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O processo de fortalecimento técnico-científico empreendido na Colômbia é realizado a partir das perspectivas da ciência, tecnologia e inovação; seu reconhecimento é a base para o aumento da produtividade e competitividade do país. É sabido que, o Estado Colombiano empreendeu esforços para a constituição de uma política nacional neste campo, desenvolvida sob diferentes modelos econômicos vivenciados desde a década dos anos sessenta (118).

Na presente seção será apresentado o processo de desenvolvimento que teve o sistema, suas competências e a utilização do financiamento para a ciência e tecnologia por meio do Sistema General de Regalías.

2.3.4.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO.

De forma geral, o processo de desenvolvimento institucional da ciência e tecnologia dividiu-se em três etapas bem determinadas que a seguir serão analisadas.

A primeira compreendeu o período de 1968 – 1989, no qual, constatou-se a criação de Colciencias antigamente reconhecido como Instituto colombiano para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia Francisco José de Caldas. Acrescente-se que durante este período foram constituídos novos centros de pesquisa e criação dos primeiros programas de doutorado nas universidades colombianas (118).

A segunda etapa foi compreendida no período dos anos 1990 até 1999. Em 1990, destacou-se a promulgação, da Lei 29 que dispõe sobre a Política Nacional de Ciência e Tecnologia. É pertinente destacar que no seu Artigo 1 foi balizada a obrigação do Estado Colombiano “de incorporar a ciência e a tecnologia nos planos e programas de desenvolvimento econômico e social do país (...) “(119) (p.1). Por outro lado foi promulgado o Decreto 585 de 1991, que criou o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia constituindo os Programas Nacionais, especificamente, o Programa Nacional de Ciência e Tecnologia em Saúde, cujo intuito é orientar a pesquisa em saúde, de acordo com as prioridades e necessidades nacionais (120).

Estas duas normas foram o fundamento para o Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. De acordo com o Decreto 585 de 1991, no seu Artigo 4, o sistema é definido como

sistema aberto, não excludente, o qual forma parte de todos os programas, estratégias e atividades de ciência e tecnologia, independentemente da instituição pública ou privada ou da pessoa que os desenvolva (120) (p.1).

Por fim, na terceira etapa, que começou após o ano 2000 e chega até a atualidade, o sistema concorre a consolidação de suas instituições. Com efeito, os recursos financeiros para a pesquisa em saúde aumentaram em forma significativa, após as disposições da Lei 643 de 2001, que criou no seu Artigo 42, o Fondo de Investigación en Salud; esta lei foi regulamentada pelo Decreto

2878 do Ministério da Saúde, em 2001. Por meio desta instância, é transferido a Colciencias, 7% das vendas de jogos de azar nos departamentos, municípios e no Distrito Capital (121).

Por conseguinte, favoreceu-se a constituição de novos grupos de pesquisa. Além disto, entre os anos 2001 e 2006, foram duplicados os investimentos financeiros aos projetos de pesquisa aprovados pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia da Saúde.

Outro fato relevante, neste terceiro período do sistema nacional de ciência e tecnologia, foi a modificação da Lei 29 de 1990 pela Lei 1286 de 2009, que visa o fortalecimento do sistema (122). A partir deste momento, foram realizadas algumas transformações, particularmente, a palavra “inovação” foi incorporada, portanto, o sistema mudou seu nome para Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTeI). Ainda nesta normativa, Colciencias, antigamente reconhecido como “instituto” transformou-se no departamento administrativo de ciência, tecnologia e inovação coordenador do SNCTeI, que foi definido como

Órgão da administração pública encarregado de formular, orientar, dirigir, coordenar, executar e implementar a política do Estado em matéria de ciência e tecnologia, em concordância com os planos e programas de desenvolvimento” (122) (p.3-4) (tradução livre).

Com essa nova hierarquia, suas ações têm maior repercussão na capacidade de influência no Estado. A partir desta nova faceta, Colciencias tem lugar no Conselho Nacional de Política Econômica e Social (CONPES). Cabe ressaltar que o CONPES é a autoridade máxima na coordenação da política econômica colombiana, intervindo como um órgão assessor do Governo em relação aos aspectos de desenvolvimento econômico e social; as sugestões expressadas no Documento CONPES são refletidas nos planos de inversão pública e nos programas de desenvolvimento. Nessa linha, em 2009 este Conselho junto com a participação dos ministérios, Colciencias e do Departamento Nacional de Planeación, elaboraram o Documento CONPES 3582, que contêm a Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

2.3.4.2 AS REGALÍAS E A CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO.

É necessário destacar que o Artigo 361 da Constituição Política, modificado em 2011, determinou que dos ingressos do Sistema General de Regalías, 10% serão destinados ao Fondo de Ciencia, Tecnologia e Innovación del Sistema General de Regalías2. Deste modo, prioriza-se o financiamento de projetos em ciência e tecnologia de caráter regional (123).

