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Biyokaçakçılığa Yönelik Farkındalık Ölçeğinin Alt Problemlerine Ait

4.2 Biyokaçakçılığa Yönelik Farkındalık Ölçeğine Ait Bulgular

4.2.3 Biyokaçakçılığa Yönelik Farkındalık Ölçeğinin Alt Problemlerine Ait

O processo de saúde-doença da hanseníase é um fenômeno complexo que envolve questões biológicas, sociais, econômicas, culturais e psicológicas. Todas essas questões estão associadas à magnitude da doença e sua complexidade no campo assistencial, envolvendo situações de ordem gerencial como o processo de avaliação e monitorização das ações implantadas de controle da doença (ALENCAR, 2014).

Diversos fatores são apresentados como dificuldades para atingir a meta de eliminação da hanseníase, sendo eles: regiões de extrema pobreza onde há perpetuação da doença, dificuldade no acesso aos serviços de saúde nas áreas mais endêmicas, atraso na implementação das estratégias referentes ao processo de eliminação do agravo, a descentralização de serviços somente a partir do ano de 1990, fragilidade nas ações de

vigilância de contatos, insuficiente comprometimento político de gestores, entre outros (BRASIL, 2013a). Entre as estratégias para interromper a dinâmica de transmissão da doença frente as dificuldades mencionadas, há a recomendação da investigação dos contatos intradomiciliares que possibilita o diagnóstico precoce da hanseníase naqueles que apresentam risco aumentado para seu desenvolvimento (VIDOR et al., 2015).

A gestão em saúde utiliza, como meio de mensurar e avaliar as ações desenvolvidas em um determinado serviço, os indicadores de saúde. Segundo a OMS, esses indicadores são parâmetros utilizados mundialmente, caracterizados como epidemiológicos e/ou operacionais. Seu uso tem por objetivo a avaliação e o fornecimento de elementos para o planejamento em saúde e acompanhamento das alterações de padrões sanitários de diferentes coletividades. Além disso, atua na orientação das ações de vigilância e controle da hanseníase, comumente à prática da gestão do SUS (ROUQUAYROL, 2003; BRASIL, 2005; BRASIL, 2012b).

Apesar de ser útil no monitoramento do comportamento epidemiológico de controle da hanseníase, o uso de dados de prevalência (registro de casos da doença em tratamento) pode ter sua importância subestimada, visto que este indicador pode ser influenciado fortemente por alterações operacionais dos programas de controle do agravo, mascarando a real situação epidemiológica (MARTELLI et al., 2002; LOCKWOOD, SUNEETHA, 2005; RODRIGUES, LOCKWOOD, 2011). A diminuição na prevalência da hanseníase não ocorre pela redução da transmissão do agente causador da doença e sim, pela limpeza dos registros e redução do período de tratamento (ILA, 2002).

O coeficiente de detecção de casos novos é considerado um indicador prioritário para se atingir a meta de redução da hanseníase. Ao apresentar valores elevados, os coeficientes indicam que há uma transmissão continuada da doença. Esse indicador é influenciado pela capacidade dos serviços de saúde em realizar o diagnóstico, tratamento e cura dos casos diagnosticados, bem como pelo envio de dados referentes ao acompanhamento e evolução dos casos até a alta por cura. Sendo assim, ele é considerado uma função da incidência real de casos e da agilidade diagnóstica do sistema de saúde (LOCKWOOD; SUNEETHA, 2005; PENNA et al., 2008; RODRIGUES; LOCKWOOD, 2011; BRASIL, 2013a).

No ano de 2005, o Ministério da Saúde (MS) lança o primeiro edital temático sobre hanseníase no contexto das doenças negligenciadas, tendo suas ações iniciadas desde 2003. As doenças negligenciadas são doenças que prevalecem em condições de pobreza, contribuem para a manutenção do quadro de desigualdade, representando forte entrave no desenvolvimento dos países que possuem casos (BRASIL, 2010c).

saúde pública no Brasil, correspondem importantes causas de mortalidade (MARTINS-MELO et al., 2016). Estudo realizado por Martins-Melo et al. (2016) evidencia que, entre os anos de 2000 a 2011, ocorreram 2.935 mortes tendo como causa básica a hanseníase no país, sendo que, mais de 70% dos casos eram do sexo masculino.

