2.5. Nöropazarlama Araştırmalarında Kullanılan Teknikler
2.5.2. Biyometrik Ölçümler
Gastal e Castro (2008) consideram que a história do Turismo no Rio Grande do Sul ainda está por ser construída. As autoras citam que há apenas o livro Turismo no RS: 50 anos de pioneirismo no Brasil, trabalho muito mais voltado para crônicas de vivências pessoais de seus autores sobre o tema do que para a pesquisa científica. Segundo Goidanich (1993), o RS teve o início do desenvolvimento do turismo vinculado à expansão da malha ferroviária. A viagem de trem permitia o deslocamento muito mais rápido do que as carroças e mais acessível do que carros particulares, oferecendo até certo conforto com vagões-leito e alimentação, tornando-se bastante utilizada para lazer e visita a familiares.
O primeiro trem circulou em 1874, entre Porto Alegre e São Leopoldo. Em 1884, a estrada de ferro chegou a Santa Maria e, em 1900, a Bagé, na fronteira com o Uruguai. Em 1905, galgou a serra, até Caxias do Sul. E em 1907, alcançou Uruguaiana, estabelecendo conexão com o ferrocarril argentino que levava de Libres a Buenos Aires. Em 1910, o trem chegou a Santana do Livramento e em 1931 a Jaguarão (GOIDANICH, 1993). No mapa abaixo é possível discernir as primeiras ferrovias e seus trajetos.
Figura 4 - Estradas de Ferro do RS em 1898
Fonte: SILVA, 1954.
O primeiro balneário a receber a via férrea foi o Cassino, em 1880, próximo a Rio Grande, no mapa acima. Segundo Goidanich (1993), foi a primeira via férrea com o objetivo de viagem especificamente turística e o primeiro balneário a contar com condições razoáveis de conforto e casas de moradia.
Na década de 1920, já estavam acessíveis as viagens de trem para o Rio de Janeiro e São Paulo, bem como Montevidéu e Buenos Aires. Em função da proximidade com as capitais platinas, as viagens eram frequentes
As duas capitais platinas eram a meta preferencial da nossa gente e seu banho anual de civilização, pois vivíamos, então, quase afastados da corte e muito mais próximos do Prata, cuja influência fazia-se sentir em nossos usos e costumes. Por obra e graça dessa influência, foi que se plantou a semente do turismo no Rio Grande do Sul (GOIDANICH, 1993, p. 18).
Na mesma década de 1920, iniciam os hábitos de veraneio e banhos nos balneários da Zona Sul de Porto Alegre e na orla da cidade de Guaíba, desenvolvendo
as praias locais. Apenas a alta sociedade tinha condições de viajar até a orla marítima, pois a viagem era feita de carreta puxada a bois e levavam-se dias para a chegada as praias de Cidreira ou Quintão. Mais adiante, com a chegada dos automóveis, logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, as viagens se tornaram mais rápidas e frequentes, embora ainda precisassem enfrentar as dificuldades da estrada. Dessa forma, se desenvolveram os balneários de Quintão, Cidreira, Tramandaí, Capão da Canoa e Torres. A viação férrea estende-se também neste período para Gramado e Canela, e logo suas estâncias passam a ser procuradas por visitantes atraídos pelas paisagens e clima ameno.
É neste período que se consolida um fenômeno turístico característico do RS, o veraneio, que persiste até hoje. É ainda bastante frequente os moradores de grandes cidades manterem uma residência de verão nos balneários do Estado e da orla de Santa Catarina, perpetuando o hábito de veranear, como é chamado. Abaixo é possível visualizar as rotas das linhas férreas já em seu declínio em 1984, já que atualmente as poucas linhas férreas ainda em operação atuam com cargas e não mais com passageiros.
Figura 5 - Linhas férreas no RS em 1984
Fonte: GEIPOT, 1985.
A hotelaria iniciou seu desenvolvimento em diversas cidades na orla e na serra para atender a esta demanda de visitantes. Não se pode também deixar de mencionar que foi neste período a fundação da VARIG – Viação Aérea Riograndense24, que se tornou a primeira companhia aérea brasileira.
A década de 1930 foi marcada pela realização das primeiras edições da Festa da Uva, em Caxias do Sul, e pela abertura ao tráfego da faixa de cimento Porto Alegre - São Leopoldo, em 1930, a primeira e, por muito tempo, a única rodovia do Estado. Na mesma década, surge no estado o Touring Club,
O Touring foi criado em 1935, com o objetivo de atender, a exemplo dos congêneres nacionais e estrangeiros, seus associados quando em viagem de carro por outras localidades. O Touring já nasceu, portanto, como uma entidade a serviço do Turismo e, nesta condição, encarregou-se de produzir e distribuir mapas e sinalizar as estradas [...]. (GASTAL; CASTRO, 2008, p. 33).
