1. ZIMAN Û ŞÊWAZ
1.1. Ziman
1.1.7. Biwêj
As explanações que seguem neste capítulo referem-se às propostas de implantação dos sistemas de avaliação em larga escala específicos do estado de São Paulo. Uma das propostas a ser discutida foi implementada em 1996 sob a denominação de Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo - Saresp. Esta avaliação externa é aplicada por meio da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE/SP) e acontece compulsória e anualmente nas escolas públicas de São Paulo e, por adesão, nas escolas de algumas redes municipais.
Em 2007, algumas modificações consideráveis ocorreram no Saresp, dentre elas:
Os itens das provas foram pré-testados, o que resultou em instrumentos dotados de mais qualidade métrica. Houve também a adequação das habilidades avaliadas no Saresp às do Sistema de Avaliação da Educação Básica Saeb/Prova Brasil, para quarta e oitava séries e terceira série do Ensino Médio. Finalmente, os resultados do Saresp foram colocados na escala do Saeb. (SÃO PAULO, 2009, p.7).
Cabe ressaltar que os resultados do Saresp são utilizados juntamente com os dados de fluxo escolar (evasão e repetência) no cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp) e são utilizados também para a definição de quais escolas estaduais irão ou não receber o bônus, pois recebem a bonificação somente as escolas que alcançarem as metas estabelecidas.
As séries ou anos que são avaliadas no Saresp são: terceiros, quintos, sétimos e nonos anos do Ensino Fundamental e a 3ª série do Ensino Médio.
A partir de 2013, ocorreu mais uma modificação neste sistema de avaliação. Esta modificação refere-se à inclusão do segundo ano do Ensino Fundamental como mais um ano a ser avaliado no Saresp. Esta mudança ocorreu em virtude da determinação da Secretaria da Educação do Estado que adotou para a rede estadual paulista a idade de sete anos como a nova meta etária para a alfabetização, não seguindo a meta nacional estabelecida pelo MEC que é de oito anos de idade.
Para além do Saresp, há ainda outra avaliação externa que também se constitui enquanto proposta específica do Estado de São Paulo que é a Avaliação da Aprendizagem em Processo conhecida pela sigla “AAP”. A elaboração da AAP é de responsabilidade da Coordenadoria de Gestão da Educação Básica (CGEB) que é um dos setores da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE/SP). Essa avaliação tem sido divulgada sob a
alegação de possuir exclusivamente um caráter diagnóstico, bem como de constituir-se apenas como um instrumento de investigação da aprendizagem dos alunos.
Cabe registrar que no site oficial da SEE/SP encontram-se disponíveis informações básicas sobre as avaliações externas em vigor na rede estadual, como, por exemplo, sobre o objetivo da AAP, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo explicita que essa tem o objetivo de diagnosticar o nível de aprendizagem dos estudantes matriculados na rede estadual de ensino, bem como identificar o desempenho dos alunos por meio das competências e habilidades trabalhadas no currículo oficial do Estado, ou seja, há um evidente vínculo desta avaliação com o currículo obrigatório.
Durante o ano letivo a AAP é aplicada em dois momentos, a primeira aplicação ocorre no mês de fevereiro, ou seja, no início do ano, e a segunda aplicação é prevista para acontecer no mês de agosto. A aplicação da AAP ocorre com alunos de todos os anos a partir do 2º ano do Ensino Fundamental, como também todas as séries do Ensino Médio.
Na AAP são avaliados os conteúdos, por meio de competências e habilidades, referentes somente às disciplinas de Matemática e Língua Portuguesa. Também é avaliado a produção textual dos alunos. Embora todos os alunos sejam avaliados pela produção textual, ela não é a mesma para todos, por exemplo, na 7ª aplicação da AAP, em agosto de 2014, no 6º ano foi pedido como produção textual um conto, para o 7º ano foi solicitado um relato de experiência, para o 8º ano foi pedido uma notícia, para o 9º ano um artigo de opinião e, para o Ensino Médio (todas as séries), também um artigo de opinião.
Diferentemente, por exemplo, do Saresp, a AAP é aplicada pelos próprios professores das disciplinas avaliadas, e em horários normais de aula. Os mesmos professores também ficam responsáveis pela posterior correção dessas provas.
Além disso, podemos acrescentar que esta avaliação tem em sua aplicação uma grande abrangência, já que segundo informações da SEE/SP a quantidade de estudantes que participam todos os anos da AAP chega a ser de um total aproximado de mais de 3 milhões de estudantes.
A SEE/SP também informa em seu site oficial que a partir dos resultados da AAP são produzidas orientações aos professores visando o desenvolvimento de atividades em sala de aula que auxiliem no aprendizado dos estudantes com dificuldades e enfatiza ainda que os índices que advêm das aplicações da AAP são utilizados também para o
desenvolvimento de programas e projetos oficiais que possam atuar frente às dificuldades dos alunos.