A “Estratégia Global para Maior Redução da Carga da Hanseníase e a Sustentação das Atividades de Controle da Hanseníase no período de 2006 a 2010” foi lançada no mundo com o intuito de tratar os desafios que ainda continuavam e diminuir ainda mais a carga sanitária originária do agravo (WHO, 2005a).

Apesar dos avanços relacionados à cobertura das ações de controle e de detecção de novos casos, a hanseníase ainda manifesta-se como um agravante para a saúde pública de muitos países. O Brasil mantém-se no quadro dos países que não obtiveram sucesso com a nova estratégia implementada, sendo o único país da América Latina a não obter êxito na adoção das estratégias. Essa realidade leva a crer que o processo de controle e eliminação dessa doença é complicado e de difícil alcance para países endêmicos (LOCKWOOD; SUNEETHA, 2005; IMBIRIBA et al., 2008; WHO, 2015).

Frente à magnitude das incapacidades ocasionadas pela hanseníase, o relatório do Fórum Técnico da International Leprosy Association (ILA), realizado em 2002, recomenda de forma prioritária, a realização de medidas e pesquisas que visem a prevenção e reabilitação de incapacidades (ILA, 2002).

O GI é um indicador epidemiológico e operacional para o programa da hanseníase e descreve, de modo sintético, a presença de incapacidades físicas decorrentes da doença (WHO, 1998; BRASIL, 2010a). Este indicador sugere a necessidade de novos subsídios para as ações preventivas e de tratamento das incapacidades principalmente no pós-alta, visto que as sequelas incapacitantes são consideradas perda irreparável para aqueles que a desenvolverem (OLIVEIRA et al., 1996; IMBIRIBA et al., 2008).

A OMS desenvolveu a “Estratégia Global Aprimorada para Redução Adicional da Carga de Hanseníase: 2011 – 2015”. Essa estratégia tem por objetivo geral oferecer, em todos os países endêmicos, acesso a serviços de hanseníase de qualidade em conformidades com os princípios da equidade e justiça social. Teve como meta para 2015, a redução de novos casos com deformidade visível ou incapacidade de grau 2 por 100.000 pessoas em 35% em comparação com a taxa de GI 2 de 2010. Esta meta estabelecida pela OMS define claramente a prioridade que deve ser dada às incapacidades determinadas pela hanseníase, no contexto de controle da endemia, contudo, não foi alcançada devido a presença de lacunas no sistema de controle da doença, principalmente no que diz respeito a realização do diagnostico precoce.

Concomitante, há a formação das Diretrizes Operacionais atualizadas, que tem por finalidade servir de auxílio aos gerentes dos serviços nacionais de saúde, para a implementação da Estratégia Global Aprimorada (WHO, 2010; WHO, 2008a).

Diante desse contexto, a OMS lança, no ano de 2016, a “Estratégia Global Aprimorada para Redução Adicional da Carga de Hanseníase: 2016 – 2020”. Esta é sustentada por três pilares em busca do fortalecimento do controle da doença, a coordenação e a parceria do governo; combate a hanseníase, suas complicações; e aspectos relacionados ao combate da discriminação, em busca da inclusão. O bom funcionamento da estratégia de controle depende da detecção precoce dos casos e adesão ao tratamento com a PQT (WHO, 2016a).

Para casos menores de 15 anos, foi implementada no Brasil, a Campanha Nacional de Hanseníase e Geohelmintíase (SOUZA; RODRIGUES, 2015). Essa campanha, está relacionada com a busca ativa de novos casos, diagnóstico precoce, além de que, ao se identificar uma criança doente, significa que há um adulto em seu convívio que ainda não foi diagnosticado e não realizou o tratamento (BRASIL, 2013b; DOMINGUEZ, 2015).