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7. BÖLÜM Usul Hükümleri

Os caminhos da EE sempre caminharam à margem da sociedade, excluídos e segregados. As tentativas de um processo educacional esbarraram em propostas distorcidas e que não condiziam com as necessidades educacionais das pessoas com deficiência.

Para iniciar a exposição e reflexão, Carvalho (2010, p. 26) aponta que a história da EE nada fora inclusiva até então:

[...] a história das ideias sobre educação deixa evidente que pouco ou nada tinha de inclusiva, seja em termos da universalização do acesso, seja em termos de qualidade do que era oferecido. Hoje em dia, o panorama é, felizmente, outro, pois temos mais consciência acerca de direitos humanos, embora a prática da proposta de educação inclusiva ainda não conte com o consenso e unanimidade, mesmo entre aqueles que defendem a ideia.

A autora mostra que a EE ao longo do processo histórico teve um caminho de segregação e exclusão que deixa claro que não havia características inclusivas tanto no acesso quanto na qualidade do ensino que era oferecido.

A década de 1980 marca o processo de democratização e novas formas de pensar a EE. Já a década de 1990 trouxe a reflexão e a construção de uma escola inclusiva que tem como objetivo, em tese, atender a todos sem distinções de crenças, condição física e/ou intelectual, cultural e também religiosa. Carvalho (2010) aponta que atualmente existe uma consciência sobre os direitos humanos, entretanto não há unanimidade e consenso em relação à defesa de uma escola inclusiva.

A seguir serão apresentados brevemente os avanços da EE após a promulgação da CF de 1988 (BRASIL, 1988) colocando em destaque o ECA (BRASIL, 1990), a Declaração de Salamanca (1994), a LBEN (BRASIL, 1996) e as Diretrizes Nacionais da Educação Especial na Educação Básica (BRASIL, 2001a). A EE aparece como transversal a educação básica podendo ser oferecida como modalidade de ensino na EI, no EF e no EM. A EI como parte integrante da educação básica faz parte dessa história pós democratização e começa a ter em seu espaço crianças em condição de deficiência com métodos, estratégias e técnicas de ensino para esse alunado garantido em legislação.

Com o movimento de democratização do ensino a EE é mencionada na CF de 1988 (BRASIL, 1988) como modalidade de ensino que é oferecido preferencialmente na rede regular de ensino.

Em consonância com a CF, o ECA (BRASIL, 1990) aponta a EE é oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, no caso da EI na faixa etária de zero a cinco anos de idade.

Em 1994, a Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), traz a intenção de buscar a equidade e a qualidade do ensino como um dos pontos para favorecer oportunidades para pessoas com deficiência.

A LDBEN9.394/96 (BRASIL, 1996) expõe que as pessoas atendidas pela EE são educandos com transtornos globais do desenvolvimento, com deficiência e altas habilidades ou superdotação. Na LDBEN 9.394/96 (BRASIL, 1996) a EE aparece também como modalidade de ensino. Leme (2010, p. 33) analisa as duas leis e conclui que “tanto a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional reforçam o atendimento da Educação Especial como uma modalidade de ensino sendo ela oferecida preferencialmente na rede regular de ensino”.

Rodrigues e Maranhe (2012, p. 34) ressaltam que “ainda que haja legislação que preconiza o atendimento às pessoas com deficiência, o mesmo não chega a 40% da população que necessita dos serviços especializados”. Embora exista a tendência de uma educação para todos com equidade e qualidade o total de pessoas que deveriam ser atendidas não estão nesse rol de atendimento. O Plano Nacional de Educação de 2001 (BRASIL, 2001b) indica déficits na matrícula de estudantes da EE, bem como defasagem na formação docente, na acessibilidade e no AEE.

Se quisermos, efetivamente, aprimorar os processos inclusivos de educação para alunos com deficiência com busca crescente da melhoria da qualidade de ensino, não podemos manter esses níveis, tanto de escolarização quanto de inclusão escolar, na Educação Infantil, sob a pena de mantermos aquilo que tanto temos criticado: a simples absorção desses alunos para melhoria dos índices estatísticos, mas sem a necessária qualidade que contribua para a construção de sua cidadania.

Dados do Portal Brasil (BRASIL, 2015b) indicam que no ano de 2014 mais de 698 mil estudantes estavam matriculados na classe comum com 93% dos alunos nas escolas públicas. Os dados quando comparados com o ano de 1998 que tinha aproximadamente 200 mil pessoas matriculadas com apenas 13% desse montante em classe comum, apontam para avanço quantitativo, pois em 2014 a quantidade sobe para 900 mil matrículas na educação básica e 79% em classe comum.

Esse aumento de matrículas é resultante de políticas públicas de inclusão de pessoas com deficiência na educação básica. As Diretrizes Nacionais para Educação Especial (BRASIL, 2001a) e o Plano Nacional de Educação (BRASIL, 2001b) são um dos responsáveis por tal avanço quantitativo.

Com a Política Nacional para a Educação Inclusiva a EE acessa as classes comuns das escolas regulares. Após a década de 1980, a perspectiva da institucionalização e as classes especiais nas escolas regulares ainda existiam. Com o passar do tempo foram diminuindo para dar espaço ao acesso das pessoas com deficiência, transtorno global do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas comuns.