Agora, acerca de como estes resultados da AAP devem ser “observados” pelos professores, o item 4 de um Comunicado da Coordenadoria de Informação, Monitoramento e Avaliação Educacional (CIMA) em conjunto com a Coordenadoria de Gestão da Educação Básica (CGEB) que foi divulgado no Diário Oficial do Estado, na data de 23 de Janeiro de 2015, ressalta que:
Considerado o objetivo da avaliação da aprendizagem em processo, a aplicação e a correção das provas, nos Anos Finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, devem ser realizadas, a exemplo das demais atividades didático- pedagógicas desenvolvidas com os respectivos alunos, pelos professores das classes/disciplinas envolvidas e, preferencialmente, em aulas duplas e em dias diferentes para Língua Portuguesa, Matemática e Produção Textual. Embora seus resultados devam ser quantificados, ressaltamos que, enquanto instrumento diagnóstico e pelas características dos materiais de apoio que a acompanham, as análises qualitativas devem ser preponderantes neste processo para garantir a efetividade do mesmo. (SÃO PAULO, 2015, p. 27)
Bem como explicitado anteriormente, as escolas e consequentemente os professores recebem um material de apoio denominado “Comentários e Recomendações Pedagógicas”. No Comunicado conjunto CGED/CIMA divulgado no Diário Oficial do Estado, em 17 de Julho de 2014 sobre a 7º edição da AAP, no item 9 há mais algumas especificações sobre este material:
Para complementação das provas da AAP, foi produzido, para cada um dos subitens, descritos no item 7 do presente comunicado, o respectivo material “Comentários e Recomendações Pedagógicas”, referente à Avaliação da Aprendizagem em Processo – Sétima Edição 2014 – destinado aos professores, contendo: a) quadro de habilidades de referência utilizadas na elaboração dos itens das provas; b) orientações necessárias à aplicação das propostas de produção textual e alguns itens específicos das provas de matemática; c) orientações para a correção e interpretação de resultados; d) sugestões de trabalho pedagógico articuladas com a interpretação dos resultados e com os materiais de apoio ao Currículo. (SÃO PAULO, 2014, p. 30)
Faz-se válido destacar ainda que no início deste comunicado a CIMA e a CGED afirmam que consideram a importância de, dentre outras questões, “diagnosticar, por meio de instrumento padronizado, os aspectos da aprendizagem dos alunos que necessitam de atenção imediata, atendendo o disposto na Resolução 74/2013, artigo 4º, inciso VI (...)”.
A referida Resolução, por sua vez, em seu artigo 4º, inciso VI aponta: “identificar os conhecimentos não apropriados pelos alunos para subsidiar a promoção de intervenções pedagógicas de reforço e/ou recuperação”.
Entretanto, podemos neste momento questionar o porquê as ações de órgãos ou instituições superiores à escola insistem em utilizar instrumentos padronizados para mensurar, ou quantificar a aprendizagem dos alunos, se em contrapartida os mais respeitados teóricos que pesquisam e estudam os processos avaliativos apontam que uma avaliação “coerente” deve ser contínua, ser vivenciada como um processo e, portanto, ir além de um exame, ou prova pontual, bem como aponta Cipriano Luckesi, por exemplo.
Por fim, o referido comunicado se encerra no item 14, quando enfatiza a mobilização e participação dos diferentes atores escolares no envolvimento com essa avaliação externa, incluindo aí os coordenadores e os docentes:
As diferentes atividades a serem desenvolvidas no contexto dessas avaliações, devem ser planejadas, executadas e acompanhadas pelas equipes das Diretorias de Ensino e Escolas, destacando as ações dos Supervisores de Ensino, Professores Coordenadores dos Núcleos Pedagógicos, Diretores, Professores Coordenadores e Docentes das unidades escolares, de acordo com as respectivas atribuições. (SÃO PAULO, 2014, p. 30)
De acordo com informações da SEE/SP, além do Saresp e da AAP, as escolas da rede pública estadual paulista também participam da Avaliação Nacional da Educação Básica (Aneb) que é mais divulgada sob a denominação “Saeb”, e da Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc) que é mais conhecida pela denominação de “Prova Brasil”. Por sua vez, estas avaliações juntamente com a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) compõem o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Estas avaliações e principalmente seus resultados são utilizados juntamente com outros dados para calcular o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que se constitui enquanto indicador nacional da qualidade do ensino.
Desta forma, observa-se que as escolas da rede estadual paulista participam de um número considerável de avaliações preparadas externamente, todas implantadas sob o rótulo da qualidade. Importa-nos saber quais as implicações destas avaliações na organização das escolas.