Inicia-se esta seção recapitulando Schröeder (2009), quando afirma que a avaliação de uma teoria substantiva não pode ser feita por testes quantitativos. Strauss e Corbin (1998) complementam afirmando que, na visão da Grounded
Theory, o comportamento humano não é regido por leis universais que geram
resultados iguais. A confiabilidade de uma GT vem no grau de consistência entre os resultados do estudo e os dados coletados. Mediante uma visão fenomenológica, corrente que segue direção diferente do positivismo, Sherman e Webb (1988) defendem os seguintes critérios para avaliação de uma teoria substantiva: grau de
coerência, em que as categorias têm de emergir dos dados e não de ideias
preconcebidas do pesquisador; funcionalidade, em que a teoria deve poder explicar as variações nos dados e as inter-relações dos elementos; relevância, em que a teoria deve emergir da sensibilidade teórica do pesquisador, que deve ser capaz de definir a categoria central para a explicação do fenômeno; flexibilidade, em que a teoria deve possibilitar modificações a partir da análise de novos casos, estando, assim, aberta ao aprimoramento de sua capacidade de generalização; densidade, em que a teoria deve ter poucos elementos-chave, mas muitas propriedades e categorias relacionadas a essas propriedades; e integração, em que todos os construtos devem estar relacionados à categoria central. Nesse sentido, inicia-se o esforço de justificar os itens supracitados com os resultados da pesquisa.
O critério grau de coerência aponta que as categorias têm de emergir dos dados. Conforme visto na seção anterior, as categorias principais da pesquisa surgiram no momento em que as codificações axial e seletiva ocorreram, momentos em que os dados eram organizados e relacionados com outros (comparação
incidente-incidente) em busca de uma melhor explicação dos fenômenos
encontrados.
A categoria práticas estratégicas das bandas foi formada por conseguir explicar quais eram as práticas que as bandas adotavam para perseguir seus objetivos organizacionais. Como uma das questões de pesquisa deste trabalho busca verificar a evidência da Estratégia como Prática em ambientes musicais criativos e, portanto, pelo fato de o instrumento utilizado nesta pesquisa conter
indagações acerca desse tema, poderia se esperar semelhança entre elementos da literatura sobre EcP (prática, praticantes e práxis). Contudo, as propriedades dessa categoria (natureza do processo decisório, influência do cotidiano e nível de
participação das equipes) apontaram que, mesmo possuindo natural relação com a
Estratégia como Prática, a categoria apareceu de forma singular para explicar como o fenômeno acontecia em bandas musicais. Logo, na tentativa de responder indagações da pesquisa que são baseadas em um tema da literatura, essa categoria mostrou identidade própria, exibindo elementos de realidade particular.
A categoria criatividade estratégica das bandas possui justificativa semelhante à categoria recém-explicada. Com o intuito de responder a questão de pesquisa que buscava caracterizar as bandas musicais enquanto inseridas na Economia Criativa, era necessário inserir no instrumento elementos do contexto em estudo presentes na literatura (talento, tecnologia e tolerância). Mesmo assim, os dados levantados também revelaram identidade própria, por ilustrarem não somente o relacionamento dos itens da EC, mas também como o indivíduo talentoso poderia contribuir
estrategicamente para os objetivos organizacionais (por isso, o termo criatividade estratégica no nome da categoria).
Na tentativa de sintetizar e explicar todos os fenômenos da pesquisa, a categoria central Estratégia como Prática Criativa (termo não encontrado na literatura até o momento da pesquisa), através de suas propriedades, apontou resultados singulares que emergiram dos dados através da correlação entre as categorias práticas estratégicas das bandas e criatividade estratégica das bandas. A preocupação com a atuação especializada em redes sociais, a atenção com a individuação e indiferenciação e a relação do conceito de envolvimento adaptativo com a gestão das bandas proporcionaram ineditismo nos resultados que os dados indicaram. Dessa forma, acredita-se atender ao primeiro critério de validação de uma
Grounded Theory.
O item funcionalidade sugere que a teoria gerada através da Grounded
Theory tem que explicar as variações nos dados e as inter-relações dos construtos.
