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Osmanlı Devleti’nde Haşerelere Karşı Bir Önlem: Çekirge Suyu*

10 BOA.ŞD 519/14; BOA.BEO 667/49972.

O presente trabalho tem como objetivo inicial fazer um estudo interpretativo de alguns poemas de Giacomo Leopardi, por meio da análise da relação do plano da expressão e do plano do conteúdo. Para isso, far-se-á uso da estilística, que tem como enfoque os valores expressivos do texto. Cada detalhe, seleção verbal, ordem na frase, traços evocativos lexicais, recorrência sonora, entre outros elementos presentes no texto, colaboram com a formação de sentido.

Ao relacionar o plano da expressão com o do conteúdo, recorre-se a Ulmann (1970, p.23) o qual aproxima a estilística à semântica:

A aparição, desde os primeiros anos deste século, de uma nova ciência da estilística, teve uma influência profunda nos estudos semânticos. Falando em termos gerais, a estilística diz respeito aos valores expressivos e evocativos da linguagem. A nova disciplina sofreu grande avanço nos últimos anos, relacionando-se especialmente com a semântica. Demonstrou-se que todos os grandes problemas da semântica têm implicações estilísticas, e em alguns casos, como por exemplo no estudo das tonalidades emotivas, as duas orientações estão inextricavelmente entrelaçadas56.

Importante é esclarecer que o sentido a que se chegará, por meio das interpretações dos poemas de Leopardi, não é necessariamente o pensamento do autor-produtor do texto, ou, como define Umberto Eco, do autor empírico, mas será reflexo de sugestões provocadas pela leitura do texto no leitor-receptor, que é também empírico.

Todavia, não se deve pensar em uma total liberdade de interpretações em relação a um texto por parte do leitor, pois como defende Riffaterre (1973, p.42) um texto apresenta elementos que limitam o processo de decodificação, portanto, “os julgamentos de valor do leitor são provocados por um estímulo que está no texto.”

56 MOLITERNO, I. de A. Imagens, reverberações na poesia de Alberto da Cunha Melo: uma leitura estilística”. FFLCH / USP. Tese de doutorado, 2007, p.19

Umberto Eco, em seu livro intitulado Obra aberta (1962, p.39), em relação às diferentes interpretações que se pode dar a um texto, leva em consideração a “abertura” que tal texto proporciona ao leitor, como é o caso, por exemplo, da durabilidade da mensagem: que nunca se esgota, permanecendo fonte de informações e respostas às possíveis indagações surgidas de diversos tipos de sensibilidade e cultura, que se renovam nos diferentes períodos de tempo.

Para se fazer uma análise de uma obra, deve-se, então, levar em consideração também a “abertura” que ela oferece. Em um poema, por exemplo, cada estrofe, verso ou até mesmo cada palavra pode remeter a uma multiplicidade de significados. Cabe ao leitor encontrar a chave de leitura para conseguir decifrar a mensagem intrínseca, bem como preencher os vazios (espaços em branco – não ditos) presentes no texto.

Fazendo uso da terminologia bakhtiniana, o leitor tem uma “atitude responsiva ativa”, ele pode concordar, discordar, adaptar, e até mesmo completar um texto no momento em que lê57. Dependendo de seu estado de ânimo, uma releitura da obra poderá lhe parecer diferente do primeiro contato que tivera com ela, todavia isso não significa, como já afirmado, uma total liberdade de interpretação. Para Eco (1986) o autor, no momento em que cria o seu texto, faz certas escolhas, de modo a guiar o seu leitor. Este, imaginado pelo autor, define-se como leitor- modelo.

Sendo assim, uma escolha de expressão por parte do autor ou do leitor, pois esse último também faz escolhas de significação no momento da leitura, pode acarretar em um diferente pensamento correspondente, remetendo a outro sentido, que não o pensado pelo escritor.

Um dos papéis da estilística é o de buscar no texto recursos que levem a interpretar as escolhas apresentadas no poema, centralizando o olhar do estudioso no texto e não mais no seu autor. Todavia, a figura do autor não permanece esquecida de tudo, pois o que se instaura aqui é um triângulo de interação, formado por autor – texto – leitor. Conforme já explicado, o autor faz suas escolhas – tanto de palavras como de combinações – no momento da criação de sua obra; o

57 Bakhtin, 1992, p. 289.

efeito estilístico criado no texto é percebido durante a leitura, resultando em uma determinada reação do leitor, podendo ser ela diferente de leitor para leitor.

