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Klasik Dönemde, Osmanlılar yerel ekonomileri canlandırmak ve ticareti geliştirmek için geniş ölçekli

(BOSNIA) IN OTTOMAN CENSUS IN THE SECOND HALF OF THE 15 TH CENTURY

Na praia, esperando o retorno das embarcações, aproveitamos para nos encontrar com os donos dos materiais levados ao mar. Quando a embarcação se aproxima da praia,

todos vão até a beira do mar para ajudar a retirá-la, nesse momento eles empurram a embarcação até o ponto onde o mestre indica que ela estará livre da maré.

Com a embarcação fora d’água é feita a divisão do pescado, cabendo a tripulação, aos donos do material e ao dono da embarcação uma porcentagem pré-determinada. No entanto também constatamos que o peixe é dividido entre aqueles parentes ou amigos que por alguma razão não puderam ir pescar.

A solidariedade é uma categoria presente entre os pescadores, tanto quando estão no mar, como quando retornam com o pescado, é comum, mesmo que a pescaria não tenha sido boa, a partilha do peixe entre os pescadores. A essa solidariedade chamamos de sentido de nação, ou seja, sentido de pertencimento a um mesmo grupo social que induz a uma ética igualitária, característica marcante da cultura ocupacional dos pescadores.

Essa divisão do pescado e a solidariedade entre os pescadores, são comuns para o caso de pescaria de peixes, quando a pescaria é de lagosta, a divisão é feita apenas por quem é de direito, ou seja, pelos pescadores que capturaram a lagosta, pelo dono da embarcação e pelos donos de material (caçoeiras e/ou manzuás).

Da praia, após organizarem suas embarcações os pescadores seguem para casa para um merecido descanso, porém, logo é possível vê-los na praia novamente, já organizando a embarcação para que uma nova pescaria possa ser feita.

No intervalo entre as pescarias também observamos os pescadores partilhando seus momentos de lazer, expressos em festas, onde são normais as risadas, as brigas e as conversas sobre a prática da pesca.

As conversas entre os pescadores se constituem em diálogos e monólogos, sendo que é bastante comum numa roda de conversa um pescador falar sobre como foi sua pescaria no mar e os demais ficarem escutando, mas tão logo aquele termine sua fala, um outro sem fazer aferições ao que estava sendo comentado inicia seu monólogo sobre sua pescaria, de maneira que todos falam, todos escutam, mas raramente existe interação entre as falas, a não ser em casos onde a fala revele exagero, fatos que possam ser refutados e/ou a busca de afirmação por parte dos outros pescadores.

Os pescadores são conhecidos também como contadores de “histórias”, mentiras e exageros sobre a pesca. Essa também foi uma característica encontrada entre os pescadores de Caetanos de Cima, várias vezes, em nossas conversas presenciamos pescadores construindo o imaginário sobre o mar.

Para entender a construção do imaginário do pescador sobre seu meio de produção nos fundamentamos em Bachelard, quando este nos diz que,

a imaginação não é, como sugere a etimologia, a faculdade de formar imagens da realidade: é a faculdade de formar imagens que ultrapassam a realidade, que cantam a realidade” (BACHELARD apud DIEGUES, 2000, p.06)

Nesse sentido, entendemos que o imaginário repassado pelo pescador, tem bases fortes no seu conhecimento do mar, no entanto, ultrapassa a realidade vivenciada por ele, pois reinventa novas percepções do seu meio de produção e de vida.

Como forma de não perdermos a oportunidade de caracterizar a atividade pesqueira apresentamos no quadro 01, um resumo contendo as principais espécies pescadas, o período propício à pesca, o respectivo equipamento utilizado na captura da espécie e a utilização sócio-econômica do pescado.