O ato de pesquisar quatro bandas com mercados, estilos e áreas de atuação diferentes garante a diversidade entre as organizações musicais inseridas na Economia Criativa e que evidenciam Estratégia como Prática em suas rotinas, buscando proporcionar a variação dos dados. Apesar da diversidade, os resultados
demonstram um direcionamento que possibilitou a geração de hipóteses que apontam para uma tendência na forma de gerir. Embora a possibilidade de geração de hipóteses seja vista como positiva, esperava-se mais variação nos dados, por exemplo, alguma banda ser enquadrada na dimensão (-) em alguma propriedade, o que não ocorreu, mesmo depois de dez entrevistas.
A inter-relação entre os construtos foi provada através das propriedades que explicam a categoria central. As associações que fazem com que as propriedades da categoria central expliquem todos os elementos da pesquisa são descritas no item 4.4.
No tocante ao nome da categoria central, na medida em que os dados da categoria práticas estratégicas das bandas apontavam para a forma como as práticas sociais estratégicas se evidenciavam nas rotinas dos grupos e a categoria
criatividade estratégica das bandas relatava como estas valorizavam o talento, o
indivíduo estrategista e criativo e a imersão frente às novas tecnologias, encontrou- se no termo Estratégia como Prática Criativa a expressão que englobaria e explicaria os fenômenos das duas categorias.
O critério de relevância afirma que a teoria deve emergir da sensibilidade teórica do pesquisador, que deve ser capaz de definir a categoria central para a explicação do fenômeno. Acredita-se que a definição da categoria central se deu no decorrer da pesquisa de modo natural, uma vez que as outras categorias do estudo mostravam-se com propriedades e dimensões bem definidas. Dessa forma, a sensibilidade teórica possibilitou, sem muitas dificuldades, a concatenação dos resultados que surgiram nas demais categorias do estudo com a concepção da categoria central. A conceituação das propriedades da categoria central revelaram termos não encontrados na literatura específica dos elementos (EC e EcP), como
conectividade social virtual, individuação e indiferenciação e envolvimento adaptativo.
O quesito flexibilidade assevera que a teoria deve ser modificável a partir da análise de novos casos. A sociedade encontra-se em um ambiente mutável e de distintas realidades, mesmo dentro de um único país. Em menos de uma década, várias redes sociais surgiram e foram disseminadas. Diante disso, a forma de divulgação e monetização de conteúdo frente à internet mudou e muda
constantemente, o que faz com que seja impossível afirmar que o modo de compreender conectividade social virtual seja algo imodificável.
Na própria pesquisa, esse contexto foi identificado, uma vez que a primeira banda pesquisada utilizava as redes sociais de maneira não profissional. Os dados das bandas seguintes mostraram outra tendência, possibilitando conclusões até então desconhecidas naquele momento da pesquisa. Outro elemento descoberto na pesquisa, o envolvimento adaptativo, atua nas quatro organizações estudadas, porém é impossível afirmar que tal modelo é uma verdade universal entre bandas musicais, tendo em vista que a totalidade não foi pesquisada. Logo, sugere-se que a teoria formulada nesta pesquisa é flexível, sendo passível de ser modificada a partir do surgimento de novos casos.
A densidade de uma Grounded Theory afirma que a teoria deve ter poucos elementos-chaves, muitas propriedades e categorias relacionadas às propriedades. Julga-se o atendimento desse critério, na medida em que a teoria conta com apenas dois grandes elementos-chaves, Economia Criativa e Estratégia como Prática, e cada categoria abrange três propriedades (em um total de nove propriedades principais), com dimensões bem definidas e três hipóteses que auxiliaram a explicar o que representava a categoria. O forte relacionamento entre as propriedades e suas categorias é mostrado ao longo dos itens 4.3, 4.4 e 4.5, inclusive sintetizado na Figura 18, na seção 4.3.
O item final, interação, sugere que todos os construtos devem estar ligados à categoria central. A mesma Figura 18 também é capaz de ilustrar essas relações. Tanto a categoria práticas estratégicas das bandas quanto a categoria criatividade
estratégica das bandas estão fortemente relacionadas com a categoria central.