24Sobre a VARIG, ver: BETING, Gianfranco. Varig: eterna pioneira. 2ª. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS,
Em 1935, com os festejos do centenário da Revolução Farroupilha (1835/1845), em Porto Alegre, foi planejada uma grande exposição. A área até então chamada de Várzea da Redenção foi preparada para sediar os pavilhões do evento, posteriormente se tornando o Parque Farroupilha25. Com a aproximação do grande evento, empresários fundadores do Touring Club do Rio Grande do Sul o nomearam a entidade responsável pela recepção, assistência e informações turísticas aos visitantes. Foi montado um estande no pórtico de entrada, tal como costuma ser feito atualmente em grandes eventos na cidade.
Figura 6 - Pórtico de entrada da Exposição Centenário Farroupilha
Fonte: MUSEU JOAQUIM JOSÉ FELIZARDO, 2008.
Após o final do evento, o centro de informações aos visitantes foi transferido para a sede do Touring Club do Rio Grande do Sul, primeiro na sede da Rua dos Andradas e depois na Avenida João Pessoa. O Touring Club
25A exposição contou com 3.000 expositores nacionais e internacionais, sendo que destes, 950 eram
indústrias. A exposição durou de 15 a 30 de setembro de 1935, foram instaurados feriados forenses no período e até mesmo as férias escolares foram realizadas de 20 a 30 de setembro desse ano em função da mobilização para o evento. Os pavilhões foram desmontados a partir de janeiro do ano seguinte (MUSEU JOAQUIM JOSÉ FELIZARDO, 2008).
[...] passou a atender anualmente um número considerável de associados de outros Estados e estrangeiros, num trabalho de alta valia e sem quaisquer ônus, quer para os usuários, quer para os cofres públicos. Esse atendimento, que se caracterizava pela dedicação, pela autoridade técnica e pela experiência, continuava nas sedes e nos bureaux de turismo que o Touring mantinha em cidades-chave do Turismo gaúcho, como Caxias do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Pelotas, Rio Grande, Uruguaiana, Bagé, Santa Maria, Livramento, São Gabriel, Cruz Alta e no Chuí, no extremo meridional do Brasil (GASTAL; CASTRO, 2008, p. 39).
A partir da criação do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER), o primeiro do país, em agosto de 1937, é marcado o início dos investimentos em rodovias no Estado. A primeira construção foi a que liga São Leopoldo a São Sebastião do Caí, iniciando o rápido desenvolvimento da malha rodoviária, o que posteriormente será um dos fatores para o declínio das vias férreas.
O período da Segunda Guerra Mundial impacta diretamente no turismo do RS, pois em função do racionamento da gasolina, o trânsito viário fica impraticável, assim como a navegação de cabotagem, além da crise econômica provocada pela guerra. Entretanto, ainda no final da década de 1940, é elaborada a Lei nº 997, a primeira legislação sobre turismo no Estado, sendo a primeira do país, promulgada em 23 de janeiro de 1950.
A Lei estabelece a criação do Conselho Estadual de Turismo (CET) e o Serviço Estadual de Turismo (SETUR). Fica evidente no texto do documento que o entendimento sobre turismo estava limitado à prática de veraneio, citando espaços de “real interesse turístico” como estações balneárias, hidrominerais, climáticas ou de repouso. O documento registra que seria finalidade do SETUR: organizar, orientar, difundir, fomentar e fiscalizar o turismo nas áreas antes referidas. O RS foi pioneiro com esta lei, copiada por outros estados nos anos seguintes. O CET foi criado em março do mesmo ano, entretanto o SETUR, em função das despesas, só foi instalado em 1959, nove anos depois. Em 1951 é inaugurado o Aeroporto Internacional Salgado Filho; dois anos depois a Varig se torna internacional e inicia voos na rota Porto Alegre / Buenos Aires. Ainda na década de 1950, há o desenvolvimento das primeiras agências de viagens locais.
Em 1959, com o SETUR criado, foi elaborado o primeiro Plano de Turismo do Estado. O plano tratava prioritariamente da própria organização e estrutura do SETUR, composta por uma seção de turismo, uma de propaganda e a terceira, administrativa, descrevendo suas funções. Não havia metas dos segmentos que deveriam ser desenvolvidos, nem foi estabelecido um direcionamento de
planejamento. Segundo Goidanich (1993), o primeiro foco de propaganda do SETUR foi direcionado aos países próximos, como Uruguai, Argentina e Chile.
