• Sonuç bulunamadı

4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA

4.6. BSA Kanalı Suğla Girişi Kirlilik Parametreleri Analiz Sonuçları

Comecemos com o que existe atrás do biombo à esquerda da Avenida, vindo do centro da cidade e indo em direção à ferrovia: observemos se foi revitalizado, como era a ideia simples e nobre de todos aqueles que desejavam salvar o povo napolitano da sujeira, do vício, da epidemia e da morte. Este lado é o menos horrível, quando é percorrido, passo a passo, desde a rua Guglielmo Sanfelice, dos fundos do esplêndido e deserto palácio della Borsa até lá embaixo, na Annunziata. Entretanto! Caminhando por trás do biombo, subindo, descendo, com exceção de duas ou três travessas concluídas, duas pela metade, as outras estão simplesmente abertas, e algumas não foram nem mesmo projetadas, e permanecem os becos antigos, úmidos, altos, escuros e sujos, sobretudo em direção à Universidade. É o lado menos assustador à visão, menos

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nauseante ao olfato, aquele da esquerda; E mesmo assim permaneceram intactas os escuros e perigosos degraus de Santa Maria Nova, os antigos degraus que conduziam ao Cerriglio e que agora conduzem à praça da Bolsa; intactos os estreitos, negros, sufocados, sufocantes degraus de Santa Bárbara, com aquele beco que deverá ter duzentos anos e que vinte anos de revitalização urbanística, a dois passos dali não destruíram, os famosos degraus de santa Bárbara, célebres por seu tarallaro, o popular vendedor de biscoitos, mas igualmente célebre pelo vício diurno e noturno, presentes nos seus antros mais baixos e mais tristes: aparentemente nada disso mudou. Vi com meus próprios olhos, durante esta longa investigação, as mulheres encostadas nas esquinas destes becos, com as saias amarradas sobre o estômago, as sandálias de salto alto, as meias vermelhas e as faces carregadas de maquiagem, e nos olhos um misto de alegria e tristeza mortais, marca característica do pecado e do vício nas mulheres do povo napolitano. Este é o melhor lado que há por trás do biombo, as ruas que sobem, vão em direção aos bairros mais burgueses que populares, vão em direção aos bairros de comerciantes, de profissionais, e o espetáculo não desperta uma repugnância muito profunda; entretanto! Será que não tocaram sequer uma pedra daquela tripa negra, torta, íngreme, escorregadia, que é o beco de Mezzocannone? Ah, este não foi tocado, e todas as pessoas de imaginação, mas sem coração, todos aqueles que amam a cor ao invés da civilização e da decência, todos aqueles que amam o caráter e não têm compaixão de quem morre, fique tranquilo, porque o beco de Mezzocannone foi respeitado e, provavelmente, nunca será tocado! Ali está ele, escuro, fétido, perigoso para as pernas, perigoso para as saias ou meias limpas, ali está ele com as suas casas sem ar e sem sol, com seus negócios que parecem subterrâneos, onde trabalham tintureiros, vendedores de vinho e, até trabalhando na rua, bordadeiras de objetos religiosos, bordadeiras em seda e em ouro: ali está ele, com seu deselegante rei de Mezzocannone, sobre uma velha fonte, com o outro precipício que o atravessa, os degraus de são João Maior: ali está ele, o nosso verdadeiro beco de Mezzocannone, ele não foi tocado e podemos ainda, tapando o nariz, atravessá-lo às pressas: a Revitalização não ousou chegar até ali: não chegará nunca!