Ademais, os códigos concernentes às propriedades dessas duas categorias também se relacionam com as propriedades da categoria central, fortalecendo o poder explicativo da última e mostrando que esta somente existe por causa das primeiras. Um exemplo dessa interação de códigos com múltiplas propriedades pode ser visto na figura a seguir.
Figura 28: Relacionamento entre código e múltiplas propriedades Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Analisando as propriedades da categoria central, percebe-se que o tipo de relação da ilustração acima permeia todo o trabalho de pesquisa. A propriedade
conectividade social virtual apresenta relação com a propriedade influência das redes sociais no processo estratégico da categoria criatividade estratégica das bandas, uma vez que, através de fenômenos identificados nessa última, foi possível
constatar como as bandas atuavam nas redes sociais e, assim, foi permitido o desenvolvimento de um conceito maior como a conectividade social virtual, já descrito no item 4.3.
Os conceitos de individuação e indiferenciação presentes em uma das propriedades da categoria central também foram criados através de relações entre as propriedades posicionamento frente às diversidades, importância individual do
artista e influência do cotidiano, propriedades das duas grandes categorias
encontradas no estudo, na medida em que os resultados mostravam que, durante as rotinas do cotidiano, o artista poderia expressar suas opiniões e contribuições para a organização, caso esta possibilitasse essa prática e se posicionasse tolerante em face das diversidades individuais.
Por fim, percebeu-se a relação entre as propriedades natureza do processo
decisório, importância do artista e nível de participação das equipes com a
propriedade da categoria central compreensão do envolvimento adaptativo, uma vez que foi por meio da identificação de um processo decisório descentralizado e da presença de práticas que envolvem músicos das bandas que o conceito de
envolvimento adaptativo pôde ser atrelado aos fenômenos. Logo, considera-se que a interação foi alcançada nesta pesquisa.
Apesar de os critérios de validação de uma Grounded Theory terem sido discutidos e relacionados com os resultados da pesquisa, é feito o resgate do debatido na seção 2.5, a qual aborda o contextualismo, com o intuito de ampliar os conceitos de validação do estudo. O contextualismo defende que o conhecimento é relativo ao contexto em que está inserido e no qual é discutido, e, por causa disso, são exigidas apenas razões razoavelmente fortes o suficiente para tornar bastante provável que a proposição em questão seja verdadeira, mas não fortes o bastante para garantir sua verdade. A esse respeito, Bandeira-de-Mello (2002) frisa que na
Grounded Theory o comportamento humano não é regido por regras universais,
tornando-se impossível a recriação completa de experimentos controlados em dados contextos organizacionais.
Desse modo, é possível fazer relação entre Grounded Theory e contextualismo (relação já feita em 2.5) e incluir o presente estudo nessa corrente. Nesse sentido, os resultados alcançados na pesquisa se limitariam a representar apenas o contexto estudado, não sendo obrigado a indicar fielmente a realidade de todas as organizações musicais inseridas na Economia Criativa e que evidenciam Estratégia como Prática em suas rotinas, ganhando sustento teórico no item de validação flexibilidade discutido anteriormente, dando margem para uma posterior adaptação da teoria. Finalmente, conclui-se que, amparada tanto pelos critérios de validação de uma Grounded Theory de Sherman e Webb (1988) quanto pelos princípios do contextualismo, a presente pesquisa é considerada confiável na medida em que se percebem coerência e consistência entre os resultados do estudo e os dados coletados.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando a evidência do momento em que a Economia Criativa vai se referenciando em termos estratégicos e ao mesmo tempo pensando o estágio de concepção e desenvolvimento da gestão em uma dinâmica cada vez mais complexa, a busca de um entendimento e as possíveis relações e aproximações tornam-se necessárias e evidentes. Nesse sentido, o presente estudo coloca-se como esforço teórico-epistemológico-metodológico de pensar e analisar de forma fundamentada e criteriosa a realidade e as evidências do cenário de ambientes criativos em uma perspectiva da Estratégia como Prática social. Para tanto, foi preciso adentrar nas realidades, práticas sociais e rotinas de quatro bandas de mercados, áreas de atuação e estilos distintos para identificar suas compreensões, percepções e motivações, de forma que uma pesquisa objetiva talvez não pudesse atender.
