3. MATERYAL VE YÖNTEM
3.1. Bursa’nın Kentsel Dönüşüm Süreci
A China tem passado por um processo de indefinição ideológica resultante de
enormes mudanças ocorridas no país. Internamente, atravessa uma experiência de reajuste
sócio-econômico e, externamente, também passa por uma mudança política e estrutural
com a globalização.
Nesse contexto, o nacionalismo emerge na China na década de 1980, sendo
orientado, nos anos 90, para a mobilização da população chinesa como estratégia
desenvolvimentista do Partido. Esse nacionalismo é embasado em questões como a política,
a identidade étnica e uma concepção culturalista da sua posição no cenário internacional.
Uma das estratégias utilizadas pelos líderes chineses é a de fazer uma ligação entre
o Partido e o passado não-comunista como resposta ao declínio da ideologia socialista. O
PCC tenta justificar o regime a partir da tradição e da cultura chinesa.
[...] O povo chinês, independentemente do sistema de pensamento e doutrina imposto pelo Partido Comunista, continua a prestar tributo a momentos e figuras da história que ao longo dos tempos marcaram o seu sentimento de patriotismo. Simbolicamente, o PCC tem tentado ‘apropriar-se’ desse sentimento, procurando surgir junto da população como continuador do orgulho patriótico chinês, sobretudo numa altura em que a China reclama um lugar director no sistema internacional. (ROMANA, 2005, p.255)
Desta forma, tal nacionalismo tenta valorizar a capacidade da China de ser
protagonista no cenário internacional por meio de ganhos de sua política externa frente a
outros Estados, ao mesmo tempo em que tenta mobilizar o apoio da população chinesa.
O pragmatismo do nacionalismo de Estado chinês é, pois, sobretudo, uma adaptação, estendida como uma estratégia de gestão de ambiente político em mudança, visando ganhar conhecimentos e capacidades susceptíveis de garantir a preservação de uma posição de poder interno e externo. (ROMANA, 2005, p.256)
Assim, segundo o autor, o nacionalismo chinês pode ser visto como resposta a uma
crise de legitimidade do regime socialista e, conseqüentemente, do Partido no período pós-
Mao.
Barras Romana (2005) também adverte sobre o perigo desse nacionalismo popular
não ser controlado pela elite do poder, gerando movimentos sociais e instabilidade política.
Nesse sentido, o nacionalismo é associado à noção de interesse nacional, que é
também aplicado à política externa chinesa. Portanto, a emergência de um novo grupo
social sensível a esse discurso nacionalista, modernizador e desenvolvimentista é a base
para que ocorram possíveis reformas políticas na China.
Se há uma coisa na China que une a população e a direção do Partido trata-se do nacionalismo, que se alimenta do sentimento de o país ter sido humilhado no passado e no presente por nações estrangeiras. O Partido Comunista tenta equilibra-se sobre o fio da navalha, buscando, por um lado, atrair a população para si através de uma retórica nacionalista e, por outro, mostrar-se como parceiro previsível nas relações internacionais. (ZHAO, 2006, p.33)
Zhao comenta sobre o caso do avião de espionagem norte-americano que, em 2001,
chocou-se com um caça a jato chinês e aterrissou na ilha de Hainan. Segundo ele, o
demonstrando a apreensão que o crescente nacionalismo chinês desperta na opinião pública
internacional, especialmente nos EUA.
Conforme esse autor, muitos analisam a possibilidade do surgimento de um
nacionalismo maléfico, ocasionado tanto por “humilhações” e por explorações estrangeiras
no passado quanto pela tendência atual de procura por prestígio, por poder e por
reconhecimento nacional.
Foram exemplos de manifestações nacionalistas não só as pedras jogadas contra a
embaixada chinesa em Belgrado por parte dos EUA, mas também os milhões de assinaturas
coletadas, no início de 2005, pela internet, protestando contra a candidatura do Japão a um
assento no Conselho de Segurança da ONU, além do protesto contra a autorização de
manuais de história japoneses contra a redução da importância das atrocidades cometidas
pelos japoneses durante a guerra.
O nacionalismo chinês, entretanto, é um fenômeno muito mais complexo do que aparentam as palavras de ordem e protesto carregadas de emoção. Como instrumento do Estado comunista destinado a garantir o apoio da população em uma era de rápida e turbulenta transformação de uma sociedade comunista para uma sociedade pós-comunista, ainda assim o crescente nacionalismo não fez o governo chinês renunciar a uma atuação sensata no âmbito de sua política externa. Uma vez que os dirigentes chineses declararam a paz e o desenvolvimento como seus objetivos principais, e dado que eles considerem o bem-estar econômico tanto um caminho para a manutenção do poder do Partido Comunista como igualmente um fundamento para os crescentes anseios nacionais da China, eles não podem permitir que surtos de emoção nacionalista ponham em perigo o objetivo maior da modernização econômica, sobre a qual se assenta, em última instância, sua legitimidade. Assim, eles tentam evitar confrontos com os Estados Unidos e outras potências ocidentais que detêm em suas mãos a chave para a modernização da China, ou seja, certamente não é de seu interesse permitir que a política externa da China lhes seja imposta pela retórica nacionalista das ruas. (ZHAO, 2006, p.34).