Diante da Avenida está sendo construída a fachada da nova Universidade, nem parece tão bonita, ao contrário da antiga Universidade, que tinha a sua grandeza e seu fascínio: quanto estiver terminada, os estudantes, os professores e a ciência estarão alojados de forma magnífica. E a rua são Marcelino? E os outros intestinos de becos que descem, naquela região, intestinos onde se agitam e vivem pessoas, existem homens,

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cristãos, amontoados, e todas as outras ruelas, adjacentes à Avenida? Tudo isso que era a verdadeira revitalização, por que, por que não foi revitalizado, enquanto quase todo o dinheiro, foi gasto, e o pouco que resta, economizado com dificuldade, mal será suficiente para completar as duas alas do biombo, à direita e à esquerda, e nada poderá ser feito por tudo o que está atrás? Nada é mais desejado do que uma bela aparência da nossa querida cidade e nós adoramos que exista um majestoso palácio da Bolsa, mesmo que ali não se façam negócios; adoramos ver a grande gaiola aérea dos telefones, no alto do palácio, na praça, embora sejam poucos os assinantes em uma cidade de seiscentas mil pessoas; adoramos pensar em uma novíssima Universidade, com seus laboratórios e gabinetes científicos, ocupada pela parcela mais genial e simpática da nossa população, isto é os estudantes: sim! Mas que, logo ao lado, a poucos passos, viva na imundície, na miséria, nos casebres, nas cavernas, uma outra parte do povo, para a qual se fez a reforma urbanística e higiênica, que esta parte do povo à qual se destinaram cem milhões, morra de todas as infecções, após ter vivido, bem atrás desses novos palácios: isto é que faz nosso coração tremer de dor e de ressentimento e nos faz parecer uma zombeteira ironia a imponência externa dos novos edifícios, atrás dos quais estão a podridão e a gangrena!

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Mas a verdadeira via crucis para o observador que tiver uma alma piedosa, é percorrer, a pé, onde e como puder, tudo o que estiver escondido pelo biombo, à direita da Avenida, vindo do centro da cidade, andando em direção à ferrovia, a partir da parte de trás da rua Niccola Amore, continuando até a piazza Mercato, até a porta Nolana. Na parte de trás? A rua Niccola Amore, à direita, possui apenas um longo e baixo murinho e todas as antiquíssimas casas, por onde se entrava na via Porto, estão de pé, altas, prepotentes, ameaçadoras, há anos desafiando a picareta, que não as toca, que não as tocará, talvez, jamais! Ali, não há nem mesmo o biombo: ali dominam, como espectros da miséria e da ignomínia, todas as casas de Basso Porto refúgios de uma inaudita pobreza, refúgios de crimes e criminosos, refúgios de todas as coisas e pessoas infames e infelizes. Olhem! Devem apenas olhar à sua direita, passando, e o Basso Porto lhes mostrará que foi em vão, sem sentido, inútil tudo o que se desejou fazer e o que não foi feito, que não se quis fazer! Mas se tiverem uma lúgubre curiosidade, desçam até lá. Digo bem: desçam todo o lado direito da Avenida: os aterros tornaram-se um projeto

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fantasioso, nunca executado onde, lá se penetra por todos os modos mais rudimentares, mais incertos, mais traiçoeiros e mais perigosos. Escadinhas de madeira improvisadas e que se tornaram, oh meu Deus, definitivas; escadinhas de pedra, com degraus mal construídos e que tremem a cada pisada; escadas moldadas na terra, sim, na terra, como em qualquer povoado africano; rampas com degraus; rampas de terra, descidas íngremes e escorregadias: todo tipo de precipício, a dois passos dos grandes edifícios. De vez em quando, algum corrimão tosco; apoiando-se neles, olhando lá embaixo, temos a impressão de ver um porão ou um poço.