Entende-se por Sistema General de Regalias, o conjunto de ingressos derivados da exploração dos recursos naturais não renováveis. Ressalta-se que o sistema conta com orçamento próprio, portanto não depende de Colciencias; em outras palavras, as decisões em torno do Fondo de Ciencia, Tecnologia e Innovación del Sistema General de Regalías, são concordadas entre os governos regionais, universidades e o governo nacional, através do Órgano colegiado de administración y decisión (OCAD). Além, participam neste sistema, órgãos como o Ministerio de Minas y Energia, o Ministerio de Hacienda y Crédito Público, o Departamento de Planeación Nacional, Colciencias, entre outros.

Em nota publicada em julho de 2014 no jornal El Tiempo, Wasserman - ex-reitor da Universidade Nacional de Colombia-, criticou a má administração do Fondo de Ciencia, Tecnologia e Innovación del Sistema General de Regalías sobre os projetos, caracterizado pela ausência de concursos e convocatórias públicas para a seleção dos projetos a serem financiados (124).

Ainda, explanou que os projetos são concebidos sob responsabilidade administrativa de cada estado do país e aprovados de acordo com as solicitações do governador, em consequência, a administração e aprovação dos projetos ficam em instâncias que não tem experiência em ciência e tecnologia. O papel de Colciencias no processo de aprovação limita-se ao aval técnico do projeto (124).

Esta situação se desdobra em alguns problemas. O primeiro relaciona-se com a aprovação da maior parte dos projetos e pouco tempo depois, solicita-se sua suspensão devido a sua irrelevância. Segundo, a ausência de fio condutor dos projetos, materializa-se na execução de pesquisas sobre a mesma temática

no mesmo departamento. O terceiro aspecto a ressaltar é que toda proposta apresentada é considerada “de ciência e tecnologia”, por exemplo, incorporam- se projetos sobre apoio por meio de bolsas para professores das escolas ou análise do impacto de rodovias (124).

Infere-se que, não existe controle social, seja por parte de cidadãos, seja por parte de Colciencias, ou por parte dos comitês de ética em pesquisa, sobre a execução das pesquisas financiadas no marco do sistema general de regalias. Acrescente-se que também não existe processo de revisão ética das pesquisas financiadas pelo Sistema General de Regalías. Verifica-se a ausência de um fundamento para definir prioridades de pesquisa nos estados, os quais deveriam concordar com as necessidades dos cidadãos, fato que repercute na baixa capacidade de pesquisa do país. Ainda, a concepção e desenvolvimento das pesquisas não incorpora a apropriação social do conhecimento - elemento essencial do processo investigativo-, considerado pela lei 1286/2009 como o alicerce da pesquisa científica e do avanço tecnológico. Esta problemática convida a repensar sobre a promoção das atividades científicas em nível regional.

Diante deste cenário convém lembrar o conceito de controle social. De acordo com Fortes, existe o controle social do Estado e da sociedade sobre o indivíduo, no qual, são utilizados instrumentos para regular o seu comportamento a fim de manter a ordem social (125).

Por outro lado, existe o controle da sociedade civil sobre o Estado, também denominado “controle social institucionalizado” (125) (p.539), que alude à participação dos cidadãos na gestão dos serviços públicos, procurando adequar a ação estatal às necessidades do coletivo; este é o conceito considerado neste trabalho.

Neste âmbito, os cidadãos podem monitorar e participar na tomada de decisões sobre o funcionamento do Estado e exercer vigilância sobre suas ações. O autor refletiu sobre a situação deste tipo de controle social na América- Latina, assentando que devido à orientação de pensamento liberal hegemónico neste continente, somente exige-se a garantia das liberdades individuais, deixando de lado o requerimento da implementação dos direitos sociais. Deste modo, o controle social institucionalizado tem uma atividade restrita nos sistemas

sociais que não são orientados pelas necessidades dos indivíduos, situação que possivelmente esteja afetando o controle social exercido na Colômbia (125).

Em síntese, o nulo controle social sobre os projetos financiados no marco do sistema general de regalias, é a terceira repercussão da ausência da regulamentação da lei 1374/2010 que cria o CNB.

2.3.5 SOBRE COLCIENCIAS E A APROPRIAÇÃO SOCIAL DO

Benzer Belgeler