• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM II. ÖRGÜTSEL BAĞLILIK

B. Bulgular ve Yorumlar

Transcrevo abaixo uma pergunta, seguida da resposta do professor, dando continuidade à entrevista.

[15] Gasperim: Qual seria a melhor forma para ensinar nessa turma? [16] Rodrigo: Tem que ser diferenciada. Sem dúvida.

O professor reconhece que os alunos do PAV, enquanto alunos de uma turma de aceleração, precisam de estratégias diferentes e uma abordagem que leve em conta as especificidades dos alunos.

Os procedimentos metodológicos recomendados pela SEE-MG para o PAV ressaltam a condensação de conteúdos básicos de cada disciplina, a interdisciplinaridade, adoção de temas transversais e acima de tudo a flexibilidade no ensino e avaliação da aprendizagem. Considerando que não há material didático para o ensino de língua inglesa no PAV, o Guia de Orientação Curricular do Programa oportunizou a elaboração de um caderno de orientações para professores de língua inglesa, intitulado Conversando com o Professor (RODRIGUES- JÚNIOR, 2009). Esse caderno tem como objetivo orientar os docentes de língua inglesa com relação à redução e adaptação de conteúdos da língua no ensino/aprendizagem em sala de aula.

No que tange à metodologia a ser utilizada pelos professores nas salas de aula do Projeto, a SEE-MG (2009, p. 8) afirma que ela “fundamenta-se nas teorias que privilegiam o aluno como sujeito de sua aprendizagem, numa relação dialógica e dinâmica”.

Nesta perspectiva, o professor é mediador entre o aluno e o conhecimento, competindo-lhe ensinar o aluno a pensar e aprender por si mesmo, estimulando-o a questionar, duvidar e perguntar sempre, incentivando-o a se expressar oralmente e

por escrito. O “erro”, as “ideias equivocadas” devem ser interpretados como

construtivos para serem transformados em conhecimento através de aproximações sucessivas. (SEE-MG, 2009, p. 9)

Considerando que o Guia de Orientação Curricular do PAV sugere uma avaliação diferenciada para os alunos considerando seu desenvolvimento gradual de competências e habilidades, o professor tem em suas mãos um grande desafio, conforme nos lembra Neves (2004, p. 4)

Dizendo de outro modo, presos na representação tradicional de avaliação com o apelo modernizador técnico, esquecemo-nos de ensinar e passamos, muitas vezes, a investir a nossa energia e criatividade na elaboração de provas.

Tentando entender melhor o que Rodrigo quer dizer com a expressão “tem que ser diferenciada”, ao se referir sobre a forma de ensinar inglês para o PAV, durante a entrevista, pergunto a ele:

[17]Gasperim: Seria uma abordagem comunicativa?

[18]Rodrigo: É mais comunicativa mesmo né, e ouvindo o aluno sabe? Eles gostam muito de expor a sua

No momento em que o professor menciona que a aula deve ser “comunicativa” e que nela se deve “ouvir os alunos”, o professor parece associar a abordagem comunicativa com a estratégia de ensino/aprendizagem pautada no “ato de ouvir” o aluno que precisa “expor a sua vida”. Reflito, nesse momento, sobre até que ponto o professor entende os pressupostos da abordagem comunicativa e se ele acha que é importante aprender a língua-alvo utilizando a própria língua, integrando a comunicação oral e escrita e usando materiais autênticos (CANALES; SWAN, 1980; NUNAN, 1990) para cumprir tarefas concretas do mundo real.

Acrescento a essa discussão, o contraste entre o excerto 18 e o excerto 13. Embora Rodrigo acredite que esteja seguindo a abordagem comunicativa, os alunos, conforme mostrado anteriormente no excerto 13, “param para pensar” sobre o vocabulário da língua, mas não a produzem de forma contextualizada e visando a realização de tarefas comunicativas. Logo, não há

o sentido, o significado e a interação entre sujeitos na língua-alvo, tendo como principal objetivo o desenvolvimento da competência comunicativa, em que as quatro dimensões comunicativas devem ser trabalhadas pelo professor na sala de aula de línguas, e, consequentemente, serem utilizadas pelo aprendiz. (ANGELINO, 2008, p. 36)

Almeida Filho (2008), ao falar sobre o papel do professor na abordagem comunicativa, destaca que o professor precisa, dentre outras responsabilidades, dar atenção às variáveis afetivas, tais como ansiedade, inibições e empatia com os povos e a cultura da língua-alvo. “Dar atenção”, nesse sentido, pode estar relacionado a ouvir os alunos e permitir-lhes “expor sua situação, expor a sua vida”.