Os barrancos dão medo. Os aterros deveriam chegar aos primeiros andares destas espeluncas: e no térreo, nos primeiros andares destas espeluncas, essas pessoas têm negócios, vivem e morrem; e assim será, por muitos anos, assim será, talvez, para sempre! O barranco assustador prossegue no Porto, em Vicaria, em Mercato, até o fim, e no fundo desses poços, no fundo desses porões, no fundo desses subterrâneos existe tudo aquilo que existia antes mas, infelizmente, piorado! Os antigos ofícios, os Ourives, os Armeiros, os Fabricantes de Lanças, os Fabricantes de Tafetá, estão lá, com suas pequenas oficinas insalubres, escuras, miseráveis; ainda estão lá as ruazinhas apertadas, entre as casas, os antigos portõezinhos com setenta e cinco centímetros de largura, as antigas janelas de vidros sujos, as antigas pontes sobre as quais parece que se atiram as velhas casas que estão para desmoronar, os antigos becos sem saída, depósito de todo tipo de sujeira: tudo, tudo ficou como era, tão imundo que chega a dar nojo, sem que apareça um varredor para limpar ou um guarda para vigiar.

Tudo se faz nas pracinhas, nos becos: todos vendem ervas, frutas, carne, peixe, em meio à lama constante das ruas; há também as antigas tabernas, onde vendem-se a sopa de feijão e macarrão, as frituras de todo tipo de coisa, de panzarotti a pimentão, as saladas de scapece, o zoffritto cujas porções custam três soldos, dois soldos, até mesmo um soldo! Como antigamente! Pior do que antigamente! A dez passos da Avenida, caldeirões de batatas, caldeirões de polvo, caldeirões de espigas cozidas, caldeirões de castanhas, e que odor acre, ao redor, destas cozinhas, dos pequenos fornos dos Ourives, e dos armeiros, dos caldeirões dos tintureiros! Repleto de cores? Sim: mas horrível! Quero salientar três pontos, entre outros. Uma pequena zona chamada Tentella: ou seja um emaranhado quase verminoso de becos e bequinhos, escuros, que nunca são alcançados pela luz do sol, onde acumula-se há anos, onde há montes de lixo em cada esquina, onde tudo é escuro e imundo, onde, em uma encruzilhada, há uma taberneira com uma farta cabeleira negra, em uma encruzilhada, onde, na penumbra ainda se vê a

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vila Tentella, uma taberneira que vende todo tipo de comida em grandes pratos de cobre brilhante, de fragaglia frita à spiritosa de pastinaca. E me encoraja a ir na direção da vila Tentella, a taberneira, com a cordialidade napolitana, me encoraja pois vê que eu vacilo, diante de todas aquelas sujeiras, ao longo daqueles muros repletos de umidade e odores nauseantes: me encoraja, enquanto eu hesito, fixando os olhos naquela escuridão - e estamos no país da cor azul, do sol! - enquanto em seu rosto amarelo, em seus lábios arroxeados, em seus dentes negros, eu leio todos os vestígios daquela vida mergulhada no fedor e nos contatos constantemente insalubres, três ou quatro pessoas, em um cômodo, e que cômodo, e as horas do dia, em uma cozinha cheia de fumaça, preparando pratos mal cheirosos para vender! Há quantos anos não vem aqui um prefeito ou um assessor? Há quantos anos não são lavadas estas ruas? Há quantos meses não são varridas? Todo a imundície dos animais e das pessoas e das casas, está todo aqui e ninguém tira, à margem dessa nova civilização, atrás dos suntuosos palácios – vá lá embaixo, procurem o beco Barre: deveria ser um aterro que não foi feito, é uma travessa que nunca se abriu. É um beco muito estreito, longo, com casas altíssimas, repleto de balcões, de janelas: os dois lados estão ligados por pontes, de pedras ou de madeira, o que também aumenta a sua escuridão: os dois lados também são ligados por cordas e varais nos quais estão pendurados panos, de todas as cores, remendados, desbotados: e este longuíssimo beco Barre, cujos portões parecem cavernas, não tem um lampião: é um verdadeiro esconderijo de tudo o que existe de mais ignóbil: e é perigoso de ser atravessado mesmo durante o dia, habitado por mulheres de vida fácil, camorristas, ladrões, e o horror que o senhor sentirá não será apenas físico, mas um daqueles aviltamentos morais provocados pelas profundas tristezas. E se deseja escrever um capítulo de um romance popular, mais adiante, muito mais adiante deste tremendo beco Barre, atravessem o beco dos Cangiani, com seu relativo pórtico. Está repleto de ambos os lados de pequenas pousadas, onde se paga quatro ou cinco soldos para dormir, onde dormem quatro ou cinco pessoas no mesmo quarto: estas pousadas possuem uma clientela especial: os carroceiros da Calábria, da Basilicata, do Cilento, da Terra do Trabalho, aqueles que o povo chama de vaticais, por causa do viático, certamente: e estes camponeses estão, durante o dia, nas portas dessas pousadas de quatro soldos, vestidos com suas roupas pesadas e de estilo camponês, com seus chapéus de estranho formato, com seus mantos, sentados no chão, sentados em uma pedra, esperando para retomar o caminho. Eu atravessei este beco, parando para olhar aqueles rostos queimados, sem expressão, pacientes diante das fatigas e do incômodo, aqueles lábios

