Kahramanın Suyun Ardındaki Yolculuğu
2. Arketipler Ekseninde Beyhude Ömrüm Hikâyes
2.2. Bereketli Sular ve Yeniden Doğuş Arketip
Uma vez identificada a natureza como a verdadeira culpada pela infelicidade dos seres vivos, Leopardi direciona agora a sua atenção ao modo como o homem deveria se comportar, uma vez conscientizado de seu destino.
Por mais que o homem esteja condenado a um destino de dor e de infelicidade, ele não deve se entregar covardemente, como forma de escapismo, ao suicídio, por exemplo. Em uma das Operette morali, mais precisamente no Dialogo di Plotino e Porfirio (escrito em 1827), Leopardi trata sobre o tema do suicídio, não o defendendo como solução ao drama existencial. Na passagem a seguir, Plotino, uma das personagens, incentiva seu amigo, Porfirio, a não dar cabo de sua vida:
Viviamo, Porfirio mio, e confortiamoci insieme: non ricusiamo di portare quella parte che il destino ci ha stabilita, dei mali della nostra specie. Sì bene attendiamo a tenerci compagnia l‟un l‟altro; e andiamoci incoraggiando, e dando mano e soccorso scambievolmente; per compiere nel miglior modo questa fatica della vita. La quale senza alcun fallo sarà breve. E quando la morte verrà, allora non ci dorremo: e anche in quell‟ultimo tempo gli amici e i compagni ci conforteranno: e ci rallegrerà il pensiero che, poi che saremo spenti, essi molte volte ci ricorderanno, e ci ameranno ancora126. (1995, p.319)
Visto que a vida do ser humano já é cheia de sofrimento, o suicídio de uma pessoa só lhe acrescentará mais sofrimento. A solução para suportar seus males seria de outro gênero: “andiamoci incoraggiando, e dando mano e soccorso scambievolmente; per compiere nel miglior modo questa fatica della vita127”, ou seja, a melhor coisa a se fazer é seguir o caminho da solidariedade humana, de modo a enfrentar unidos o inimigo comum.
Contrariamente aos críticos que se referiam à filosofia leopardiana como sendo adversa à sociedade e aos homens, Leopardi, dois anos mais tarde dirá no Zibaldone [4428]:
126 “Vivamos, Porfírio meu, e confortemo-nos juntos: não recusemos carregar aquela parte que o destino nos legou dos males da nossa espécie. Atentemos bem em fazer companhia um ao outro e encorajemo-nos, dando-nos as mãos e trocando socorro para cumprir, da melhor maneira, esta tarefa da vida, que infalivelmente será breve. E quando vier a morte então não nos lamentaremos e, naquele último instante, os amigos e companheiros nos confortarão. E nos alegrará o pensamento de que, depois que tivermos passado, eles nos recordarão muitas vezes e nos amarão ainda.” – [Trad. LUCCHESI, 1996, p. 448]
127 Atentemos bem em fazer companhia um ao outro e encorajemo-nos, dando-nos as mãos e trocando socorro para cumprir, da melhor maneira, esta tarefa da vida” – [Trad. LUCCHESI, 1996, p. 448]
“La mia filosofia, non solo non è conducente alla misantropia, come può parere a chi la guarda superficialmente, e come molti l'accusano; ma di sua natura esclude la misantropia, di sua natura tende a sanare, a spegnere quel mal umore, quell'odio, non sistematico, ma pur vero odio, che tanti e tanti, i quali non sono filosofi, e non vorrebbono esser chiamati nè creduti misantropi, portano però cordialmente a' loro simili, sia abitualmente, sia in occasioni particolari, a causa del male che, giustamente o ingiustamente, essi, come tutti gli altri, ricevono dagli altri uomini. La mia filosofia fa rea d'ogni cosa la natura, e discolpando gli uomini totalmente, rivolge l'odio, o se non altro il lamento, a principio più alto, all'origine vera de' mali de' viventi. ec. ec128.”(2 Gennaio 1829)
Graças à razão, o homem pode individuar o seu verdadeiro inimigo, e com isso combatê- lo, não de forma soberba, acreditando-se superior ao inimigo, ou de forma covarde, perdendo a sua dignidade; mas com uma consciência vigorosa, aceitando heroicamente o seu destino. A nobreza do homem, para Leopardi, está propriamente na conscientização dessa amarga verdade.
A ideia leopardiana de progresso diverge da do seu tempo. Para o poeta, o progresso é do tipo moral e civil, indo contra as correntes otimistas da época, que é marcada pela busca do poder e do sucesso. Aquilo que realmente se faz necessário para o homem é a conscientização da situação humana, visando construir uma sociedade mais justa, baseada na solidariedade; somente assim o homem poderá combater a natureza. É com esse espírito heroico que surge o poema La ginestra,129 o il fiore del deserto, analisado a seguir.
128 “A minha filosofia, não só não conduz à misantropia, como pode parecer para aqueles que a analisam superficialmente, e como muitos a acusam; mas por sua natureza exclui a misantropia, por sua natureza tende a sanar, a acabar com aquele mau humor, aquele ódio, não sistemático, mas mesmo assim ódio verdadeiro, que muitos e muitos, não filósofos, que não gostariam de serem chamados nem considerados como misantropos, mas que atribuem cordialmente aos seus símiles, seja costumeiramente, seja em particulares ocasiões, a causa do mal que, justamente ou injustamente, eles, como todos os demais, recebem dos outros homens. A minha filosofia faz ré de todas as coisas a natureza, e tirando a culpa dos homens totalmente, dirige o ódio, ou se não o lamento, ao princípio maior, à origem verdadeira dos males dos seres vivos, etc. etc. (2 de janeiro de 1829) – [Trad. nossa]
129 A flor spartium junceum, também conhecida popularmente na Itália como “ginestra” é uma planta arbustiva de textura semi-lenhosa, cujos ramos são finos, flexíveis, verdes e longos; as folhas são pequenas, dispostas esparsamente na ramagem e adaptadas para reduzir a perda de água por transpiração e as numerosas flores são grandes, perfumadas e de coloração tipicamente amarelo-intenso.
3.4.1 LA GINESTRA, O IL FIORE DEL DESERTO de Leopardi no Brasil “La ginestra,
o il fiore del deserto”
E gli uomini vollero piuttosto le tenebre che la luce. Giovanni, III, 19. Qui su l‟arida schiena
Del formidabil monte Sterminator Vesevo,
La qual null‟altro allegra arbor né fiore,
05 Tuoi cespi solitari intorno spargi,