Ao falar novamente sobre a questão da “troca”, o professor enfatiza o papel colaborativo que a aprendizagem de inglês passa a ter na abordagem comunicativa que ressalta o aluno como centro desse processo de aprendizagem, ao passo que suas experiências e sentimentos são legitimados na sala de aula. (CANALES & SWAIN, 1980; HYMES, 1972).

Durante a observação das aulas do professor, eu pude perceber que o professor se vale do diálogo com os alunos a partir de suas experiências e sentimentos para se estabelecer um vínculo afetivo que o permita lecionar mesmo quando os alunos não estão totalmente predispostos. Contudo, percebi, durante as aulas, que os materiais e a abordagem utilizados pelo professor distanciam-se da concepção de “comunicativo” legitimada por Nunan (1991

ênfase no aprender a comunicar-se através da interação na língua-alvo; introdução de textos autênticos na situação de aprendizagem; provisão de oportunidades para os alunos, não somente na língua, mas também no processo de sua aprendizagem.

Larsen-Freeman (2004, apud ANGELINO, 2008, p. 20) postula que “uma das principais características do ensino comunicativo é o uso de material autêntico em sala de aula” e aprendizagem da língua para utilização em contexto real. Logo, observou-se que a concepção de “comunicativo” refere-se simplesmente ao ato de “ouvir” os alunos. O professor também acredita que uma das estratégias para se ter uma “aula comunicativa se relaciona com a escolha de alguns temas de interesse dos alunos conforme verificamos no seguinte excerto:

[19] Eu tento buscar aquilo que de certa forma chama a atenção deles né? Então eles têm muita curiosidade, por exemplo, pelo aspecto da sexualidade. A sexualidade deles é muito aflorada então assim é um meio de trazer uma coisa nova né? Eu acho também um tema importante a ser abordado é a questão das drogas, sabe? Querendo ou não eles conhecem um pouco desse mundo.

De acordo com Louro (1997, p. 65), “o professor deve ter um olhar mais aberto” de forma a lidar na sala de aula com “as múltiplas e complicadas combinações de gênero, sexualidade, raça...”. A referida autora salienta que essas discussões nas aulas de línguas estão pautadas na relação de poder “às quais estamos enredados e que, portanto, nos dizem respeito (LOURO, 1997, p. 66)”.

O professor mostra-se com um olhar “aberto” para essas questões, embora suas escolhas em termos de materiais, discussões em sala, conforme observadas por mim, durante a coleta de dados, não abordaram os referidos temas. O professor vê na questão da “troca” de saberes e experiências uma estratégia importante para o ensino/aprendizagem de inglês.

[20] Como falei no princípio, seria uma questão de uma troca mesmo, né?

Essa ênfase dada pelo professor à palavra “troca” assemelha-se à crítica de Freire (1983, p. 66) ao modelo de “educação bancária” que vê os alunos como simples receptores de um conhecimento depositado pelo professor e aponta para o aspecto colaborativo no ensino/aprendizagem de inglês no PAV.

Presume-se que o professor, ao levar em conta as especificidades dos alunos, parece tentar valorizar as práticas de letramento dos alunos ao invés de rotulá-los. Contudo, a abordagem comunicativa supostamente utilizada pelo professor pode ser complementada por uma perspectiva crítica que articula a identidade dos alunos (no momento em que eles são “ouvidos”); suas práticas de letramento e desconstrução das ideologias presentes nos textos através de uma “troca” de opiniões, questionamentos e posicionamentos.

Benzer Belgeler