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mudos: passei longos minutos neste beco escuro, sem calçamento, cheio de água suja, cheio de uma lama grudenta, neste beco tão tétrico que parece uma tumba, e, a um certo ponto, senti-me tomada por um delírio de fugir, fugir, para não ver mais, para não ouvir mais, para não ter mais o espetáculo da mais amarga desilusão, no meu coração de napolitana, para não oferecer aos outros esses desconhecidos sofrimentos, que não são consolados por ninguém, já que esta gente vive e morre, lá embaixo, por trás dos soberbos palácios, anônima, esquecida, desdenhada, desprezada!

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E, por último, sabem o que aconteceu? O povo, por não poder habitar a nova Avenida, onde os aluguéis são muito caros, por não ter as travessas a sua disposição, não tendo as verdadeiras casas do povo, foi empurrado, empurrado, para trás do biombo! Assim se amontoou muito mais do que antes; dessa forma o Censo poderia dizer que toda a fachada da Avenida é pouco habitada, e tudo o que está atrás, desgraçadamente, é mais habitado do que antes; onde havia oito pessoas, agora há doze; que o espaço diminuiu e o número de pessoas aumentou; que a Avenida, enfim, mais piorou do que facilitou a vida do povo napolitano! Naquele emaranhado que vai do Porto ao Mercado, em Vicaria, aglomera-se uma multidão assustadora; há poucas fontes de água e faltam casas, que devem ser demolidas (?); não há esgotos regulares, não há lampiões, já que o plano viário, é absolutamente desordenado: falta tudo o que é necessário para a sobrevivência. Se uma epidemia, por mais leve que fosse, acontecesse, impossível circunscrevê-la, impossível dominá-la: naqueles bairros provocaria novamente um massacre, como há cerca de vinte anos; e os nossos construtores de nada sabem; e ninguém quer saber. E aquele povo que foi traído, porque não teve aquilo que a nação lhe havia concedido, para redimi-lo do ponto de vista moral e higiênico, aquele povo que foi abandonado, que sabe, que se ri um pouco disso, suspira, um pouco range os dentes, este grande povo que nós devemos amar, que nós amamos, porque vemos como irmão, porque nós também somos povo, porque nós somos como eles e filhos do mesmo Deus de justiça e de clemência, este povo não resiste aos antigos instintos, à necessidade de viver como deseja, à necessidade de vingar-se desta sociedade ingrata e traidora: não resiste à tentação do vício, do mal: e joga: e rouba: e se vende: e fere: e assassina: e noite e dia, por trás do biombo, ou mesmo na Avenida, o crime, o delito, se

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expandem, florescem, eterna injúria, eterno remorso para aqueles que, traidores do Rei, de Agostino Depretis, de Niccola Amore, de Guglielmo Sanfelice, da Nação, comovida de horror e de piedade, não mantiveram a palavra e romperam a promessa, deixando o povo napolitano ansiando, padecendo, definhando, agonizando, na mais profunda ignávia do corpo e da alma.