Na década de 1960, diversos municípios desenvolveram seus conselhos municipais de turismo e começaram a buscar seus diferenciais, criando eventos que permanecem até hoje, como a Festa Nacional do Calçado, em Novo Hamburgo. Foi também nesta década que ocorreu a grande expansão do automóvel como meio de transporte terrestre mais utilizado. Com a chegada dos jatos, a aviação brasileira também estava em expansão. Conforme se pode perceber no quadro abaixo, o volume de passageiros das linhas férreas estava na contramão dos outros meios de transporte. Enquanto a quantidade de automóveis crescia nos anos 1960 em diante, o número de passageiros em trens caiu para menos da metade, e permaneceu diminuindo drasticamente.
Quadro 4 - Volume anual de passageiros em transporte ferroviário no RS Ano Passageiros 1940 2.518.000 1950 3.182.000 1960 3.868.000 1970 1.613.000 1980 1.409.000 1990 197.000 Fonte: GODAINICH (1993, p. 106)
Em 1961 e 1962, o Estado realiza as primeiras pesquisas estatísticas sobre o turismo no Estado. Os dados sobre o crescimento econômico que o turismo gerava fomentaram em 1971 a criação da Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, que manteve a mesma sigla. Em novembro do mesmo ano é divulgado documento descrevendo as empresas e comissões sob responsabilidade da SETUR e as funções de cada uma. Já se percebe neste novo documento uma visão mais ampla sobre o fenômeno turístico, com ênfase em seus aspectos econômicos. Em 1972, a PUCRS cria o terceiro Curso Superior em Turismo no Brasil26, e em 1978 é criada em Caxias do Sul a Escola Superior de Hotelaria, em articulação com a Universidade de Caxias do Sul (UCS). Em 22 de abril de 1980, foi criada a Associação Rio-Grandense dos
26Sobre o histórico do curso, ver: HALLAL, Dalila. O curso de turismo da PUCRS: a trajetória dos
seus 38 anos de existência – do Bacharelado (1972) ao Tecnólogo (2010). 2010. Tese (Doutorado em História) - PUCRS, Fac. de Filosofia e Ciências Humanas. PUCRS, Porto Alegre, 2010.
Guias de Turismo. O SINDEGTUR RS - Sindicato Estadual dos Guias de Turismo do Rio Grande do Sul é seu sucessor por transformação27.
Segundo Hallal (2010), os poucos estudos sobre o histórico do turismo no RS relatam até a década de 1970 e pouquíssimo de 1980, demonstrando a necessidade de mais estudos a esse respeito. Isto reflete também, segundo Goidanich (2003), a falta de interesse das autoridades, no sentido de considerar o turismo como parte da administração e economia do Estado. Para o autor, há um total silêncio e um sentimento de decepção, um ressentimento em relação à apatia, à indiferença do governo gaúcho para com o turismo, “uma absoluta falta de vontade política” (GOIDANICH, 1993, p.114), o que caracterizou a década de 1980.
O turismo para o Rio Grande do Sul se faz praticamente por geração espontânea. Não há investimentos substanciais e ordenados que busquem interessar, no resto do país e no Prata, correntes turísticas que sejam atraídas a visitar e permanecer em nossas cidades, praias, serras e termas [...]. O investimento maior ficou por conta dos empresários. O governo gaúcho precisa acordar para a realidade econômica do turismo. Aperreado por dificuldades financeiras, está sentado sobre uma mina de ouro e não sabe (GOIDANICH, 1993, p. 115).
Nos anos seguintes, a permanência da Secretaria de Turismo é errática, pois a Lei n.º 9.433, de 27 de novembro de 1991, de iniciativa do Governador Alceu Collares (1991-1995), extingue o órgão. Em 10 de março de 1995, o Governador Antônio Britto (1995-1999) cria novamente essa Secretaria, através da Lei n.º 10.356 e, em 16 de janeiro do mesmo ano, extingue a CRTUR, através da Lei n.º 10.360.
Mais recentemente, prestes a assumir o cargo de Governador, Ivo Sartori apresenta projeto de lei que extingue e reorganiza diversas secretarias. A proposta é aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em 22 de dezembro de 2014, fundindo a Secretaria de Turismo e a Secretaria de Esporte e Lazer em uma só, atualmente utilizando a sigla SETEL.
Este capítulo buscou trazer um panorama do histórico do turismo no mundo, no Brasil e no Rio Grande do Sul, apresentando um pouco do contexto em que a profissão analisada irá surgir e se desenvolver. A próxima seção tratará das diferentes formações profissionais para o turismo no Brasil, para posteriormente aprofundar a formação técnica em guia de turismo, seu histórico e mercado de trabalho.
27Em Brasília o registro sindical é cadastrado sob o nº do processo 24400.000 161/91 publicado no