma flauta para jogar. Este

software funciona como uma espécie de jogo com níveis de dificuldade variados, apostando, desta

forma, no desenvolvimento progressivo. Os autores constataram “que a interação entre jogo, jogador e instrumento musical propicia repetições técnicas, como notas e escalas musicais, de forma lúdica e motivacional, fazendo com que o tempo depreendido para o entretenimento resulte em contato efetivo como um instrumento musical.” (Aliel & Gohn, 2012, p. 5) e, como veremos mais à frente, a diversão e o prazer são fatores muito importantes para o estímulo e a continuidade da motivação no estudo de um instrumento musical.

Os autores, embora tenham concluído, que este tipo de ferramenta tem usos válidos em processos de educação musical, admitem que é algo que deve ser analisado com mais profundidade pela comunidade científica.

Ghon (2006, cit in. Aliel & Gohn, 2012, p. 5) preconiza para este tipo de ferramenta e conceito via modalidade EaD, três processamentos na aprendizagem da prática performativa de um instrumento: o nível teórico, o nível sensorial e o experimental. Desta feita:

a) No plano teórico, podemos trabalhar a área da história da música, onde o jogador encontra dados textuais sobre o instrumento, ou seja, é uma área de acesso e leitura a conteúdos.

b) No plano sensorial, os elementos sonoros aparecem associados aos escritos, permitindo o estabelecimento de conceitos musicais. Neste caso, são apresentados também pequenos excertos de peças musicais eruditas e populares, em forma de áudio, acompanhados pela partitura musical.

c) No plano experimental: há uma unificação de conteúdos escritos, sonoros e imagéticos para compreensão de processos de ensino e aprendizagem da prática instrumental musical. O jogador é estimulado a interagir com o instrumento musical real como controlador, possibilitando o desenvolvimento técnico por meio de etapas passo-a-passo durante as partidas. Com o aumento do nível de dificuldade no jogo, a técnica instrumental torna-se mais exigente, requerendo uma combinação de parâmetros de leitura, de perceção musical e de reconhecimento de imagens o que

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exige uma maior concentração para a superação dos desafios. Isto é, a nosso ver, extremamente importante, porque permite adequar tarefas conforme as capacidades e o nível do aluno, mas também possibilita o aumento da exigência e do grau de desafio, contribuindo para a sua motivação e controlo da ansiedade.

Ainda que, haja uma ausência de dados mais significativos Aliel e Ghon consideram,

que o avanço tecnológico encontrado no videogame JoyTunes abre novos caminhos que devem ser analisados mais profundamente. A quebra de paradigma causada pela utilização de instrumentos reais possibilitou novas formas de interação entre jogadores e a informação musical, oferecendo uma ferramenta que possivelmente poderá ser empregada em processos na modalidade EaD. (Aliel & Gohn, 2012, p. 6).

No entanto, os autores não deixam de alertar que, a falta de orientação de um professor que reconheça e compreenda as vantagens e as desvantagens deste tipo de recurso, pode dar origem a problemas como uma má postura ou uma técnica pobre, o que terá consequências negativas a longo prazo, se não existir o devido acompanhamento.

Tal como temos vindo a salientar e pegando nas palavras de Jonassen (2007, cit in Mota & Coutinho, 2009, p. 123) as “TIC em particular o computador e a Internet podem ser utilizadas na educação como máquina de ensinar ou como ferramentas cognitivas.”, já para não falar das vantagens que permitem o ensino à distância, o que também seria altamente benéfico no estudo de um instrumento, em que o professor poderia acompanhar o estudo e a evolução do aluno, ainda que, de forma não presencial.

De acordo com o que temos vindo a expor, Papert (1986 cit. in Mota e Coutinho, 2009, p. 123) denominou de construcionismo, a construção do conhecimento através do computador. Apesar do termo, a noção difere do construcionismo de Piaget, referindo-se a duas ideias-chave para a aprendizagem. Primeiro, o aluno deve construir alguma coisa, ou seja, aprende através do fazer. Segundo, o aluno ao construir alguma coisa que vai ao encontro dos seus interesses, torna-se bastante motivado, pois torna a aprendizagem significativa.

