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4. ARAŞTIRMANIN BULGULARI

4.1.1 Birinci bölge

A terceira propriedade da categoria central surgiu por consequência de uma grande ocorrência de fenômenos e citações dos entrevistados que enfatizavam tanto a importância da equipe para os resultados estratégicos das bandas quanto a influência de episódios e sugestões existentes no dia a dia nos direcionamentos que o grupo tomava. Os códigos retratavam práticas como “recrutamento através de

sugestões da equipe”, “equipe sugerindo ações estratégicas”, “decisão através de votação democrática” e “microações não planejadas sendo incorporadas”.

Lá na banda, toda a ideia e forma de expressão é muito bem aceita. Todo mundo tem voz. Uns mais, obviamente, e outros menos, mas todo mundo tem voz (A2, músico).

O espaço ele tem, basta ele ter a coragem de falar e ele acertar. Convencer os outros. Ele é ouvido. É e inclusive os outros se metem na área dele. Seja o trombonista no baterista ou tecladista no percussionista (D8, produtor executivo).

Pra sugerir é total. Eles ouvem. Me sinto com voz pra inserir assuntos. Não é engessado. Eu tenho liberdade pra sugerir, eu e (baterista) e todo mundo (C6, músico).

(A equipe) tem esse poder de decisão também. Porque a gente passa mais tempo junto do que em casa com as nossas famílias. Então sempre tem sugestão: de onde se hospedar, de fardamento etc. Coisas do dia a dia! (D9, produtor artístico).

Os dados demonstram que em organizações dessa natureza a equipe não é apenas consultada para auxílio de tomada de decisão, mas que há um envolvimento entre bandas e músicos.

Eu ouso dizer que mudei muito, eles também. Talvez eu tenha mudado mais. Mas a banda hoje tem um pouco do meu DNA (C6, músico).

Todos dão opinião. Claro que a que prevalece é a do cantor, porque ele sabe o que ele quer pra banda e a banda se adaptou muito a ele. Ele é um cara jovem, versátil e antenado (D9, produtor artístico).

Na Economia Criativa, os indivíduos se importam com seus produtos. Esse tipo de fenômeno faz com que o músico se perceba como engrenagem importante para o funcionamento da banda, tanto para executar seu trabalho como instrumentista quanto para sugerir ações estratégicas. Dessa forma, explica-se o primeiro termo da propriedade – envolvimento.

O termo adaptativo inicialmente sugere adaptação. Em várias dimensões, busca-se um melhor entendimento de adaptação e seu uso nesta pesquisa de tese. Em termos léxicos12, o dicionário define adaptação como “o ato ou processo de se

adaptar ou o estado de estar adaptado”. Outras formas de conceituar o termo sugerem “uma natural ou adquirida modificação em organismos que os deixam mais sucetíveis a sobrevivência de um ambiente” e “a resposta decrescente de um órgão sensitivo em relação a um estímulo constante”. Na pedagogia, a adaptação curricular mostra-se como uma estratégia educativa dirigida a alunos com necessidades educativas especiais. Por fim, o conceito de adaptação em administração estratégica refere-se a empresas que sabem se adaptar às exigências de mercado, estando abertas a realizar mudanças que impactam seu modelo e proposta de negócio. Pode-se destacar, para efeito deste estudo, o termo adaptação e, consequentemente, adaptativo como a capacidade de compreender e modelar a estratégia organizacional a um ambiente com variadas situações e climas de episódios estratégicos (escritório, translados, shows, ensaios, real, virtual, estresse, tensão).

O que deu nome à escolha do termo adaptativo foi a forma como o envolvimento revela-se nas organizações pesquisadas. As sugestões e ações estratégicas por parte dos músicos não se dão em reuniões de planejamento em sua maioria, mas no translado dos ônibus entre um show e outro, antes ou depois dos ensaios e até mesmo durante o show.

(Músico) é meu primeiro músico cantor, ele toca sete instrumentos. E aí eu disse a ele que queria que ele botasse o violão e ele disse: “Pra tocar o quê?” E eu disse: “O que você quiser”. Essa parte do show ninguém sabe o que ele vai cantar e a banda que vá atrás. Ele começa no violão, algumas coisas ficam no violão, mas 90% a banda vai atrás. Aí ele pode tocar de Roberto Carlos a Paralamas do sucesso, passando por forrós antigos ou por brega. Tudo. Depende da cidade, do local, do que ele achar (D8, produtor executivo).