QUADRO 01 – Caracterização da atividade pesqueira

Nome Científico Nome popular Período

da pesca Equipamento utilizado para captura Utilização Econômica-social

Trachinotus spp Pelada Ano todo Rede Consumo

familiar/venda a terceiros

Menticirrhus spp Batoque Janeiro-julho Rede Consumo

familiar/venda a terceiros Carcharrhinus spp

Shyrna spp

Cação Ano todo Rede/espinhel Consumo familiar/venda a

terceiros Bagre bagre

Tachysurus sp

Bagre Ano todo Linha/rede Consumo familiar/ venda a terceiros

Balistes vetula Cangulo Ano todo Linha Consumo

familiar/venda a terceiros

Caranx crysos Guarajuba Ano todo Rede Consumo

familiar/venda a terceiros Cephalopholis

fulrus

Piraúna Ano todo Linha Consumo

familiar/venda a terceiros

Cynoscion spp Pescada Ano todo Rede Consumo familiar

Elops saurus Ubarana Janeiro-julho Linha/rede Consumo

familiar/venda a terceiros

Euthynnus alletteratus

Bonito Ano todo Rede Consumo

familiar/venda a terceiros

Geniatremus luteus Golosa Janeiro-julho Rede Consumo

familiar/venda a terceiros Ginglymostoma

cirratum

Lixa Ano todo Linha Consumo

familiar/venda a terceiros Haemulon

aurolineatum

Sapuruna Ano todo Linha Consumo

familiar/venda a terceiros

Haemulon plumieri Biquara Ano todo Linha Consumo

familiar/venda a terceiros

Halichoeres poeyi Budião Ano todo Linha/Rede Consumo

familiar/venda a terceiros Holocentrus

ascensionis

Mariquita Ano todo Linha Consumo

familiar/venda a terceiros

Lutjanus analis Cioba Ano todo Linha Consumo

familiar/venda a terceiros

Lutjanus jocu Caripitanga Ano todo Linha Consumo

familiar/venda a terceiros

Lutjanus purpureus Pargo Ano todo Linha Consumo

familiar/venda a terceiros

Lutjanus synagris Ariacó Ano todo Linha/rede Consumo

familiar/venda a terceiros Malacanthus

plumieri

Pira Ano todo Linha Consumo

familiar/venda a terceiros

Mugil brasiliensis Tainha Janeiro-julho Tarrafa Consumo

familiar/venda a terceiros

Myrophis punctatus Muriongo Ano todo Rede Consumo familiar/venda a

terceiros

Octopus vulgaris Polvo Ano todo (marés) Manual com vareta Consumo

familiar/venda a terceiros

Ocyurus chrysurus Guaiuba Ano todo Linha Consumo

familiar/venda a terceiros

Opisthonema spp Sardinha Janeiro-julho Tarrafa Consumo

familiar/venda a terceiros

Panulirus argus Lagosta Maio – Dezembro Rede caçoeira Fortaleza/

exportação Paralichthys

brasiliensis

Linguado Ano todo Linha/ rede Iscas

Polydactylus virginicus

Barbudo Janeiro-Julho Rede Consumo

familiar/venda a terceiros Pomatomus

saltatrix

Enxova Ano todo Linha/rede Consumo

familiar/venda a terceiros Rachycentruon

canadus

Beijupirá Ano todo Linha/rede Consumo familiar/venda a

terceiros

Rhinobatus spp Arraia Ano todo Caçoeira/linha Consumo

familiar/venda a terceiros Scomberomorus

brasiliensis

Serra Ano todo Linha/rede Consumo

familiar/venda a terceiros Scomberomorus

cavalla

Cavala Ano todo Linha/rede Consumo

familiar/venda a terceiros

Selene vômer Peixe-galo Ano todo Linha/Rede Consumo

familiar/venda a terceiros

Sphyraena ssp. Bicuda Ano todo Linha/Rede Consumo

familiar/venda a terceiros

Sphyrna spp Tintureira (tubarão martelo)

Ano todo Rede/ espinhel Consumo familiar/venda a

terceiros

Torpon atlanticus Camurupim Janeiro-Maio Caçoeira/linha Consumo

familiar/venda a terceiros Fonte: Pesquisa de Campo, 2005.

Ao percorrermos os saberes das ondas, nossa viagem apenas tentou compreender o espaço territorial marítimo como espaço prioritário para desenvolvimento de saberes locais e também tradicionais, todos estes, peculiares à atividade pesqueira. Ocorre que percebemos que os saberes do “ser pescador” enquanto “ser multireferencial” não se restringem apenas aos saberes desenvolvidos no mar, pelo contrário eles fazem parte do conjunto de saberes que se estabelecerão na sua complementaridade do seu retorno a terra, configurando-se por isto mesmo como parte do todo que é o ser “pescador-agricultor”. Assim, urge a necessidade de percorremos agora o caminho de volta, ou seja, os saberes da terra, que antes de tudo foram e são os referenciais para o domínio dos mares, pois sempre estabelecem o retorno ao “porto seguro”.

CAPÍTULO 4