O construcionismo, de acordo com Papert, implica uma interação entre aluno e objeto, que seja mediada pela linguagem da programação. Neste caso, a interação do aluno com as TIC, aplicadas ao estudo do instrumento, implica uma manipulação de conceitos e consequentemente contribui para o seu próprio desenvolvimento mental.

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Tal como salientam Mota e Coutinho (2009, p. 124), esta “geração da internet trouxe inúmeras tecnologias e ferramentas com imenso potencial para a sociedade em geral e para a educação em particular.”

Segundo Rudolph (2005) e Peters & Eddins (2000) cit. in Marins (n.d, p. 3), que tentaram categorizar programas computacionais desenvolvidos especificamente para a aprendizagem musical (os denominados softwares de instrução musical) estes dividem-se em: programas de treino e prática, jogos, tutoriais, simulação e instrução musical, o que vai de encontro ao já demonstrado anteriormente com programas como o JoyTunes Recorder. No entanto, nenhum dos autores demonstra a efetividade destes recursos, nomeadamente na aprendizagem à distância.

Ainda de acordo com Marins (n.d, p. 3), continua a haver uma carência relativamente a estudos sobre a utilização e a efetividade de softwares de música que não são desenvolvidos especificamente para a educação, mas que são amplamente utilizados por professores e alunos, embora não especificamente na aprendizagem de um instrumento de música. Há que salientar ainda que muitas dessas ferramentas são potenciadoras do desenvolvimento da criatividade e poderão ser aplicadas ao processo de ensino/aprendizagem. Fritsch et al. (2003, cit. in Marins, n.d, p. 3) classificaram esses softwares dependendo das suas aplicabilidades da seguinte forma:

Tipo de programa

Acompanhamento Band-in-a-Box

Edição de Partitura Finale

Sibelius Musescore

Sequenciamento MIDI Reason

Music Studio Producer

Gravação de Áudio Pro Tools

Logic

Aplicativos de Síntese e Processamento de Sons

Max/MSP Pure Data (PD)

Relativamente aos aplicativos de síntese e processamentos de som, Masutti e Néspoli (2010 cit. in Marins, n.d, p. 3), propõem uma série de tarefas educativas que se relacionam com aspetos como aspetos físicos do som, onde relevam o timbre, as texturas e as regiões de frequências. Programas, deste tipo, como o Pure Data permitem a escuta e a visualização gráfica da resultante sonora. Os mesmos autores enfatizam que “atividades relacionadas com a livre improvisação e com a

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composição musical cooperativa podem ser realizadas através do PD (...) afirmando que composição, apreciação e execução são pontos centrais no desenvolvimento musical do aluno.” (Masutti e Néspoli, 2010 cit. in Marins, n.d, pp. 3-4), embora não apresentem resultados pedagógicos ou a aplicabilidade das suas sugestões.

Relativamente às inovações, tal como evidenciam Mota e Coutinho (2009, p. 125), “Quase todos os dias são criados e difundidos novos instrumentos musicais eletrónicos, programas especializados e novos léxicos vão sendo incorporados no ‘mundo’ da música.”

Apesar desta escassez de informação e dados científicos, segundo, Marins na revisão bibliográfica que leva a cabo no seu estudo sobre a utilização dos recursos tecnológicos digitais nos processos de ensino de instrumento musical à distância no ensino superior, afirma a existência de “vários estudos sobre os usos das chamadas TICs em processos de ensino e aprendizagem” (Marins, n.d., p. 3).

Durante esta revisão bibliográfica cita Fahy (2004) que sublinha que o áudio ativa mais do que um canal sensorial e consequentemente contempla diferentes perfis de aprendizes. Destaca ainda as “vantagens do uso de várias mídias atestando que estes ajudam no desenvolvimento de habilidades, propiciam múltiplas modalidades de aprendizagem, aumentam a interatividade, facultam a individualidade, permitem uma melhor compreensão e ajudam na aprendizagem.” (Fahy, 2004 cit. in Marins, n.d., p. 3).

Já Peters (2001, cit. in Marins, n.d., p. 3) afirma que “a distância que é intrínseca do ensino à distância, pode-se tornar proximidade, visto que as aplicações (...) propiciam um diálogo simultâneo e dinâmico”, que vai de encontro ao discurso apresentado por Garrison (1989, p. 64 cit. in Marins, n.d., p. 3) que atesta que “a essência de todo o processo de ensino e aprendizagem é a comunicação entre docentes e discentes” sendo que com as TIC se “recupera para o ensino a distância esta essência que se havia perdido.”