O método da Grounded Theory, por ser contextualista, processual e qualitativo, forneceu técnicas que elevaram o nível de aprofundamento das informações, auxiliando a perceber a essência do fenômeno estudado. Pela natureza e flexibilidade da entrevista, foi alcançada maior intimidade com os grupos pesquisados, de modo a captar melhor suas compreensões e significados acerca do tema. A partir das descobertas, foi gerada a teoria da Estratégia como Prática Criativa, que não somente explica um fenômeno como também pode direcionar práticas e ações a serem seguidas por outras organizações.
Nessa perspectiva, três hipóteses foram geradas com base nos resultados:
H1: Organizações musicais inseridas na Economia Criativa e que evidenciam Estratégia como Prática em suas rotinas julgam ser essencial para a estratégia do negócio ter um relacionamento eficiente tanto intra quanto extraorganizacional utilizando redes sociais; H2: Organizações musicais inseridas na Economia Criativa e que evidenciam Estratégia como Prática em suas rotinas consideram a individuação e a indiferenciação determinantes para a existência do negócio; H3: Organizações musicais inseridas na Economia Criativa e que evidenciam Estratégia como Prática em suas rotinas pertencem a um ambiente diversificado no tocante ao local e a momentos em que episódios estratégicos ocorrem e buscam se
adaptar a esse ambiente, envolvendo as equipes e considerando suas rotinas e práticas sociais para tomar decisões estratégicas.
Em relação à primeira hipótese, os dados sinalizam para uma atenção maior quanto à conectividade social virtual, termo que emergiu dos dados e que indica investimento em profissionais especialistas em redes sociais, assim como forte atuação organizacional na área. Quanto à segunda hipótese, os resultados apontam para uma preocupação com o fomento à individuação, ou valorização do que o indivíduo tem de talento e singularidade e como isso pode contribuir para os objetivos organizacionais, e à indiferenciação, ou tratamento sem preconceitos frente às diferenças individuais em suas práticas estratégicas. A última hipótese atenta para o envolvimento adaptativo, ou seja, o envolvimento (e não apenas consulta) do indivíduo da organização nos processos, rotinas e tomadas de decisão, dando atenção e se adaptando ao ambiente diversificado em que tal organização se insere e buscando junto a episódios e ações do dia a dia possibilidades estratégicas favoráveis. O fato de a natureza da atividade ser categorizada como criativa pode ser um fator-chave que explique essa disposição natural a adaptação, flexibilidade e envolvimento.
A teoria gerada através das hipóteses afirma que organizações musicais inseridas na Economia Criativa realizam de forma simultânea e dinâmica o fazer criativo e estratégico nos âmbitos artístico e gerencial. A natureza diversificada do ambiente no qual tais organizações se encontram faz com que estas busquem e favoreçam a individuação e a indiferenciação dos indivíduos, compreendam a importância estratégica da especialização em redes sociais, envolvam as equipes e considerem suas rotinas para tomar decisões, possibilitando a ideia de uma Estratégia como Prática Criativa. Esse olhar possibilita a análise estratégica através de um viés social, uma vez que é dada ênfase às interações entre empresa e clientes (através das redes sociais) e empresa e indivíduos (através da atenção dada aos episódios e rotinas das equipes na organização), indicando o propósito e diferencial da Estratégia como Prática como um todo. Essa concepção completa o trinômio do construto teórico-empírico- conceitual proposto, apresentando-se como tendência estratégica de sobrevivência e adaptação a uma sociedade mutável, dinâmica, inclusiva, interconectada.
Tal proposição gerada foi validada pautando-se nos critérios de grau de
coerência, funcionalidade, relevância, flexibilidade, densidade e integração,
propostos por Sherman e Webb (1988), garantindo substancialidade e robustez teórica. Além dos critérios de validação, ressalta-se que o método da Grounded
Theory encontra-se pautado no contextualismo, no qual os resultados alcançados na
pesquisa se limitariam a representar apenas o contexto estudado, não sendo obrigado a representar uma realidade universal.