Para Claudine Fabre, em Lingüística e poesia, com base nos estudos feitos por Jakobson, “a função poética entra em ação quando uma mensagem funciona como um todo: cada elemento é necessário ao conjunto e é a economia do conjunto que condiciona a interpretação de cada elemento58.”

Para interpretar um poema, deve-se lê-lo em diversas direções: seguir a linearidade do texto, mas também fazer uma leitura tabular, voltando ou avançando no texto. Deve-se procurar a melhor leitura, formulando-se hipóteses de interpretação para serem confirmadas posteriormente.

Tal método de análise está diretamente relacionado ao círculo filológico59 de Leo Spitzer, grande estudioso da estilística literária. Inicialmente, por meio de atenta leitura e releitura, o analista deve identificar um traço textual, um elemento que lhe tenha chamado a atenção no texto, algo que se diferencia na obra e represente singularidade, para daí iniciar sua análise. A partir desse desvio, cria-se um ato de fé, hipótese a ser comprovada por meio de relações entre os elementos do texto. Para Spitzer, todo desvio liga-se a um sistema, conduzindo o leitor ao centro/interior da obra. Para comprovar se o desvio encontrado, por meio do subjetivismo, é significativo, aplica-se o círculo: ciclo de leituras, avançando ou retrocedendo, relacionando assim o todo com a parte.

A comprovação ocorre, portanto, porque todos os elementos numa obra estão interligados. Sendo assim, a escolha das palavras por parte do autor não é feita por acaso, pois elas possuem uma relação entre si, o que acaba por guiar o intérprete.

Para explicar a pluralidade de interpretações de uma obra, recorre-se novamente a Eco, o qual faz uma analogia entre um texto e um bosque: “Usando uma metáfora criada por Jorge Luis Borges, [...] um bosque é um jardim de caminhos que se bifurcam. Mesmo quando não existem

58 FABRE, C. “Poesia e Lingüística”. In: Grupo francês de Educação Nova. Orientação: COSEM, M. O poder da poesia. Coimbra: Livr. Almedina, 1980.

num bosque trilhas bem definidas, todos podem traçar sua própria trilha, decidindo ir para a esquerda ou para a direita de determinada árvore e, a cada árvore que encontrar, optando por esta ou aquela direção60.”

Percebe-se então que cada leitor empírico poderá interpretar o texto de forma diferente devido à pluralidade de interpretações que a obra possibilita, já que o texto é como um bosque, onde há várias trilhas e diversos caminhos a seguir, mas não se deve esquecer que existe também o limite do bosque, representando o limite das interpretações de um texto.

Outro fator importante, que não se pode deixar de mencionar, é o contexto histórico e cultural em que estão inseridos tanto o autor quanto o leitor empírico, pois a visão de mundo de cada época impõe restrições e a interpretação de um poema pode mudar ao longo do tempo.

Cada vez que se lê um texto, novas interpretações vão surgindo, pois, segundo Orlandi e Guimarães (1990, p.7), a leitura é produzida em determinadas condições. Quanto à história da leitura nas diferentes épocas, do ponto de vista do leitor com o texto, por exemplo, na Idade Média não podia interpretar o texto que lia, por outro lado, no Romantismo era estimulada a interpretação pessoal. Com isso chega-se a diversas interpretações que um texto pode ter, desde que venham comprovadas por meio de recursos presentes no próprio texto.

Sendo assim, os sentidos dados a um mesmo texto dependem da época em que estão inseridos, pois no passado havia uma ideologia que se modificou. Também se deve levar em conta a história de leitura de cada pessoa.

Para Nilce Sant‟Anna Martins (1989, p.26), uma figura referencial para os estudos estilísticos no Brasil, por meio da expressividade manifestam-se estados emotivos e julgamentos de valor, que despertam reações também de ordem afetiva no leitor de uma obra. É muito comum notar que, ao ler um poema, por exemplo, a pessoa identifica-se com a mensagem exposta. Para explicar tal fenômeno recorre-se aqui ao crítico Benedetto Croce, o qual acredita ser toda a expressão de um poeta representação dos sentimentos humanos:

“Em toda expressão de um poeta, em toda criatura de sua fantasia, está inteiro o destino humano, todas as esperanças, todas as ilusões, as dores e as alegrias, as grandezas e as misérias humanas, o drama inteiro do real, a devir e crescer perpetuamente sobre si mesmo, sofrendo e alegrando-se61.”

Acredita-se que o discurso “aberto” de Leopardi, como se verá nas análises a seguir, não tem como objetivo consolar e agradar o leitor, mas colocar o homem diante de seus problemas, renovando a sua percepção bem como a sua maneira de compreender as coisas.

Belgede Atatürk Kültür Merkezi (sayfa 40-49)