É indiscutível as vantagens dos benefícios do ensino à distância na prática instrumental e o acompanhamento que o professor poderia dar, ainda que não de forma presencial, tal como, dito anteriormente. Nesta linha, gostaríamos anda de frisar e na esteira de Swanwick, que em “Educação Musical, deve-se promover diferentes tipos, possibilitando que os alunos, assumam diversos papéis numa variedade de ambientes musicais.” (Swanwick, 1979, cit. in Miletto et al., 2005, cit. in. Mota & Coutinho, 2009, p. 125).

Gohn (2003 cit. in Marins, n.d., p. 4) reporta-se à autoaprendizagem musical mediada pela utilização de recursos tecnológicos digitais e analisa diversos vídeo-aulas e sites da internet voltados para a educação musical. Segundo o que este autor pôde apurar “as aplicações de

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autoaprendizagem devem ser diferenciadas das que possuem a mediação de um professor e que a tecnologia pode ser um elemento essencial no processo de autoaprendizagem.”

Braga (2009 cit. in Marins, n.d., p. 4), por sua vez, “afirma que um recurso extremamente importante no ensino musical à distância são os softwares”. O autor exemplifica com o MusicPath que é uma aplicação de videoconferência usada no ensino do piano, que integra pianos eletrónicos num sistema de videoconferência que permite uma interatividade entre os alunos e os professores. O mesmo autor afirma que a videoconferência é o melhor meio para se oferecer, por exemplo, uma

masterclass, por ser também aquela que permite uma maior interatividade e dinamismo no ensino

da música à distância.

As vantagens do vídeo são óbvias, nomeadamente pelo facto de o professor de instrumento poder mostrar aos seus alunos procedimentos técnicos para a execução dos instrumentos, que considerem ser do interesse do aluno executarem. Tal permite que o professor vá adequando os procedimentos conforme a evolução do aluno, mas também adaptar as técnicas onde os alunos possam demonstrar eventuais falhas ou dificuldades, permitindo-lhes ainda que treinem de forma individual, embora “orientada” pelo professor, através das instruções e demonstrações gravadas e ajustadas a cada aluno.

O vídeo permite ainda que o professor demonstre ao aluno a sua performance e a sua técnica de estudo, que poderá estar sujeito a melhorias, preparando melhor o aluno. Esta técnica permite trabalhar o medo e a ansiedade trazidas pela exposição pública, muitas vezes inibidoras de uma boa performance, mas também que seja possível fornecer um feedback mais detalhado e imediato.

Mota & Coutinho referem o caso do Podcast, que através do download dos ficheiros áudio para o computador ou dispositivos portáteis possibilita ter acesso a esses ficheiros em qualquer lugar e momento “indo de encontro ao que muitos autores referem ser características da aprendizagem no futuro, ou seja anywhere and anytime.” (Bottentuit Junior e Coutinho, 2008, cit. in Mota & Coutinho, 2009, p. 126).

O caso do Podcast deve ser entendido, neste caso, como mais uma ferramenta que pode ser usada em contexto pedagógico, já que possui atributos específicos que podem ser utilizadas, segundo os autores, com outras estratégias e métodos de ensino/aprendizagem.

Para além de tudo o que foi sendo enumerado ao longo deste capítulo, as TIC permitem ainda ao professor a possibilidade de disponibilizar aos alunos, por exemplo, arquivos gráficos com partituras, arquivos de áudio, arquivos de áudio para atividades de play-along, arquivos de vídeo e links de interesse.

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Perante o exposto, podemos nomear sinteticamente as vantagens, que acreditamos que a aplicação das TIC podem trazer ao processo de ensino/aprendizagem de um instrumento:

- Produz um interesse maior pela aprendizagem pois possibilita uma estratégia de ensino e aprendizagem diferente para os alunos;

- É um recurso que se adapta aos diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos; - Possibilita a aprendizagem dentro e fora da sala de aula;

- Permite experiências de aprendizagem mais significativas; - Possibilita a aprendizagem à distância;

- Possibilita o trabalho colaborativo com maior facilidade.