Como limitações, pode-se listar a impossibilidade de comparecer aos ensaios das bandas A e D por razões já discutidas no capítulo de análise, ainda que se acredite que essa barreira não tenha prejudicado os resultados alcançados. Também se esperava uma maior variação dos dados, uma vez que foram escolhidas bandas de realidades distintas, contudo isso permitiu mais facilmente a percepção de uma tendência por parte da forma como essas organizações fazem estratégia.
Nessa perspectiva, podem ser feitas diversas recomendações para futuros trabalhos:
a) uma teoria gerada pela Grounded Theory deve ser preparada para ser modificada frente às novas descobertas, aumentando sua variação e, por consequência, seu poder de explicação. O ato de incluir futuramente outras bandas musicais de realidades, regiões ou conceitos distintos na pesquisa poderia proporcionar o surgimento de resultados que agregassem valor à teoria existente;
b) Outra linha de pesquisa poderia realizar um estudo estatístico em uma grande amostra de bandas musicais de uma região. Nesse caso, a técnica e os instrumentos seriam outros, pois não se buscaria uma nova teoria, mas seu raio de atuação. O instrumento de análise poderia conter itens específicos sobre os três elementos identificados na pesquisa: conectividade social virtual, individuação e
indiferenciação e envolvimento adaptativo;
c) A mesma pesquisa poderia ser ampliada para organizações de outros setores da Economia Criativa (publicidade, artes, design), assim como organizações que não participam da EC.
Apesar de o ponto de partida do trabalho ser estratégico, organizacional e gerencial, este ocorreu em consonância com o paradigma de Economia Criativa. Ao
longo do estudo, trabalhou-se duplamente com seus objetos do estudo, ambos complementados com a força do método empírico de Grounded Theory, de construção de saberes para a própria concepção de estratégica organizacional a partir de ambientes criativos. Partiu-se da estratégia, mas também se estudou a Economia Criativa, oferecendo, dessa forma, uma contribuição tanto para a dimensão estratégica quanto para a dimensão da EC (dando a essa última um viés gerencial e adaptativo, comprovado empiricamente através dos dados da pesquisa).
Com a realidade da Economia Criativa, contexto relativamente novo e em processo de avanços, as organizações passam a se sentir em um novo cenário em que, além de desenvolver suas práticas competitivas, debatem-se com a necessidade de tratar essa questão de forma economicamente criativa. Isso gera um “complicador” a mais, no entanto, com o tempo, essas dimensões podem ir se aproximando e haja um ambiente mais flexível, menos tenso, mais sociável, mais inventivo, rico de sentido, significado, símbolos, não tão rígido como as relações de mercado e competição que se evidenciam, trazendo consequências de relações sociais, humanas, de convivência, de oportunidade, de socialização dos bens, riquezas e acessos.
Esse contexto pode proporcionar uma maneira de organização que transforma o fazer diário competitivo e estratégico em que se conjugam dinamicamente talento (capacidade), tecnologia (recursos, meios) e tolerância (identificada com a evolução social das relações e diferenciações no seio da sociedade, em termos de etnia, preferências e escolhas). O estudo tratou-se de uma descoberta teórica a partir do empírico como uma nova contribuição para o mundo das organizações estratégicas, como um elemento que se coloca dentro de uma construção maior que vai evoluindo com o tempo e pode ser incorporado a uma prática mais adequada para a dinâmica da sociedade que se transforma, em que a mudança é a única coisa que permanece no cenário hoje.
Ao término do trabalho de pesquisa, pode-se mencionar que bandas musicais são organizações que merecem atenção por suas particularidades na forma de trabalhar e de fazer gestão. Por estar há quinze anos fazendo parte de diversos grupos musicais, alguns como gestor, outros apenas como músico instrumentista e outros como freelancer, o autor da pesquisa pôde vivenciar momentos marcantes como o aplauso de multidões, as composições próprias tocando nas rádios e sendo