Surge nesse período o movimento de integração escolar que posteriormente passou para o processo de inclusão escolar. Atualmente, a escola comum vive a perspectiva da educação inclusiva, sendo denominada por Denari (2008) como educação (mais) inclusiva, pois se a educação é para todos, ela por si só, já é inclusiva. Como o acesso e permanência ainda encontra dificuldades nesse processo, a autora coloca a intensidade “mais” para que a educação atinja patamares de qualidade e acesso com mais equidade para todos, de fato. Educação (mais) inclusiva, pois é redundante quanto ao expresso na CF que determina Educação para todos, que por sua vez já estão incluídos os que estão em condição de deficiência, por exemplo.

Na perspectiva da integração escolar o aluno está presente na escola, entretanto ele que deve se adaptar à escola. Já na perspectiva da inclusão escolar (MANTOAN, 2006) a escola se organiza para receber o aluno da EE através de métodos, técnicas e ensino especializado para atender às necessidades de aprendizagem dos educandos.

Carvalho (2010, p. 28) fala “quanto à inclusão, cuja metáfora é a do caleidoscópio, afirma-se que qualquer aprendiz, sem exceção, deve participar da vida acadêmica em escolas comuns e nas classes regulares, nas quais deve ser desenvolvido o trabalho pedagógico que sirva para todos”.

No viés da mudança entre integração escolar e inclusão escolar, Carvalho (2010, p. 28) crítica essa mudança e alerta que é necessário analisar os dois termos independentemente:

[...] considero que a discussão sobre o abandono do termo integração é um esforço enorme, em busca de exatidão terminológica para que uma palavra - no caso, a inclusão – dê conta, com maior precisão possível, de todas as implicações de natureza teóricas e práticas dela decorrentes e que garanta a todos o direito à educação, bem como o êxito na aprendizagem.

A crítica da autora permeia o trabalho efetivo da inclusão escolar e como este é realizado. Pontua também a transição do aluno da ótica da integração para a inclusão analisando que esse movimento não depende exclusivamente dele, mas de uma série de mudanças de comportamentos e ações.

Ainda sobre o conceito de educação inclusiva, Rodrigues e Maranhe (2012, p. 39) denominam que

[...] é um processo em que se amplia a participação de todos os estudantes nos estabelecimentos de ensino regular. Trata - se de uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas de modo que estas respondam à diversidade de alunos, inclusive aqueles com deficiência. É uma abordagem humanística, democrática, que percebe o sujeito e suas singularidades, tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos

As autoras sintetizam o processo da educação inclusiva como a participação de todos no espaço escolar com uma organização da cultura, das práticas e das vivências nesse ambiente. Essa movimentação tem como princípio buscar respostas para todo e qualquer aluno. Elas colocam a educação inclusiva através da abordagem humanística e democrática que valoriza o sujeito e suas singularidades para sua emancipação.

Todavia, atualmente os desafios para se atingir uma educação que atenda a todos são muitos, pois ainda se encontram resistências da sociedade para que esse modelo de ensino se sustente. Carvalho (2010, p. 26) alerta que a resistência dos professores e de alguns pais é por eles explicada em razão da insegurança no trabalho educacional escolar a ser realizado nas

classes regulares, com alunos com deficiência”. Esse pensamento sintetiza anos de processo histórico que sempre colocou a pessoa com deficiência à margem da sociedade. Nesse sentido, os avanços legais e de políticas públicas se estabelecem a medida em que ocorre a remoção de barreiras no âmbito atitudinal (preconceito, estigma e segregação) chegando a trabalhos concretos na esfera educacional. As conquistas nas últimas duas décadas favoreceram mudanças de comportamento frente ao atendimento educacional de pessoas com deficiência, entretanto os caminhos ainda são fragilizados e instáveis.

No ano de 2015 é promulgada a lei 13.146/15 titulada como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2015a) que indica medidas para assegurar e promover condições de equidade de oportunidades para as pessoas com deficiência. No caso da Educação, a lei dispõe de direito à educação com aprimoramento dos sistemas educacionais para garantia de acesso, permanência, aprendizagem e participação ao oferecer recursos e serviços para remoção de barreiras. Importante salientar que Carvalho (2010) disserta sobre a necessidade de remoção de barreiras atitudinais e de aprendizagem para que a Educação Inclusiva se efetive.

Em suma, a EE passou por transformações após a década de 1980 na tentativa de promover uma perspectiva de uma educação (mais) inclusiva. Contudo, apesar de obter avanços e superar condições de ensino e aprendizagem à margem da sociedade a escola ainda tem como objetivo superar condições que segregam e excluem as pessoas em condição de deficiência do ensino regular por meio de medidas educacionais que visem o avanço conforme as necessidades de aprendizagem de cada educando. A EI, também, é síntese de um processo histórico que culminou em leis e documentos que valorizam e inserem essa etapa escolar na educação básica. A EE como uma modalidade de ensino encontra atualmente espaço na EI. Portanto, endossa- se uma EI que visa a qualidade e o desenvolvimento pleno de toda e qualquer criança em seu contexto social.

A próxima seção traz algumas considerações sobre o desenvolvimento humano e sua relação com os processos educacionais, com foco nas características da criança com SD.