Tendo em conta as especificidades da nossa contemporaneidade e os desafios que tal trouxe à escola dos nossos dias, Mota & Coutinho assumem a necessidade de dotar os nossos alunos, incluindo os que estudam um instrumento, com competências digitais e sobretudo com a digital

wisdom de que nos fala Marc Prensky (2009), como um requisito essencial para o sucesso na

sociedade da aprendizagem.

Os mesmos autores referem, tal como já defendido anteriormente, que os professores são “uma força de mudança nas escolas” e como tal, “devem acompanhar estas alterações pois, (...) são muitos os estudos que demonstram a utilidade e as vantagens que as tecnologias oferecem para o processo de ensino/aprendizagem.” (Cox et al., 2003 cit. in Mota & Coutinho, 2009, p. 137).

Assim, e em forma de conclusão, pegamos nas palavras de Tafoi et al., (1991, cit. in Mota & Coutinho, 2009, p. 137), de que as potencialidades das TIC podem contribuir para uma melhoria dos processos de ensino-aprendizagem da música”, se efetivamente, as práticas educativas em que se inserem modificarem o papel do professor na passagem do modelo transmissivo tradicional, para o de mediador, facilitador e criador de ambientes de aprendizagem ricos e diversificados, adaptando metodologias e estratégias que se adequem aos desafios dos nossos tempos e nos quais os alunos vivem, exigindo para tal, uma mudança para um paradigma construtivista no processo de ensino e aprendizagem, no qual o aluno passa a ser figura central.

As TIC, neste paradigma devem ser vistas sob a lógica de uma ferramenta cognitiva, que permita nas aulas de instrumento e fora delas, implementar mais ambientes de aprendizagem construtivistas, que tenha em consideração durante a sua implementação as dimensões individual, social e colaborativa.

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2.4.4 Advertências quanto às TIC sob o ponto de vista pedagógico

Embora as TIC pareçam vir responder às necessidades presentes e aos desafios que atualmente o ensino atravessa, não podemos deixar de referir que a distância de que fala Garrison, pode todavia significar também um distanciamento ainda maior, sem aviso prévio, entre professor e aluno se se desumanizar a relação pedagógica entre os dois, nomeadamente tendo em conta as características intrínsecas da música. Não se pode negar, que a música “é um sistema de ligação entre os homens e que é imenso o seu poder agregador.” (Boucourechliev, 1993, p.9) e, que não deve ser posto em causa como consequência de um recurso pedagógico.

Maia & Mattar, por exemplo, advertem que “o uso excessivo de recursos tecnológicos pode propiciar um grande fiasco educacional” (Maia & Mattar, 2007, cit. in Marins, n.d., p. 3), pois pode colocar em causa os objetivos pedagógicos, nomeadamente se essa utilização não tiver o devido acompanhamento pedagógico, relembrando que a investigação científica presente ainda é muito reduzida.

Miletto et al. (2004, cit. in Mota & Coutinho, 2009, p. 125) defendem que a utilização de computadores na educação, e em particular na Educação Musical, deve obedecer a duas premissas importantes: os programas devem ser vistos com um meio de auxiliar o professor na prática do ensino e não como um substituto do professor; e é o professor quem decide as formas mais adequadas de utilizar esses programas para enriquecer o ambiente de aprendizagem.

Há que salientar ainda, que continua a existir alguma carência quanto a estudos científicos relacionados com a utilização das TIC embora, se reconheçam as vantagens da sua aplicação, nomeadamente no ensino do instrumento à distância. Muitas vezes, tal como salientaram alguns autores, as TIC são empregadas de forma aleatória pelos docentes, sem o devido acompanhamento científico, o que pode também resultar numa quebra dos objetivos pedagógicos.

Para terminar esta pequena advertência, mas que deve ser, ainda assim, evidenciada, é que há professores que ainda não dominam as TIC, podendo como tal, não as saberem enquadrar devidamente como um fenómeno técnico-pedagógico eficaz, não constituindo, por isso, qualquer mais valia para o processo de ensino-aprendizagem, e tal como acentua Rodrigues (n.d., p. 1679), “a utilização das TIC deve ser sempre justificável à luz dos benefícios e vantagens para o processo de ensino-aprendizagem.”.

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Capítulo 3 - Autonomia e motivação no estudo do instrumento através

Benzer Belgeler