Meninas das festas de 15 anos pedem muito É o Tchan, por incrível que pareça, porque tem muita coreografia e eu zoo porque (A1) é negro e eu digo que ele é o Jacaré (dançarino do É o Tchan) e ele pode cantar o que quiser lá na frente que a gente faz o “enrolation”. Então esse “enrolation” já está começando a se organizar, porque está vindo de um exemplo prático, tanto que já estou escrevendo pros músicos... Pra ficar um arranjo da banda mesmo (A3, produtor musical).

Os dados mostram que as organizações que resolvem envolver os músicos nos processos da organização devem perceber a natureza diversificada dos locais onde episódios estratégicos podem ocorrer e que o momento no qual uma ação ou sugestão estratégica pode surgir é imprevisível, tendo que estar prontas para

adaptar a maneira de perceber, realizar e tomar ações estratégicas. Isso também

implica que o grupo deve estar atento para tomar novos caminhos e modificar decisões já tomadas no meio de um processo ou ação em andamento.

A figura a seguir ilustra melhor esses resultados, exibindo alguns códigos com maior grau de fundamentação que emergiram dos dados.

Figura 23: Alguns códigos da propriedade "Compreensão do envolvimento adaptativo" Fonte: Dados da pesquisa (2015).

Os dados da pesquisa também sugerem relação do envolvimento adaptativo com os itens talento de Florida (2011) e práticas, praticantes e práxis de Whittington (2006), uma vez que esse envolvimento possibilita, através

de práticas de envolvimento coletivo, a inserção da equipe (praticantes)

em processos e decisões da empresa, buscando ver suas formas singulares (talento) de contribuir para os objetivos da organização, através de suas microações (praxis).

O próximo quadro explica as dimensões da propriedade Compreensão do envolvimento adaptativo.

PROPRIEDADE DIMENSÃO CONCEITO Compreensão

do

envolvimento adaptativo

alta compreensão (+) Organizações que envolvem os indivíduos e a equipe no processo de gestão, produção e decisão; estimulam a motivação, a cooperação e a liberação do potencial criativo da equipe; têm consciência da natureza diversificada dos locais onde podem ocorrer episódios estratégicos, adaptando-se a essa realidade e dando atenção nas ações e rotinas do cotidiano da equipe. compreensão parcial

(+/-) Organizações que atendem de forma parcial as práticas listadas na dimensão “alta compreensão”. baixa compreensão (-) Organizações que não realizam as práticas

listadas na dimensão “alta compreensão”. Quadro 21 – Dimensões da propriedade "Compreensão do envolvimento adaptativo" Fonte: Dados da pesquisa (2015).

Logo, pode-se relacionar de que forma os grupos estudados se encontram nas dimensões da propriedade em análise:

Propriedade: Compreensão do envolvimento adaptativo

Banda A B C D

Dimensão + +/- + +

Quadro 22 – Bandas pesquisadas quanto à "Compreensão do envolvimento adaptativo" Fonte: Dados da pesquisa (2015).

As citações e os resultados apontam que as bandas vivenciam o envolvimento adaptativo. Conforme as citações mostradas no decorrer do capítulo,

A, C e D contam e procuram os músicos para decisões de gestão e de processos (o

ato de fazer música) e existem evidências de adaptação e incorporações de práticas que surgiram nos variados ambientes e momentos do cotidiano. B, no entanto, enquadra-se como compreendedora parcial da propriedade, uma vez que, por trabalhar com projetos, trocando seus músicos a cada temporada, não adquire um relacionamento tão próximo com cada um da equipe. Mesmo assim,

B demonstra ouvir os músicos e compartilhar com eles resultados estratégicos.

Com base no exposto, apresenta-se a terceira hipótese de pesquisa:

H3: Organizações musicais inseridas na Economia Criativa e que evidenciam Estratégia como Prática em suas rotinas pertencem a um ambiente diversificado no tocante ao local e a momentos em que episódios estratégicos

ocorrem e buscam se adaptar a esse ambiente, envolvendo as equipes e considerando suas rotinas e práticas sociais para tomar decisões estratégicas. Afirma-se que a hipótese H3 indica uma tendência das organizações musicais inseridas na Economia Criativa, as quais evidenciam Estratégia como Prática, onde as rotinas e ações presentes no cotidiano da equipe são vistas como possíveis geradoras de diferencial estratégico.

Benzer Belgeler