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Para observar a evolução das matrículas efetivadas na modalidade da educação especial por faixa etária, fizemos um levantamento de dados desde 1988.

De 1989 a 1990 foi priorizada a divulgação das matrículas referentes aos: a) aprovados no ensino fundamental e no ensino médio, por dependência administrativa; b) aprovados no ensino fundamental, por série; c) reprovados no ensino fundamental, por série; d) aprovados e reprovados no ensino médio, por série; e) aprovados no ensino médio, por dependência

administrativa e turno; f) aprovados no ensino médio, por série e turno; g) concluintes do ensino fundamental e do ensino médio, por dependência administrativa (BRASIL, 1995).

O processo de organização estatística dos censos escolares decorre de variadas reformas administrativas nos órgãos responsáveis. No governo Collor, em 1991, o Serviço de Estatística da Educação e Cultura (SEEC) vinculou-se à Coordenação Geral de Planejamento Setorial de Assuntos Administrativos do MEC. O período mais crítico, de 1991 a 1994, foi quando esse órgão teve o risco de ter as suas atividades suspensas em consequência do rebaixamento de sua hierarquia. Apesar da ameaça de suspensão, foi possível realizar o levantamento dos dados com o apoio das secretarias de educação estaduais e municipais até 1995. A partir de 1996, esse órgão foi incorporado pela Secretaria de Avaliação e Informação Educacional (Sediae), do MEC, que no ano seguinte foi absorvida pelo Inep, então instituído como órgão oficial pelo levantamento das estatísticas educacionais (IBGE, 2011).

Órgãos do MEC/Inep têm divulgado, na medida do possível, o registro dessas matrículas. Entretanto, a forma de apresentação dos dados dificulta as comparações e categorizações, uma vez que as matrículas são contabilizadas, em sua maioria, concomitantemente: ora como alunos de escolas exclusivamente especializadas, ora como alunos das classes especiais de escola regular.

Ferreira (1991) observou situação semelhante, em estudo analisado pelo Grupo de Trabalho em Educação Especial na 14ª Reunião da Associação Nacional dos Pesquisadores

em Educação (ANPEd), realizada em setembro de 1991, em relação à evolução dos serviços de educação especial no Brasil nas décadas de 1970 a 1990, sobre os quais destacou, principalmente, as limitações das fontes consultadas disponibilizadas pelo MEC.

No período de 1970-1990, o MEC realizou e divulgou três levantamentos estatísticos sobre a Educação Especial no Brasil: em 1975, com dados de 1974; em 1984 e 1985 com dados obtidos em 1981, e em 1990, com pesquisa realizada em 1987. Recorremos aos relatórios, ressaltando, além do viés da leitura, as próprias limitações de fontes consultadas: os números de 1974, por exemplo, tem problemas de consistência interna; há diferenças nas categorizações de dados utilizadas nos três momentos, dificultando certas comparações (FERREIRA, 1991).

Diante dessas circunstâncias, conseguimos analisar, de maneira mais consistente, os dados por faixa etária a partir de 1998 até 2008. Houve a necessidade de apresentar os dados

em três períodos em razão da faixa etária observada, e reconhecemos o limite desse dado devido ao agrupamento das matrículas dos alunos com deficiência.

Entre 1998 e 1999, a faixa etária da população jovem considerada nos censos foi organizada em categorias: de 15 a 18 anos e de mais de 18 anos. Em 1998, o acesso na faixa etária de 15 a 18 anos de idade teve um acréscimo de 9.070 matrículas; passou de 50.639 para 53.676. Na faixa etária de mais de 18 anos, a diferença de 12.683 matrículas registradas entre 1998 e 1999 representa um acréscimo de 23,63%. Aqui, o aumentou foi mais significativo, de 59.709 foi para 66.359 matrículas efetivadas em escolas especiais e/ou classes especiais por faixa etária no Brasil.

No Gráfico 4, a seguir, analisamos o período de 2000 a 2006, no qual se encontra a faixa etária de 15 a 17 ou mais de 17 anos de idade.

Gráfico 4 – Matrículas efetivadas em escolas especiais e/ou classes especiais e na classe comum e/ou EJA por faixa etária - Brasil.

Fonte: MEC/Inep.

Não podemos considerar discrepantes os dados de 2000 comparados com os anos anteriores devido a alteração na faixa etária. Entretanto, verificamos que a evolução na faixa etária de 15 a 17 anos foi praticamente regular até o final do período, com algumas discrepâncias entre 2002 e 2003 e entre 2005 e 2006. Considerando a evolução de 2000 a 2006, o acréscimo nessa faixa etária foi de 21,75%. Em relação às matrículas dos alunos com mais de 17 anos, a evolução foi muito significativa – passou de 73.256 para 129.515 o

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008

Escolas especiais e/ou classes especiais Classe comum e/ou EJA 44 .3 81 48 .7 93 50 .6 87 54 .4 38 56 .1 96 55 .0 60 54 .0 34 39 .1 90 47 .3 31 73 .2 56 87.1 47 97 .3 48 10 6. 23 9 11 6. 11 7 12 5. 83 0 12 9. 51 5 48 .0 20 50 .5 00 Educação especial

número total de matrículas no final do período, ou seja, teve um acréscimo de 76,80%. Entretanto, as categorias agrupadas em escolas especiais e/ou classes especiais são geradoras de números de matrículas e acabaram influenciando o resultado da análise.

Nos anos de 2007 e 2008 foi considerada nos censos a mesma faixa etária no registro das matrículas na modalidade educação especial na classe comum ou na educação de jovens e adultos. O Gráfico 4 nos mostra que a evolução das matrículas correspondente à faixa etária de 15 a 17 anos de idade teve um acréscimo de 20,77%. Nas matrículas de mais de 17 anos a evolução foi menor, chegou a 5,16%. O número das matrículas da educação especial nesses nos dois últimos anos podem sinalizar que ficaram aquém daquelas efetivadas entre 2000 e 2006, mas vale lembrar de que foram computadas as matrículas das escolas especiais e/ou classes especiais no primeiro período.

No Gráfico 5, a seguir, apresentamos a evolução das matrículas efetivadas por nível de atendimento, no ensino médio, na classe comum do ensino regular com sala de recursos15.

Gráfico 5 – Matrículas efetivadas por nível de atendimento - Brasil.

Fonte: MEC/Inep/Seec.

O acesso dos alunos com deficiência no ensino médio com sala de recursos, de 1998 a 2000, foi crescente, pois o aumento no registro de matrículas foi de 54,22%. Em 2001, houve uma diminuição de 2,38% no número de matrículas em relação a 2000, voltando a aumentar no período que vai de 2002 até 2006. Nesse caso, o percentual chegou a 365,68%.

15 No censo escolar de 1998 a 2006 também foi usado o termo ensino médio integrado/integração para

categorizar os alunos com deficiência matriculados na classe comum do ensino regular com sala de recursos.

1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 391 502 603 589 746 1. 06 5 1. 89 8 2. 95 1 3.47 4

Classe comum com sala de recursos

Nos censos de 2007 e 2008 foram consideradas as matrículas da educação especial no ensino médio com sala de recursos. Entretanto, podemos enfatizar nos dados analisados, que, mesmo com as discrepâncias no registro dessas matrículas nesse período, houve o crescimento de acesso dos alunos com deficiência no ensino médio.