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Buğdaygillerden, kôkleri bol su içinde yetişen

DİZİNİN KULLANILMASIYLA İLGİLİ AÇIKLAMALAR

1. Buğdaygillerden, kôkleri bol su içinde yetişen

O historiador Ariès (1981) em seus estudos sobre a origem social da família, verificou os modos de representação da criança nas pinturas, acompanhando o surgimento do sentimento de infância, que se iniciou por volta dos séculos XII e XIII e teve sua culminância no século XVIII. Ao descrever o nascimento do “sentimento da infância”, esclarece que a criança era reconhecida nesse período, porém, “O sentimento da infância não significa o

mesmo que afeição pelas crianças: corresponde à consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto, mesmo jovem”. (ARIÈS, 1981, p. 99)

Com a introdução cristã do conceito de “criança mística ou anjo”: ela passa a ser vista como portadora de uma aura religiosa e sua graça e beleza são comparadas às imagens dos anjos. Jesus Menino passa a ser representado e adorado separadamente da Sagrada Família e a Virgem Maria é vista como mãe modelo. Ariès (1981, p.119) explica a influência desse sentimento na educação:

O relaxamento da antiga disciplina escolar correspondeu a uma nova orientação do sentimento da infância, que não mais se ligava ao sentimento de sua fraqueza e não mais reconhecia a necessidade de sua humilhação. Tratava-se agora de despertar na criança a responsabilidade do adulto, o sentido de sua dignidade. A criança era menos oposta ao adulto (embora se distinguisse bastante dele na prática) do que preparada para a vida adulta. Essa preparação não se fazia de uma só vez, brutalmente. Exigia cuidados e etapas, uma formação. Esta foi a nova concepção da educação, que triunfaria no século XIX.

Entre as mudanças econômicas e de mentalidade que aconteceram com a ascensão da burguesia, está a invenção da própria infância como fase especial da vida do homem. Em meio a diferentes desdobramentos desse novo entendimento e com a consolidação do modo de vida burguês, é forjada uma nova organização familiar, com o núcleo composto pelos pais e seus filhos. A criança não é mais encarada como um adulto em miniatura, e os cuidados especiais com sua saúde e educação ficam a cargo da família, em especial, uma tarefa para a mulher.

Por volta do século XVII, a criança não é mais educada junto ao adulto nas tarefas cotidianas e na lida diária, mas é separada do convívio cotidiano para receber educação formal. Nesse cenário, objetos e materiais específicos para a educação na infância passam a ser criados.

A literatura infantil surgiu, então, como uma ferramenta de educação e foi se modificando ao longo do tempo, atrelada às mudanças do papel da escola. Ao compreendermos essa origem compartilhada, constatamos que os diferentes papéis que os livros infantis foram ocupando ao longo da história também estão relacionados às mudanças na escola.

Com o desenvolvimento da escrita narrativa para os adultos, as primeiras obras produzidas especificamente para as crianças datam de fins do século XVII, quando o escritor François de Salilac Fénelon publicou Traité de l’education des filles, destinado às oito filhas

do Duque de Beauvillier. Ele defendia que as meninas deveriam ter leituras específicas para sua idade, e não apenas as que eram destinadas aos adultos, incluindo as de cunho religioso. Posteriormente, como preceptor do filho do Duque de Borgonha, escreveu também livros profanos para crianças, inspirados na mitologia grega e nos contos populares (SANDRONI, 1987).

A despeito dessas primeiras iniciativas, são os contos de fadas, publicados em 1677 por Perrault, que se constituem como referência histórica para assinalar o surgimento da literatura infantil. Escritos para o divertimento das crianças, esses livros alcançaram popularidade nos meios aristocráticos da França no século XVII.

Seus contos, também conhecidos como “Contos da Mamãe Ganso”, hoje são identificados como Clássicos da Literatura Infantil, mas, na sua origem, conforme já mencionado, eram histórias de caráter oral e popularesco, difundidas pela Europa desde antes da Idade Média. Charles Perrault começou a coleta com a ama que cuidava do seu filho, porém, modificou os contos, colocando-lhes finais felizes. Introduziu o herói ou a heroína que recebiam recompensas após um período de privações e a punição exemplar aos malfeitores. Ao estudar os contos populares russos, Propp (2006) estabeleceu e detalhou uma tipologia a partir da qual é possível reconhecer a estrutura e marcas típicas desses contos.

A partir disso, iniciou-se na Europa uma época de ouro para os contos populares, que passaram a ser pesquisados, coletados e registrados por estudiosos e filólogos. Além deles, outros autores introduziram temas realistas ou ligados a exploração de terras distantes, como Robinson Crusoé, de Daniel Deföe (1719), ou Gulliver, de Jonathan Swift (1726).

No século XIX, os irmãos Grimm viajaram pela Alemanha coletando contos e registrando diferentes versões de todo tipo de fonte: velhos, amas, camponeses etc. Buscavam identificar o verdadeiro “espírito alemão”, mesmo sabendo que muitas versões tradicionais já haviam sido contaminadas pelas versões francesas escritas. Ainda assim, lançaram várias coletâneas dos contos do folclore alemão, com edições bem cuidadas e bonitas.

Darnton (1996), ao pesquisar as primeiras versões dessas histórias, mostrou-nos as profundas modificações que os contos sofreram ao serem compiladas e transformados em literatura infantil. Com o intuito de oferecer leitura edificante às crianças, a representação da dura vida camponesa e suas privações é amenizada nos contos escritos por Perrault. Assim, a literatura infantil se consolidou como uma atividade pedagógica, atrelada à implantação de valores burgueses no ambiente restrito da elite, mesmo com a existência de uma massa

analfabeta, apartada dessa revolução cultural, que dominava os campos e até mesmo as cidades.

Para Darnton (1996), então, o estudo das versões orais que deram origem aos contos de fada é uma janela para entender a cosmologia do homem comum iletrado daquela época. Os estupros, exploração no trabalho, fome, mendicância, necessidade do uso da desonestidade e esperteza como forma de sobrevivência, incesto, abandono, morte prematura e perda da mãe ainda na infância são realidades retratadas originalmente nos contos tradicionais, com desfechos quase sempre trágicos.

Os contos orais, na função de reveladores sociais, mostravam algumas saídas, mas, a partir da nova moralidade burguesa, seriam condenados e considerados inadequados ao público infantil. As fontes atuais, por sua vez, vindas do registro de Perrault, propiciam uma leitura equivocada, ou pelo menos parcial, dos modos de vida no século XVII e, principalmente, da vida da criança.

Com base no que foi apresentado neste tópico, é possível afirmar, em síntese, que o surgimento da ideia de infância e a nova mentalidade sobre a necessidade de proteção contra os “males” da sociedade possibilitaram o aparecimento de toda uma “maquinaria” destinada aos cuidados da criança, como a pediatria, a puericultura etc. e, nesse contexto, também a literatura infantil.

Assim sendo, a literatura infantil surgiu como uma ferramenta de instrução e foi construída sob determinada visão de mundo e de criança. Sua origem, atrelada à função de transmissão de valores, ainda repercute nas produções literárias atuais.

Benzer Belgeler